A Borgonha é a capital mundial dos vinhos à base da casta Pinot Noir. A região é sui generis não só pelo estilo único dos vinhos, mas também pelos vinhateiros. Não há como negar que os vinhos com mais finesse e elegância do planeta são da Borgonha, principalmente os da Côte d'Or.


A Côte d'Or é composta pelas sub-regiões de Côte de Nuits e Côte de Beaune, respectivamente norte e sudoeste da belíssima cidade de Beaune. O que impressiona e ao mesmo tempo diferencia a Borgonha das regiões de Bordeaux e Champagne, por exemplo, é a quase total ausência de glamour e vinhedos muito exíguos.

Os bordaleses e os champenois esbanjam requinte com seus castelos e normalmente com larga produção de vinhos. O Château Margaux de Bordeaux produz 200 mil garrafas por ano de seu Grand Vin e as casas de Champagne produzem, muitas vezes, milhões de garrafas por ano.

Na Borgonha, podemos encontrar alguns vinhos genéricos em larga escala, mas quando vamos para os vinhos comunais, e principalmente os Premier Cru e os Grand Cru, as quantidades são de causar espanto devido ao número diminuto de garrafas.

Henry-Frederic aprendeu a arte da vinificação com Bernard Noblet, que comanda a elaboração dos vinhos da Domaine de la Romanée-Conti

Além disso, um mesmo vinhedo pode ter muitos proprietários. São poucos "monopole", ou seja, um espaço de terra de somente um proprietário. Para se ter uma ideia, o vinhedo Grand Cru Clos de Vougeot, cujas uvas produzem o vinho de mesmo nome e que foi protagonista do filme "A Festa de Babette", tem a extensão de 55 hectares, com um total de 80 proprietários distintos, cada um com uma fração desse precioso terreno. Existem alguns "monopoles" na região, mas o mais especial dentre todos é o multidimensional Romanée-Conti, o vinho mais disputado e caro do mundo.

Domaine foi criada em 1988, por Henry- Frederic Roch, um dos principais acionistas de Romanée-Conti

Essas características da Cote d'Or aliadas ao estilo de cada produtor nos levam a uma inusitada diversidade de vinhos brancos e tintos, sempre à base da Chardonnay para brancos e Pinot Noir para os tintos, que fazem desse pequeno espaço de terra uma das mais expressivas regiões vitivinícolas do mundo. A qualidade dos vinhos e a pequena produção fizeram com que os preços das garrafas, em alguns casos, fossem multiplicados por quatro ou até cinco vezes nos últimos 15 anos. Os preços dos Grand Crus tintos da Côte de Nuits e brancos da Côte de Beaune são quase proibitivos e se tornam cada vez mais sonhos de enófilos mundo afora.

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O Nuits-Saint-Georges Clos des Corvées é o grande vinho da casa

Romanée-Conti?
A Domaine Prieuré Roch foi criada em 1988 por Henry- Frederic Roch, filho de Pauline Roch, irmã mais velha de Lalou Bize-Leroy, proprietária da renomada Domaine Leroy. Hoje além de ser proprietário da casa, Henry-Frederic é codiretor do Domaine de La Romanée- Conti, sendo um de seus principais acionistas. Isso mostra um pouco da linhagem da casa.

Nesses poucos anos de vida da Domaine, vale ressaltar que Henry-Frederic aprendeu a arte da vinificação com o genial Bernard Noblet, que comanda a elaboração dos vinhos da Domaine de la Romanée-Conti há mais de 30 anos. Outra curiosidade da casa é que o jovem Philippe Pacalet, um dos mais renomados enólogos da nova geração na Borgonha, também trabalhou na Prieuré Roch antes de começar a produzir seus vinhos. Os vinhos de Pacalet atualmente também fazem muito sucesso no mundo

Grand Crus e Premier Crus
Prieuré Roch fica localizada a poucos quilômetros do centro do especial vilarejo de Nuits-St-Georges e possui um total de 11 hectares de vinhedos cultivados biologicamente. Esses hectares estão distribuídos em duas pequenas parcelas nos Grand Cru Chambertin Clos de Beze e Clos de Vougeot, onde produzem vinhos de mesmo nome, com produção de 3.600 e 12.000 garrafas respectivamente. São vinhos disputadíssimos em todos os mercados do mundo.

Prieuré Roch possui 11 hectares

A Domaine possui ainda outras pequenas parcelas Premier Cru em Vosne-Romanée. São elas Les Suchots, La Goillotte e Hautes Maizières, com os vinhos Les Suchots, La Goillotte e Le Clous, respectivamente. Por último, há as vinhas de Nuits-St-Georges, onde a casa possui uma parcela de terra muito significativa, principalmente em comparação com as outras parcelas da Domaine e também em relação aos outros proprietários da comuna. O mais interessante é que a casa tem em Nuits-St-Georges um monopole Premier Cru denominado Clos des Corvées. Além dele, que é a vedete dentre todos os vinhos produzidos, eles produzem o Nuits "1" e Nuits-St-Georges Vieilles Vignes, ambos Premier Cru.

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Os vinhos
No processo de vinificação, eles não utilizam sulfitos. Somente em casos específicos eles utilizam, mas em quantidades muito pequenas, como na hora do engarrafamento - principalmente nos vinhos que tem longas viagens pela frente. Hoje está a cargo da enologia o jovem Yannick Champ, que largou tudo em Paris, inclusive seu curso superior (estudava medicina), para produzir maravilhosos tintos.

Em recente visita a Domaine, no frio de janeiro último, Yannick recebeu ADEGA no melhor estilo borgonhês de ser, sem cerimônia e pompa. Levou-nos para conhecer a adega onde os vinhos estagiam em barricas de carvalho e, em seguida, conduziu uma especial degustação. Tivemos a oportunidade de provar: Le Clous 2008, Nuits "1" 2008, Nuits-St-Georges Vieilles Vignes Premier Cru 2008, Vosne- -Romanée Les Suchots Premier Cru 2007, Clos de Vougeot Grand Cru 2008 e, finalmente, o carro chefe da casa, o Nuits-St-Georges Clos des Corvées 2003.

VINHOS PRIEURÉ ROCH AVALIADOS

Vosne-Romanée Les Clous 2006 - R$ 997 - 92 pontos
Nuits-Saint-Georges 1er Cru Clos des Corvées 2004 - R$ 923 - 94 pontos

Confira as avaliações completas na seção Cave (a partir da página 83)


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