Fruto da persistência

Mesmo com todos os obstáculos no decorrer de sua história, além das condições climáticas adversas, o Alentejo vem se mostrando um lugar que pode, sim, produzir vinhos de alto padrão consistentemente

Por Eduardo Milan em 23 de Maio de 2014 às 00:00

Cidades medievais e castelos do período manuelino, vastas plantações de cereais e inúmeros sobreiros pelo caminho. Assim é a região do Alentejo, localizada a sudoeste de Lisboa, ao sul de Portugal, estendendo-se pelas planícies do país, até a fronteira espanhola, ao norte do Algarve.

Embora não se possa precisar o exato momento da história em que a videira foi introduzida na região, indícios arqueológicos comprovam a presença antiga da cultura do vinho e da vinha na sua paisagem tranquila. Fato é que essa cultura é anterior à chegada dos romanos, sendo parte da tradição do povo que lá habitava. Acredita-se que tudo tenha começado pelas mãos dos tartessos, sendo posteriormente expandido por fenícios e gregos para, finalmente, com os romanos, generalizar-se.

No século VIII, época da invasão muçulmana, porém, a cultura do vinho sofreu um revés. Devido à repressão aos costumes cristãos, através de altas taxações, por exemplo, a vinha foi gradualmente abandonada. Somente mais tarde, após a fundação do reino lusitano, voltou-se a falar em vinho no Alentejo e, em meados do século XVII, os vinhos da região ostentavam fama e prestígio em Portugal.

Infelizmente, sobreveio a guerra da independência, seguida da criação da Real Companhia Geral de Agricultura dos Vinhos do Douro, pelo Marquês de Pombal – que, de certa forma, direcionou os holofotes para aquela região – e o vinho alentejano mergulhou em uma segunda grande crise. Apenas no século XIX os vinhos do Alentejo iniciaram seu renascimento, que também durou pouco, tanto por motivos político-econômicos e pelo cenário das duas guerras mundiais, quanto pelo ataque da filoxera aos vinhedos, culminando com a campanha cerealífera do Estado Novo, que suspendeu e reprimiu a vinha no Alentejo, levando a região a ser apelidada de “celeiro de Portugal”.

Somente já nos idos de 1970, a atividade vinícola alentejana foi retomada, através do surgimento de cooperativas, que, até a década de 1990, produziam vinhos direcionados principalmente ao consumo local. Depois disso, a partir do apoio financeiro da União Europeia, as cooperativas começaram a explorar o potencial da região do Alentejo através de métodos modernos de cultivo e de vinificação, passando a produzir rótulos de melhor qualidade, vendidos não apenas em outras regiões de Portugal, mas também pelo mundo todo.

 

Os índices de chuva são baixos no Alentejo

Clima e solo

Em linhas gerais, pode-se afirmar que, em grande parte do Alentejo, o clima não é exatamente o ideal para a vitivinicultura, por causa de baixíssimos índices pluviométricos e verões muito quentes. Assim, foi a tecnologia moderna que compensou essas dificuldades naturais. Sistemas de irrigação e controle de temperatura, especialmente na elaboração com uvas brancas, são essenciais.

O clima e a composição do solo variam no Alentejo. Ao norte, a área de Portalegre tem clima quente e úmido, com solos graníticos, produzindo vinhos elegantes e com notas de frutas frescas. No centro, em Reguengos, os solos são xistosos e o clima é extremamente continental, com invernos frios e verões muito quentes, produzindo vinhos estruturados e potentes. Mais ao sul, Vidigueira é protegida por um talude que se estende no sentido leste-oeste. O clima é mediterrâneo e os solos são calcário-argilosos, dando vinhos com perfil mais untuoso, mas sem perder a elegância.

Cortiça

Durante séculos, a mais importante conexão da região do Alentejo com o mundo do vinho se deu através das rolhas. Mais da metade da oferta de cortiça do mundo é cultivada em Portugal, quase toda ela dos sobreiros encontrados nos campos de trigo do Alentejo.

 

DOC Alentejo e Vinho Regional Alentejano

As primeiras denominações de origem alentejanas foram regulamentadas em 1988. De fato, a DOC Alentejo engloba oito sub-regiões: Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira. Além da produção nas sub-regiões consideradas DOC, o Alentejo apresenta uma elevada produção e variedade de vinhos regionais, sendo classificados como “Vinho Regional Alentejano”. Confira detalhes de cada sub-região no box.

A missão de certificar os vinhos do Alentejo com os selos DO e IG cabe à Comissão Vitivinícola Regional Alentejana – CVRA. Todos os vinhos submetidos à CVRA recebem um selo de certificação numerado em seu contrarrótulo.

As regras para ostentar a denominação DOC Alentejo são rígidas, delimitando as áreas de produção, as castas permitidas e em qual porcentagem, entre outros fatores. Por esse motivo, é comum ver produtores optarem por terem seus vinhos classificados como IG – ou Vinho Nacional Alentejano –, designação oficial que permite a inclusão de outras castas, além das previstas na legislação de vinhos DOC.

Sub-regiões do Alentejo

  1. Borba – Segunda maior sub-região do Alentejo. Apresenta solos xistosos e índices pluviométricos superiores, além de níveis de insolação ligeiramente inferiores à média alentejana.
  2. Évora – Apresenta paisagem mais árida. É daqui que saem alguns dos mais reputados vinhos do Alentejo.
  3. Granja-Amareleja – Com verões quentes e secos, possui um dos climas mais áridos de Portugal. Os solos são pobres, com a presença de xisto.
  4. Moura – Mais para o interior do país, possui um clima continental com grandes amplitudes térmicas elevadas, além de invernos frios e verões quentes.
  5. Portalegre – Clima mais fresco e úmido do que nas outras partes do Alentejo. Tem o potencial de produzir vinhos mais frescos e refinados.
  6. Redondo – Invernos frios e secos, e verões quentes e ensolarados. Os solos, em sua maioria, são graníticos e xistosos.
  7. Reguengos – É a maior e uma das sub-regiões mais reconhecidas. Tem clima continental, com invernos rigorosos e verões de extremo calor. Os vinhedos mais velhos do Alentejo estão plantados nela.
  8. Vidigueira – Sub-região mais ao sul e com o clima mais temperado do Alentejo. Tem solos de origem granítica e xistosa.


Apesar de não ter origem portuguesa, alguns dos melhores vinhos do Alentejo utilizam a Alicante Bouschet

Uvas autóctones dividem espaço com variedades francesas para produzirem grandes vinhos

Uvas

Em Portugal, há uma profusão de castas tradicionais locais, na maioria das vezes encontradas apenas no próprio país – chamadas autóctones. No Alentejo, além destas, cultivam-se também as variedades internacionais.

As principais cepas tintas encontradas na região são Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Castelão, Syrah, Touriga Nacional e Trincadeira. As principais variedades brancas: Antão Vaz, Arinto, Fernão Pires e Roupeiro.

O blend tinto mais tradicional do Alentejo é composto por Aragonês, Trincadeira e Castelão. Nos últimos anos, a adição de Touriga Nacional, Syrah e Alicante Bouschet tem sido mais comum. Quando jovens, os tintos do Alentejo apresentam coloração profunda, notas intensas de frutas negras e/ou vermelhas maduras, boa estrutura e, ainda assim, costumam ter taninos de textura suave.

Brancos produzidos a partir de Arinto, Antão Vaz e Roupeiro têm intensas notas que lembram mel, mostrando, via de regra, acidez refrescante, além de serem aromáticos (por conta da Arinto). Quando fermentados ou estagiados em madeira, ganham textura, volume de boca e complexidade.

Uvas tintas

Alfrocheiro – Produz vinhos ricos em cor, com bom equilíbrio entre álcool, taninos e acidez. Casta difícil, muito suscetível a doenças, por isso é cada vez menos utilizada.

Alicante Bouschet – Apesar de não ter origem portuguesa, alguns dos melhores vinhos do Alentejo utilizam esta casta, que dá vinhos grandes, cheios de cor, de textura, de volume e de intensidade.

Aragonez – Conhecida na Rioja como Tempranillo, no Dão e Douro como Tinta Roriz e Abundante na região de Lisboa. Gera vinhos elegantes e vigorosos, com notas de frutas vermelhas e especiarias.

Cabernet Sauvignon – É raramente engarrafada sozinha, estando presente de forma discreta em muitos blends para aportar estrutura e sustentação aos vinhos.

Castelão – Variedade de uva mais plantada em Portugal, esta cepa versátil pode produzir vinhos frutados, suculentos, em geral, com toques animais e de couro. Geralmente, tem boa acidez e taninos marcantes, podendo ser bebido tanto jovem quanto envelhecido.

Syrah – Fora as castas nativas, a Syrah é a variedade melhor adaptada ao clima rigoroso do Alentejo, conferindo um caráter mais encorpado, de fruta mais madura e suculenta, além das notas de especiarias picantes. Menos comum em versão varietal, participa do blend de muitos dos melhores tintos do Alentejo.

Touriga Nacional – Uma das castas mais emblemáticas de Portugal, a Touriga Nacional produz vinhos de cor fechada e intensa, ricos em aromas e sabores de fruta, além de agradáveis e, algumas vezes, exuberantes notas florais.

Trincadeira – Uma das variedades melhor adaptadas ao clima extremo do Alentejo, dando corpo, acidez e frescor aos tintos, virtude desejada principalmente em anos mais extremos na região. Tradicionalmente, a Trincadeira surge regularmente associada à casta Aragonez.

A Aragonez, também conhecida como Tempranillo, tem ótimos resultados no Alentejo

Uvas brancas

Antão Vaz – Em geral, aporta estrutura e volume. Quando é vinificada buscando uma fruta mais fresca, dá origem a vinhos austeros e de acidez vibrante. Muitas vezes, é fermentada e/ou estagiada em madeira.

Arinto – Gera vinhos intensos e vibrantes, de elevada acidez, cheios de frescor e, geralmente, com bom potencial de guarda.

Fernão Pires – Esta casta dá vinhos com aromas pronunciados, geralmente, lembrando frutas cítricas.

Roupeiro – Uma das castas brancas mais plantadas no Alentejo. Em geral, produz vinhos básicos para serem consumidos jovens, mostrando aromas de frutas cítricas e de caroço, além de notas florais.

Vinícolas e vinhos

ADEGA teve a oportunidade de visitar vinícolas grandes, médias e pequenas, localizadas em diversas partes dessa linda e bucólica região. O resultado disso foram mais de 300 vinhos provados, quase uma dezena de vinícolas visitadas e a certeza de que o Alentejo, em termos vitivinícolas, está mais consistente, com vinhos melhor produzidos em termos gerais e nos reservando, daqui para frente, brancos e tintos cada vez equilibrados, com fruta fresca e, o melhor de tudo isso, muito bem feitos em todos os níveis de preço.

Projeto da Adega Mayor é assinado pelo arquiteto Siza Viera
Projeto da Adega Mayor é assinado pelo arquiteto Siza Viera

ADEGA MAYOR

Localizada em Campo Mayor, a nordeste do Alentejo, a linda e moderna vinícola, toda branca, está incrustada de forma harmônica em meio à paisagem. Em forma de retângulo, o projeto é assinado pelo respeitado arquiteto Siza Viera e é fruto da paixão pelo vinho de Rui Nabeiro, um dos maiores empresários de Portugal. Atualmente, sua neta, Rita Nabeiro, que parece ter herdado a energia e a paixão de seu avô, é quem administra a propriedade. Os vinhos, de rótulos caprichados e de nomes curiosos, são elaborados pelo enólogo Carlos Rodrigues e tinham, no início do projeto até idos de 2012, a consultoria de Paulo Laureano. Atualmente o consultor é Rui Reguinga.

Aproveite para degustar

AD 91 pontos
RESERVA DO COMENDADOR BRANCO 2011
Adega Mayor, Alentejo, Portugal (Sem importador). Frutas brancas e tropicais mais maduras, notas herbáceas, florais e minerais. Tem ótima acidez, bastante corpo e muita fruta, além de um agradável final cremoso, lembrando manteiga e frutos secos. Ainda sobra um pouco de madeira, mas nada que alguns anos de garrafa não resolvam. EM

AD 89 pontos
SOLISTA TOURIGA NACIONAL 2011
Adega Mayor, Alentejo, Portugal (Sem importador). Frutas negras mais frescas, envoltas por notas florais, especiadas e herbáceas, além de toques minerais. No palato, confirma essa fruta mais fresca, é estruturado, frutado, tem ótima acidez, taninos finos e final médio/longo. EM

AD 91 pontos
RESERVA DO COMENDADOR TINTO 2009
Adega Mayor, Alentejo, Portugal (Sem importador). Percebe-se bem uma evolução na linha. Mais maturação, mais madeira, mais concentração, mas também mais profundidade e complexidade. Num estilo mais semelhante ao Solista, apesar do ano mais quente. EM

AD 92 pontos
PAI CHÃO 2008
Adega Mayor, Alentejo, Portugal (Sem importador). O que chama atenção são o frescor, os taninos de ótima textura, tudo envolto por uma acidez gostosa e refrescante. Profundo, elegante, complexo e persistente. EM

HERDADE DAS SERVAS

A vinícola está localizada nos arredores de Estremoz e pertence aos irmãos Luís e Carlos, geração mais nova da família Serrano Mira, tradicional produtora de uvas da região. Começaram a produzir seus próprios vinhos após 1999, quando foi inaugurada a vinícola própria. Não compram uvas, nem vinhos, tudo que produzem – cerca de 1,2 milhão de garrafas – vem dos 220 hectares de vinhedos que possuem.

Aproveite para degustar

AD 89 pontos
HERDADE DAS SERVAS COLHEITA SELECIONADA BRANCO 2012
Herdade das Servas, Alentejo, Portugal (Vinhos do Mundo). Elaborado principalmente a partir de Roupeiro, passa por três meses em madeira. Apresenta cor amarelo-citrino, aromas de frutas brancas e cítricas, notas minerais, herbáceas e florais, além de toques tostados e de baunilha. É frutado, estruturado e tem bom corpo. EM

AD 90 pontos
HERDADE DAS SERVAS VINHAS VELHAS 2009
Herdade das Servas, Alentejo, Portugal (Vinhos do Mundo). 50% Alicante Bouschet, 25% Touriga Nacional e 25% Aragonez. Frutas negras bem maduras, quase em compota. Num estilo que privilegia a untuosidade e a estrutura, porém com bastante equilíbrio e elegância. Os taninos são marcantes, porém finos. Persistente e suculento. EM

AD 91 pontos
HERDADE DAS SERVAS RESERVA TOURIGA SYRAH 2009
Herdade das Servas, Alentejo, Portugal (Vinhos do Mundo). Mais elegante e fino no nariz, privilegiando estrutura, potência e fruta mais madura. No palato, é mais redondo, tem bom corpo, confirmando o estilo encontrado no nariz. Chama a atenção pela textura. EM

AD 92 pontos
HERDADE DAS SERVAS RESERVA PETIT VERDOT 2010
Herdade das Servas, Alentejo, Portugal (Vinhos do Mundo). Surpreende pela fruta mais vermelha e fresca, envolta por notas herbáceas e de menta. Equilibrado, redondo, estruturado. Muito bom Petit Verdot, com bastante potencial de envelhecimento. Ótima textura de taninos e final profundo, suculento e persistente. EM

Paulo Laureano faz assessoria para a Torre do Frade
Paulo Laureano faz assessoria para a Torre do Frade

TORRE DO FRADE

A propriedade, localizada em Monforte, no alto Alentejo, está nas mãos da mesma família desde 1839, sendo a principal atividade a criação de gado (com selo DOP Carnalentejana). A viticultura começou em 2004. Atualmente, possuem 30 hectares de vinhedos e produzem somente entre 20 e 30 mil garrafas ao ano. O jovem Diogo Albino, descendente da família, é um dos responsáveis por administrar a produção de vinhos e idealizar os curiosos e criativos rótulos que ornam as garrafas. Hoje, contam com a assessoria técnica do célebre enólogo Paulo Laureano.

Aproveite para degustar

AD 89 pontos
VIRGO TINTO 2010
Torre do Frade, Alentejo, Portugal (Sem importador). 42% Aragonês, 27% Trincadeira, 21% Syrah, 10% Alicante Bouschet, com estágio de 40% do vinho em barricas usadas. Elegante, boa acidez, frutado, muito gostoso de beber. Pura fruta, limpo e sem arestas, chamando atenção pelo frescor. EM

AD 91 pontos
TORRE DO FRADE VIOGNIER 2011
Torre do Frade, Alentejo, Portugal (Sem importador). O solo onde são plantados os vinhedos tem grande concentração de xisto. O vinho é estagiado e fermentado em barricas novas francesas. Mineral, fresco e untuoso ao mesmo tempo, tem ótima acidez, exibindo frutas tropicais e de caroço maduras. Estruturado, potente e elegante, chamando atenção pela textura do conjunto. EM

AD 92 pontos
TORRE DO FRADE RESERVA TINTO 2007
Torre do Frade, Alentejo, Portugal (Sem importador). 50% Alicante Bouschet, 33% Trincadeira, 17% Aragonês, com estágio de 14 meses em barricas novas de carvalho francês. Nariz polido, classudo, cheio de frutas e notas minerais. Elegante e fino na boca, tem ótima estrutura, taninos muitos finos e final longo e persistente. EM

AD 91 pontos
TORRE DO FRADE RESERVA TINTO 2008
Torre do Frade, Alentejo, Portugal (Sem importador). Mais intenso, estruturado, potente e suculento que o 2007, mas mantendo os aspectos minerais, de frescor e profundidade, sempre num contexto de elegância e finesse. EM


A adega da Herdade do Mouchão foi construída em 1901 e se manteve praticamente inalterada até hoje

O vinhedo Carapetos, com vinhas de mais de 40 anos não irrigadas, dá origem ao Tonel 3-4

HERDADE DO MOUCHÃO

Localizada em Sousel, alto Alentejo, Mouchão é uma das vinícolas mais reputadas de Portugal, desde sempre nas mãos da família inglesa Reynolds, que veio ao Alentejo interessada no negócio da cortiça. Com o passar do tempo, plantaram também vinhas e, em 1901, construíram a adega, que permanece praticamente inalterada desde então – para se ter uma ideia, somente em 1991 fizeram-se as instalações elétricas no local. A propriedade de mais de 900 hectares conta com 38 de videiras, sendo o vinhedo de Carapetos, plantado com uma seleção massal das primeiras mudas de Alicante Bouschet vindas da França (acredita-se que John Reynolds tenha sido o pioneiro a trabalhar com a cepa na região), o mais famoso deles. A fama vem do mítico vinho alentejano Tonel 3-4, elaborado a partir dessas uvas Alicante, advindas de parreiras com idade média de 40 anos e totalmente sem irrigação, o que é possível somente por estarem localizadas entre os rios Jordão e Almadafe. Para se ter uma ideia da tradição dessa casa, a primeira safra de seu tinto Mouchão foi a de 1954.

Aproveite para degustar

AD 90 pontos
PONTE DAS CANAS 2009
Herdade do Mouchão, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Repleto de aromas de frutas negras, notas florais, herbáceas, além de toques minerais e de especiarias doces. É frutado, tem acidez vibrante, ótima textura de taninos e final persistente e suculento. EM

AD 91 pontos
MOUCHÃO 2008
Herdade do Mouchão, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Aromas de frutas negras mais frescas, notas florais, herbáceas e minerais envoltas por toques especiados e tostados. No palato, é frutado, estruturado, tem acidez vibrante e taninos de ótima textura e final persistente, intenso e suculento. EM

AD 92 pontos
MOUCHÃO COLHEITAS ANTIGAS TINTO 2003
Herdade do Mouchão, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Frutas negras e vermelhas mais maduras, quase em compota, notas de especiarias doces, além de toques florais e minerais. Mostra fruta exuberante na boca, tem taninos polidos, ótima acidez e final longo e persistente. Suculento, opulento, exuberante, mas com estrutura e textura que suporta toda essa potência. EM

AD 94 pontos
MOUCHÃO TONEL 3-4 2008
Herdade do Mouchão, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Aromas complexos de frutas negras e vermelhas maduras, notas florais, herbáceas e de especiarias doces, toques minerais, de chocolate e de alcaçuz. É frutado, potente, opulento, tudo emoldurado por uma acidez vibrante que aporta vivacidade. Tem textura granulada e final longo, profundo e elegante. EM

LOGO WINES – CASA AGRÍCOLA ALEXANDRE RELVAS

A nova e moderna vinícola, situada aos arredores de Évora, foi inaugurada em 2010. Atualmente, administra 300 hectares de vinhedos, sendo cerca de 100 hectares próprios. Elabora várias linhas de vinhos, nas mais variadas faixas de preço, com 70% da produção voltada para o mercado de exportação. Merecem destaque, além dos vinhos de alta gama, as linhas mais econômicas, com brancos e tintos de ótima relação qualidade preço. Em 2011, adquiriu a Herdade da Pimenta.

Aproveite para degustar

AD 89 pontos
HERDADE SÃO MIGUEL COLHEITA SELECIONADA BRANCO 2011
Casa Agrícola Alexandre Relvas, Alentejo, Portugal (Cantu). Blend de Antão Vaz, Verdelho e Viognier, com 50% do vinho estagiado durante três meses em barricas de carvalho francês. Fresco, frutado, madeira bem colocada. Limpo, sem arestas, tem boa textura e suculência, mostrando gostosa complexidade. EM

AD 89 pontos
HERDADE DA PIMENTA 2011
Casa Agrícola Alexandre Relvas, Alentejo, Portugal (Cantu). Blend de variedades Alicante Bouschet, Touriga Franca e Touriga Nacional, com estágio de nove meses em madeira. Redondo, equilibrado, mostrando finesse e profundidade. A fruta é madura, mas com estrutura e acidez para sustentá-la. EM

AD 90 pontos
SÃO MIGUEL TOURIGA FRANCA 2010
Casa Agrícola Alexandre Relvas, Alentejo, Portugal (Cantu). Elaborado com uvas advindas de solo argilo-xistoso. Num estilo mais frutado, mas privilegiando a fruta vermelha mais fresca, tudo num contexto de acidez vibrante, ótima textura de taninos e final mais profundo que cheio. Chama a atenção pela mineralidade. EM

AD 93 pontos
HERDADE SÃO MIGUEL PRIVATE SELECTION 2010
Casa Agrícola Alexandre Relvas, Alentejo, Portugal (Cantu). Alicante Bouschet, Aragonês e Touriga Nacional, com 24 meses de estágio em madeira. Jovem, com madeira bem integrada, aportando estrutura. Esbanja austeridade e mineralidade, oferecendo taninos finos, quase granulados e de ótima textura. Chama a atenção pela profundidade e elegância do conjunto, tudo num contexto de suculência e fruta mais fresca. EM

FUNDAÇÃO EUGÊNIO DE ALMEIDA – CARTUXA

Localizada em Évora, no ano passado, a Fundação completou 50 anos. Atualmente, ela administra 800 hectares de vinhedos, sendo 500 próprios. O brilhante enólogo Pedro Baptista é o responsável por elaborar toda a linha de vinhos, inclusive o mítico Pêra-Manca, cuja primeira safra foi lançada em 1990. Ano após ano, a qualidade dos vinhos em todas as linhas vem melhorando e obtendo mais consistência, o que está diretamente ligada à inauguração da nova e moderna vinícola em 2007, com capacidade para produzir 3 milhões de garrafas.

Pêra-Manca, produzido pela Cartuxa, é um dos vinhos mais famosos do Alentejo

 

APROVEITE PARA DEGUSTAR

AD 89 pontos
EA TINTO 2012
Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Chama a atenção pelo frescor, mostrando pura fruta, boa acidez, boa textura e final agradável, que pede mais um gole. Limpo, gostoso de beber e sem arestas. EM

AD 90 pontos
CARTUXA BRANCO 2010
Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Elaborado com Antão Vaz e Arinto, sem passagem por madeira, mas mantido em contato com as borras durante 12 meses. Fruta brancas e de caroço maduras, notas florais e minerais, além de toques herbáceos. No palato, confirma a fruta do nariz, tem ótima acidez, bom volume de boca e final persistente, com agradáveis toques salinos e cítricos. EM

AD 91 pontos
CARTUXA RESERVA TINTO 2010
Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Bem complexo no nariz, mostrando exuberantes aromas frutas negras maduras envoltas por notas florais, especiadas e minerais. No palato, chama a atenção pelo estilo austero e polido, onde elegância, estrutura, corpo, suculência, potência e profundidade convivem em harmonia, tudo num contexto de ótima acidez e frescor. EM

AD 94 pontos
PÊRA-MANCA TINTO 2010
Fundação Eugênio de Almeida, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana). Apesar de toda juventude, já mostra no nariz todo seu potencial. Clássico, estiloso, cheio de especiarias doces, notas florais e herbáceas, toques minerais, de frutos secos e de alcaçuz. No palato, as frutas vermelhas frescas chamam a atenção, é untuoso, tem ótimo volume, taninos macios de incrível textura e final profundo, lembrando grafite, tinta nanquim e cravo. EM


Luis Duarte presta consultoria para 10 vinícolas portuguesas, além de possuir 15 hectares

LUIS DUARTE VINHOS

Um dos mais conceituados enólogos de Portugal, Luis Duarte trabalhou na Herdade do Esporão de 1987 até 2004. Começou seu projeto próprio no ano de 2003, quando adquiriu 15 hectares de vinhedos nas proximidades de Reguengos de Monsaraz. Além de elaborar seus próprios vinhos, atualmente Duarte presta consultoria a 10 vinícolas.

APROVEITE PARA DEGUSTAR

AD 88 pontos
RAPARIGA DA QUINTA BRANCO 2012
Luis Duarte Vinhos, Alentejo, Portugal (Épice). Elaborado a partir de Antão Vaz e Verdelho, sem passagem por madeira, mas com três meses sob lias, este branco mostra acidez refrescante, boa estrutura e final suculento e persistente, cheio de toques florais e minerais. EM

AD 91 pontos
RUBRICA BRANCO 2011
Luis Duarte Vinhos, Alentejo, Portugal (Épice). Composto de Antão Vaz, Arinto e Viognier, com parte do mosto fermentado e estagiado durante seis meses em barricas usadas. Chama a atenção pelo equilíbrio e harmonia do conjunto, tudo envolto por fruta de ótima qualidade, acidez refrescante e final persistente e suculento, com toques minerais. EM

AD 90 pontos
RAPARIGA DA QUINTA RESERVA TINTO 2011
Luis Duarte Vinhos, Alentejo, Portugal (Épice). Composto de Alicante Bouschet, Aragonez e Touriga Nacional, com estágio de 30% do vinho em barricas novas. Chama a atenção pela textura macia e fina de seus taninos, tem ótima acidez, é redondo, estruturado, suculento e de final persistente. EM

AD 92 pontos
RUBRICA TINTO 2010
Luis Duarte Vinhos, Alentejo, Portugal (Épice). Composto a partir de Aragonez, Syrah, Alicante Bouschet, Petit Verdot e Touriga Nacional, com estágio em madeira. Impressiona pelo equilíbrio do conjunto, mostrando ótima textura de taninos, acidez refrescante e final longo e persistente. As frutas vermelhas e negras mais frescas estão presentes tanto no nariz quanto no palato, convidando a mais um gole. EM


Herdade dos Cóteis fica nos arredores de Moura e possui 1.000 hectares.

HERDADE DOS CÓTEIS

A propriedade de mais de 1.000 hectares está localizada nos arredores de Moura e o proprietário, José Venâncio, é um premiado produtor de queijos – delicioso DOP Moura – e de azeites. Em sua propriedade, possui 300 hectares de olivas e 23 hectares de vinhedos. Desde 2001, elabora seus próprios vinhos e atualmente produz cerca de 120 mil garrafas.

APROVEITE PARA DEGUSTAR

AD 88 pontos
MONTE DA PATA COLHEITA SELECIONADA 2009
Herdade dos Cóteis, Alentejo, Portugal (Rede Hortifruti). Composto de Touriga Nacional, Trincadeira e Aragonez. Mostra fruta de boa qualidade, taninos macios, boa acidez e final médio. Num estilo gastronômico. EM

AD 89 pontos
CÓTEIS GRANDE ESCOLHA 2011
Herdade dos Cóteis, Alentejo, Portugal (Rede Hortifruti). Elaborado a partir de Trincadeira, Touriga Nacional e Cabernet Sauvignon, com estágio em madeira. Chama a atenção pela fruta suculenta e exuberante. Tem boa textura, ótima acidez, final médio e taninos que pedem a companhia de comida. EM

Quinta do Quetzal tem 39 hectares

QUINTA DO QUETZAL

Projeto do casal holandês Inge e Cees de Bruin localizado na Vila dos Frades, em Vidigueira e que conta com a consultoria do enólogo Rui Reguinga para a elaboração de toda a linha de vinhos. Possui 39 hectares de vinhedos próprios e uma moderna e pequena vinícola em forma circular, toda por gravidade, de onde se tem uma linda vista de parte dos vinhedos da propriedade. Atualmente produzem cerca de 180 mil garrafas, sendo 50% exportadas.

APROVEITE PARA DEGUSTAR

AD 89 pontos
GUADALUPE WINEMAKER’S SELECTION BRANCO 2012
Quinta do Quetzal, Alentejo, Portugal (Sem importador). Antão Vaz, com fermentação de 30% do vinho em barricas de carvalho usadas. A madeira está bem integrada, aportando textura e cremosidade ao conjunto. As frutas brancas e tropicais maduras estão presentes tanto no nariz quanto na boca, tudo envolto por gostosa acidez e final suculento, com toques minerais. EM

AD 89 pontos
GUADALUPE WINEMAKER’S SELECTION TINTO 2009
Quinta do Quetzal, Alentejo, Portugal (Sem importador). Composto de Syrah, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon, com estágio de 12 meses. Tem boa fruta, num estilo que privilegia o frescor e a suculência. Gastronômico, tem boa textura e final médio. EM

AD 90 pontos
QUINTA DO QUETZAL RESERVA TINTO 2010
Quinta do Quetzal, Alentejo, Portugal (Sem importador). Petit Syrah, Alicante Bouschet e Trincadeira, com estágio de 12 meses em barricas de carvalho francês. Aqui as frutas vermelhas e negras mais frescas estão mais presentes, com a madeira muito bem integrada, somente aportando textura e estrutura ao conjunto. Tem gostosa acidez e final persistente e agradável. EM


DOC Alentejo Lisboa Portugal condições climáticas adversas

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 103 · Maio/2014 · Tudo sobre o Alentejo

A história, o terroir e grandes vinhos para você degustar

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