Grandes degustações

Grandezas da África

ADEGA promoveu uma degustação de grandes vinhos sul-africanos

Eduardo Milan em 15 de Maio de 2013 às 11:51

As degustações especiais de ADEGA, muito mais do que oferecer aos privilegiados participantes e, principalmente, a seus leitores a chance de conhecer e degustar - ainda que por meio de nossas páginas - vinhos exclusivos ou antigos, tem o papel primordial de oferecer e instigar a experimentação de vinhos de ótima qualidade, mas pouco conhecidos e/ou consumidos entre nós.

O Brasil é prato cheio para esse propósito, já que em poucos países no mundo se vê a diversidade de rótulos que temos disponível em nosso mercado. Por outro lado, toda essa gama de opções torna mais difícil a tarefa de selecionar, fazendo com que muitas vezes acabemos optando por escolhas mais seguras, restringindo- nos a consumir vinhos conhecidos, deixando de nos aventurar por novas águas e, infelizmente, de ampliar nosso paladar e experiência. Nessa linha está inserida a África do Sul que, apesar de possuir vasta tradição vitivinícola, ótimos produtores e vinhos de muita qualidade, é pouco lembrada por aqui.

Dessa forma, decidimos realizar uma degustação de oito rótulos sul-africanos. Nesse contexto, ADEGA convidou um seleto grupo de amigos - os executivos Alênio Calil Mathias, André Mendes Almeida, Irecê Rodrigues, Gabriel Zipman, José Júlio Pereira, Miriam Mendes Almeida, Patrícia Belinski, Reinaldo Hossepian e Robert Thisted - para prová-los e trocar impressões.

Os vinhos foram degustados na seguinte ordem: Nederburg Manor House Sauvignon Blanc 2010, Groot Constantia Sauvignon Blanc 2010, Steenberg Sauvignon Blanc Reserve 2009, Reyneke Reserve Sauvignon Blanc 2010, Cirrus Syrah 2007, Spice Route Flagship Syrah 2007, Stellenzicht Syrah 2003 e PK Morkel Pinotage 2004.

Logo de início, os participantes mostraram-se surpresos com a qualidade e tipicidade dos brancos provados. André Mendes Almeida ressaltou que, apesar de todos serem elaborados a partir de Sauvignon Blanc, eram bastante diferentes entre si. Já José Júlio Pereira opinou que, pelo frescor, o Nederburg e o Groot Constantia são ótimos para o verão, enquanto Alênio Calil Mathias adorou as notas herbáceas e vegetais comuns em todos eles - o que, diga-se de passagem, foi muito bem observado, já que diferentemente dos Sauvignon Blanc chilenos, que são mais cítricos, tropicais e frutados, os sul-africanos pendem para o lado das frutas brancas com notas mais vegetais, herbáceas e minerais. Por outro lado, Robert Thisted gostou do equilíbrio entre estrutura e frescor do Steenberg, enquanto, Gabriel Zipman adorou a estrutura, o corpo e o volume de boca do Reyneke, observando que dificilmente falaria que era um branco se o estivesse degustando em taças negras - aquelas de concursos de sommeliers, em que não é possível se ver a cor do vinho.

Com relação aos tintos, todos se surpreenderam com a juventude dos vinhos degustados, já que os mais "novos" eram da safra 2007 e o mais "velho" da safra 2003. Como bem observado por Thisted, apesar de três deles serem da mesma uva - a Syrah - e terem características comuns, como por exemplo as notas de especiarias picantes, mostraram- se bem diferentes entre si. Pereira ressaltou a qualidade da fruta, a suculência e a juventude do Cirrus, enquanto Irecê Rodrigues salientou a complexidade aromática do PK Morkel, único Pinotage presente na prova. Já Mathias e Reinaldo Hossepian se mostraram surpresos com a estrutura e a potência tanto do Spice Route quanto do Stellenzicht.

Ao final, preferências e gostos a parte, foi unânime a percepção de que os vinhos sul-africanos são uma ótima opção para sair do lugar comum com qualidade e consistência. No campo dos brancos, o preferido foi o Steenberg, com o Reyneke e o Groot Constantia empatados em segundo lugar. Já com relação aos tintos o Stellenzicht foi o preferido seguido pelo Spice Route, Cirrus e PK Morkel, quase empatados.

VINHOS AVALIADOS

AD 90 pontos
GROOT CONSTANTIA SAUVIGNON BLANC 2010

Groot Constantia, Western Cape, África do Sul (Ravin R$ 108). A vinícola está situada numa propriedade histórica de 1685, ainda da época da colonização holandesa, na região do Cabo e elabora este branco exclusivamente a partir de uvas Sauvignon Blanc, sem passagem por madeira, mas em contato com as borras por dois meses antes de ser engarrafado. Apresenta cor amarelo-palha de reflexos esverdeados e aromas de frutas cítricas e tropicais maduras como maracujá e limão-siciliano, além de típicas notas herbáceas e toques minerais. No palato, é frutado, estruturado, equilibrado, tem ótima acidez e final longo, fresco e mineral, confirmando as frutas encontradas no nariz. Ideal para acompanhar frutos mar e queijos frescos de cabra. Álcool 13,5%. EM

 

AD 89 pontos
NEDERBURG MANOR HOUSE SAUVIGNON BLANC 2010

Nederburg, Paarl, África do Sul (Casa Flora R$ 79). Atualmente pertencente ao grupo Distell, a vinícola foi fundada em 1791 pelo alemão Philipus Wolvaart e elabora este branco exclusivamente a partir de uvas Sauvignon Blanc advindas de vinhedos plantados entre 1969 e 1998, sem passagem por madeira. Apresenta cor amarelo-palha de reflexos esverdeados e aromas agradáveis de frutas cítricas e tropicais maduras como maracujá e limão-siciliano, além de típicas notas herbáceas, minerais e vegetais. No palato, confirma o estilo de fruta presente no nariz, é estruturado, equilibrado, tem bom volume de boca, acidez refrescante e final persistente e agradável, com toques de mel. Experimente com queijos tipo chèvre. Álcool 13,5%. EM

 

AD 92 pontos
SPICE ROUTE FLAGSHIP SYRAH 2007

Spice Route, Swartland, África do Sul (Ravin R$ 178). Em 1997 Charles Back, proprietário da vinícola Fairview, adquiriu uma fazenda na região de Swartland e começou a cultivar com muito sucesso várias variedades de uvas, entre elas a Syrah utilizada exclusivamente para elaborar este tinto, com estágio de 20 meses em barricas 50% novas de carvalho francês. Apresenta cor vermelhorubi de reflexos violáceos e aromas de frutas vermelhas e negras mais frescas envoltos por típicas notas de especiarias picantes, além de toques florais, defumados e de tabaco. Em boca, é frutado, estruturado, equilibrado, tem boa acidez, taninos finos e final persistente, que confirma a tipicidade do nariz. Surpreende pela elegância do conjunto. Para as carnes vermelhas ensopadas ou assadas. Álcool 15%. EM

 

AD 91 pontos
STEENBERG SAUVIGNON BLANC RESERVE 2009

Steenberg, Western Cape, África do Sul (Winebrands R$ 246). Steenberg é uma das vinícolas mais tradicionais da África do Sul e sob responsabilidade do jovem enólogo JD Pretorius elabora este branco exclusivamente a partir de uvas Sauvignon Blanc advindas de vinhedos de mais de 23 anos, sem passagem por madeira, mas mantido em contato com as borras por cinco meses. Apresenta cor amarelo-palha de reflexos esverdeados e aromas de frutas brancas e tropicais mais maduras, bem como notas minerais, herbáceas e vegetais, além de cativantes toques florais. No palato, é estruturado, frutado, equilibrado, tem ótimo volume de boca, acidez refrescante e final longo e agradável. Surpreende pela elegância do conjunto. Deve ir bem na companhia de peixes brancos grelhados. Álcool 14%. EM

 

AD 90 pontos
PK MORKEL PINOTAGE 2004

Bellevue State, Stellenbosch, África do Sul (Tahaa R$ 147). As letras "PK" são uma homenagem a Pieter Kriege Morkel, chamado de PK, e o responsável por converter a propriedade agrícola familiar numa vinícola. Tinto elaborado exclusivamente a partir de Pinotage - fruto do cruzamento de Pinot Noir e Cinsault -, com estágio de 24 meses em barricas novas de carvalho francês. Apresenta cor vermelho-rubi pura e aromas de frutas vermelhas mais frescas envoltos por típicas notas especiadas, defumadas, de ervas secas e de tabaco. Em boca, é frutado, estruturado, tem boa acidez, taninos finos e final médio/longo, com toques balsâmicos. Para as carnes de caça ou queijos duros. Álcool 14,5%. EM

 

AD 91 pontos
STELLENZICHT SYRAH 2003

Stellenzicht, Stellenbosch, África do Sul (World Wine R$ 220). Os primeiros registros da propriedade datam de 1682. Em 1981 a vinícola foi adquirida pelo então proprietário Hans-Joachin Schreiber. Tinto elaborado exclusivamente a partir de uvas Syrah plantadas em 1989, com estágio de 19 meses em barricas novas de carvalho 77% francês, 18% americano e 5% húngaro. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas negras e vermelhas mais maduras, bem como notas florais, tostadas e de especiarias picantes, além de toques minerais e de alcaçuz. Em boca, é frutado, estruturado, equilibrado, tem ótima acidez, taninos finos e final persistente. Surpreende pela juventude mesmo com 10 anos. Para as carnes vermelhas grelhadas. Álcool 15,7%. EM

 

AD 92 pontos
REYNEKE RESERVE SAUVIGNON BLANC 2010

Reyneke Wines, Stellenbosch, África do Sul (Mistral US$ 77). A vinícola foi fundada em 1998 e segue os princípios da agricultura orgânica e biodinâmica para cultivar as uvas Sauvignon Blanc utilizadas exclusivamente para elaborar este branco, com fermentação e estágio de 15 meses em carvalho francês. Apresenta cor amarelo-citrino de reflexos esverdeados e aromas de frutas brancas e tropicais mais maduras envoltas por notas florais, minerais e herbáceas, toques de frutos secos e de baunilha que evidenciam o estágio em madeira. No palato, confirma a fruta encontrada no nariz, tem madeira bem integrada, ótimo volume de boca, acidez na medida e final persistente, com toques de maracujá. Muito bem feito e equilibrado, num estilo mais untuoso e estruturado, mas que não compromete o frescor e seu aspecto frutado. EM

 

AD 92 pontos
CIRRUS SYRAH 2007

Engelbrecht Els, Stellenbosch, África do Sul (Vinci R$ 179). O lendário golfista Ernie Els fundou a vinícola em 1999 e em parceria com o Ray Duncan, do renomado Silver Oak da Califórnia, elabora este tinto a partir de 93,5% Syrah e 6,5% Viognier, com estágio de 15 meses em barricas de carvalho francês e americano. Apresenta cor vermelho-rubi de reflexos violáceos e aromas de frutas negras maduras lembrando ameixas e cassis, bem como notas florais, especiadas e minerais, além de toques tostados, de tabaco e de alcaçuz. No palato, surpreende pela textura tânica sedosa e vibrante, confirmando o estilo mais maduro da fruta, mas em perfeito equilíbrio com sua acidez vibrante, tudo num final persistente. Para as carnes vermelhas grelhadas mais gordurosas. EM

 

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Artigo publicado nesta revista

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