Estamos em plena estação ensolarada, quente e iluminada. No Brasil, mesmo quem não pode abandonar o paletó e se entregar às férias de verão consegue vivenciar a magia e a energia desses meses. Praia no fim de semana, almoços à beira da piscina, jantares na varanda ainda com o sol se pondo e happy hours com os amigos.
Para os amantes de vinho, o verão é uma estação bem interessante, com muitos espumantes, brancos e rosés refrescantes. ADEGA já dedicou algumas edições a essas delícias. E como ficam os apaixonados por tintos nessa estação? O vinho tinto é hoje uma paixão mundo afora e a preferência de nove entre dez amantes da bebida. Para que esse público não fique confinado em restaurantes com ar condicionado durante o verão, apresentamos os vinhos tintos mais leves que se encaixam bem nessa maravilhosa estação.
Vamos fazer uma engenharia reversa? Imagine um churrasco à beira da piscina e você lá, degustando um Malbec com 15% de álcool, muita madeira, fruta e intensidade. Um pouco exagerado, não? Os vinhos fortes e encorpados que viraram febre nos últimos anos têm seu espaço, mas não se destacam pelo frescor e muito menos pela leveza. Esses vinhos são mais indicados para um jantar, de preferência com o ar condicionado ligado, caso seja nesses meses quentes. Em um almoço de verão, se os anfitriões e os convidados preferirem um tinto, ele deve ter alegria, leveza e frescor. E é melhor que seja servido a temperaturas mais baixas que os 18ºC, geralmente recomendados para um tinto.
Para a alegria dos amantes de tintos, há uma gama sem fim de vinhos indicados para temperaturas mais altas e refeições mais leves. São, de maneira geral, vinhos produzidos com uvas de potencial alcoólico mais baixo e sem madeira (ou que permanecem menos tempo em contato com ela). Quase sempre são vinhos que prestigiam mais a fruta e o frescor do que outras qualidades.
Há três grandes grupos de estilos recomendados para essas ocasiões: Estilo Noveau (Noveau Style), Vinhos Jovens com Taninos Não Marcantes (Low Tanin Young), que devem ser consumidos jovens, e os Vinhos de Corpo Médio (Médium Weight Wine).
Noveau Style
Esses vinhos são conhecidos no mundo inteiro por serem comercializados logo após a vinificação, ou com pouco tempo de maturação, seja em grandes recipientes, ou "adegados" em garrafas. Os mais famosos desse time são os Beaujolais, produzidos a partir da uva Gamay, no sul da Borgonha. Os Beaujolais apresentam muitas variações. Há desde o Beaujolais Noveau, tradição francesa sempre lançada na terceira quinta-feira de Novembro, até os Crus de Beaujolais, como os Morgon ou Fleurie, sendo esses últimos enquadrados no grupo Vinhos Jovens com Taninos Leves.
A Itália também tem a tradição do vinho ultra-jovem, que por lá é chamado de Vinho Novello. Entre os mais famosos desse estilo estão os deliciosos Barberas D'Asti. Esses vinhos novos estão em descrédito com os apreciadores, mas têm seu espaço, principalmente no verão. Muitos franceses mais radicais (lógico!), costumam dizer que o vinho Estilo Noveau não é vinho. Mas isso não é verdade.
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Os tintos de verão devem ter alegria, leveza e frescor |
Vinhos Jovens
Essa categoria é, sem dúvida, a responsável pelo maior volume de vinhos produzidos no mundo. Normalmente são produzidos em altas quantidades e em recipientes de concreto (geralmente revestidos de epóxi), madeira ou aço inoxidável de grande formato. Aqui temos como destaque muitos grupos de vinhos com diversas uvas. Entre eles os já mencionados Beaujolais (mas dessa vez sem ser Nouveau), da uva Gamay, os Anjous (base também de Gamay) e os Cabernet Francs do Loire, os Vin du Pays do Sul da França, alguns Pinot Noirs básicos da Borgonha e os Valpolicellas básicos e Bardolinos do Vêneto, na Itália. Ainda na Itália, a disputa entre Piemonte e Toscana continua. De um lado, representando o Piemonte, os Grignolinos, Barberas e Bracchetos. Do outro, os deliciosos e especiais Chiantis da Toscana. Os destaques da Espanha são os vinhos denominados Tintos Jovens (sem carvalho). A grande região de Rioja encabeça a lista com uma mega produção de vinhos desse estilo.
Do Novo Mundo podemos encontrar muitos Vinhos Jovens, mas, sem dúvida, são mais raros. Os vinhos do Novo Mundo, em sua grande maioria, são mais carregados em álcool, fruta e madeira, tornando-os mais difíceis de se encaixar nesse grupo.
Mesmo assim, pode-se encontrar bons exemplares tanto no Chile quanto na Argentina que não passam por madeira e oferecem frescor e certa leveza.
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