God Bless America

Vinhos norte-americanos já foram protagonistas de uma revolução que influenciou a vitivinicultura do mundo todo. Mas o que o Tio Sam tem feito de bom hoje?

Eduardo Milan em 19 de Março de 2012 às 11:59


A relação da América do Norte - e, consequentemente, dos Estados Unidos - com a uva vêm desde os primórdios. Quando os nórdicos desembarcaram no continente, depararam-se com uma profusão de vinhas selvagens, que cresciam com tamanho vigor, a ponto de fazê-los batizar a terra recém-descoberta de "Vinland". Bem mais tarde, imigrantes britânicos, holandeses e franceses tentaram, sem sucesso, plantar vinhedos na costa leste. Entretanto, somente na primeira metade do século XIX imigrantes alemães de Ohio ergueram a vitivinicultura, com base nas vinhas nativas do continente.

Como tudo o que se refere aos Estados Unidos, a indústria do vinho é ampla. Atualmente, encontram-se vinhedos, de maior ou menor importância, em todos os 50 estados norte-americanos. Há desde vinhas europeias fixadas em porta-enxertos de plantas americanas até áreas de variedades de Vitis vinifera americanas, desenvolvidas das vinhas selvagens originalmente encontradas no país, e mesmo mudas híbridas.

Nos últimos 40 anos, a produção de vinhos aumentou de forma vasta. O país é o quarto maior produtor do mundo, tendo ultrapassado a Argentina no início dos anos 1990. E apenas na França, Itália, Espanha e Turquia existem mais vinhas do que lá. As exportações também aumentaram e o consumo per capita é de aproximadamente 9 litros/ano. Em 2006, eram 445.000 hectares plantados, sendo aproximadamente um terço destinado a uvas de mesas e passas.

Embora as vinhas estejam distribuídas por todo o país, é na Califórnia, Washington, Oregon e Nova York que estão os principais centros da vitivinicultura. De fato, esses estados produzem vinhos que podem rivalizar em qualidade com os melhores do mundo. Apesar de poucos rótulos virem para o Brasil, os poucos que vêm, apesar do preço, são, em geral, de muito boa qualidade.


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A história da indústria na California

Dos missionários na
Califórnia à Lei Seca

As primeiras videiras chegaram à Califórnia pelas mãos de missionários espanhóis no final do século XVIII. A variedade disseminada foi a Mission, não adequada para produção de vinhos finos, mas muito resistente às condições de solo e clima. Ainda hoje a Mission é cultivada em algumas áreas, destinando- -se à produção de fortificados. Somente no século seguinte, em 1824, o primeiro vinho comercial foi produzido. O primeiro vinhedo foi plantado em Los Angeles, em 1831. Mais tarde, nos idos de 1849, a "Corrida do Ouro" acabou gerando um boom na "indústria do vinho"; novos vinhedos foram plantados na região de Sierra Foothills, próximos aos consumidores em potencial.

Pode-se afirmar, todavia, que o pontapé inicial da vitivinicultura moderna da Califórnia foi dado pelo húngaro Agoston Haraszthy que, em 1851, trouxe para o estado um grande número de mudas de variedades europeias e, 10 anos depois, desembarcou com mais 300 variedades diferentes.

Outro evento importante que impactou o negócio do vinho foi a Lei Seca, que vigorou de 1920 a 1933. Durante esse período, houve uma franca diminuição na produção da bebida, que só podia ser consumida com propósitos medicinais ou religiosos. O que manteve as finanças dos produtores foi a demanda de uvas para a elaboração de suco. Desde a revogação da lei até meados da década de 1960, a região do Central Valley concentrou as atividades de vinificação, principalmente de vinhos de garrafão.

Foto: Jason Tinacci
Corrida do Ouro e Lei Seca tiveram grande impacto na evolução da vinicultura norteamericana

A partir daí, a área de vinhedos da Califórnia multiplicou- se e o que se viu foi a proliferação de pequenas vinícolas, normalmente especializadas em elaborar rótulos varietais ou de corte estilo bordalês. Além disso, surgiram algumas poucas grandes vinícolas produzindo milhões de caixas de vinho ao ano. Essa polarização não se limita ao fator pequeno produtor versus grande produtor. Ela pode ser vista também nos preços dos vinhos norte-americanos; é comum encontrar no mercado local rótulos custando US$ 2 e outros chegando a mais de US$ 150 a garrafa.

De qualquer forma, o que se nota a respeito dos rótulos californianos é que existe um grande empenho por parte de todos, até mesmo das maiores vinícolas que produzem vinhos comerciais, para que seus produtos tenham melhor qualidade e, obviamente, sejam mais lucrativos.


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As wine laws americanas
Impossível falar em vinho norte-americano sem mencionar as chamadas "wine laws". O país regula a vitivinicultura em duas esferas: Federal e Estadual.

A atividade vitivinífera foi regulada por legislação federal inicialmente pelo BATF - Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearms, órgão que, em 1978, instituiu o sistema de AVA - American Viticultural Areas (programa Americano de Áreas de Viticultura) para suplementar um sistema de denominações pré-existente. Atualmente, essas prerrogativas foram transferidas para o Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau - TTB, que detém a função de definir e controlar as AVAs. Na prática, o selo AVA serve para garantir a procedência do rótulo, mas não guarda qualquer relação com qualidade ou com a produção da bebida. Fato é que se um vinho exibe o selo AVA em seu rótulo, pelo menos 85% das uvas utilizadas em sua elaboração devem ser provenientes daquela área específica.

Em se tratando de legislação estadual, como acontece com a maioria dos assuntos nos Estados Unidos, cada lugar tem suas regras, que variam consideravelmente nos estados. Cada um deles tem regulamentações a respeito de venda e distribuição de bebidas alcoólicas e, em se tratando de vinhos, tais normas abrangem aspectos específicos da vitivinicultura. Por exemplo, enquanto no Oregon os vinhos varietais devem conter pelo menos 95% da casta indicada no rótulo, em Washington e na Califórnia esse percentual é de 85% e, ainda, em muitos outros estados a exigência cai para 75%.

Universidade da Califórnia em Davis - UC Davis - foi responsável por mapear os microclimas da Califórnia e dividi-los em zonas
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O clima californiano
Com uma extensão de aproximadamente 1.100 quilômetros de norte a sul, na Califórnia há uma série de microclimas, mas o fator comum a todas essas áreas é a falta de chuva durante a época de amadurecimento das uvas. Devido a essa condição, a maior parte das vinícolas, que estão distribuídas por todo o estado, conta com sistemas de gotejamento ou de aspersão de água em seus vinhedos; são raros os vinhedos sem irrigação.

A faculdade de enologia da Universidade da Califórnia, em Davis - UC Davis -, realizou uma grande pesquisa tendo como objeto a adequação de vinhas aos microclimas californianos, baseada na temperatura, criando uma espécie de sistema que os divide em uma escala de cinco zonas, indo da Zona I - a mais fria - até a Zona V - a mais quente. A partir desse estudo, todas as áreas com potencial para a vitivinicultura foram classificadas e as cepas mais adequadas a cada uma dessas áreas foram identificadas. As Zonas I a III são consideradas as com maior vocação para a produção de vinhos de qualidade superior.

As correntes marítimas vindas do Oceano Pacífico exercem grande influência sobre o clima. Durante as manhãs, verifica-se brisa e neblina frias, que não só criam amplitude térmica, como também umidade necessária para a manutenção das vinhas. Os períodos de neblinas são especialmente importantes no final do mês de maio e no início do verão, quando o solo aquece e cria brisas que atraem para o continente os nevoeiros vindos do mar, fato que confere elegância ao vinho. Nas áreas onde não se verifica esse fenômeno, as temperaturas com frequência chegam a atingir 40oC no verão.


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Variedade

A Cabernet tornou os vinhos norteamericanos famosos, mas hoje a Pinot Noir também vem ganhando destaque

Apesar de todos os estudos sobre a melhor viabilidade de cada cepa, na Califórnia cultiva-se uma quantidade enorme de variedades.

Para os vinhos mais simples, normalmente produzidos no Central Valley - onde as temperaturas são altas, o solo é fértil e a irrigação é largamente utilizada para obtenção de safras de escala industrial -, o mais comum é ver blends de Colombard, Chenin Blanc, Thompson Seedless, Carignan, Ruby Cabernet e Barbera. São vinhos produzidos para atender a grande demanda do mercado interno norte-americano, normalmente comercializados sob a denominação popular de "two buck chuck". Vendidos a preços muito baixos, com pouca fruta e normalmente mais diluí- -dos, são resultado das exploração máxima das vinhas, irrigadas e tratadas para produzir muitos cachos da cepa que estiver em voga.

À parte dos vinhos de larga escala, produzem-se rótulos de excelente qualidade, reconhecidamente entre os melhores do mundo, especialmente a partir de Zinfandel, Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc. São vinhos muito bem vinificados, potentes e com notas tostadas de carvalho francês de barris de primeiro uso. Duas são as influências mais comuns no estilo desses rótulos. A primeira vem do longo tempo que os cachos ficam no pé aguardando serem colhidos, que confere complexidade, opulência e sabores de fruta madura aos vinhos, embora, por vezes, resulte também em graduação alcoólica desbalanceada. A segunda é decorrente do seu caro processo de vinificação. Nesse ponto, não há economia por parte dos produtores. A seleção das uvas é rigorosa, os equipamentos são de alta tecnologia e a fermentação acontece em ambiente de temperatura controlada.

Zinfandel
A Zinfandel é reconhecida mundialmente como "a" uva da Califórnia. Na verdade, equivalente à italiana Primitivo, a variedade é largamente cultivada em todo o estado, seja para elaboração de varietais ou blends e também do White Zinfandel, um vinho rosado meio-seco e pouco alcoólico. Os tintos de Zinfandel são ricos e encorpados. Isso porque as uvas da cepa tendem a amadurecer de forma irregular, desigual, e, dessa forma, quando a maturação chega para todo o cacho, alguns bagos fatalmente já começaram a desidratar, tomando a aparência de passas. Essa concentração determina sabores intensos de frutas vermelhas e elevado teor alcoólico, normalmente com pouco açúcar residual.


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Cabernet e Merlot
Os tintos de Cabernet Sauvignon de Central Valley são descomplicados, suaves e frutados, com pouco tanino e toques de frutas negras. Já aqueles produzidos em áreas privilegiadas, das quais as mais famosas estão em Napa Valley, são vinhos muito expressivos.

A Merlot é bastante popular no país. Muitos vinhos produzidos a partir dela têm custo baixo, taninos muito suaves e pouco do caráter próprio da cepa. Na verdade, esses rótulos têm o propósito de atender a demanda interna pelos benefícios do vinho tinto à saúde. Mas, assim como ocorre com outras cepas, elaboram-se também vinhos Merlot de excelente qualidade. Os melhores vêm das regiões de clima mais frio, como Monterey e regiões da Costa Norte do estado, especialmente de Napa Valley. São vinhos de coloração profunda, taninos sedosos, bom corpo e notas de ameixas e frutas negras, características da variedade.

Pinot Noir
Em se tratando de Pinot Noir na Califórnia, inicialmente clones não ideais foram cultivados em áreas muito quentes, resultando em vinhos cozidos e com sabor de frutas em compota. A madurez da fruta era atingida antes do desenvolvimento ideal dos sabores. Atualmente, com o cultivo de melhores clones em áreas mais frias, tais como Russian River Valley e Carneros, faz-se ótimos rótulos no local, vinhos com fragrância e sedosidade fascinantes, difíceis de serem alcançadas. Os estilos variam de acordo com o terroir e as pretensões do enólogo, mas, em linhas gerais, apresentam ricas camadas de fruta vermelha madura. Os Pinots de Carneros têm sabores de morangos selvagens, com boa presença na boca e os de Russian River têm sabores de amoras. Poucos são os Pinot Noirs californianos baratos.

Uvas brancas
O Chardonnay clássico da Califórnia é bastante encorpado - quase licoroso -, com alta graduação alcoólica, pouca acidez e apresenta notas de tostado, amêndoas e manteiga, paralelamente a sabores exóticos de pêssegos e bananas. Os rótulos de regiões mais frias, entretanto, são mais contidos. A vinificação é feita das mais variadas formas possíveis para a cepa.

A maior parte da Califórnia tem clima quente demais para a produção de Sauvignon Blancs de estilo moderno, que é limpo, vegetal e aromático. Assim, verifica-se que sua vinificação segue os parâmetros de Bordeaux. A fermentação se dá em barris de carvalho e o resultado são brancos encorpados, com notas de especiarias e um leve toque vegetal. Muitos deles são vendidos como Fumé Blanc.

Além dessas cepas principais, têm sido plantadas mudas de outras variedades, tais como Syrah, Mondeuse, Viognier e Marsanne.

O estilo do Chardonnay californiano é encorpado, com pouca acidez e notas de tostado, amêndoas e manteiga


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Turismo enólogo
Há produção de vinho em cada um dos 50 estados norte-americanos. Grande parte dos produtores, todavia, são pequenos e estabeleceram-se para atender à demanda de turistas, responsável pela maioria das vendas desse tipo de vinícola. De fato, atividades destinadas a visitantes, como turnês guiadas e degustações, são oferecidas em diversas localidades. A Califórnia, já dona de vocação e clima para receber, é um dos principais destinos do mundo para enólogos e amantes do vinho, especialmente após o lançamento do filme Sideways (Entre umas e outras), em 2004, no qual os protagonistas percorrem um roteiro de degustações pelas vinícolas do estado.


Principais áreas vitivinócolas da Califórnia

Foto: MJ Wickham | Foto: Divulgação
Vinhedos da Ironstone (em Sierra Foothills) no inverno e a propriedade de Marimar State, em Russian River

Foto: Jason Tinacci
O legado de Mondavi
Robert Mondavi, que faleceu em 2008, aos 94 anos, foi um dos precursores da vitivinicultura californiana - e, consequentemente, norte-americana. A partir da implantação de melhores técnicas de vinificação e estratégias de marketing, trouxe reconhecimento mundial para os vinhos do Napa Valley. Desde o início de suas atividades, nas décadas de 1960 e 1970, rotulou seus vinhos destacando as castas com as quais foram elaborados - rompendo com a tradição clássica do Velho Mundo, que não costumava trazer essa informação. Foi incansável na promoção da prática, que acabou se tornando padrão para o Novo Mundo. Por sua contribuição, foi nomeado "Man of the Year" pela revista "Decanter" em 1989.


North Coast
Na North Coast estão as terras mais valorizadas para vitivinicultura e algumas das vinícolas de maior prestígio da Califórnia. A bruma matinal que vem da baía garante que o clima seja mais ameno.

A região compreende as áreas de vinhedos que ficam ao norte da Baía de São Francisco. Provavelmente, a mais conhecida e de maior prestígio é Napa Valley AVA, concentrando mais de 400 produtores e 14.800 hectares de vinhedos. Aqui se destacam, entre outros produtores: Bacio Divino, Beringer Vineyards, Caymus, Chimney Rock, Clos du Val, Chateau Montelena, Cain Cellars, Dallavalle, Darioush, Dominus, Harlan Estate, Robert Mondavi, Opus One, Joseph Phelps, Francis Ford Coppola, Napa Angel, Screaming Eagle, Shafer, Spottswoode, Stag's Leap Wine Cellar e Trefethen.


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Dentro do Napa Valley está parte da região de Carneros AVA, que se estende até o Condado de Sonoma - que fica mais a oeste - e é especializada na produção de vinhos Pinot Noir e Chardonnay. O norte do vale, onde os solos são vulcânicos e o clima quase mediterrâneo, é classificado como Davis Zone III. Já o sul recebe a classificação Davis Zone I e sofre um pouco com as geadas na primavera. Aqui podemos citar: Artesa, Domaine Carneros, Etude, Pahlmeyer, Saintsbury, Shafer e Sinskey, por exemplo.

Em Sonoma, região também com ótima reputação e prestígio, principalmente porque lá estão situadas as áreas de Russian River e Dry Creek, reconhecidas pela produção de distintos Pinot Noir e Zinfandel, respectivamente. Entre muitos vitivinicultores de destaque podemos citar: Arrowood, Chateau St. Jean, De Loach, Dry Creek Vineyard, Ferrari- Carano, Gloria Ferrer, Kendall-Jackson, Hartford Court, Paul Hobbs, Kistler, Littorai, Marimar Estate, Peter Michael, Ravenswood, Siduri e Seghesio.

Mais ao norte fica o Condado de Mendocino, região extensa e diversificada, que inclui Anderson Valley, conhecido pelo cultivo de uvas para produção de brancos aromáticos, como Riesling e Gewürztraminer, e de espumantes. Aqui podemos citar os produtores: Fetzer, McdowellValley Vineyards, Navarro e Roederer Estate.

North Central Coast
A área abrange a região fértil de Salinas Valley, no Condado de Monterey, onde o clima frio e seco determina a produção de Chardonnay de acidez elevada e crocantes toques cítricos, bem como Merlot de taninos firmes e ricos de sabores de frutas negras.

Na mesma área está Santa Cruz Mountains AVA, na qual existem encostas de clima muito frio - classificados como Davis Zone 1 - e solo pobre. Alguns dos melhores Cabernet Sauvignon californianos são produzidos nessa AVA, assim como excelentes Chardonnay e Pinot Noir.

Bernardus, Bonny Doon, Chalone, Thomas Fogarty, Kathryn Kennedy, Mer Soleil, Morgan, Mount Eden, Roar, Ventana Vineyard e Ridge estão entre os melhores produtores da região.

South Central Coast
A particularidade dessa região é o fato de que as montanhas estão posicionadas no sentido leste-oeste e não no sentido norte-sul, facilitando a circulação dos ventos marítimos. Grandes vinícolas, atentas a isso, mantêm muitos vinhedos no local, com vistas à obtenção de uvas de boa qualidade. O clima é bem diversificado; há no local áreas Davis Zone I, II e III.

As sub-regiões mais conhecidas são Santa Ynez Valley, nos Condados de Santa Bárbara e San Luis Obispo, que inclui Paso Robles AVA, notada pela produção de ótimos rótulos de Zinfandel.

Entre os produtores de destaque em San Luis Obispo citamos: Adelaida, Alban, Baileyana, Austin Hope, Justin, Linne Calodo, Saxum, Tablas Creek e Talley. Já em Santa Barbara merecem menção: Au Bon Climat, Babcock, Beckmen, Cambria, Foxen, Andrew Murray, Qupé, Seasmoke Cellars, Stolpman, Lane Tanner e Zaca Mesa.


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Central Valley
Em Central Valley é produzido 80% de todo o vinho californiano. A região se estende por 600 quilômetros em direção ao sul, a partir da cidade de Sacramento. Quantidade é a palavra-chave; o clima é predominantemente quente - Davis Zone V - e a maior parte dos vinhos é pouco complexo e atende ao mercado interno.

No extremo norte do vale, já no delta do rio Sacramento, fica Lodi AVA, área de clima mais frio, na qual se produzem vinhos de melhor qualidade. Entre os produtores de destaque estão: Bogle, Delicato, Flicklin Vineyards, E & J Gallo e RH Phillips

American viticultural áreas - AVA
As AVAs são definidas pelo Alcohol and Tobacco Tax and Trade Bureau - TTB a pedido de produtores e outros interessados. Uma série de fatores e requisitos são analisados entes de sua aprovação. Em 2010 havia aproximadamente 200 AVAs registradas, distribuídas por todo o país, estando a maior parte delas na Califórnia.

Califórnia...................................................112
Oregon........................................................12
Washington...................................................9
Norte do Pacífico,..........................................4
Abangendo mais de um Estado
Nova Iorque..................................................8
Virgínia.........................................................5
Outros Estados da Costa Leste......................16
Texas............................................................8
Michigan.......................................................4
Outros Estados americanos...........................22


Sierra Foothills
Os vinhedos de Sierra Foothills estão plantados exatamente na área onde se deu o cultivo de uvas durante a "Corrida do Ouro". Os dias são quentes e as noites, frias - Davis Zones III e IV -, o que garante boa concentração de fruta. As especialidades da região são produzidos a partir de Zinfandel de vinhas velhas e de variedades italianas. Destacam-se: Ironstone, Renwood, Sierra Vista e Domaine de la Terre Rouge.

White Zinfandel
Ao contrário do que o nome possa sugerir, White Zinfandel não é uma cepa, tampouco um vinho branco feito a partir de uvas Zinfandel. Na verdade, trata-se de um vinho rosado, meio-seco e pouco alcoólico elaborado com Zinfandel, o terceiro varietal mais consumido nos Estados Unidos. Devem ser apreciados jovens.

Fotos: Divulgação
Domaine Drohin, no Oregon (página ao lado), Hedges e Columbia Crest, em Washington, produtores de destaque em suas regiões
Somente em 1961 mudas de Pinot Noir foram plantadas em Willamette Valley, no Oregon

Southern California
Os vinhedos do sul do estado estão entre as cidades de Los Angeles e San Diego. Entretanto, o desenvolvimento e a expansão de áreas urbanas, assim como a ocorrência de Pierce's Disease (bactéria que impede a hidratação da videira), dificultam a vitivinicultura no local.

Oregon
A Vitis vinifera chegou ao Oregon no final do século XIX. A fase moderna da vitivinicultura, entretanto, data de 1961, quando a vinícola Hillcrest se estabeleceu próximo à cidade de Roseburg. Somente em 1966 mudas de Pinot Noir foram plantadas em Willamette Valley, hoje o epicentro da indústria do vinho no Oregon. As atenções se voltaram para o local em 1975, quando o Eyrie Vineyard Pinot Noir 1975 ficou com a segunda colocação em uma degustação envolvendo vinhos franceses top e rótulos do Novo Mundo.

A região de vinhedos se estende a partir do sul da cidade de Portland. Os que ficam em áreas costeiras apresentam clima marítimo e recebem influência das correntes quentes vindas do Pacífico. Em Willamette Valley AVA, os invernos são amenos e os verões, quentes e nublados.


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Atualmente, há mais de 5 mil hectares de vinhedos plantados e mais de 300 vinícolas estabelecidas no estado. A cepa mais bem sucedida é a Pinot Noir, razão pela qual, embora bem menor em termos de área de vinhedos e volume de produção, Oregon tem maior reconhecimento do que Washington. Ao lado da Pinot Noir, produz-se bastante Pinot Gris e Chardonnay. Ao sul de Willamette ficam as regiões de Umpqua Valley e Rogue River Valley, já bem próximos da fronteira com a Califórnia. Nessas áreas, o clima mais quente permite o cultivo de Cabernet Sauvignon e de Merlot.

A qualidade dos vinhos do Oregon é muito boa e vem melhorando ao longo dos anos, a partir da seleção de melhores clones. Prova disso são as ótimas avaliações que eles vêm obtendo pela crítica ultimamente. Destacam-se: Adelsheim, Archery Summit, Argyle, Beaux Frères, Bergstrom, Bethel Heights, Broadley, Cristom, Dobbes, Domaine Drouhin, Elk Clove, Erath, Eyrie Vineyards, Four Graces, Panther Creek, Scott Paul, Rex Hill, Domaine Serene, Torri Mor, Westrey, WillaKenzie Estate e Ken Wright.

Washington State
O início da indústria do vinho em Washington se deu nos anos 30, a partir do cultivo da variedade americana Concord em Yakima Valley. Atualmente ainda se encontram muitos vinhedos dessa cepa, destinada, todavia, apenas à produção de sucos e geleias. Em 1969, quando a vitivinicultura estourou na Califórnia, havia apenas duas vinícolas no estado. Em 2005, esse número já era de 345, sendo que a cada ano aproximadamente 40 são inauguradas. As áreas de vinhedos expandiram 100% em cinco anos.

Embora haja vinhas ao redor da cidade de Puget Sound, mais próxima a Seattle, a maior parte dos vinhedos de Washington estão plantados em Columbia Valley AVA, Yakima AVA - um distrito de Columbia - e Walla Walla AVA. Nessas regiões, onde há aproximadamente apenas 30 hectares não cultivados, a paisagem original não se parece como um ambiente propício à vitivinicultura. O solo é praticamente desértico e o cultivo das vinhas somente se torna possível devido à irrigação. Além disso, geadas ocorrem no inverno, normalmente a cada seis anos, reduzindo a produção da safra do ano seguinte.

Ridge Monte Bello 1971 foi um dos vinhos tintos que participaram do Julgamento de Paris

Ainda assim, Washington é o segundo maior estado produtor de vinhos dos Estados Unidos, ficando atrás apenas da Califórnia. Os destaques são para os rótulos elaborados a partir de Chardonnay, Merlot, Cabernet Sauvignon e Syrah. Entre os produtores que merecem menção estão: Canoe Ridge, Cayuse, Chateau Ste. Michelle, Col Solare, Columbia Crest, DeLille Cellars, L'Ecole 41, Gordon Brothers, Hedges Cellars, Hightower, Isenhower, K Vintners, Leonetti, Long Shadows, McCrea, Pepper Bridge, Quilceda Creek, Seven Hills, Andrew Will e Woodward Canyon.

O julgamento de Paris
Em 24 de maio de 1976, um evento colocou os Estados Unidos co cenário mundial do vinho de forma definitiva. Naquela data, foi realizada na capital francesa a degustação às cegas que ficou conhecida como o julgamento de Paris. Organizada pelo crítico inglês (na época, comerciante de vinhos) Steven Spurrier, foram analidados lado a lado vinhos da França e dos Estados Unidos. Ao contrário do que era de se esperar, os tintos e brancos norte-americanos, elaborados respectivamente com as castas Cabernet e Sauvignon e Chardonnay, bateram os melhores Bordeaux tintos e os melhores Borgonhas brancos. A partir desse resultado, evidenciou-se o fato de que vinhos de excelente qualidade podem ser produzidos em quase todos os terroirs do mundo. Por conta dos norte-americanos, vinhos do Novo Mundo deixaram de ser vistos como de segunda linha.

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Fotos: Divulgação
Em 1969, quando a vitivinicultura estourou na Califórnia, havia apenas duas vinícolas no estado. Em 2005, esse número já era de 345

New York State
Pode-se dizer que a vitivinicultura no estado de Nova York - que, cercado de água por todos os lados, tem clima moderado e com influência marítima - iniciou- se a partir do Farm Wineries Act, em 1976. A partir da edição desse documento verificou-se um aumento no número de vinícolas, a maior parte delas cultivando Vitis vinifera, e não as variedades americanas e híbridas que anteriormente dominavam as regiões produtoras para a elaboração de geleias e compotas.

Quatro são as mais importantes áreas produtoras de vinho no Estado, abrangendo oito AVAs: Finger Lakes, logo ao sul do Lago Ontário, no centro do Estado; Lake Erie, na fronteira oeste; Hudson Valley, ao norte da cidade de Nova York, uma região tradicional, porém de menor importância; e Long Island, responsável por grande parte da produção de vinhos de qualidade superior.

Até 2005, havia aproximadamente 210 vinícolas estabelecidas no estado. As principais variedades brancas cultivadas são Chardonnay, Riesling, Gewürztraminer, Pinot Blanc e Sauvignon Blanc. As quatro primeiras adaptam-se bem em todas as regiões, já a Sauvignon Blanc só se dá bem em Long Island. Dentre as tintas, destacam-se Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Cabernet Franc e Merlot, sendo as duas últimas as mais promissoras.

Fox Run Vineyards, Shelddrake Point e Wölffer estão entre os melhores produtores do Estado.

Degustação especial Estados Unidos
Para compor esta matéria, ADEGA selecionou e degustou às cegas 11 vinhos norte-americanos, sendo dois brancos e nove tintos, nove vinhos da Califórnia, um do Oregon e um de Washington.

Com relação aos brancos, foi degustado um Riesling de Columbia Crest, que mostrou boa tipicidadee frescor, apesar de ser 2007. O outro branco provado foi um Chardonnay do produtor californiano Ironstone, com fruta mais madura, potência e madeira bem integrada.

Com relação aos tintos, o painel foi bem eclético. Dos três Pinot Noir, um era do Oregon - Domaine Drohin -, que correspondeu a fama desse estado como ótimo para a cepa, e outros dois da Califórnia, um da vinícola Marimar Estate e outro da Francis Ford Coppola. Os dois respeitaram as características da uva, porém o primeiro mostrou-se mais complexo, untuoso e elegante, enquanto o segundo mais alegre e frutado.

Também foram degustados: Fox Brock Syrah, fácil e agradável; dois bons Zinfandel, um do produtor De Loach, suculento e redondo, e outro da Ironstone, mais profundo, untuoso e complexo; um blend de Sangioveseda Bacio Divino, que surpreendeu pelo estilo classudo e gastronômico; um blend de Zinfandel da Ridge, grande destaque da degustação pelo perfeito equilíbrio e harmonia do conjunto; e, por fim, um corte bordalês da Ironstone que mostrou muita potência e fruta madura, tudo permeado por muita classe e profundidade.


Vinhos avaliados e sugeridos

Columbia Crest Grand Estates Riesling 2007 - R$ 73 - 89 pontos
De Loach Heritage Reserve Zinfandel 2009 - R$ 102 - 89 pontos
Domaine Drouhin Pinot Noir 2006 - US$ 99 - 91 pontos
Fox Brook Shiraz 2009 - R$ 46 - 86 pontos
Ironstone Chardonnay Reserve 2009 - R$ 94 - 89 pontos
Ironstone Meritage Reserve 2006 - R$ 195 - 92 pontos
Marimar Torres La Masía Pinot Noir 2006 - R$ 205 - 90 pontos
Ridge Geyserville 2007 - US$ 120 - 92 pontos


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