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Completando 70 anos, Viña Santa Helena - uma das 10 maiores vinícolas exportadoras do Chile - vai em busca de novidades

Christian Burgos E Arnaldo Grizzo em 4 de Setembro de 2012 às 11:48

divulgação

Segundo a tradição cristã, Santa Helena - também conhecida como Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino - foi quem descobriu o local de crucificação de Cristo. Foi ela quem, após uma peregrinação pela Palestina, teria ordenado a construção de importantes igrejas, como a da Natividade, em Belém, e a do Santo Sepulcro, em Jerusalém.

Já na tradição grega, Helena é o nome da mulher mais bela do mundo - filha de Zeus, esposa de Menelau, rei de Esparta, também conhecida como Helena de Troia (cuja fuga com Páris deu origem à famosa guerra mitológica). Helena é o símbolo maior da beleza, do encanto.

A Viña Santa Helena (que possui como símbolo a imagem de uma mulher, como se fosse uma deusa) vale-se muito mais da parte grega, apesar do "Santa" no nome, pois, desde o começo sua vocação foi ir para além dos limites do Chile, já que foi fundada como uma cooperativa exportadora em 1942. Não à toa, o VSPT Wine Group (Viña San Pedro Tarapacá) adquiriu-a em 1994, tornando-se a primeira subsidiária do grupo - que conta com outras 10 vinícolas, constituindo a segunda maior holding de vinhos do Chile.

Teoria da relatividade
Na busca pelo vinhos de exceção e pelo terroir perfeito nos entregamos a vasculhar o mundo através das viagens e das taças a fim de encontrar aquele pequeno vinhedo especial e o produtor capaz de entender e expressar o terroir. No melhor exercício da Gestalt, logo imaginamos um garagista com as mãos de terra. Mas o mundo do vinho nos ensina sempre que nada é absoluto e que devemos nos abster dos preconceitos e determinismos. Nesse caso, a lição é que vinícolas com grande produção têm acesso a dinheiro e enólogos talentosos que se realizam profissionalmente ao criar grandes vinhos. Assim, simplesmente procurar, comprar e compreender aquela parcela especial dentre muitos hectares de vinhedos para elaborar seu fruto (o vinho) em sua máxima expressão é uma tarefa contagiante.

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fotos: divulgação

Foi o que aconteceu também com Santa Helena e seu enólogo-chefe, Matías Rivera. "Adquirimos, em 2003, um vinhedo muito antigo, de mais de 100 anos, próximo à Cordilheira dos Andes, exatamente em frente à Santa Helena, em um terroir excepcional. Uma superfície de vinhedos antigos com cerca de 30 hectares", afirma o enólogo, que completa: "Estudando-o percebemos que seu vinho poderia ser engarrafado separadamente e criamos o 'Parras Viejas'" - em cujo rótulo vê-se a imagem de uma das videiras mais antigas do vinhedo.

Santa Helena, localizada em San Fernando, no Vale de Colchagua, conta com 334 hectares

Ao falar do vinho e prová-lo, Rivera se entusiasma, e poderíamos imaginar que entre seus "filhos" esse seria o preferido. Poderia também ser um reflexo de nossa própria reação, pois, apesar de termos degustado outros vinhos especiais da casa, o Parras Viejas 2010 tornou-se o centro das atenções. Um Cabernet Sauvignon 100%, Single Vineyard, com equilíbrio de taninos finíssimos, acidez no ponto exato, fruta e mineralidade formados na planta, qualidades que atestam que o Cabernet chileno só tem a ganhar à medida que suas vinhas forem ganhando idade e maturidade. Rivera foi sensível para entender que o equilíbrio desse vinho já havia sido dado pela natureza, admitindo ter "tirado da vinha o que uma bisavó tem de melhor: a experiência". Prova disso é que o enólogo não usa barricas de carvalho novas na vinificação.

Preocupados em poder continuar tendo acesso ao mesmo Parra Viejas no futuro, perguntamos quanto tempo o antigo vinhedo ainda poderia produzir. Para Rivera, as vinhas ainda têm muito vigor, apesar de algumas terem sido plantadas em 1910, e devem continuar produzindo por pelo menos mais 20 anos. Diante das centenas de vinhos que ADEGA degustou neste ano, Parras Viejas é uma pechincha.

Olho no terroir
Localizada em San Fernando, no Vale de Colchagua, Santa Helena conta com 334 hectares e, como outras de suas irmãs chilenas, tem consciência de que uma das riquezas do Chile é a diversidade de terroirs que ainda podem ser explorados, como no caso do Sauvignon Blanc da região de Paredones (que compõe a linha Vernus desde 2010). "Nossos vinhedos lá ainda são relativamente novos, mas, a cada ano que passa, sente-se melhor a mineralidade, o gosto do terroir da região nos vinhos", comenta Rivera. Ele conta que o solo nessa parte é granítico e que as raízes das videiras chegam a ter mais de cinco metros de profundidade. Santa Helena, por sinal, tem sido uma das pioneiras a investir na zona costeira do Vale de Colchagua, não só com o Sauvignon Blanc, mas também com Pinot Noir.

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"Adquirimos, em 2003, um vinhedo muito antigo, de mais de 100 anos, próximo à Cordilheira dos Andes, exatamente em frente à Santa Helena, em um terroir excepcional. Uma superfície de vinhedos antigos com cerca de 30 hectares", afirma Matías Rivera

Separação
Esses dois vinhos (Parras Viejas e Vernus Cabernet Sauvignon) já demonstram uma das preocupações de Santa Helena e seu enólogo, que é uma certa renovação e especialização de seus rótulos. O Parras Viejas, por exemplo, vem da mesma linha do Notas de Guarda, um Carménère (completado com um pouco de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot - mais recentemente substituída por Merlot, na safra 2011) de vinhedos selecionados.

Na mesma linha vai o D.O.N (sigla para De Origen Noble - De Origem Nobre), o topo de gama da vinícola. Um "blockbuster" composto majoritariamente de Cabernet Sauvignon, completado com pequenas proporções de outras castas como Petit Verdot, Syrah, Cabernet Franc, Carménère ou Merlot dependendo da safra.

Para celebrar
Ao completar 70 anos, Santa Helena resolveu, como fazem muitas vinícolas, lançar um vinho especial. Contudo, diferentemente de outros que lançam séries limitadas de vinhos caríssimos, a vinícola decidiu abrir um novo campo, algo que não é especialidade do Chile e que tem requerido muito investimento de quem se aventura por aí: produzir espumantes.

Assim, Rivera e sua equipe prepararam o Santa Helena Premium Brut, um Charmat, corte de Pinot Noir, Chardonnay e Sauvignon Blanc, com uvas que vieram preponderantemente de Casablanca. "O Chile não tem tradição em produzir espumantes, pois é preciso investir para comprar tanques e outras coisas, e nem sempre as vinícolas estão dispostas a isso. Santa Helena fez um grande investimento para chegar a esse produto", finaliza Rivera. Outra vez a qualidade e bela apresentação nos brindam com um "best buy".

VINHOS AVALIADOS
Em visita ao Brasil, Matías Rivera apresentou alguns dos principais vinhos de Santa Helena em evento exclusivo para ADEGA. Confira os destaques.

Santa Helena Premium Brut R$ 39 87 pontos
Parras Viejas 2010 R$ 159 92 pontos
Don 2009 R$ 304 92 pontos


Curiosidades

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 83 · Setembro/2012 · Polêmica - Vinhos naturais são melhores?

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