Em companhia dos vinhos

O vinho aproxima as pessoas e foi construído para ser apreciado com alguém, seja um amigo, namorado, esposa e até com a sogra

Luiz Gastão Bolonhez em 23 de Julho de 2010 às 05:40

Ilustração: Douglas Fernandes

O vinho já faz parte do dia-a-dia de muita gente, mas, ele é ainda mais essencial celebrar os bons momentos da vida, que são ótimas oportunidade para escolher vinhos especiais e ainda homenagear pessoas igualmente especiais. É quando juntamos o desejo e o coração.

A teoria mais interessante é uma alusão evolutiva do prazer que o vinho pode dar. Quando degustado sozinho, o vinho é bom. Com alguém especial ao nosso lado, é melhor. Com alguém especial ao lado e acompanhado por um bom prato, é maravilhoso. Por último, com alguém ao nosso lado, com um bom prato e com um motivo para celebrar, é insuperável. Sendo assim, o que vamos propor a seguir são combinações para que você possa desfrutar de um bom vinho ao lado de pessoas que fazem parte da sua vida e que, junto delas, este vinho pode ficar ainda mais saboroso.


Datas importantes
Temos em nossas vidas inúmeras datas importantes, como dia do aniversário, do noivado, do casamento, do nascimento dos filhos, ou mesmo as datas comemorativas "universais", como dia dos namorados, dos pais, das mães, Páscoa, Natal, Ano Novo etc. Em países em que o vinho é mais que tradição ou mesmo luxo, temos alguns eventos interessantes.

Em Portugal, por exemplo, é comum uma criança nasce ganhar, como dote, uma garrafa de Vinho do Porto do ano de seu nascimento. E aqui vale uma nota. Este editor de vinhos é nascido em 1963 e essa safra foi espetacular na região do Vinho do Porto, produzindo verdadeiras maravilhas e com uma longevidade incrível. Há sete anos, quando completei 40 primaveras, abri uma garrafa de um Vintage 1963 da Casa Taylor's. O vinho é realmente sublime, mas como ele foi degustado em um data importante, com pessoas especiais e ao lado de um delicioso suflê de chocolate, posso garantir que foi inesquecível.

Então, já pensou um dia no aniversário de seu esposo (ou esposa) e convidá-lo para jantar com um vinho do ano do nascimento dele, um do ano do noivado, um do casamento e um de cada filho. É demais.

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É costume comprar um Porto da safra de nascimento dos filhos


Unanimidade para começar qualquer celebração
Como diria o genial critico de vinhos inglês Oz Clarke, "champagne means celebration". Para contrapô-lo, poderíamos dizer, sem pestanejar "celebration means champagne". Não há como negar que essa bebida "inventada" pelo monge Dom Perignon no século XVIII é mesmo tudo de bom para celebrar qualquer evento. Se você não quiser errar em uma comemoração, seja ela qual for, vá com um champanhe, um bollicini (como carinhosamente os italianos chamam os espumantes), uma cava (paixão nacional na Espanha), ou um belo espumante nacional. Afinal de contas, com nossa climatologia, são os espumantes nossos maiores triunfos na enologia.

Como vamos sempre mais fundo na questão do vinho, podemos lembrar que todo evento de celebração começa com um espumante e, depois, com o decorrer da conversa e obviamente da chegada dos pratos à mesa, colocamos mais uma opção, seja um branco ou um tinto, no mínimo, é claro.


Mamães
Tanto o dia dos pais como o das mães remetem ao tradicionalíssimo almoço em família. Para uma refeição, o ideal é seguir com um vinho tinto mais leve ou mais robusto e encorpado, depois do espumante, é claro. As mães costumam ser mais meigas e suaves e, para agradá-las, sugerimos escolher vinhos não tão tânicos, amadeirados e alcoólicos. O ideal são vinhos que fiquem no "intermezzo".

Ilustração: Douglas Fernandes

O almoço de dia das mães no domingo, com um tom de emoção, mas também com bastante descontração, remete a um bom e cheio de personalidade tinto italiano. A sugestão é um Barbera Barricatto, que será uma grande companhia com um belo assado ao lado de uma boa pasta. Que tal um pernil de vitelo assado acompanhado por um farfalle (nossa gravatinha) ao sugo? Isso ao lado de um Barbera é tudo de bom e, com certeza, a mamma vai adorar.


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Os produtores de destaque de Barberas mais destacados e que têm boa presença no Brasil são Pio Cesare, Coppo, Vietti, Braida, Scagliola, Domenico Clérico e Aldo Conterno. Ah! Essas sugestões valem para as sogras também!


Papais
Já para os pais, pessoas que representam presença, força e firmeza em nossas vidas, o ideal são vinhos com mais potência, corpo, intensidade e rico em taninos. A grande pedida para um almoço de dia dos pais é um bom Cabernet Sauvignon. Essa casta, a mais cultuada no mundo, tem seu ápice na região de Bordeaux na França. Mas, por lá, é sempre blended com suas "irmãs" Merlot, Petit Verdot e Cabernet Franc. Depois do berço, em Bordeaux, Cabernet se desenvolveu sobremaneira na costa da Toscana, no Napa Valley (Califórnia), Austrália e em nossos vizinhos Argentina e, principalmente, Chile.

Escolhido prato principal do domingo, que, de preferência, deve ser uma carne com molho presente (talvez um pernil de cordeiro assado com um buquê garni?), vamos com um Cabernet Sauvignon chileno. Para homenagear os pais, que tal um Cabernet Sauvignon Cuvée Alexandre da Casa Lapostolle? Por cerca de R$ 80, é uma bela pedida.

Para os mais ousados e dispostos a fazer uma extravagância, a dica é o Dom Maximiano, da casa Errazuriz. Um vinho espetacular, cheio de vida e com uma presença incrível. Outros grandes produtores chilenos de bons Cabernets presentes aqui no Brasil são: De Martino, Concha y Toro, Santa Rita, Viñedos Emiliana, Viña Quebrada de Macul, Viña Leyda e Viña Montes.

Para os namorar, experimente começar a noite com um champanhe rosé, depois passe para um sensual Pinot Noir


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Vinhos para namorar
Não necessariamente temos que esperar o dia 12 de junho ou mesmo 14 de fevereiro (o Valentine's Day) para estar com nossa cara metade em um evento romântico e repleto de sensualidade. Nossa sugestão é, talvez, a mais clássica harmonização para os românticos de plantão. A máxima do champanhe é totalmente válida, mas, nesse caso, temos que ser mais requintados.

A cor rosa é sensual e muito feminina. Com isso, um bom espumante rosé é especial para brindar o início de uma grande noite. Claro que, para os mais abastados, um champanhe rosé é a grande indicação, mas temos excelentes rosés tanto italianos, quanto espanhóis, quanto brasileiros.

Os melhores champanhes rosés do planeta são os produzidos pelas casas Laurent Perrier, Billecart Salmon, Egly Ouriet, Henriot, Veuve Clicquot, Deutz, Barnaut, Pol Roger e Perrier Jouët. Dos bollicini italianos, o Cuvée Prestige da Ca Del Bosco é uma grande pedida e faz frente a muitos rivais franceses. A casa Bellavista, vizinha da Ca Del Bosco, em plena Lombardia, na Itália, produz também fenomenais espumantes rosé. Das Cavas do país do rei Juan Carlos e da rainha Sophia (a Espanha), temos as excepcionais Cavas Gramona Rosé e Juve y Camps Rosé. Dos espumantes brasileiros rosés, temos excelentes produtores como Miolo, Chandon, Valmarino, cave Pericó, Casa Valduga e Salton.


Sensualidade com Pinot Noir
Lembramos que o espumante rosé é para começar a maratona dos apaixonados. Temos, em seguida, uma grande abertura para pensar no vinho que acompanhará o prato principal desse jantar, preferencialmente à luz de velas. Nessa hipótese, é bingo! Nada mais especial que um delicado, elegante e também sensual Pinot Noir.

No caso dos Pinot Noir, temos nos vinhos da Borgonha os tintos com mais finesse do mundo, mas que, ultimamente, têm se tornado proibitivos, pois os preços mais que quadruplicaram nos últimos 20 anos. Porém, pela pessoa amada vale o investimento. A boa notícia é que podemos encontrar espetaculares Pinot Noir fora da França com preços muito mais acessíveis. São dos Estados Unidos, tanto Oregon quanto Califórnia (Russian River-Sonoma e Carneros-Napa Valley), os mais expressivos exemplares da Pinot Noir fora da França, mas ainda com preços um tanto quanto elevados e diminuta presença em nosso País, infelizmente. Além dos Estados Unidos temos deliciosos Pinots da Nova Zelândia e do Chile. Vale ressaltar que os Pinot Noir chilenos são mais intensos e consideravelmente mais alcoólicos que todos os outros.

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Para degustar com os amigos
Com os amigos, temos a mais vasta e, ao mesmo tempo, mais difícil sugestão na hora de escolher os vinhos, pois são inúmeras variáveis, tais como: "com qual prato o vinho estará ao lado na mesa?", "será um almoço ou jantar?", "será um queijo e vinhos?" ou talvez apenas degustar um vinho de reflexão com um amigo ou grupo de amigos.

Vinho é ideal para acompanhar uma boa conversa

O vinho é objeto de paixão e de sonhos, mas também deve ser consumido de maneira descontraída e sem muitas complicações. Em ADEGA falamos muito tecnicamente e sugerimos vinhos de todas as cores e todos os preços e, muitas vezes, colocamos um tom mais técnico, que é também nossa função. Agora, vamos abstrair um pouco e olhar para o vinho de maneira mais simples, sem compromisso.


Comece com um branco
Que tal Sauvignon Blanc?

Não há duvida que temos alguns grupos de vinhos que são deliciosos para começar uma boa conversa. Nossa filosofia é que, num momento onde o vinho é cultuado, devemos sempre começar com um branco e depois migrar para um tinto. Os brancos mais gostosos para começar uma boa conversa entre amigos são, hoje, os fermentados à base da multinacional casta Sauvignon Blanc.

Ilustração: Douglas Fernandes


Normalmente, os vinhos produzidos a partir dessa cepa são muito frutados, quase sempre minerais e com deliciosa acidez. Dificilmente levam madeira e quando levam, têm que ser muito bem administrada. Na França, mais especificamente no Vale do Loire, seu berço, às vezes é vinificada em barricas de carvalho. Só os franceses conseguem fazer de maneira competente um Sauvignon Blanc com madeira. Os países que vêm se destacando na produção desses picantes brancos são a Nova Zelândia, o Chile e, ultimamente, a África do Sul.

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Passe para um tinto
Médios ou potentes?

Dentre os tintos para uma boa conversa, vamos com duas vertentes. A primeira cunhada em tintos de médio corpo e mais versáteis nas harmonizações e, a segunda, em tintos mais potentes, repletos de fruta, álcool elevado e madeira presente.

Os mais resilientes tintos à mesa são os vinhos da Toscana, principalmente os que têm como base a cepa Sangiovese, que reina absoluta na região. Os Chiantis e, mais recentemente, os Mini Tuscans são vinhos deliciosos, gastronômicos e com um corpo na medida. O termo Mini Tuscan é uma alusão aos vinhos fora do consórcio (e da DOCG - Dominazione de Origine Controlatta e Garantita) e, por isso, Indicazione Geografica Típica, que não são os top das casas e, sim, na maioria das vezes, "segundos vinhos" dos afamados e caros Super Toscanos.

Já para uma reunião entre amigos que apreciam vinhos mais potentes e alcoólicos, temos um grupo de vinhos que revolucionou o planeta. Os tintos de mesa do Douro, que não têm (em larga escala) mais de 15 anos de vida e que têm sido uma verdadeira sensação no mundo vitivinícola nos últimos anos. São sempre tintos repletos de força, excelente carga floral e de frutas, madeira presente e uma percepção que, às vezes, dá a impressão de estarmos mastigando taninos. As castas que predominam na região são: a inigualável Touriga Nacional, Tinta Roriz, Tinta Amarela, Tinto Cão, Tinta Barroca, dentre outras tantas, todas autóctones dessa belíssima região vinícola.


Degustar um vinho da terra de nossos ancestrais é uma grande experiência

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De olho no sobrenome
Nosso país é um dos mais especiais do mundo quando falamos em miscigenação. Temos uma influencia de inúmeras nações, desde portugueses e italianos, até japoneses e outros orientais, sem deixar de falar de certa influência espanhola, francesa, chilena, argentina, libanesa e alemã, dentre outras tantas etnias.

Deixando os orientais de lado, pois não temos muitos vinhos dessas regiões por aqui, uma das mais deliciosas harmonizações é lembrarmos de nossos antepassados e dos antepassados de nossos amigos, parentes, vizinhos, sogros, sogras etc. Nesse caso, o legal mesmo é ficar de olho no sobrenome.

Como é gostoso degustar um vinho da terra de nossos ancestrais. Que tal, para um italiano de Turim, você servir um Dolcetto, um Nebbiolo? Para um português de Lisboa, um Quinta da Bacalhoa? Para um catalão, um belo Priorato tinto? Para um alemão de Sttugart, um belo Lemberger?


Para mamães, papais e seus pimpolhos
Para os enófilos que pensam no futuro, os papais e mamães que tiveram a felicidade de terem seus pimpolhos nascidos recentemente não deixem de comprar um Porto Vintage da safra de seu herdeiro. Tivemos, nessa década, verdadeiras maravilhas na região do Douro/Porto, que têm estrutura para evoluir na garrafa de 20 a 40 anos. Safras recentes de Porto Vintage que devem ser compradas para serem degustadas com os herdeiros no futuro: 1994, 1997, 2000, 2003, 2004 e, principalmente, 2007.

Além dos Portos, fique de olho em vinhos das safras dos filhos que possam render momentos especiais no futuro. Já imaginou compartilhar com eles aquele vinho quando passarem na faculdade, casarem e até tiverem seus próprios pimpolhos?


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