Riviera

As atrações que tornam a Côte dAzur um dos destinos mais cobiçados do mundo

João Calderón em 4 de Setembro de 2012 às 11:31

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Quando falamos da França é inevitável não pensarmos em seu charme, sensualidade, luxo e, claro, na boa mesa. E se somado a tudo isso ainda falarmos em praias banhadas por um mar turquesa hipnotizante? Seria o paraíso? Para muitos sim. Essa é a Côte d'Azur ou Costa Azul, em bom português. Parte do litoral sul da França, no Mar Mediterrâneo, a também chamada Riviera Francesa é considerada uma das áreas mais sofisticadas do mundo.

Essa costa mediterrânea, onde também se situa o Principado de Mônaco, se estende pelo sudeste francês desde a fronteira italiana (Ligúria). Foi a classe alta britânica que começou a transformar a região em um importante destino turístico no final do século XVIII. No século seguinte, ela se tornou ainda mais exclusiva e requisitada, passando a ser frequentada por aristocratas britânicos e russos, como a Rainha Vitória e seu filho, por exemplo. No começo do século XX, além dos aristocratas, artistas e escritores - entre eles Picasso, Matisse e Fitzgerald - passaram a integrar a lista de frequentadores assíduos da costa.

Seja como quintal aristocrata, inspiração de artistas ou passatempo de famosos, a verdade é que a Côte d'Azur mantém seu glamour e continua sendo um local cobiçado. Entre cidades famosas e vilas encantadoras, a Riviera Francesa é um dos destinos mais populares da França. A boa notícia para quem viaja para lá é que você não precisa se preocupar em ter que escolher uma ou outra cidade, já que elas são relativamente próximas. Ou seja, aventure-se.

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Musée Matisse (acima) e a Catedral Ortodoxa Russa St-Nicolas são duas atrações imperdíveis de Nice
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Nice
Visitar a Côte d'Azur sem passear pela "promenade des Anglais" pode ser comparado a ir ao Rio de Janeiro e não caminhar pelas calçadas de Copacabana. Construída ao longo do litoral do maior balneário da costa mediterrânea, a promenade des Anglais possui hoje aproximadamente cinco quilômetros, com galerias, lojas e grandes hotéis, como o famoso Negresco, por sua extensão.

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Fugindo um pouco de sua praia, antes ou depois de passear pelas charmosas ruas da Vieille Ville (cidade velha), vale subir as colinas do bairro do Cimiez, com vista para a cidade. Lá nos deparamos com as ruínas de um vasto povoado romano e com o Musée Matisse, onde ficam diversas obras do artista que, inspirado pela luz do Mediterrâneo, viveu muitos anos de sua vida na capital da Côte d'Azur. Outro artista que passou por ali, e cujo museu também merece uma visita, é Marc Chagall. O Musée Chagall de Nice é onde se encontra o seu maior acervo.

A mais exótica e intrigante atração de Nice, porém, é a Catedral Ortodoxa Russa St-Nicolas, construída em 1912 em memória a um filho do czar. Suas típicas cúpulas o fazem imaginar estar por alguns instantes em plena São Petersburgo.

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Impossível ir a Mônaco e não notar seu famoso Casino e o Musée Océanographique (abaixo)
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Mônaco
O mais famoso principado do mundo ocupa uma área menor que a do Central Park de Nova York. Como todos sabem, muito de sua fama se deve principalmente ao Casino, instituído em 1856 por Carlos III - e foi em sua homenagem que posteriormente seria chamado de Monte Carlo. Projetado em 1878 por Charles Garnier, o mesmo arquiteto da Ópera de Paris, possui tanto exterior como interior extremamente luxuosos, ainda decorados em estilo Belle Époque. E não poderia ser diferente, já que está localizado em uma das áreas mais ricas do mundo, ao lado do também famoso Hotel de Paris.

Talvez um pouco menos luxuoso, mas não por isso menos charmoso, encontramos o Palais du Prince, construído no século XIII e localizado em uma colina oposta ao Monte Carlo, com uma vista irretocável da cidade. Deixando o palácio do príncipe Albert II e caminhando por alguns minutos, chegamos ao Musée Océanographique, fundado em 1910 pelo príncipe Albert I. O oceanário possui diversas espécies raras de plantas e animais marinhos.

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Vista de Saint-Honorat e de Saint-Tropez (abaixo), dois destinos possíveis na Côte d'Azur
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Outros destinos
Como dito anteriormente, a proximidade entre as cidades da Côte d'Azur facilita a vida dos turistas, já que é muito difícil escolher apenas uma ou duas cidades para visitar. Não menos famosas e desejadas do que Nice e Mônaco são as cidades de Saint-Tropez e Cannes. A primeira, uma pequena aldeia de pescadores que teve seu destino mudado muito devido à presença de Brigite Bardot, que transformou a pequena vila em um centro de seu estilo de vida hedonista e num verdadeiro templo para ver e ser visto. Já a segunda, Cannes, além de internacionalmente conhecida por seu festival anual de cinema, abriga todo o seu glamour e exclusividade no famoso Boulevard de la Croisette, repleta de luxuosas boutiques e hotéis, como o Carlton, de frente para uma das praias mais requisitadas da costa.

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Duas visitas para quem curte arte: Musée Picasso (foto) e Musée Léger

Entre uma cidade e outra, deixe um tempo livre para conhecer algumas outras preciosidades da região, como Villefranche-sur-Mer e Eze, dois vilarejos situados no caminho para Mônaco que possuem vistas para deixar qualquer um boquiaberto, como a simpática cidade de Antibes, onde está localizado o Château Grimaldi, antiga moradia da família Real de Mônaco e que atualmente abriga o Musée Picasso; e Biot, onde está localizado o Musée Léger, do artista plástico Fernand Léger, que também é famosa por seu vidro de bolhas - a tradicional arte dos sopradores de vidro pode ser apreciada na Verrerie de Biot. Enfim, qualquer que seja o vilarejo que deseje conhecer, pode ter certeza de que não estará fazendo a escolha errada.

O QUE FAZER

MUSEU PICASSO
www.antibes-juanlespins.com/les-musees/picasso

MUSEU CHAGALL
www.musees-nationaux-alpesmaritimes.fr/chagall/

MUSEU FERNAND LÉGER
www.musees-nationaux-alpesmaritimes.fr/fleger/

MUSEU MATISSE
www.musee-matisse-nice.org

VERRERIE BIOT
www.verreriebiot.com

CASINO MONTE CARLO
www.montecarlosbm.com/luxury-casinos-monaco/monte-carlo-casino/

MUSEU OCEANOGRÁFICO
www.oceano.mc

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O Hotel Negresco, localizado em Nice, na promenade des Anglais, é um dos três mais famosos da Côte d'Azur

fotos: divulgação

Onde se hospedar
Como se pode imaginar pelas principais características da Côte d'Azur, seu luxo e exclusividade também podem ser encontrados nos hotéis. Três dos seus principais ícones são o famoso Hotel Negresco, localizado em Nice na promenade des Anglais; o Hôtel de Paris, um dos mais famosos hotéis do mundo, situado em Monte Carlo; e o Carlton, da rede InterContinental, que fica na Boulevard de La Croisette, em Cannes. Hospedar- se em um desses hotéis, mais do que o primor no serviço e o símbolo de luxo e exclusividade, é hospedar-se em verdadeiros símbolos da cidade, algo como ficar no Ritz em Paris ou no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.

Caso você prefira hotéis menores e mais exclusivos, se é que isso pode existir, o La Bastide de Saint-Tropez, do respeitado guia Relais & Châteaux; e o hotel White 1921, chancelado pelo grupo LVHM (Louis Vuitton Moët Hennessy), ambos localizados em Saint-Tropez, são opções perfeitas de hotéis que seguem mais a linha butique.

HOTÉIS

HOTEL NEGRESCO
www.hotel-negresco-nice.com

HÔTEL DE PARIS
www.hoteldeparismontecarlo.com

HOTEL CARLTON
www.ichotelsgroup.com/intercontinental/en/gb/locations/ceqha

LA BASTIDE DE SAINT-TROPEZ
www.bastide-saint-tropez.com

HOTEL WHITE 1921
www.white1921.com


João Calderón

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La Côte gourmet
Com uma base mediterrânea, mas ainda assim seguindo as tradições francesas de excelência em queijos, pães e pratos elaborados, dentre algumas das especialidades que podem ser encontradas pelos diversos restaurantes da região estão a pissaladière, uma espécie de pizza coberta com cebola, anchova e azeitonas pretas; e a salada niçoise, com anchova, atum, tomates, pimentões verdes, aipos, ovos duros, azeitonas pretas e azeite de oliva. Por falar em óleo de oliva, durante sua estada em Nice, vale a visita ao produtor Nicolas Alziari para saber um pouco mais sobre a produção do óleo e algumas de suas variedades.

Restaurante Mirazur (acima), do chef argentino Mauro Colagreco, está entre os 30 melhores do mundo

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Interior do Le Figuier de Saint Esprit

E para harmonizar com suas refeições, por que não um vinho da região? O Chardonnay produzido na Ilha de Saint-Honorat, próxima à costa de Cannes, pode ser uma opção interessante. O solo similar ao encontrado na Borgonha e o nível de umidade constante podem ser atributos importantes para tornar esse Chardonnay melhor que alguns vinhos produzidos na vizinha Provence.

GOURMET

RESTAURANTE MIRAZUR
www.maurocolagreco.com

RESTAURANTE LE LOUIS XV
www.alain-ducasse.com/en/restaurant/le-louis-xv-alain-ducasse

RESTAURANTE LE FIGUIER DE SAINT ESPRIT
www.christianmorisset.fr

BAR ABSINTO
www.absinthe-places.com/places/absinthe-bar-antibes

AZEITE ALZIARI
www.alziari.com.fr

Pissaladière, uma espécie de pizza coberta com cebola, anchova e azeitonas pretas

Restaurantes
As opções de bons restaurantes na região são inúmeras, uma das provas disso é o de Mauro Colagreco. O chef argentino tem seu restaurante, Mirazur, entre os 30 melhores do mundo na aclamada eleição organizada anualmente pela revista inglesa Restaurant. Localizado em Menton, quase na fronteira com a Itália, sua equipe elabora os pratos com extrema delicadeza e invejável cuidado com as aproximadamente 250 ervas cultivadas no local.

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Outra, ou melhor, a prova de que existem bons restaurantes na região, é o Le Louis XV, do Hôtel de Paris, do tri-estrelado chef Alain Ducasse. Outro chef premiado da Côte d'Azur é Christian Morisset, do restaurante Le Figuier de Saint Esprit, que possui uma estrela Michelin e está localizado em uma das charmosas ruas do centro histórico de Antibes. Dentre os bistrôs que não poderiam faltar entre as sugestões está o Chat Noir, Chat Blanc, em Nice, que serve uma comida mediterrânea moderna.

Belas paisagens e ótima gastronomia é o que lhe aguardam na Riviera francesa

Para finalizar suas refeições, nada melhor do que a famosa fada verde, ou absinto, se preferir. No coração de Antibes pode-se encontrar uma verdadeira taverna que serve exclusivamente a bebida - famosa por ser consumida pelos artistas que viviam, sobretudo, em Paris, no final do século XIX e início do século passado. Servido no estilo mais tradicional, diluído com água e um torrão de açúcar, escolha uma dentre as aproximadamente 30 opções e prepare-se para se sentir como Baudelaire, Van Gogh, Oscar Wilde, Edgar Allan Poe e tantos outros.

fotos: divulgação
O imponente Le Louis XV, restaurante do Hôtel de Paris (acima), tem como chef Alain Ducasse, que possui três estrelas do Guia Michelin
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Enoturismo

Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 83 · Setembro/2012 · Polêmica - Vinhos naturais são melhores?

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