Chablis Premier Cru, uma questão de climat

Compreender a divisão dos vinhedos Premier Cru de Chablis é compreender o próprio conceito de terroir local, que de tão complexo e específico, recebe o nome de climat

Eduardo Milan em 9 de Agosto de 2012 às 14:02

Burgundy Wine Board

A região de Chablis fica no meio do caminho entre Paris e Beaune, é a porta de entrada para a Borgonha. Seus vinhedos estendem-se por 6.800 hectares, sendo 4.900 produtivos, e abrangem 20 vilarejos. Os romanos introduziram as vinhas, mas foram monges cistercienses que realmente estabeleceram a viticultura como atividade essencial para a economia e começaram a produção de vinhos na região, que sobreviveu à devastação pela filoxera, bem como a duas guerras mundiais e ao êxodo rural.

Não fossem o amor pelo vinho e a persistência dos produtores e enólogos, hoje estaríamos privados de conhecer o Chablis, renomado branco, reconhecido pela pureza de seu aroma e sabor. Não só esses profissionais se mantiveram fiéis à Chardonnay e à sua terra, como também esmiuçaram, estudaram e exploraram o local profundamente ao longo dos anos, de modo a desenvolver um conceito de terroir tão detalhado e específico que os levou a adotar a nomenclatura distinta e somente utilizada na Borgonha, o climat.

Climats são parcelas de terra precisamente delimitadas, que gozam de particulares condições geológicas e climáticas

O que é?
A expressão climat foi oficializada a partir de 1935 pelo Institut National des Appellations d’Origine (INAO). Pode-se dizer que o termo é exclusivo para a Borgonha, é sua noção de terroir. Climats são parcelas de terra precisamente delimitadas, que gozam de particulares condições geológicas e climáticas.

Enquanto o terroir pode ser definido como o conjunto de tipo de solo, de clima, características da região e da interferência do homem, o climat pode ser considerado um aprofundamento desse conceito em cada parcela de vinhedo. Assim, em Chablis, é o climat que acaba por determinar toda a diferença na uva colhida e, consequentemente, no vinho. O climat é a conjunção de diversos fatores, tais como os tipos de camadas de solo, sua espessura e a maneira como estão sobrepostas; é a influência da inclinação do terreno, a variação de altitude do local – entre 100 e 250 metros –, o posicionamento de cada área em relação ao sol (horário em que as plantas recebem a insolação), bem como o perfil do terreno em relação aos ventos; além disso, é o estilo do produtor, como cada um maneja todos esses fatores.

Em suma, embora o uso exclusivo da Chardonnay seja a principal característica de Chablis, na verdade, a riqueza dos seus vinhos resulta da combinação de clima e solo. O clima lá é essencialmente semicontinental, sem influência marítima, de forma que os invernos são longos e rigorosos e os verões, com frequência, razoavelmente quentes.

Não obstante a influência do clima, o ponto crucial de Chablis está em sua geologia, em seu solo argilo-calcário. A região está sobre uma grande bacia submersa de calcário, que propicia o sabor único de seus brancos. Em seu solo se encontram fósseis de enormes caramujos pré-históricos – de até 30 centímetros. As variações de composição desse solo delimitam as áreas produtoras e acabam por determinar as quatro classificações da AOC.

Embora o uso exclusivo da Chardonnay seja a principal característica de Chablis, na verdade, a riqueza dos seus vinhos resulta da combinação de clima e solo

Quatro AOC
De fato, a mais superior das classificações é a dos Chablis Grand Cru, que engloba apenas sete vinhedos. Todos estão agrupados em uma encosta íngreme – o que garante boa exposição solar – na saída norte da cidade, à margem direita do rio Serein, em uma área de aproximadamente 100 hectares. No local, a superfície do solo apresenta rochas e fósseis muito característicos, sobre argila Kimmeridgiana (Kimmeridgean clay).

Em 1938, o (INAO) criou a Appellation d’Origine Contrôlée (AOC) para a região de Chablis, determinando que os vinhos fossem produzidos unicamente a partir da variedade Chardonnay e delimitando áreas de cultivo e práticas de vinificação

Em seguida vêm os Chablis Premier Cru, incluindo vinhedos localizados em ambas as margens do Serein. Devido a esse fato, os vinhos dessa denominação são os que melhor expressam o conceito de climat. Há claras diferenças entre as parcelas de cada margem. Em toda a extensão, todavia, os vinhedos estão plantados em solo de argila Kimmeridgiana, com a presença de minúsculas cascas de ostras fossilizadas, as ditas Exogyra Virgula.

A classificação mais comum é a dos Chablis AOC com vinhedos ainda cultivados em solo de argila Kimmeridgiana. Por fim, Petit Chablis é a classificação mais simples. Para os Petit Chablis, normalmente os vinhedos estão sobre áreas de Portlandian clay, de estrutura semelhante à da primeira. Geologicamente, esses dois tipos de solo têm origem na mesma época. Entretanto, de modo geral, o Portlandian clay não confere tanta finesse ao vinho quanto o Kimmeridgean clay.

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CHABLIS GRAND CRU AOC
Topo da hierarquia. Sete vinhedos que ocupam uma área total de 100 hectares em uma das encostas ao norte da cidade de Chablis, com face sudoeste. São eles Les Clos, Vaudésir, Valmur, Les Preuses, Bougros, Blanchot e Grenouilles. Juntos, os vinhedos Grand Cru são responsáveis por aproximadamente 3% da produção anual de Chablis. Uvas para elaboração devem ser colhidas com potencial alcoólico de, pelo menos, 11%.

CHABLIS PREMIER CRU AOC
Somam ao todo 40 vinhedos, os quais cobrem uma área de 750 hectares. Uvas para elaboração devem ser colhidas com potencial alcoólico de, pelo menos, 10,5%.

CHABLIS AOC
Área de produção é a mais extensa da região, totalizando 2.860 hectares, e também a que apresenta a maior variação entre seus produtores e qualidade de safras. Uvas para elaboração devem ser colhidas com potencial alcoólico de, pelo menos, 9,5%.

PETIT CHABLIS
Base da hierarquia das denominações de Chablis. Inclui as áreas mais periféricas da região. Até 2004, de um total de 1.800 hectares permitidos na denominação Petit Chablis, 560 estavam cultivados.

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O CLIMAT NOS CHABLIS PREMIER CRU
Para melhor entender os Chablis Premier Cru, é importante notar uma particularidade: o INAO permite o uso do que se chama de “umbrella names”, ou seja, vinhedos menores e menos conhecidos podem usar o nome de vinhedos Premier Cru próximos mais famosos, normalmente sendo lançados ao mercado sob esses mesmos nomes.

Há 89 climats no total que podem produzir vinhos com status de Premier Cru, dentre os quais 17 são os climats principais e mais famosos – ditos “umbrella names” – ou seja, que podem ser usados para se referir a um dos outros 72 (na tabela ao lado, nos referimos a cerca de 40 dos climats mais conhecidos). Assim, por exemplo, um produtor que possui um vinhedo em Vaulorent pode optar por ostentar em seu rótulo esse nome ou, então, Fourchaume, que é um dos 17 climats “umbrella”.

Há 89 climats no total que podem produzir vinhos com status de Premier Cru, dentre os quais 17 são os climats principais e mais famosos – ditos “umbrella names”

Na margem direita estão os vinhedos de Mont de Milieu, Montée de Tonnerre, Fourchaume, Vaucopin, Les Fourneaux, Côte de Vaubarousse e Berdiot. Naquele local, as vinhas são bem antigas. Assim, os Chablis Premier Cru daquela região são mais elegantes e frutados. Dois dos climats mais significativos são Mont de Milieu e Montée de Tonnerre.

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Do outro lado, na margem esquerda, estão Vaillons, Montmains, Côte de Léchet, Beauroy, Vau Ligneau, Vau De Vey, Vosgros, Chaume de Talvat, Côte de Jouan e Les Beauregards. O solo é mais profundo, determinando vinhos com maior mineralidade e acidez. Destacam-se os climats de Vaillons e Montmains.

Além das claras diferenças verificadas entre as margens direita e esquerda, existem distinções também entre as características de cada vinhedo. De fato, cada pequena parcela de solo apresenta traços únicos; o detalhamento e o refinamento dessas diferenciações são perceptíveis nos vinhos produzidos em cada área. Enólogos têm, ao longo dos séculos, pesquisado e trabalhado essas sutilezas de modo a produzir vinhos que, mais do que expressar o terroir de Chablis, sejam retrato fiel do climat de onde vieram.

VENDO DE PERTO
ADEGA teve a oportunidade de passar uma semana em Chablis em junho e visitar 12 produtores, onde degustamos mais de 180 vinhos. Em linhas gerais, independentemente dos métodos de cultivo e de produção ou do tamanho de cada produtor, o que se pôde constatar foi a tipicidade e a consistência de qualidade e de estilo de todos vinhos provados.

divulgação La Chablisienne
Os vinhedos Premier Cru estão plantados em solo de argila Kimmeridgiana, com a presença de minúsculas cascas de ostras fossilizadas, as ditas Exogyra Virgula

Domaine Laroche
(www.larochewines.com)
Um dos maiores produtores de Chablis, produz vinhos desde 1850. Atualmente, possui mais de 100 hectares de vinhedos próprios e produz mais de 6 milhões de garrafas. Exporta perto de 85% da produção para mais de 80 países.

Vinhos avaliados
90 pontos
Domaine Laroche Chablis Saint-Martin 2010
(World Wine) Carro-chefe da vinícola. Elaborado somente com uvas advindas de vinhedos próprios. Somente 15% do vinho passa por madeira de terceiro uso. Típicas notas minerais, toques florais agradáveis. Fruta fresca e de ótima qualidade lembrando maracujá. Feminino e sedutor. Gostoso de beber.

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90 pontos
Domaine Laroche Premier Cru Les Vaillons 2008
Avaliação na Cave, a partir da página 83

La Chablisienne
(www.chablisienne.com)
Fundada em 1923, La Chablisienne é uma organizada cooperativa de 300 produtores que existe desde 1923, contribuindo com cerca de 25% do total de vinhos produzidos em Chablis. As modernas instalações da vinícola e o centro de recepção aos turistas chamam atenção pela organização. Pelo imenso volume, os vinhos, em geral, apresentam ótima tipicidade e qualidade.

Vinhos avaliados
89 pontos
La Chablisienne Chablis Les Vénérables 2009
(Interfood) É produzido somente a partir de vinhas com mais de 35 anos, sem passagem por madeira. Ótima acidez, fresco, com mais profundidade e intensidade que geralmente encontradas nessa gama de vinho.

90 pontos
La Chablisienne Chablis Premier Cru Côte de Léchet 2009
(Interfood) Apresenta uma mineralidade calcária, aromas discretos de frutas cítricas, discretas notas de baunilha. Cheio, intenso, boa acidez, final longo e refinado. Apesar de bom, ainda está jovem.

91 pontos
La Chablisienne Premier Cru Fourchaume 2009
Avaliação na Cave, a partir da página 83

92 pontos
La Chablisienne Chablis Premier Cru Mont de Milieu 2009
(Interfood) O mais austero e mineral dos 3 Premier Cru provados. Pronunciadas notas minerais lembrando giz. Madeira elegante e muito bem integrada. Profundo, longo, com grande capacidade de envelhecimento.

Burgundy Wine Board

Domaine Testut
(www.domaine-testut.fr)
Contando com aproximadamente 15 hectares de vinhedos com idade média de 60 anos, esta pequena vinícola familiar é administrada pelo simpático Ciryl Testut. Os brancos surpreendentes são exclusivamente produzidos a partir de vinhedos próprios, defendendo o uso de madeira que, segundo ele, tem função antioxidante, somente nos vinhos Grand Cru.

Vinhos avaliados
90 pontos
Domaine Testut Chablis River Droite 2010
(Sem importador) Elaborado a partir de um único vinhedo localizado na margem direita do rio Serein vizinho ao Grand Cru Blanchots, este branco surpreende pelas notas minerais intensas, aromas de frutas tropicais lembrando maracujá, além de toques de cogumelos. Frutado e profundo, tem ótima acidez e final elegante e persistente, com qualidade comparável a de um Premier Cru.

91 pontos
Domaine Testut Chablis Premier Cru Montée de Tonnerre 2010
(Sem importador) Sem passagem por madeira, chama atenção pela mineralidade e pelo frescor, sem perder profundidade e complexidade. Frutado e estruturado, é untuoso e tem final longo e suculento.

O ponto crucial de Chablis está em sua geologia, em seu solo argilocalcário

Domaine Fourrey
(www.domaine-fourrey.com)
Vinícola familiar contando com 20 hectares de vinhedos próprios, produz cerca 100.000 garrafas. Pertencentes à quarta geração da família, os irmãos Jean-Luc e Marie-José administram a propriedade desde 1992. Interessantes testes comparativos têm sido feitos com o uso ou não de madeira na fermentação de alguns vinhos.

Vinhos avaliados
90 pontos
Domaine Fourrey Premier Cru Côte de Lechet 2010
(Vinea) Fresco e frutado, apresenta notas de frutas cítricas e tropicais lembrando maracujá e limão siciliano, bem como típicas notas minerais. Redondo, gostoso de beber e de ótima persistência.

91 pontos
Domaine Fourrey Premier Cru Côte de Lechet 2010 Eleve En Fut de Chene
(Vinea) Mesmo mosto e mesma safra do anterior, porém com fermentação e estágio em barris de carvalho. Mais complexo, madeira bem integrada aportando complexidade ao conjunto. Notas de mel, baunilha e manteiga. Macio e muito gostoso de beber, tem tudo para envelhecer magistralmente.

Burgundy Wine Board
Chablis Premier Cru somam ao todo 40 vinhedos, os quais cobrem uma área de 750 hectares. As uvas para elaboração devem ser colhidas com potencial alcoólico de, pelo menos, 10,5%

Domaine Louis Moreau
(www.louismoreau.com)
Pertencente à sexta geração da família, Louis Moreau administra o Domaine com sua simpática esposa desde 1994. Atualmente, produzem cerca de 350 mil garrafas e exportam para mais de 20 países. Seus vinhos são limpos, corretos e expressam as características do terroir ressaltando uma fruta mais madura e um maior volume de boca.

Vinhos avaliados
91 pontos
Domaine Louis Moreau Premier Cru Vaillons 2009
Avaliação na CAVE , a partir da página 83

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92 pontos
Domaine Louis Moreau Grand Cru Valmur 2009
(Wine Stock) Madeira bem integrada, apresenta aromas de frutas tropicais mais maduras, notas de mel, petrolato e camomila. Intenso, tem ótima acidez e final longo.

Chablis Premier Cru da margem direita do rio Serein são mais elegantes e frutados

Domaine Bernard Defaix
(www.bernard-defaix.com)
Atualmente administrada por Didier Defaix e sua esposa, a vinícola possui 27 hectares de vinhedos próprios com idade média de 45 anos, tendo os mais antigos entre 60/70 anos. Adeptos da agricultura sustentável, possuem certificação de cultivo orgânico na maioria de seus vinhedos. A vinificação é com o mínimo de intervenção, somente com leveduras indígenas. Em linhas gerais, produz vinhos puros e de ótima tipicidade, com profundidade acima da média.

Vinhos avaliados
91 pontos
Domaine Bernard Defaix Premier Cru Le Lys 2010
Fermentado parte em madeira e parte em inox, este branco exibe aromas de frutas tropicais maduras e cativantes notas florais e minerais. Fresco, limpo e muito equilibrado, é intenso e profundo e tem longo final.

92 pontos
Domaine Bernard Defaix Premier Cru Côte de Lechet Reserve 2010
(Sem importador) Elaborado exclusivamente a partir de uvas advindas de vinhedos com mais de 50 anos, apresenta as características de mineralidade e sapidez típicas desse Premier Cru, porém com mais untuosidade, profundidade e intensidade, tudo permeado por uma cortante e refrescante acidez.

93 pontos
Domaine Bernard Defaix Grand Cru Bougros 2010
(Sem importador) Completamente fermentado em madeira usada, é muito elegante e fino, tem ótima acidez e longo final. Profundo e diferenciado, é elegante, sedutor e muito complexo.

divulgação Alain Geoffroy

Domaine Olivier e Alice de Moor
(aodemoor@aliceadsl.fr)
Adeptos da agricultura orgânica e biodinâmica, Alice e Olivier de Moor produzem cerca de 40 mil garrafas utilizando somente leveduras indígenas. Com o mínimo de intervenção, seus vinhos são pura expressão de suas origens, refletindo sem dúvida a personalidade desses dois idealistas. Os rótulos, criados pelo próprio Olivier, refletem a opinião crítica e irônica do casal diante do “sistema” em que se inserem. Vinhos que merecem ser provados sobretudo pela sua qualidade e originalidade.

Vinhos avaliados
90 pontos
Domaine Alice e Olivier de Moor Aligoté 2010
(Sem importador) Branco não filtrado elaborado exclusivamente a partir de uvas Aligoté advindas de vinhas de mais 100 anos. Extremamente complexo e profundo, é frutado, estruturado, tem acidez refrescante e final longo e untuoso.

91 pontos
Domaine Olivier e Alice de Moor Chablis Rosette 2010
(Sem importador) Elaborado a partir de uma parcela específica de vinhas velhas, é frutado e bastante mineral. Tem exuberante acidez e final longo e profundo. Comparável em complexidade e estrutura a um Premier Cru.

O solo da margem esquerda é mais profundo, determinando vinhos com maior mineralidade e acidez

Domaine Alain Geoffroy
(www.chablis-geoffroy.com)
Fundado em 1850, o Domaine possui 50 hectares de vinhedos e produz por volta de 500.000 garrafas. Seus vinhos tem um caráter fortemente mineral, privilegiando o frescor e a finesse, com uma curiosa sensação de picância – frescor – perceptível em toda sua linha. Livro vivo e um dos ícones de Chablis, conversar alguns minutos com Alain Geoffroy é oportunidade única para conhecer melhor a região e dar boas risadas.

Vinhos avaliados
92 pontos
Domaine Alain Geoffroy Chablis Premier Cru Fourchaume 2010
Avaliação na CAVE , a partir da página 83

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90 pontos
Domaine Alain Geoffroy Chablis Premier Cru Vau-Ligneau 2010
(Decanter) Frutas cítricas e tropicais maduras permeadas por pronunciadas notas minerais e florais. Frutado e profundo, tem acidez refrescante e final longo e agradável.

Montée de Tonnerre costuma produzir vinhos com bom corpo, profundidade e potência. Podem ser austeros na juventude, mas apresentam elegância e mineralidade

Domaine Vincent Dauvissat
Um dos mais afamados produtores de Chablis está sob o domínio da mesma família desde o século XVI. Adepto da agricultura orgânica e biodinâmica, produz cerca de 70 mil garrafas. Vinhos muito bons, com tipicidade e senso de origem, mais corretos que encantadores.

Vinhos avaliados
91 pontos
Domaine Vincent Dauvissat Chablis Premier Cru Foret (Montmains) 2010
(Sem importador) Entre 15 e 20% do vinho passa 12 meses em madeira nova. Frutado, estruturado, limpo, tem boa acidez e final longo. Mais cheio, untuoso, com notas de pêssegos entremeadas por notas minerais.

93 pontos
Domaine Vincent Dauvissat Chablis Premier Cru Foret (Montmains) 1983
(Sem importador) No mesmo estilo do anterior, porém mais complexo, estruturado e profundo. Frutado, mostra notas minerais, de mel, de cera de abelha e de frutos secos. Agradável e ainda em plena forma com quase 30 anos.

Vinhedos de Chablis estendem-se por 6.800 hectares e abrangem 20 vilarejos

Domaine Jean-Paul et Benoît Droin
(www.jeanpaul-droin.fr)
Um dos mais tradicionais produtores de Chablis, o Domaine está sob o comando da mesma família desde 1620. Atualmente, a vinícola é administrada pelo jovem e dinâmico enólogo Benoît, filho de Jean- Paul. Produz cerca de 200 mil garrafas e exporta para mais de 50 países. São adeptos da agricultura orgânica com o mínimo de intervenção. Vinhos limpos, muito corretos e equilibrados, honrando e respeitando o conceito de pureza e de terroir.

Vinhos avaliados
91 pontos
Domaine Jean-Paul et Benoît Droin Chablis Premier Cru Montmains 2010
(Vinci) Frutas tropicais e cítricas maduras, notas florais, amanteigadas e de mel. Frutado, cheio, tem acidez refrescante e final longo e cremoso.

96 pontos
Domaine Jean-Paul et Benoît Droin Chablis Grand Cru Grennouille 1973
(Vinci) Apesar de ser de uma safra considerada mediana, está vivo, exuberante, com ótima acidez e um final longo, profundo e cremoso. Muito complexo, apresenta camadas e mais camadas de aromas lembrando chá, cedro, camomila e frutos secos. Memorável e um exemplo magnífico do potencial de envelhecimento dos grandes vinhos dessa região.

92 pontos
Domaine Jean-Paul et Benoît Droin Chablis Premier Cru Montée de Tonnerre 2010
Avaliação na CAVE , a partir da página 83

fotos: divulgação Château de Béru
Château de Béru, que teve seus vinhedos completamente replantados em 1987 pelo Conde Eric de Béru

Château de Béru
(www.chateaudeberu.com)
Os vinhedos da propriedade foram totalmente replantados em 1987 pelo Conde Eric de Béru, atualmente sua dedicada filha e enóloga Athénaïs é a responsável pela administração da vinícola. O Domaine é adepto da agricultura orgânica e biodinâmica desde 2005 e produz vinhos sem filtrar e com o mínimo de intervenção. Vinhos limpos, autênticos e encantadores, que transmitem a paixão de quem os produz.

Vinhos avaliados
91 pontos
Clos Béru Monopole 2006
Avaliação na CAVE , a partir da página 83

92 pontos
Clos Béru Monopole 2008
(ChezFrance) Aromas de frutas cítricas, notas florais, minerais, além de toques de cogumelos. A madeira está bem integrada, aportando complexidade e elegância ao conjunto. Frutado e equilibrado, tem ótima acidez, combinado frescor, intensidade e profundidade.

92 pontos
Château de Béru Chablis Premier Cru Vaucopin 2011
(ChezFrance) Ainda jovem, com madeira de boa qualidade, mas precisando de tempo para se integrar ao conjunto. Frutado, ótima acidez e extremamente mineral. Lembra alguns vinhos de Côte de Lechet.

Dois dos climats mais significativos da margem direita são Mont de Milieu e Montée de Tonnerre

Jean-Marc Brocard
(www.brocard.fr)
Um dos maiores produtores da região, a vinícola possui um total de 180 hectares, sendo que quase a metade é certificada orgânica e/ou biodinâmica. Os vinhos extremamente bem feitos e de ótima tipicidade são reflexos de toda tecnologia e limpeza empregada na magnífica sala de vinificação que conta, inclusive, com cubas de concreto em forma de “ovos”. Segundo Julien, filho de Jean-Marc, esse formato cônico facilita a movimentação das leveduras durante a fermentação.

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Vinhos avaliados
90 pontos
Chablis du Domaine de la Boissonneuse 2010
(Zahil) Biodinâmico, certificado com o selo Demeter, este branco apresenta nariz exuberante, notas de frutas cítricas, minerais e de petrolato, além de toques de mel. Frutado e untuoso, é cheio, com ótimo frescor e acidez.

91 pontos
Chablis Premier Cru Butteaux (Montmains) 2010
(Zahil) Aromas de frutas tropicais maduras, pronunciadas notas minerais, além de toques de mel e de cera de abelha. Frutado, elegante e equilibrado, tem ótima acidez e final longo e profundo.

92 pontos
Chablis Premier Cru Vau de Vey 2010
(Zahil) Aromas de frutas tropicais maduras lembrando abacaxi, notas minerais pronunciadas. Frutado, potente e complexo, tem ótima acidez e final untuoso e persistente. Perfeita harmonia entre elegância, profundidade e seu ótimo volume de boca.

Chablis fica a apenas 2 horas de carro distante de Paris e vale separar alguns dias para visitar a região

divulgação Château de Béru

Dicas de viagem
A linda e bucólica região de Chablis fica a apenas 2 horas de carro distante de Paris. Em sua próxima visita à capital francesa, vale a pena reservar entre dois e três dias, preferencialmente durante a primavera ou verão, para conhecê-la.

A AOC Chablis abarca várias cidadezinhas – incluindo a própria Chablis –, todas cheia de história, tradição, ótimos restaurantes, boulangeries, charcuteries e, principalmente, muito sossego, lindas paisagens e vinhos excepcionais.

Imperdível na região de Chablis, além dos vinhos:

1) Visitar o Musée de la Vigne et du Tire-Bouchon (www.chablis-geoffroy.com), localizado dentro do Domaine Alain Geoffroy. Fundado pelo próprio Alain, é um paraíso para os apaixonados pelo mundo do vinho. Além de milhares de saca-rolhas, com as mais diversas histórias, o museu conta com diversos objetos relacionados a produção da uva e do vinho.

2) Visitar a Abadia de Pontigny (www.abbayedepontigny.eu). Construída entre os anos de 1137 e 1150, essa abadia é um dos preciosos exemplos de uma igreja cisterciense na França, além de representar um estilo transitório entre o romano e o gótico.

3) Visitar a cidade de Noyers sur Serein, com suas belas construções, e fazer uma refeição no aconchegante restaurante Les Millésimes, da família Paillot (www.maison-paillot.com).

4) Fazer uma visita guiada aos vinhedos de Chablis, com direito à degustação na companhia de Eric Szablowski, enólogo e grande conhecedor do terroir e dos vinhos da região (www.aucoeurduvin.com).

5) Passear na feira livre que acontece nas manhãs de domingo no centro de Chablis. O local é ponto de encontro dos moradores da cidade e oportunidade perfeita para provar os ótimos embutidos e queijos produzidos na região e impressionar-se com a qualidade, o frescor e diversidade de hortaliças, frutas, legumes, peixes e frutos do mar.

6) Provar o queijo epoisses, talvez o mais típico dessa parte da Borgonha, e os curiosos e diferentes embutidos, entre eles o tradicional andouillette, especialmente o produzido de maneira artesanal pela família Colin (www.andouillette-chablis-colin.com).

7) Fazer ao menos uma refeição no excepcional restaurante Hostellerie des Clos, comandado pelo talentoso chef Michel Vignaud (www.hostellerie-des-clos.fr).

8) Para os que gostam de se exercitar, fazer uma caminhada ou uma corrida matinal ao redor dos vinhedos.


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Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 82 · Agosto/2012 · Chablis

Entenda o conceito de climat


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