Degustação histórica de 1976 é relembrada em evento em Londres com foco em Napa Valley

por Redação
Cinquenta anos após o chamado “Julgamento de Paris”, a degustação às cegas que mudou os rumos do mercado internacional do vinho volta ao centro do debate. O episódio, realizado em 1976 na capital francesa, colocou rótulos californianos lado a lado com grandes vinhos de Bordeaux e da Borgonha e terminou com uma vitória inesperada dos Estados Unidos, alterando a percepção global sobre qualidade e origem.
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Na ocasião, o Cabernet Sauvignon SLV 1973, da Stag’s Leap Wine Cellars, foi o vinho tinto mais bem avaliado pelo júri. Entre os brancos, o destaque foi o Château Montelena 1973, também do Napa Valley. A repercussão ganhou dimensão internacional após reportagem da revista Time, assinada por George Taber, e passou a ser considerada um divisor de águas para a indústria de vinhos finos.
Se até então a liderança francesa era vista como praticamente incontestável, o resultado abriu espaço para uma nova configuração do mercado, com maior reconhecimento a produtores do chamado “Novo Mundo”. Mais do que uma disputa simbólica, o Julgamento de Paris influenciou investimentos, críticas especializadas e o próprio comportamento de consumidores e importadores ao redor do mundo.
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A efeméride de 50 anos está sendo marcada por uma série de eventos nos Estados Unidos, no Canadá e no Reino Unido. Em Londres, um dos encontros promovidos pela plataforma “Vinous Icons” reuniu nomes como o crítico Antonio Galloni, o produtor Piero Antinori e executivos ligados à Stag’s Leap Wine Cellars, hoje pertencente ao grupo Marchesi Antinori, que concluiu a aquisição total da vinícola em 2023.
Além da safra histórica de 1973, o encontro propôs uma retrospectiva com vinhos de diferentes décadas, permitindo observar a evolução do estilo e da viticultura em Napa Valley ao longo do tempo. A iniciativa também reacendeu discussões sobre o impacto do Julgamento de Paris na própria França. Produtores tradicionais já reconheceram que a degustação funcionou como um alerta para o setor europeu, incentivando revisões técnicas e estratégicas.
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Seis décadas depois, o episódio segue como referência quando o assunto é transformação no mercado global do vinho. Mais do que uma vitória pontual, o Julgamento de Paris simboliza o momento em que a geografia da excelência deixou de ser previsível e passou a ser disputada em escala internacional.