Sob as asas da liberdade

Uma viagem pelos encantos da África do Sul e seus vinhos surpreendentes

Por Christian Burgos em 21 de Abril de 2014 às 00:00


Caminhar no Waterfront e sentar para tomar um vinho branco saboreando as ostras e frutos do mar na varanda dos restaurantes é obrigatório

Não é à toa que mais e mais brasileiros estão viajando para a África do Sul – curiosamente o país virou destino de viagens de lua de mel. Mas, uma vez lá, fica fácil entender o porquê dessa atração.

A África do Sul apresenta um empolgante misto de eficiência europeia com o calor humano que os brasileiros tanto estão acostumados. Aliás, o Brasil tem um lugar de prestígio no imaginário local e é comum avistar camisas da Seleção pelo Soweto. Lá, torcer pelo Brasil é a regra para a próxima Copa e os porteiros dos hotéis são capazes de escalar a equipe brasileira desde 1982. Junte a isso uma deslumbrante beleza natural e preços muito acessíveis – e seja bem-vindo.

Dica de viagem

Os voos para a África do Sul são feitos pela South African Airways e partem do Brasil a Joanesburgo em uma viagem de 10 horas. A carta de vinhos da classe executiva já revela a qualidade dos rótulos do destino. De Joanesburgo, siga em conexão para a Cidade do Cabo, porta de entrada para as “winelands” (saudades dos tempos de voo direto do Rio para a Cidade do Cabo com cerca de 6 horas e meia de duração).

Há quem diga que a Cidade do Cabo e o Rio de Janeiro são parecidas e também compare o Waterfront com o South Street Sea Port de Nova York. Tire o encanto das praias cariocas e do banho do mar, e, sim, podemos dizer que a Cidade do Cabo uniria o melhor dos dois mundos. Reserve um ou dois dias para curtir a cidade e, quanto mais próximo do Waterfront estiver seu hotel, melhor, com destaque para o imponente Table Bay Hotel. Mas, estando ou não hospedado lá, aproveite para tomar um drinque no Union Bar e jantar no casual chic Camissa Brasserie.

Considere obrigatório sair para caminhar no Waterfront e se sentar para tomar um vinho branco, saboreando as ostras e frutos do mar na varanda dos restaurantes. O local é cheio de vida e pequenas lojas. Destaque para o Market on the Wharf – para saborear algumas iguarias da África do Sul e internacionais – e sempre vale uma passada na corner da Cape Malay Spices para entender por que portugueses, holandeses e tantos outros se arriscaram no Cabo das Tormentas (mercadologicamente rebatizado de Cabo da Boa Esperança).

Aproveite para subir ao topo da Table Mountain, um parque com vegetação e animais nativos
Aproveite para subir ao topo da Table Mountain, um parque com vegetação e animais nativos

Desde o fim do Apartheid, a indústria de vinhos da África do Sul passou a respirar novos ares e se internacionalizar

Mais obrigatório ainda é subir ao topo da Table Mountain, mais um ponto turístico que gostam de comparar com o Rio de Janeiro, desta vez com o Corcovado. A Table Mountain é um parque com vegetação e animais nativos (é comum encontrar um manso roedor que lembra um porquinho-da-Índia superdimensionado). A vista é de tirar o fôlego e traz uma sensação que só se sente no Grand Canyon, resultado da amplitude do horizonte, da exuberância da natureza e da altitude, muitas vezes, sem cercas de proteção feitas pelo homem. Ali nos sentimos efetivamente no sul da África, com visão do Cabo da Boa Esperança e do impacto deste local distante que afetou nossa história como brasileiros.

História

Num ano em que tanto se discute a ditadura brasileira, é interessante constatar a forma como a sociedade sul-africana supera os anos de Apartheid. A real integração de uma sociedade sem barreiras ainda é uma obra de arte em elaboração e a aura de Nelson Mandela é muito presente. Não como um elemento messiânico de culto à personalidade, mas sobretudo como um homem com qualidades e defeitos que soube perdoar e conduzir os ânimos da sociedade para além do  rancor e da autodestruição.

Há exatos 20 anos, em maio de 1994, Nelson Mandela fez o juramento como presidente da África do Sul diante de uma eufórica multidão. Dentre suas primeiras ações, criou a Comissão da Verdade e Reconciliação (friso a palavra reconciliação no nome), sob os princípios de que é necessário saber a verdade, mas com o objetivo de superar uma realidade e impedi-la de voltar. Não à toa, o Prêmio Nobel da Paz em 1993 foi concedido conjuntamente a Mandela e ao então presidente Frederik Willem de Klerk pelo seu trabalho em prol do fim pacífico do regime do Apartheid e por estabelecer os princípios para uma nova África do Sul democrática.

Ao mesmo tempo que o fim do Apartheid abriu as portas para a integração social da população negra do país, no âmbito internacional representou a reintegração da África do Sul ao comércio mundial. Com isso, uma indústria de vinhos que estava fechada em si mesma, passou a respirar novos ares ao perseguir sua internacionalização.

Mais antigo

Embora seja percebido como um dos países que compõe o Novo Mundo do vinho, a produção de vinhos na África do Sul data oficialmente de 1865, quando ao comandante da Companhia das Índias Orientais e governador do Cabo, Simon van der Stel, foi conferida uma área de 763 hectares que ele batizou de Constantia. Simon van der Stel chegou à África do Sul com a família (filhas e cunhada) vindo da Holanda onde possuía vinhedos em Muiderbergh, e onde já adquirira um sólido conhecimento em vinicultura e na produção de vinhos e brandy.

A propriedade continua produtiva até hoje com o nome Groot Constantia e os proprietários que sucederam van der Stel mantiveram-se fiéis à preservação do patrimônio histórico e vitivinícola que a propriedade representa. Verdadeiro “ground zero” da vitivinicultura sul-africana é um excelente ponto para iniciar sua jornada enoturística na África do Sul (situa-se pouco ao sul da Cidade do Cabo). As edificações históricas foram preservadas e funcionam como museus neste excelente centro de enoturismo. Aproveite o almoço no belo e informal restaurante Jonkershuis, o qual celebra pratos da gastronomia local à sombra do bosque que se apresenta à frente da antiga residência de Simon van der Stel, construída há 300 anos e que representa tão bem a arquitetura colonial da África do Sul.

Sentar-se ali permite entender os aspectos que compõem esse terroir, calcado nas encostas de montanhas com vinhedos “com vista para o mar” sobre o solo com perfis de granito decomposto e arenoso. A proximidade do mar em Constantia exerce profunda influência em seus vinhos que vivem dia a dia com a brisa marinha e esse mostra adequada ao Sauvignon Blanc, ao Shiraz de clima ameno e ao Cabernet Franc.

Constantia Wyn (ou Vinho de Constância) é o vinho doce com que van der Stel ganhou fama na Europa e tem Napoleão Bonaparte como “garoto propaganda”. Produzido a partir da Muscat de Frontignan, em Groot Constantia, é batizado Grand Constance e, em Klein Constantia (propriedade que se separou de Groot Constantia), é chamado Vin de Constance.

Groot Constantia é o principal marco da vitivinicultura sul-africana, com história remontando a 1865

Aproveite para degustar

AD 89 pontos
Groot Constantia Sauvignon Blanc 2013
Groot Constantia, Constantia, África do Sul. O nariz já revela frescor e elegância, lima e pera. Em boca, mostra seu equilíbrio com notas de aspargos, pêssego, deliciosa mineralidade e acidez. Longo, gastronômico, delicioso hoje, mas com boa capacidade de evolução. CB

AD 91 pontos
Groot Constantia Shiraz 2009
Groot Constantia, Constantia, África do Sul. No nariz, traz especiarias, fruta negra e um toque de violeta. Muito elegante. Em boca, é esbelto, confirma as especiarias, tem calor e fruta, bela textura de taninos e acidez que prepara o palato para cada novo gole. CB

AD 92 pontos
Gouverneurs Reserve 2011
Groot Constantia, Constantia, África do Sul. Este corte tem 54% de Cabernet Franc, 46% de Merlot e apresenta a complexidade de vinhos que são bem tratados pelo tempo. O Cabernet Franc dá o tom carnoso, balsâmico e com terrosidade. Na boca, revela cereja silvestre e um toque de pinus. Boa estrutura de acidez e muito boa textura de taninos. Um delicioso amargor com toque de café completa o fim de boca. CB

AD 93 pontos
Gouverneurs Sauvignon Blanc 2009
Groot Constantia, Constantia, África do Sul. Apesar da meia década de vida, mantém coloração intocada e reflexos verdes brilhantes. Os aspargos são sua marca registrada no nariz e na boca, que ainda revela belíssima estrutura e acidez. O retrogosto traz outros traços de sua personalidade com pêssego e um toque de mel. Deve evoluir deliciosamente em garrafa por mais uns bons anos. CB

AD 93 pontos
Grand Constance 2011
Groot Constantia, Constantia, África do Sul. Esta marca data de 1881 e a produção é muito restrita (6.500 garrafas por ano). Utiliza Muscat de Frontignan tinto e branco. Aroma floral com toques de mel. Equilíbrio entre doçura exuberante e acidez, com notas de abacaxi em caldas e frutas secas, damasco e mel. CB

AD 94 pontos
Vin de Constance 2008
Klein Constantia, Constantia, África do Sul. Este vinho doce natural é extremamente complexo e vibrante, com aroma de damasco e pêssego e um frescor quase floral. Na boca é uma explosão de complexidade. Sucedem-se camadas de damasco e doçura que são limpos pela vibrante acidez que ressalta a limpidez de seu dulçor. O retrogosto perfuma a boca neste vinho extremo e muito arriscado de se produzir por estender a maturação nas parreiras até o limite. Neste ano, foram colhidos um dia antes da chegada das chuvas. CB


Região de Helderberg Mountain tem vinhedos antigos que podem ser encontrados ainda em bush vines (vinhedos em arbustos, sem condução) como este da Ken Forrester, que origina o vinho The FMC

Rumo ao leste, Stellenbosch

Stellenbosch é a mais falada região vitivinícola do país, mas engana-se quem a vê como uma zona uniforme. Diversos microterroirs surgem assim como diversos perfis de vinhos e, acima de tudo, diversas interpretações do terroir pelos enólogos. Nessas áreas, deixamos o Sauvignon Blanc e adentramos terras da Chenin Blanc, a mais plantada variedade da África do Sul e grande surpresa, dando origem a vinhos cheios de personalidade.

Na região de Helderberg Mountain encontramos uma zona com a presença de vinhedos antigos tanto de Chenin Blanc como de Pinotage, que podem ser encontrados ainda em bush vines (vinhedos em arbustos, sem condução). Aí destacam-se as vinícolas Ken Forrester e The Winery of Good Hope. Os proprietários de ambas as vinícolas dedicam-se com paixão à Chenin Blanc e à sustentabilidade. Degustar com o enérgico Alex Dale, proprietário da The Winery of Good Hope, é uma aventura deliciosa para quem não se intimida e gosta de desafiar e ser desafiado em uma conversa franca sobre vinho. Este inglês, que quando jovem foi à Borgonha e por lá ficou 15 anos colecionando conhecimento, mudou-se para a África do Sul logo que Mandela assumiu a presidência, pois queria participar desta transformação, produzindo vinhos respeitando a natureza e de forma socialmente responsável. O entusiasmo juvenil se transformou em profunda convicção que se reflete em seus vinhos francos como ele, e repletos de personalidade.

Aproveite para degustar

AD 91 pontos
Ken Forrester Renegade 2009
Ken Forrester, Stellenbosch, África do Sul. Excelente exemplar na luta de estilos bordalês e do Rhône (como o deste vinho) nos cortes sul-africanos. O blend tem 45% de Grenache, 45% de Syrah e 10% de Mourvèdre. No nariz, apresenta suculenta ameixa, que se confirma em boca com a marcante acidez e taninos, ao mesmo tempo, poderosos e polidos. CB

AD 92 pontos
The FMC 2011
Ken Forrester, Stellenbosch, África do Sul. Mais uma prova da dedicação de Ken Forrester ao Chenin Blanc. Um vinho que mexe com você e justifica o nome politicamente incorreto que é a abreviação de The Fucking Marvelous Chenin Blanc. No nariz, tem exuberante complexidade de doçura de fruta ao lado de elegância floral. Na boca, é opulento com fruta madura muito equilibrada pela acidez e com toque de mel que se mantém no longo retrogosto. Com o tempo em taça, revela alguns aromas a doce de leite. CB

AD 91 pontos
Radford Dale Renaissance Chenin Blanc 2012
The Winery of Good Hope, Stellenbosch, África do Sul. Vinhedos de 40 anos de idade que nunca foram irrigados e plantados a 300 metros de altitude. Nariz elegante com pêssego, floral e mineralidade. Em boca, é rico e alegre. Maçã acompanhada de perfil cítrico em bela acidez com toque de feno. Tudo junto conferindo um belíssimo equilíbrio e limpidez. CB

AD 93 pontos
Radford Dale Nudity Syrah 2013
The Winery of Good Hope, Stellenbosch, África do Sul. Este vinhedo orgânico de 25 anos, na região de Voor-Paardeberg, é mais quente e tem solo marcado pelo granito e conchas. Neste grande Syrah, a fruta é tudo, nada de leveduras ou SO2. No nariz, encontramos cereja e ervas naturais. Elegância e fruta límpida são as características que o definem em boca com muita sobriedade. Acidez e taninos milimetricamente integrados em seus 12,5% de álcool. CB


Vinícola do golfista Ernie Els fica no Triângulo de Ouro

O Triângulo de Ouro

A região conhecida como Golden Triangle, demarcada pelas montanhas de Stellenbosch, de Helderberg e pela R44 entre Stellenbosch e Somerset West, é reconhecida pela qualidade dos vinhos tintos com foco no Cabernet Sauvignon, com marcantes características de grafite e aromas mentolados; e também o Syrah com toques defumados.

Nessa região, fica a linda vinícola de Ernie Els, o famoso golfista e ídolo sul-africano que continua ativo em Majors mundo afora e afirma que “o vinho é como o golfe, em ambos a natureza é quem dá as regras no final.” Um excelente point para o almoço ou para admirar a vista deslumbrante do platô no fim de tarde. Aos fãs do golfe, a visita à sala de troféus e os detalhes do esporte agregam um gostinho a mais.

Aproveite para degustar

AD 92 pontos
Rust en Vrede Single Vineyard Syrah 2011
Rust en Vrede, Stellenbosch, África do Sul. Nariz profundo com ameixa negra e pimenta também negra. Na boca, muito potente, mas ainda assim equilibrado, confirmando os aromas e desvendando grande acidez e taninos musculosos. Um vinho que merece e precisa de anos para apresentar todo o seu potencial. CB

AD 92 pontos
1694 Classification 2009
Rust en Vrede, Stellenbosch, África do Sul. Este blend de 64% Syrah e 36% Cabernet Sauvignon apresenta a complexidade de vinhos potentes que caracterizam a vinícola. Fruta vermelha madura, toque cítrico e final de ervas medicinais. Na boca, é um elixir. Fruta potente, bela acidez e taninos presentes de excelente qualidade que terminam em boca com final medicinal. Um vinho com grande concentração e vibração, delicioso retrogosto e final defumado. CB

AD 90 pontos
Ernie Els Cabernet Sauvignon 2012
Ernie Els Wines, Stellenbosch, África do Sul. Fruta negra profunda, tabaco e mentol. Em boca, apresenta boa estrutura de taninos e acidez vibrante que escoram a fruta de amora límpida. Retrogosto a café típico das barricas francesas de tosta média tão usadas no país. Vale apostar na evolução deste vinho. CB

AD 92 pontos
Ernie Els Signature 2011
Ernie Els Wines, Stellenbosch, África do Sul. Este blend de 60% Cabernet Sauvignon, 25% Cabernet Franc, 5% Malbec, 5% Merlot e 5% Petit Verdot impacta com grande profundidade aromática de frutas negras, mentol e grafite. Em boca, ressalta a belíssima e gulosa fruta negra, bela acidez e taninos com deliciosa textura. Um toque final de café completa a experiência. CB

Indo para Paarl

Em Paarl, encontramos traços de argila no solo, mas o que impera é o granito, que não nos deixa esquecer o massivo domo de granito que guarda a região com mais de 650 metros de altitude e dá nome à região. O que marca a personalidade diferenciada da zona é o fato de ser um ambiente mais ao interior e protegido, ao centro de terroirs diversos. Ao sul/sudoeste, estão Stellenbosch e a Cidade do Cabo, separadas por uma serra de montanhas que restringe a influência marítima e garante o clima mais quente e seco de Paarl. No sudeste, está Franschhoek, no leste, Breedekloof, e no norte, Wellington.

Em Paarl, encontramos a gigante Nederburg, cuja filosofia de trabalho define muito bem o seu jovem e inovador enólogo, Wilhelm Pienaar: “Nós precisamos fazer algo especial para cada um”.

Caminhando ao lado do volume, a Nederburg conduz experimentos e vinhos especiais e limitados, cujos aprendizados depois são aplicados em benefício de todas as linhas. Entre os rótulos especiais, destacam-se os instigantes que homenageiam homens e mulheres que marcaram a trajetória do vinho na África do Sul. Em cada um dos rótulos, e também dentro da garrafa, estão traços da personalidade de cada um dos homenageados com destaque para nomes como: Beatifull Lady, Motorcycle Marvel e Young Airhawk.

Paarl é um parque de diversões para quem ama vinho e pratica enoturismo. Visite a galeria que é parte do acerco da famosa Hess Collection, do milionário suíço Donald Hess, em sua vinícola sul-africana, Glen Carlou. Aproveite para almoçar no belo restaurante da propriedade com vista para o vale. O enólogo Arco Laarman tem uma visão orgulhosa do que está acontecendo na vitivinicultura do país depois da democratização, pois, segundo ele, “durante os anos do Apartheid, a vitivinicultura da África do Sul teve seu crescimento interrompido pelas sanções comerciais. Foi neste ponto que Austrália e Nova Zelândia nos deixaram para trás, mas agora, nos 20 anos de democracia, o cenário está a mudar.”

Aproveite para degustar

AD 90 pontos
Heritage Heroes The Motorcycle Marvel Rhone Blend 2010
Nederburg, Paarl, África do Sul. Grenache e Carignan contribuem, mas é a Syrah que dá o tom com especiarias e ameixa típicos. Bom de boca, tem excelente estrutura com taninos e madeira bem aplicada, e acidez que dá vibração a tudo isso. Vivo e saboroso com pimenta negra no fim de boca. Cadê meu churrasco? CB

AD 91 pontos
Heritage Heroes The Brew Master Bordeaux Blend 2010
Nederburg, Paarl, África do Sul. Neste blend, a estrutura conferida pelo Cabernet Sauvignon já vem no aroma e é acompanhada do Merlot, Petit Verdot e Malbec. O nariz tem mesmo o buquê de Bordeaux com ervas e morango. Em boca, confirma a boa fruta de morango e ameixa mais maduros acompanhados de uma terrosidade intrigante que dá personalidade ao vinho. O uso de carvalho francês é feito na medida para afirmar seu estilo. CB

AD 92 pontos
Winemasters Reserve Noble Late Harvest 2012
Nederburg, Paarl, África do Sul. Que belo nariz! Fruta compotada seguida de mel. A boca confirma a limpidez do aroma acompanhada de doçura e muita concentração com excepcional acidez que limpa o palato e dá vida ao vinho. O toque da botritys na Chenin Blanc (a palavra noble indica a botritys natural) confere ainda mais complexidade a este vinho delicioso.

AD 90 pontos
Glen Carlou Single Vineyard Chardonnay 2012
Glen Carlou, Paarl, África do Sul. Logo de cara o vinho encanta com o floral e a fruta amarela. Na boca, a fruta se revela um abacaxi doce com perfil mineral, com boa estrutura e vibrante acidez. Seu fim de boca é longuíssimo e com um toque lácteo. 90% do vinho é fermentado em barricas novas e 10% em ovos de cimento. CB


Espetacular vista da região de Paarl a partir dos vinhedos da Fairview

Esta situação do período do Apartheid tem reflexos em todo o lugar (neste período em que o vinho sul-africano era consumido basicamente no país) e pode ter levado a visões únicas sobre o vinho, como na bela Fairview que, em verdade, é uma fazenda com manejo sustentável onde se produzem frutas, queijos deliciosos, vinhos e um mel espetacular. O centro do receptivo turístico fica repleto de pessoas comprando iguarias e, na ampla sala de degustação, são ministrados cursos de formação para sommeliers e apaixonados. Este conceito de multicultura reflete-se também em sua linha de vinhos. Aqui são produzidos 140 rótulos diferentes, sendo muitos single vineyards. A regra aqui é não irrigar, como explica Jean Baptiste Cristini: “Ao irrigar, você estimula as raízes a ficarem próximas à superfície, mas, quando você não irriga, o estimulo é se aprofundarem em busca de água e, assim, a personalidade do solo se mostra no vinho.”

Aproveite para degustar

AD 92 pontos
Glen Carlou Grand Classic 2010
Glen Carlou, Paarl, África do Sul. Este corte de 52% Cabernet Sauvignon, 16% Malbec, 16% Merlot, 12% Petit Verdot e 4% de Cabernet Franc é um vinho complexo, com a fruta convivendo com aromas terciários de pelica e estábulo que prometem recompensar quem guardar a garrafa por alguns anos. Consegue combinar elegância e rusticidade e, com o tempo em taça, acrescenta uma riqueza cítrica intrigante. Na boca, tem excelente acidez, frutas saborosas e taninos elegantes e bem integrados. A potência dos 14% de álcool aquecem sem atrapalhar e o fim de boca é límpido com leve toque de café. CB

AD 90 pontos
Nurok Fairview 2012
Fairview, Paarl, África do Sul. Blend de Viognier, Chenin Blanc, Roussanne e Garnacha Branca com aroma complexo e equilibrado. Um buquê de flores acompanhado de frutas. Este vinho fermentado em carvalho usado encanta na boca com bela complexidade, volume, textura, acidez e untuosidade que acompanham pêssego e pera. 13,5% de álcool. CB

AD 92 pontos
The Beacon Shiraz
Fairview, Swartland, África do Sul. Este vinho de Swartland, no limite com Paarl, nasce em bush vines em solos com presença de conchas. Nariz com fruta exuberante de figo e ameixa temperado com tomilho e um toque cítrico. Em boca, confirma a fruta com alguma carnosidade. Volume, suculência e acidez na medida. Destaca-se ainda o final de pimenta negra. CB

AD 90 pontos
Primo Pinotage 2012
Fairview, Paarl, África do Sul. Belo exemplar da variedade sul-africana. Livre do amargor que muitos associam à esta variedade, e que segundo o enólogo provém de vinhas infectadas pelo vírus “leaf roll”. Um dos mais puros Pinotages provados. Bela fruta vermelha e um toque a folha de pinus que conferem elegância ao vinho. Em boca, é muito equilibrado, com fruta límpida, taninos com boa textura e bela acidez que o fazem suculento, com frescor e com delicioso e longo final de boca. CB


Duck Mobile transporta os patos cuidadores de vinhedos para o trabalho

Sustentabilidade e cuidado com o meio ambiente parecem ser temas intrínsecos à sociedade sul-africana e não apenas uma moda

Sustentabilidade

Na África do Sul, o tema da sustentabilidade e preservação não é uma moda, mas, sim, um valor incutido no tecido social. Trata-se de uma sociedade “outdoors”. Acorde cedo e saia do hotel para encontrar um sem número de ciclistas, corredores e “caminhantes”. Preste atenção e note que há pouquíssima obesidade, inclusive num centro urbano como Joanesburgo. Mais do que isso, a discussão e defesa da sustentabilidade parece ser um tema da população em geral e não apenas de uma tribo de “abraçadores de árvores”.

Não à toa, projetos vinícolas que têm o cuidado com o meio ambiente em seu cerne são até bastante comuns, como é o caso da biodinâmica Avondale. À primeira vista, Johnathan Grieve parece um tanto excêntrico com seu Duck Mobile que transporta os patos cuidadores de vinhedos para o trabalho e de volta para casa. Mas, em pouco tempo, percebemos que não é marketing e, sim, um fervor e dedicação à sustentabilidade e fé na sapiência da natureza: “O objetivo é alimentar a vida no solo, estimule a vida dos organismos no solo e este vai cuidar de alimentar as vinhas”. Medir a energia e ouvir o que o vinhedo tem a dizer pode parecer estranho, mas o fato é que as vinhas retribuem este carinho e atenção.

Aproveite para degustar

AD 90 pontos
Cyclus 2011
Avondale, Paarl, África do Sul. Blend fermentado em barricas de Viognier, Chardonnay, Chenin Blanc, Roussanne e Sémillon, é muito complexo no nariz com frutas maduras suculentas, pêssego branco e flores. Na boca, é suculento e vibrante, uma salada de frutas amarelas com grande frescor. Potente e concentrado com retrogosto rico e longuíssimo. CB

AD 93 pontos
Samsara Syrah 2006
Avondale, Paarl, África do Sul. Instigante nariz de ameixa, amora, pimenta verde e especiarias. Em boca, destacam-se a ameixa cristalina e muitas especiarias. Estrutura elegante de acidez e taninos polidos com deliciosa textura arenosa. Utiliza apenas barricas francesas de segundo e terceiro uso que amparam a fruta sem tirar seu protagonismo, que perdura quase para sempre no paladar. Extremamente jovem para seus anos de vida e com muitos outros pela frente.

Vinhos sul-africanos vão muito além do Pinotage, com ótimos exemplares de Chenin, Sauvignon Blanc e Syrah

Mas se você quiser dar um passo à frente no tema da arte, da conservação, da criação de cavalos e, por que não dizer, do savoir-faire, vá à Robertson, ainda mais ao leste da Cidade do Cabo e visite a Graham Beck Wines. Admire sua coleção de arte de cair o queixo, degustando os espumantes produzidos no método tradicional, que na África do Sul são denominados Cap Classique.

A família Beck estabeleceu uma reserva privada para a proteção do meio ambiente e de sua fauna. Se você tiver a oportunidade de visitar o boma (um lodge) reserva adentro, permita-se relaxar à beira da fogueira num fim de tarde enquanto aproveita seu Braai, o churrasco sul-africano que é feito a qualquer hora e local com os amigos e utiliza madeira para o fogo e uma grelha para a carne. Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde temos o churrasqueiro que domina o pedaço, num Braai sul-africano o Braai Master não se importa em dividir espaço e grelhar a carne se torna uma atividade comunitária a ser regada com muito bom vinho.

Em seu intuito de conservar os animais da reserva privada, foi criada a linha Game Reserve em que cada rótulo homenageia um animal protegido. Excelentes vinhos por seu preço.

Aproveite para degustar

AD 89 pontos
The Game Reserve Cabernet Sauvignon 2012
Graham Beck, Robertson/Darling/Stellenbosch, África do Sul. Um blend de Cabernets de Robertson, Darling e Stellenbosch com bela tipicidade e ameixa suculenta, com um toque de pimentão e final de ervas. Passando 12 meses em barricas francesas de primeiro, segundo e terceiro usos, tem muito boa estrutura. Um excelente Cabernet para tomar hoje e melhorará sem parar no decorrer dos próximos três anos. CB

AD 94 pontos
The Ridge Syrah 1999
Graham Beck, Robertson, África do Sul. Syrah de um bloco de vinhedos de 15 anos. O que já foi pura ameixa tirada do pé, no nariz, caminhou para aromas mais evoluídos, um perfume que une toque de cana e feno com buquê floral e o cítrico da laranja madura. Na boca, a ameixa é muito suculenta e apresenta excelente acidez e taninos muito bem polidos. Longuíssimo, a fruta vai se esvaindo em aromas etéreos e a acidez convida a um novo gole. Com 15 anos, é a prova de que este vinho premiará a paciência na adega. CB


Vinhedo de Cabernet Sauvignon da Boekenhoustkloof, em Franschhoek

Vinhos de cortes nos estilos do Rhône e Bordeaux, brancos ou tintos, têm se destacado

Celebração à liberdade religiosa

Visite também a bela cidade Franschhoek fundada pelos huguenotes, protestantes franceses que, perseguidos em sua terra natal, encontraram refúgio na Holanda e depois buscaram oportunidades na África do Sul – para onde vieram com conhecimento de vitivinicultura. A pequena cidade transpira sofisticação com seus restaurantes, cafés, galerias e lojas. Do ponto de vista geográfico, Franschhoek é um vale estreito com menos de 2 quilômetros de largura e 7 quilômetros de comprimento cercado por altas montanhas a norte, leste e sul.

Aqui, o solo varia entre o granito decomposto e o arenoso, e a influência das montanhas se faz sentir. Nesta região podemos encontrar Marc Kente, ex-piloto da força aérea que virou garçom e se tornou produtor de vinhos. Podemos conversar com ele sobre vinhos e terroirs por horas e não é raro encontrá-lo no Brasil. Segundo ele, “é preciso viajar muito e tomar muitos vinhos bons, pois não dá para fazer bons vinhos se você não sabe o que são bons vinhos.”

Aproveite para degustar

AD 94 pontos
Boekenhoutskloof Cabernet Sauvignon 2011
Boekenhoutskloof, Franschhoek, África do Sul. De um vinhedo plantado no meio da década de 1980 nasceu o mais elegante Cabernet Sauvignon degustado na África do Sul. Aroma de caixa de charutos, com límpida cereja e flor de laranjeira. Em boca, tem fruta vívida elegantemente suportada pelos taninos e pela acidez que integra todo o conjunto e conduz a um fim de boca delicioso e etéreo. Um vinho meditativo com incrível potencial de envelhecimento. CB

AD 92 pontos
Boekenhoustkloof Syrah 2011
Boekenhoustkloof, Franschhoek, África do Sul. Ameixa fresca e um finalzinho floral. Em boca, fruta suculenta, certa salinidade e bom volume.  Grande equilíbrio com taninos de excelente textura e vibrante acidez. O final de boca confirma a excelência da fruta e um lácteo que arremata o paladar. CB

Apesar de a Pinotage ser a uva pela qual a África do Sul é reconhecida, a Syrah tem sido protagonista ultimamente

Aproveite para degustar

AD 90 pontos
Kanonkop Estate Wine Black Label Pinotage 2010
Kanonkop, Simonsberg - Stellenbosch, África do Sul. Nascido de vinhas de 60 anos plantadas em arbustos sobre granito decomposto e argila (que ajuda a conservar a umidade da pouca chuva), passa 100% por carvalho novo. No nariz, é austero em ameixa negra. A fruta se confirma na boca com um toque de laranja e boa acidez, que se equilibra com a doçura da fruta e taninos volumosos. Longo. CB

AD 92 pontos
Kanonkop Estate Wine Pinotage 2003
Kanonkop, Simonsberg - Stellenbosch, África do Sul. No nariz, tem equilíbrio entre o frescor do morango (seria o sangue do Pinot Noir correndo nas veias do Pinotage?) e o doce de banana caramelada. Na boca, a evolução também está presente, unindo ameixa e certa citricidade de laranja bem madura. Vibrante acidez e taninos com textura ainda riquíssima. Um vinho longo e uma prova dos nove sobre os encantos e capacidade de evolução do Pinotage. CB

Além do Pinotage

Na terra natal do Pinotage (variedade criada a partir da Pinot Noir e da Cinsault) nos vemos compelidos a tentar entender as qualidades desta variedade. Alguns produtores como Johann Krige, da Kanonkop, vêm se dedicando a essa uva por anos e a compreendem como poucos. Ele abandonou a carreira de advogado e estabeleceu-se em Simonsberg, região de Stellenbosch, desta vez defendendo o Pinotage e apresentando suas virtudes.

Conclusão

É possível compreender que a África do Sul busque no Pinotage sua singularidade num mercado em que consumidores tentam simplificar o mundo do vinho colocando a si e a seus rótulos em caixinhas conceituais. Neste momento, o Pinotage parece estar passando por um período de experiência em seu manejo e compreensão de seu potencial.

Logo no meio da viagem, e olhando pela lente monovarietal, já se enxerga que a surpresa está na Chenin Blanc, que a certeza está na Sauvignon Blanc cultivada à beira-mar, e que o posto mais alto do pódio vai para a espetacular Syrah. Mas, como é tão comum no vinho, camadas sobrepõem-se a camadas e as coisas mudam com a oxigenação. Tendo no retrovisor centenas de quilômetros percorridos e dezenas e dezenas de vinhos avaliados, a conclusão é uma surpresa para mim mesmo, e um tributo aos enólogos sul-africanos. Afinal de contas, um maior número de vezes me flagrei encantado pelos blends, fossem eles brancos, ou os elaborados na batalha de estilo entre os cortes do Rhône e Bordeaux.

Nesta luta entre o estilo do Rhône e Bordeaux, escolha seu lado e deguste à vontade. Qualquer que seja seu time predileto, você sairá ganhando.

Mais sugestões para provar na África do Sul

AD 93 pontos
The Jem 2009
Waterford Estate, Stellenbosch, África do Sul. Blend com 36% Cabernet Sauvignon, 32% Shiraz, 9% Merlot, 8% Cabernet Franc, 8% Petit Verdot, 5% Mourvèdre, 2% Barbera. Nariz de frutas vermelhas fresca e toques de caixa de charuto e grafite. EM

AD 91 pontos
Houmoued Single Vineyard Chenin Blanc 2012
Mooiplaas Wine Estate, Stellenbosch, África do Sul. Dois corajosos hectares de bush vines plantados em 1968 passam 13 meses em barricas de segundo uso que antes produziram Chardonnay e dão origem a este vinho cheio de alegria, amarelo quase ouro, com aromas de pêssego e laranja. Em boca, tem bela fruta madura, muito boa acidez e excelente volume de boca. Suculento e muito longo. CB

AD 92 pontos
Full Circle 2011
Saronsberg, Tulbagh, África do Sul. Shiraz 80%, Grenache 13%, Mourvèdre 5% e Viognier 2%. Elegante nariz de fruta negra, flor profunda, tabaco e canela. Na boca, é muito equilibrado e com fruta muito límpida, muito bem equilibrada com taninos e acidez. Fim de boca com elegância cítrica. CB

AD 92 pontos
The Mackenzie Bordeaux Blend 2008
Hartenberg Wine Estate, Stellenbosch, África do Sul. 85% Cabernet Sauvignon, 5% Malbec, 5% Merlot, 3% Cabernet Franc e 2% Petit Verdot. Deliciosa tipicidade de Cabernet Sauvignon no nariz. Há falsa simplicidade, pois é acessível, mas esconde complexidade por trás da cereja límpida com um toque cítrico, pinus e mentol. No fim de boca, revela o animal Cabernet Franc. Na boca, é rico e exuberante sem ser opulento. Muito bom equilíbrio. CB

AD 93 pontos
Post House Missing Virgin 2011
Post House Wines, Stellenbosch, África do Sul. Pinotage 70% e Petit Verdot 30%. Nariz austero e complexo com couro, floral, cânfora, feno e especiarias. Boca com belo equilíbrio, mas um vinho para fortes, com excelente fruta e toque cítrico. Dos melhores Pinotages que tivemos: nariz excelente, boca sem amargor, profundidade e personalidade. A fruta de ameixa é deliciosa e anda junto com a acidez e os taninos de um Petit Verdot de qualidade que, no fim de boca, impõe-se sobre o Pinotage, trazendo nova dimensão ao vinho. Vai melhorar por muitos anos. Tem 15,6% de álcool que não gostam de chamar a atenção. CB

AD 90 pontos
Alexanderfontein Sauvignon Blanc 2013
Alexanderfontein, Darling, África do Sul. Um Sauvignon Blanc vivíssimo que lembra a Nova Zelândia com aroma cítrico e maracujá. Na boca, confirma a fruta e apresenta mineralidade com salinidade que combina com o pêssego, tornando-o extremamente gastronômico. Região com argila, cascalho e com bastante ferro, que deixa o solo vermelho. CB

AD 93 pontos
Single Vineyard Syrah 2011
Rust en Vrede Wine Estate, Stellenbosch, África do Sul. Nariz de ameixa negra profunda e bela pimenta negra. Na boca, é muito potente, mas ainda equilibrado. Fruta e pimenta negra se confirmam com vibrante acidez e taninos musculosos. Um vinho que merece e precisa de anos para apresentar todo seu potencial. CB

AD 90 pontos
Winemaker’s Selection Viognier 2011
Lourensford Wine Estate, Somerset West, África do Sul. Com vista para False Bay, esta vinícola proporciona um dos mais lindos fins de tarde do mundo. Este Viognier utiliza 30% de carvalho francês e húngaro novo, sendo este último o responsável pela untuosidade no vinho. 10% fermenta com as cascas. Aroma muito vivo de fruta tropical madura. Em boca, tem grande volume e concentração com canela e damasco. CB


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Artigo publicado nesta revista

Revista ADEGA 102 · Abril/2014 · África do Sul desvendada

Dicas de enoturismo e os melhores vinhos da terra de Mandela

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