Mundovino

Eventos do mundo do vinho

Da redação em 13 de Outubro de 2014 às 00:00

Storia

Degustando Storia

Com exclusividade, ADEGA teve oportunidade de provar as safras 2006, 2008 e a recém-lançada safra 2010 do Storia Merlot

Não é sempre que se tem a oportunidade de degustar juntas três safras deste Merlot, seja por sua pequena produção, seja porque a Casa Valduga raramente o coloca em degustações. Assim, quando ADEGA recebeu a proposta de fazer uma vertical de Storia, aceitou imediatamente. A degustação foi conduzida pelo enólogo João Valduga que, em meio a um grande sorriso, como lhe é de costume, disse que “mesmo para a família não é comum degustar o Storia, o que pensar de degustar três safras no mesmo dia”.

Storia é fruto de uma seleção das melhores barricas de vinho produzidas a partir de uvas Merlot de um único vinhedo, localizado atrás da vinícola, no Vale dos Vinhedos. Nos últimos nove anos, somente as safras 2005, 2006, 2008 e 2010 atingiram os patamares de qualidade necessários e, desde então, o Storia conquistou uma legião de fãs, talvez pela qualidade mais que reconhecida da safra 2005, o que acabou por gerar uma justificada curiosidade sobre a qualidade das safras seguintes. De fato, como produto, este tinto é um sucesso de vendas. As garrafas de 2005, 2006 e 2008 estão esgotadas há tempos e, da última safra (2010), segundo João Valduga, já foram vendidas boa parte das garrafas antecipadamente. Como ícone da vinícola, Storia somente é vendido mediante reserva, com a entrega para o comprador de um certificado oficial, com o número da garrafa e do lote.

Apesar da safra 2005 não ter sido provada por estar praticamente esgotada na vinícola, com a degustação das últimas três safras pode-se perceber o cuidado em todas as fases de sua elaboração desde o campo até a cantina, além de comprovar a consistência de qualidade do vinho, que faz jus à sua fama. A degustação também comprovou um amadurecimento, em termos de estilo e precisão, dos enólogos Daniel Dalla Valle e João Valduga para trabalhar com o vinhedo, a fruta e a madeira. De fato, se compararmos as três safras, percebe-se que a 2010, apesar da juventude, está bastante acessível e certamente atinge um nível de elegância e verticalidade não alcançado pelo 2006 e pelo 2008. Considerando que a safra 2010, em termos gerais, no Vale dos Vinhedos foi pior que a de 2008 e a de 2011, o resultados conseguidos neste tinto são realmente dignos de elogios e nos fazem esperar ansiosos o lançamento da safra 2011, que já está engarrafada.

AD 90 pontos  
STORIA MERLOT 2006
Casa Valduga, Vale dos Vinhedos, Brasil (fora de catálogo). Nessa safra foram produzidas 6.000 garrafas deste tinto 100% Merlot, com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Atrás dos aromas animais, defumados e terrosos aparece uma fruta gostosa e suculenta, lembrando ameixas e cerejas negras. No palato, confirma essa fruta, tem a madeira bem integrada e acidez vibrante, que traz vivacidade ao conjunto. O final é persistente, com notas minerais, que lhe aportam ainda mais complexidade. Está em plena forma e deve se manter assim ou ainda melhorar nos próximos 10 anos. EM

AD 89 pontos  
STORIA MERLOT 2008
Casa Valduga, Vale dos Vinhedos, Brasil (fora de catálogo). Nessa safra foram produzidas 12.000 garrafas, com estágio de 12 meses em barricas novas de carvalho francês. Aqui se percebe um perfil de frutas vermelhas e negras mais maduras, com aromas animais, defumados e de tabaco, com a madeira tendo um papel importante, trazendo notas tostadas e de especiarias doces. Assim como no 2006, nessa safra, a acidez é vibrante, trazendo vivacidade ao conjunto, tudo num contexto de suculência, complexidade e final persistente. Apesar de estar muito bom, parece estar numa fase um pouco ingrata de sua evolução. Nada que alguns anos a mais de garrafa não possam resolver, pois tem potencial para isso. EM

AD 91 pontos  
STORIA MERLOT 2010
Casa Valduga, Vale dos Vinhedos, Brasil (R$ 200). Foram elaboradas 12.000 garrafas deste tinto, com estágio de 18 meses em barricas novas de carvalho francês. Neste caso, é perceptível uma maior precisão tanto em termos aromáticos quanto gustativos. Apesar de estar muito jovem, já está acessível agora,  mostrando-se mais compacto, preenchendo melhor a boca, com taninos de grãos finos e de ótima textura, tudo envolto por uma gostosa acidez. Mais fino, elegante e polido, tem final longo e persistente, lembrando grafite. Um grande vinho, que deve melhorar bastante nos próximos 10 anos e claramente mostra um perfil distinto das safras 2006 e 2008, mostrando patamares superiores de equilíbrio, elegância e finesse. EM

Atamisque

Atamisque

No mês de setembro, ADEGA foi convidada com exclusividade para fazer uma degustação vertical das safras 2008, 2009, 2010,  2011 e 2012 do vinho Atamisque Malbec. Segundo o enólogo Adrián Vargas, que conduziu brilhantemente a degustação, foi a primeira vez que foi feita uma vertical de um dos vinhos mais representativos da Bodega Atamisque fora da vinícola.
Degustações verticais são sempre muito didáticas, pois através delas pode-se presenciar as influências do clima em cada safra, o amadurecimento do vinho no tempo e também sua consistência. Mas, mais importante do que tudo isso, pode-se comprovar a variação ou a manutenção de seu estilo no decorrer dos anos e o aprimoramento da interpretação do enólogo de determinado local. Nesse caso específico, um vinhedo centenário localizado em La Consulta, de onde vêm as uvas Malbec para elaborar este tinto, que passa aproximadamente 14 meses em barricas de carvalho francês. Para Vargas, o grande responsável pela qualidade do vinho é esse vinhedo antigo. É por isso que ele e o enólogo-chefe francês Philippe Caraguel, no decorrer dos anos, mas mais intensamente a partir da safra 2010, estão colhendo as uvas um pouco antes e evitando a sobrematuração. De fato, isso ficou bem definido durante a prova dos vinhos, que mostraram gradativamente mais frescor, principalmente nas safras 2011 e 2012.

Vargas mostra toda sua paixão ao vinhedo, quando o compara a um avô. Para ele, quando alguém está com um avô, sabe que ele vai entregar sabedoria, conhecimento, mas nunca força. E isso fica muito claro quando se provam os vinhos que, independentemente do estilo da fruta mais madura ou mais fresca que possuem dependendo da safra, têm um elo de ligação baseado no equilíbrio e na elegância do conjunto, provavelmente em virtude desse vinhedo tão especial.

AD 89 pontos  
ATAMISQUE MALBEC 2008
Atamisque, Mendoza, Argentina (World Wine – fora de catálogo). Aromas de frutas negras maduras, com notas florais e especiadas. Ainda vivo, confirmando o estilo de fruta mais madura encontrada no nariz, tem acidez na medida, taninos de boa textura e final persistente e elegante. EM

AD 90 pontos  
ATAMISQUE MALBEC 2009
Atamisque, Mendoza, Argentina (World Wine – fora de catálogo). Aqui já tem um perfil de fruta vermelha e negra mais fresca, bem como notas florais, especiadas, além de toques minerais e de grafite. Esse maior frescor se confirma na boca, tem a madeira bem integrada e final persistente, menos cheio, mas com mais profundidade. Tem um perfil mais delicado e elegante que o 2008. EM

AD 91 pontos  
ATAMISQUE MALBEC 2010
Atamisque, Mendoza, Argentina (World Wine R$ 99). Mostra uma fruta mais madura como no 2008, porém com a acidez e o frescor presentes no 2009. Chama a atenção pelo frescor e pelas notas florais, além da ótima textura, com um final mineral lembrando grafite, além da elegância inerente à casa. EM

AD 92 pontos  
ATAMISQUE MALBEC 2011
Atamisque, Mendoza, Argentina (World Wine R$ 99). Nesta safra, fica ainda mais clara a mudança para um perfil de fruta negra mais fresca, tanto no nariz quanto na boca, tudo envolto por notas florais, herbáceas e de especiarias doces. No palato, é compacto, preciso, tem acidez refrescante, taninos com textura lembrando giz e final longo e suculento. Um vinho mais vertical e que esbanja elegância, acima da média para essa faixa de preço. EM

AD 92 pontos  
ATAMISQUE MALBEC 2012
Atamisque, Mendoza, Argentina (World Wine – ainda não disponível). Mesmo perfil de fruta mais fresca encontrada na safra 2011, porém mostrando aqui mais intensidade e vibração, mas mantendo o estilo compacto e preciso. Apesar de já estar muito bom, ainda precisa de mais tempo de garrafa para integrar as partes do conjunto e assim manifestar toda sua finesse, tão característica dos vinhos da Atamisque. EM

Da Argentina

No dia 3 de setembro, a importadora Premium apresentou seu portfólio de vinhos argentinos, que conta atualmente com as vinícolas Benvenuto de la Serna, Fabre Montmayou, Revancha, Ricardo Santos e Tercos. ADEGA esteve lá, conferiu tudo e selecionou alguns destaques dessa agradável degustação.

AD 91 pontos
FABRE MONTMAYOU GRAN RESERVA MALBEC 2011
Fabre Montmayou, Mendoza, Argentina (Premium R$ 65). Malbec com estágio em barricas francesas durante 12 meses. Consegue aliar opulência e certa untuosidade com finesse, talvez por mostrar uma fruta com perfil fresco e menos compotado. A madeira está bem integrada, trazendo complexidade ao conjunto, tem boa acidez, taninos de ótima textura e final persistente, que convida a mais um gole. EM
FABRE MONTMAYOU GRAN RESERVA MALBEC 2011

 

AD 90 pontos
REVANCHA MALBEC 2012
Revancha, Mendoza, Argentina (Premium R$ 87). Projeto pessoal do renomado enólogo Roberto de la Mota. Malbec com estágio de 50% do vinho em barricas francesas (um terço novas) durante um ano. Num estilo concentrado e suculento, mas muito bem equilibrado por sua acidez refrescante e taninos de boa textura. Pura expressão da Malbec, com os aromas de ameixas e amoras frescas envoltos por notas florais e de especiarias doces. Suculento e gostoso de beber, com um toque licoroso no final. EM
REVANCHA MALBEC 2012

 

AD 90 pontos
RICARDO SANTOS SÉMILLON 2013
Ricardo Santos, Mendoza, Argentina (Premium R$ 76). Sémillon com estágio de 50% do vinho em barricas de carvalho francês durante 12 meses. Chama a atenção pelo equilíbrio do conjunto, mostrando ótima acidez, bom volume de boca, gostosa cremosidade e final persistente, com notas de frutas cítricas e mel. Estruturado, tem a tipicidade da uva e todos os atributos para ficar ainda melhor nos próximos cinco anos. EM
RICARDO SANTOS SÉMILLON 2013

 

Obra

A importadora Obra Prima elegeu o charmoso Espaço Jardim Europa, no dia 2 de setembro em São Paulo, para o evento comemorativo de seus 10 anos. Na ocasião, praticamente todo o portfólio da importadora esteve à disposição dos convidados. Entre os mais de 150 rótulos avaliados pela equipe ADEGA de degustação, destacaram-se:

 

AD 90 pontos
VIRNA BARBERA D’ALBA 2010
Azienda Virna di Borgogno Virna, Piemonte, Itália (Obra Prima R$ 68). Não há como não se render à rusticidade atraente deste perfumado Barbera. No aroma, além do terroso e do feno, traz frutas vermelhas frescas e cogumelos. Obviamente, em boca, a acidez desponta e alavanca os sabores deste irretocável exemplar piemontês. Se sozinho já se mostrou tão cativante, imagine em companhia de carnes defumadas. VS
VIRNA BARBERA D’ALBA 2010

 

AD 89 pontos
DONATONI ROSSO VÊNETO MASSENÀ 2010
Bodega Schenk, Vêneto, Itália (Obra Prima R$ 82). Para quem gosta de viver experiências novas, este exemplar traz um corte pouco comum de Enantio, Corvina e Merlot. Os aromas lembram as frutas negras maduras, como ameixas, com toques rústicos de celeiro. Tem boa presença em boca, com taninos finos, adocicados e acidez equilibrada. VS
DONATONI ROSSO VÊNETO MASSENÀ 2010

 

Premier Cru

Jacques Boissenot

No dia 3 de agosto, faleceu um dos mais prestigiados enólogos-consultores de Bordeaux: Jacques Boissenot. Ele foi uma das personalidades mais relevantes do vinho no século XX, tendo trabalhado em quase 200 vinícolas de Bordeaux nos últimos 45 anos, entre elas quatro dos cinco Premier Grand Cru Classé da classificação de 1855, os Châteaux Mouton, Lafite, Latour e Margaux. Na região, ele ainda assessorou Leoville-Las-Cases e Cos d’Estournel, por exemplo. Boissenot era conhecido por sua abordagem respeitosa quanto aos vinhos, assim como por sua intuição na hora de trazer o melhor para eles sem precisar ser o centro das atenções. Ele nasceu em 10 de setembro de 1938 em Beirute, no Líbano, onde seu pai estava servindo o exército francês. A família retornou à França sete anos depois. Sua primeira escolha profissional foi em veterinária, mas depois optou pela consultoria em vinho, apesar de vir de uma família abstêmia. Seu professor em Bordeaux foi o lendário Émile Peynaud. Depois de formado, em 1972, ele abriu um dos primeiros cinco departamentos de enologia da região a pedido do professor. Depois da morte de Peynaud, ele herdou alguns de seus clientes, a começar por Lafite em 1980, Margaux em 1987, Latour em 2000 e finalmente Mouton em 2005. Em 2010, a revista Decanter o elegeu como enólogo da década.

Verdes

O restaurante Antiquarius foi palco de uma degustação e uma prova de harmonização de Vinhos Verdes no dia 3 de setembro. Seletos convidados, entre eles o cônsul de Portugal, prestigiaram o evento, que contou com um almoço especial de pratos preparados para combinar com vinhos monocasta. A ideia era mostrar aos convidados as características e tipicidades das uvas mais características da região e também evidenciar como elas combinam com a gastronomia brasileira. ADEGA esteve presente e confirmou a boa vocação dos Vinhos Verdes para a harmonização.

AD 88 pontos  
CASA DA SENRA LOUREIRO 2013
Abrigueiros, Vinho Verde, Portugal (Terra a Terra R$ 90). Este vinho é produzido no Vale do Lima, entre as vilas de Ponte de Lima e Arcos de Valdevez, local onde as vinhas são plantadas em socalcos, ou terraços em meio às encostas. Possui cor delicada, com reflexos dourados e, na elegância de seus aromas, é possível encontrar, realmente, o perfume da folha de louro, que sugere o nome da variedade Loureiro. Outras flores e frutas brancas completam o buquê e convidam a degustar sabores cítricos, em corpo leve e sedoso. Sua harmonização com salada tropical ficou insuperável. VS
CASA DA SENRA LOUREIRO 2013

 

AD 89 pontos   
DEU LA DEU 2013
Adega de Monção, Vinho Verde, Portugal (Barrinhas R$ 86). O nome Deu La Deu é uma homenagem à lendária heroína de Monção que, durante as guerras fernandinas, enganou os castelhanos, atirando-lhes pão sobre as muralhas, fazendo-os pensar que ainda havia muita resistência. Proveniente da sub-região de Monção e Melgaço, este Alvarinho faz jus à grande importância dada a esta uva em toda a região. Sua cor é verdeal e seus aromas são distintos, lembrando as frutas tropicais frescas e perfumadas, com toques minerais. Em boca, possui mais presença e equilíbrio do que os Vinhos Verdes em geral e maior persistência também. Harmonizou perfeitamente com Dourado e purê de banana da terra. VS
DEU LA DEU 2013

 

Escala industrial

Segundo arqueólogos e historiadores, ruínas escavadas em Ramat Beit Shemesh, cidade localizada a 30 quilômetros de Jerusalém, provavelmente faziam parte de um mosteiro e reuniam um “impressionante complexo” de 2.000 anos, com produção de vinho e azeite em escala industrial. O complexo, segundo os arqueólogos, remonta ao período Bizantino do Império Romano. No local foram encontradas peças “anormalmente grandes” usadas na fabricação e no processamento do vinho e azeite. Essas evidências indicaram que a produção se dava em nível industrial e que não era apenas doméstica.

Biocombustível

Segundo um estudo da Swinburne University of Technology, em Melbourne, Austrália, o resíduo de vinho poderá servir como biocombustível. O Ph.D. Avinash Karpe desenvolveu um método para criar etanol e outros combustíveis a partir da ação de um fungo capaz de decompor as moléculas residuais do processamento do vinho. “Muitos fungos são conhecidos por degradar esse tipo de resíduo induzindo a produção de enzimas”, declarou. Até o momento, o método só foi demonstrado em laboratório, mas, acredita-se que logo poderá ser usado em grande escala.

Ameaça

O mundo do vinho já conheceu diversas pragas, entre elas, a mais devastadora de todas, a filoxera que, no século XIX, colocou a produção mundial em risco. Antes e depois dela, porém, outras tantas pragas já infestaram as mais diversas regiões do mundo e agora Bordeaux está novamente preocupada. Uma mosca asiática, denominada Drosophila suzukii, surgiu recentemente (os primeiros sinais foram vistos em 10 de setembro em Saint-Émilion e Entre-Deux-Mers, segundo especialistas) e vem atacando os vinhedos locais, causando um apodrecimento rápido das uvas. Segundo o enólogo Denis Dubourdieu, ainda são poucas as vinhas infectadas.

Custo

A questão dos contratos de mão-de-obra na época da colheita na Europa é sempre um tema delicado e, na França, o governo está de olho. Anualmente, são assinados 300 mil contratos temporários para a vindima. Desde 2001, os produtores conseguiam empregar trabalhadores nos vinhedos por um período de até dois meses sem pagar os pesados impostos sociais, de saúde e previdência exigidos pelo governo francês. No entanto, uma medida que está sendo discutida pelo parlamento pode fazer com que os empregadores sejam obrigados a pagar todos os direitos trabalhistas, o que geraria uma receita de 40 milhões de euros aos cofres franceses. Para o expert em vinhos franceses e escritor, Nicolas de Rouyn, a mudança representaria uma vitória aos fabricantes de máquinas de colheita. Além disso, regiões como Champagne, onde não há uso de maquinaria, “teriam que reescrever toda a sua planilha de produção”. Em 2012, o mesmo plano falhou por não existirem adeptos no parlamento.

Pommard americano

O famoso Château de Pommard, na Borgonha, foi vendido ao empresário norte-americano Michael Baum, um dos poderosos do Vale do Silício, que viveu um ano na França e se apaixonou por vinhos. A venda foi anunciada por Maurice Giraud, ex-proprietário do local, que afirmou ainda que não haverá mudanças no staff da vinícola, que produz cerca de 80 mil garrafas ao ano. Giraud, por sua vez, continuará como um consultor. “Baum comprou o castelo e o terreno pela sua história e pelo seu legado. Uma nova página é virada, mas é virada suavemente”, contou Cécile Lepers-Jobard, diretora-executiva da propriedade. Segundo Cécile, Baum tem planos para o castelo, que incluem uma nova vinícola e um centro de conferências.

Sessão de ginástica ou taça de vinho?

Uma pesquisa da Universidade de Alberta nos Estados Unidos mostrou que um composto presente no vinho tinto, o resveratrol, pode ajudar a melhorar o desempenho atlético, aumentando a função cardíaca e de força muscular, afetando a performance nos treinos. O pesquisador Jason Dyck e sua equipe ficaram surpresos com as descobertas: “Vimos que o resveratrol mostrou resultados similares ao que você teria em um treino de resistência”. “Acho que o resveratrol pode ajudar pacientes que querem se exercitar, mas são fisicamente incapazes”, apontou Dyck, que completou: “ele pode simular o exercício para eles ou melhorar os benefícios da modesta quantidade de exercício que eles podem fazer”.

US$ 80 milhões

O terremoto que atingiu a região do Napa Valley nos Estados Unidos no dia 24 de agosto deixou mais de US$ 80 milhões em prejuízo para a indústria vinícola da região, segundo relatou Rob McMillan, vice-presidente e fundador do Banco do Vale do Silício. Carneros, Mt. Veeder, Yountville e Oak Knoll foram algumas das áreas mais afetadas na região de Napa e os prejuízos variam brutalmente de vinícola para vinícola. A associação de produtores de Napa separou US$ 10 milhões para um fundo de emergência para ajudar a comunidade afetada pelo fenômeno. No distrito inteiro de Napa os prejuízos foram estimados em mais de US$ 400 milhões.

14 garrafas por dia

Quantas garrafas de vinho você consome por dia? Em entrevista recente, o ator francês Gerard Depardieu, de 65 anos, declarou que pode beber até 14 garrafas. Segundo ele, seu consumo aumenta quando está entediado, apesar de estar “tomando cuidado depois de ter passado por cirurgia e devido ao aumento do colesterol”. Depardieu admitiu que começa a beber antes das 10h da manhã e que seu médico, obviamente, está preocupado com seus hábitos. “Eu não vou morrer. Não agora. Mas se começo a beber, não consigo beber como uma pessoa normal. Eu posso tomar 12, 13,14 garrafas de vinho por dia”, relatou.

Irmãos Perrin

Todo ano, a revista Decanter elege o “Homem do ano” do vinho, em cuja lista já apareceram nomes como Ernst Loosen, Aubert de Villaine, Jean-Michel Cazes, Angelo Gaja, Nicolas Catena etc. Desta vez, no 30o ano da premiação, porém, a honraria foi dada a dois homens, os irmãos François e Jean-Pierre Perrin, proprietários do famoso Château de Beaucastel, no Rhône. Para celebrar a premiação, eles ofereceram um jantar de gala na propriedade, onde receberam diversos dos homenageados anteriormente. “Não estou certo se foi merecido”, disse humildemente François Perrin ao receber o prêmio. “Mencionar apenas nós dois seria errado, já que, na verdade, é a família toda que está sendo reconhecida com esse prêmio”, pontuou. Mais de 20 membros de sua família estavam no jantar. Os irmãos tiveram que suceder o pai, Jacques, em 1978. Jacques foi um dos pioneiros da cultura biodinâmica no Rhône e ficou conhecido por seu trabalho com as uvas tintas da região. Desde que assumiram o negócio, os irmãos investiram em vinhas por todo o Rhône e também na Califórnia. Mais recentemente, começaram a trabalhar com Brad Pitt e Angelina Jolie para produzir um rosé na propriedade do casal, o Château Miraval. “O Rhône nunca esteve em tão alta estima pelos enófilos do mundo, e vocês inspiraram seus vizinhos em sua busca pela qualidade”, disse a publisher da Decanter, Sarah Kemp, ao entregar a honraria.

Machu Picchu

O aclamado produtor chileno, Aurélio Montes afirmou que vai criar um vinhedo-teste na região de Machu Picchu, berço do Império Inca, no Peru. Segundo ele, serão plantadas cinco variedades de uva no local para verificar como elas se desenvolverão. A região fica acima dos 3 mil metros do nível do mar, e o vinhedo será o primeiro cultivado no local. “Não temos certeza se as uvas vingarão, mas será divertido tentar”, contou. Montes vai plantar mil parreiras no local com as variedades: Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Merlot, Syrah e Chardonnay. Segundo ele, se forem obtidos bons resultados com a primeira colheita, serão plantados mais cinco hectares.

Fraude em Brunello

Depois do “Brunellogate”, a região de Brunello di Montalcino tem tentado se blindar contra novas fraudes que possam ameaçar a imagem de seus vinhos. Desta vez, autoridades italianas descobriram um esquema de falsificação que tentava vender vinhos inferiores como sendo Brunello. A Guardia di Finanza, responsável pela investigação de crimes financeiros, anunciou que a polícia apreendeu 180 mil litros de vinho das safras 2008 até 2013, com valor estimado de US$ 3,87 milhões. A investigação teve início no começo deste ano após a Valoritalia, a agência que controla a denominação Brunello di Montalcino em cooperação com o Consorzio del Vino Brunello di Montalcino, constatar irregularidades na produção, levando o caso às autoridades. Um consultor de vinhos está sendo acusado de propaganda enganosa, fraude, estelionato e acesso não autorizado a um sistema de computador para alterar dados de produção. O profissional em questão não era um enólogo, mas prestava serviços administrativos para inúmeros pequenos produtores. Os investigadores afirmam que o consultor falsificou documentos e ajustou os valores da produção para corresponder aos volumes de vinho das últimas seis safras. Nenhuma das vinícolas envolvidas foi identificada e a investigação continua no Ministério Público de Siena. Para o Ministério, resta saber se as vinícolas foram enganadas pelo suposto fraudador ou são coniventes com ele.

 

Pioneiro do orgânico

No dia 23 de setembro, a indústria do vinho norte-americano perdeu um de seus maiores inovadores, o produtor Bill Powers. Pioneiro na produção orgânica de vinhos (teve o primeiro vinhedo certificado na década de 1990 em Washington), ele morreu aos 88 anos em casa. Powers nasceu em 1926, no estado de Oklahoma e começou a trabalhar aos 18 anos como agricultor (de frutas). Ainda em 1982, passou a fazer cultura orgânica em seu vinhedo de Badger Mountain e influenciou seus vizinhos e boa parte da indústria em uma época em que poucos davam atenção ao tema a agricultura orgânica.


Mundovino Storia Casa Valduga Atamisque Argentina Obra Prima Premier Cru Biocombustível Drosophila suzukii Château de Pommard

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 108 · Outubro/2014 · 1863

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