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Tintos leves de verão

Preparamos uma matéria especial para você aproveitar o verão com vinhos tintos ideais para as temperaturas elevadas

por Luiz Gastão Bolonhez


Vinhos de Médio Corpo

Esse grupo de vinhos é o mais complexo para ser definido, já que há uma enorme diversidade. Normalmente pode-se ter vinhos de médio corpo produzidos em regiões de clima mais frio, bem como em clima mais quente, às vezes tropical.

Pode-se afirmar que, nesse grupo de vinhos, o que mais importa é o processo de produção e envelhecimento. Podem entrar nesse grupo vinhos de Bordeaux e muitos da Borgonha, produzidos à base de Pinot Noir. Além de vinhos de todos os outros países vinícolas. É uma classe genérica que pode abarcar uma gama muito grande de uvas, regiões e países. Madeira não pronunciada, médio álcool e frescor são características requeridas nesse grupo. São vinhos que podem ser apreciados no verão.

Uvas com tendência de produzir vinhos mais leves

A Gamay é uma das uvas mais indicadas para a produção de vinhos leves, apesar de estar desvalorizada internacionalmente (somente em seu berço, na França, e na Suíça tem muitos adeptos). Produz vinhos com muita fragrância, leves, pouco alcoólicos e ligeiros.

A partir da uva Pinot Noir é possível produzir os mais elegantes e finos vinhos do planeta, principalmente se falarmos dos Premiers e Grand Crus da Borgonha. Fora desta região, essa uva é muito difícil de se adaptar, mas produz vinhos excepcionais em países como Estados Unidos e Nova Zelândia. Os vinhos à base da Pinot Noir no resto do mundo são geralmente mais leves e com muita alegria. Na maioria dos casos são vinhos menos intensos se comparados com uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Malbec.

Mas atenção, pois é possível encontrar também alguns Pinot Noirs do Novo Mundo com 14,5% de álcool (principalmente no Chile e na Argentina). Nesse caso, há bons vinhos, mas não são muito indicados para a degustação em temperaturas mais altas.

A Cabernet Franc, principalmente no Vale do Loire, na França, costuma oferecer vinhos mais brandos e com certo frescor. Essa mesma uva, se utilizada para produzir vinhos mais intensos, também faz um belo papel.

Ainda falando de uvas com raízes francesas, há no Vale do Rhône, seguido de todo o Languedoc Roussillon, um quarteto de uvas muito versáteis que podem produzir vinhos mais leves, com bons resultados. A Syrah, uva vigorosa, também pode produzir vinhos muito intensos com baixos rendimentos. Com rendimento mais alto, ela também produz vinhos mais leves, principalmente se cortada (blended) com outras uvas, como Grenache, Mourvedre e Carignan. Há ainda muitos vinhos leves à base dessas uvas nas regiões de Côtes de Luberon, Ventoux, Rhône e Costieres de Nimes. Duas apelações do Vale do Rhône produzem vinhos deliciosamente frescos e ótimos para o verão: Lirac e Crozes-Hermitage. O primeiro vinho é à base das uvas mencionadas acima; o segundo, um Syrah puro.

A Cabernet Sauvignon e a Merlot, que reinam em Bordeaux, também podem gerar vinhos mais leves e com certo frescor, mas somente se forem utilizadas com essa finalidade, ou seja, a produção de vinhos mais frescos e não muito alcoólicos.

A Cabernet Sauvignon e a Merlot, com presença maciça em todos os países produtores do Novo Mundo, tendem a produzir vinhos de corpo mais intenso e quase sempre com muita madeira, em regiões da Argentina, Chile, Austrália e África do Sul. Esse estilo de vinho, na maioria dos casos, combina mais com um clima fresco do que com as temperaturas que temos no verão brasileiro.

Na Itália, único país que produz vinhos em todas as regiões, há uvas que, por estratégia de produção, produzem vinhos deliciosamente frescos e ótimos para serem degustados em temperaturas mais altas. O trio de uvas do Vêneto, ao norte da Bota, formado por Corvina, Rondinella e Molinara, são base para os agradáveis Valpolicellas e Bardolinos.

Christopher Potter/Stock.XchngNo Piemonte, o trio é formado pelas uvas Barbera, Bracchetto e Grignolino, que oferecem desde vinhos estilo Noveau até de Médio Corpo, passando pelos Jovens. Dessas três uvas, a Barbera pode oferecer, além de vinhos leves, vinhos ultra encorpados, principalmente os que estagiam em barricas de carvalho. Os Barbera Barricatos são vinhos muito intensos e não se encaixam no grupo de vinhos leves para o verão.

Ainda no centro norte da Itália, podese encontrar deliciosos vinhos leves no Friuli, a partir da variedade local Refosco dal Pedúnculo Rosso e da "francesa" Merlot.

O sul da Itália, devido às suas condições climáticas, produz vinhos com mais intensidade alcoólica e, às vezes, com excesso de frutas maduras. Por isso são mais difíceis de se encaixar no grupo de tintos leves. Lá, pode-se encontrar muitos vinhos locais de médio corpo e com certo frescor, mas não é fácil achálos no Brasil.

Na Espanha, a versátil uva Tempranillo produz excelentes tintos jovens e de médio corpo, principalmente na Rioja, no Pénèdes, em Toro e alguns locais da Ribera del Duero. Nas regiões ao redor de Valência há muitos tintos jovens à base da uva Garnacha.

Em Portugal, a diversidade também é grande e é possível encontrar vinhos mais leves nas regiões do Dão, Estremadura, Ribatejo e Terras do Sado, mas é possível encontrar também vinhos de médio corpo em todo país. Ultimamente o Douro tem se especializado em verdadeiros blockbusters. No Alentejo, os vinhos têm, em sua maioria, mais de 13,5% de álcool.

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