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Champagne Bollinger é o oficial da rainha da Inglaterra desde o século XIX, assim como também é de James Bond

Arnaldo Grizzo em 4 de Setembro de 2012 às 11:09

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Na última vez que Sean Connery interpretou o famoso agente 007, em "Diamantes são Eternos" (1971), em uma cena aparece a bebida que seria a companheira de James Bond pelo resto dos filmes da série. Não se trata do consagrado Dry Martini, mas de algo ainda mais elegante e refinado, o Champagne Bollinger.

No entanto, a fama da casa francesa - especialmente entre os ingleses - vem de muito antes disso. Em 1884, Bollinger foi aceita como fornecedora oficial da corte britânica por ordem da Rainha Victoria. Desde então essa tem sido a bebida das principais festividades da monarquia, incluindo o casamento de Charles e Diana em 1981, por exemplo.

Não é à toa que essa Maison foi escolhida tanto pela rainha quanto pelos produtores de 007, pois tradição é o que não falta quando se fala de Bollinger.

Eles foram um dos primeiros a criar bebidas no estilo "Brut" com vistas ao mercado inglês

Familiar
A casa nasceu oficialmente em 1829 com o nome de Renaudin Bollinger & Cia. Era uma sociedade entre Jacques Bollinger, nascido em Württemberg, na Alemanha, e Paul Renaudin, seu colega de trabalho na antiga casa Muller Ruinart, com o conde Athanase de Villermont, para vender os vinhos de Champagne.

fotos: divulgação

A família Villermont, na verdade, estava por trás de tudo, já que desde 1750 eles tinham, por autorização de Luís XV, a propriedade e a exploração de Cuis e seu Château. Nessa época, contudo, as famílias aristocráticas não queriam seus nomes envolvidos com o comércio. Em 1851, Renaudin morre sem deixar herdeiros e seu nome foi retirado dos rótulos no fim dos anos 1960.

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Desde 1837, porém, as famílias Bollinger e Villermont passam a se misturar, com o casamento de Jacques com Louise Charlotte, filha de Athanase. Nesse momento, a família Villermont já possuía diversos hectares em alguns dos principais vinhedos de Champagne, como Aÿ, Cramant, Chouilly e Grauves. Com o passar dos anos, Joseph e Georges (filhos de Jacques e Louise) adquiriram mais propriedades em Louvois, Bouzy e Verzenay e começaram a desenvolver a marca, fornecendo Champagne para oficiais da corte inglesa. Aliás, eles foram um dos primeiros a enviar carregamentos de bebidas no estilo "Brut" para a Inglaterra e Estados Unidos - vale lembrar que os Champagnes até então eram bastante doces.

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Um dos trunfos da Bollinger é ter cerca de 60% das uvas vindas de vinhedos próprios

Mais uma viúva de Champagne
Em 1918, depois da morte do pai, Georges, Jacques Bollinger, um aviador da I Guerra Mundial, assume a casa. Em 1923, ele se casa com Elizabeth Law de Lauriston Boubers, que ficaria conhecida como Lily Bollinger. Jacques toma frente da casa até 1941, quando morre e sua viúva, que não teve filhos, é obrigada a tomar as rédeas da casa. Anos e anos depois da Veuve Clicquot e de Madame Pommery, a Bollinger também se torna famosa devido a uma viúva.

Lily, assim como suas "antecessoras", vai se tornar, em meados do século XX, a grande promotora dos vinhos de Champagne - especialmente os de sua Maison. Mesmo com os percalços da II Guerra, ela conseguiu aumentar as propriedades da família. Lily rapidamente tornou-se uma figura midiática e cunhou algumas frases célebres como essa: "Bebo Champagne quando estou alegre e quanto estou triste. Às vezes, bebo quando estou sozinha. Quando tenho companhia, considero-o obrigatório. Beberico quando não estou com fome e bebo quando estou. Caso contrário, nunca toco nele, a não ser que esteja com sede".

A viúva Bollinger manteve-se à frente da casa até 1971 (ela morreu seis anos depois), quando seus sobrinhos Claude d'Hautefeuille e Christian Bizot vão sucedê-la. Em 1994, Ghislain de Montgolfier passa a controlar a casa. Em 2005, a companhia adquire a Champagne Ayala. Somente em 2007 uma pessoa fora da família assume o comando da empresa, com Jérôme Philipon.

Lily Bollinger ficou conhecida no mundo todo e foi uma das grandes promotoras dos vinhos de Champagne


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O estilo Bollinger
A Maison Bollinger se vangloria de ter cerca de 60% de suas uvas vindas de vinhedos próprios, algo que lhe dá uma vantagem competitiva em relação a muitos de seus "rivais", que precisam comprar uma quantidade muito maior de fruta para produzir seus espumantes. Ao todo são 163 hectares, cerca de 46 ha localizados em vinhedos Grand Cru e 88 ha em vinhedos Premier Cru.

Uma das vantagens de ter em mãos grande parte de seu fornecimento de matéria-prima é o controle de qualidade das uvas usadas. Seus Champagnes safrados (Grande Année), por exemplo, só usam mosto da primeira prensagem que vão sofrer a primeira fermentação em pequenos barris de carvalho - geralmente borgonheses de três ou seis anos de idade. Bollinger ainda mantém seu vinho envelhecendo nas caves mais do que o dobro do tempo requerido pelas regras de Champagne.

O estilo do seu espumante de entrada, dito Special Cuvée, não safrado, também vem de uma característica singular da casa, que guarda (de cinco a 12 anos) seus vinhos de reserva em garrafas Magnum com pressão abaixo do usual. Contudo, a espinha dorsal de todos os vinhos da casa é dada pela Pinot Noir, que representa 60% de todos os blends.

Bollinger mantém seu vinho envelhecendo nas caves mais do que o dobro do tempo requerido pelas regras de Champagne

Graças a Lily Bollinger, a Maison produz dois espumantes top de linha, RD e Vieilles Vignes Françaises. A primeira RD (Récemment Dégorgé - ou seja, cujo dégorgement foi recente) é do ano de 1952. É um Champagne baseado nos Grande Année, feito apenas em safras excepcionais, mas que permanece envelhecendo nas caves sobre suas borras de oito a 20 anos, às vezes até mais, e, além disso, é acrescentado um licor de expedição com baixíssimo teor de açúcar para preservar o frescor dos aromas do momento do dégorgement. Esse conceito de Champagnes lançados vários anos depois da safra foi criado por Lily e a Bollinger é uma das poucas casas que cultiva essa tradição com regularidade, mantendo cerca de 500 mil garrafas de seus Grande Année reservadas para esse fim em seus 5 quilômetros de galerias subterrâneas.

O Vieilles Vignes Françaises é um espumante ainda mais raro, feito de dois vinhedos minúsculos cultivados de maneira errática com plantas de Pinot Noir em pé-franco. Em 1969, Lily resolveu vinificar o vinho dessas parcelas separadamente, homenageando as tradições originais da região na produção de espumantes no século XIX. Outro vinho raríssimo da casa é o La Côte Aux Enfants, um tinto de Aÿ, produzido em um diminuto vinhedo Grand Cru de 1 hectare, também somente de Pinot Noir. Dele são feitas pouco mais de 4 mil garrafas.


Grands Châteaux

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 83 · Setembro/2012 · Polêmica - Vinhos naturais são melhores?

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