Produção deve crescer até 20% no Alentejo, mas viticultores do Douro temem prejuízos e protestam

por Redação
As previsões para a vindima de 2026 em Portugal revelam um cenário de contrastes entre as principais regiões produtoras do país. Enquanto o Alentejo estima um aumento de 20% na produção de vinho e o Dão projeta crescimento moderado com boas perspectivas de qualidade, o Douro enfrenta uma grave crise comercial, marcada pela falta de compradores para as uvas, indefinição de preços e mobilização dos viticultores por medidas urgentes do governo.
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No Alentejo, a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA) prevê uma produção de aproximadamente 108 milhões de litros de vinho, ante os 87 milhões registrados na safra anterior. A estimativa é resultado de um estudo realizado em parceria com a Universidade do Porto, que aponta condições climáticas favoráveis ao longo do ciclo vegetativo, com boa distribuição das chuvas, inverno frio e baixa incidência de fenômenos meteorológicos adversos. A expectativa é de uma colheita equilibrada, tanto em volume quanto em qualidade, reforçando a importância da região, responsável por cerca de 40% do valor das vendas de vinhos certificados de Portugal.
O Dão também apresenta perspectivas positivas para a vindima deste ano. Segundo o Boletim de Evolução Intercalar do Ano Vitícola 2026, elaborado pelo CoLAB Vines & Wines em parceria com a Comissão Vitivinícola Regional do Dão (CVR Dão), a produção deverá crescer até 5% em relação a 2025. O bom desenvolvimento das vinhas, favorecido pelas condições climáticas e pela baixa pressão de doenças, alimenta a expectativa de uma safra de elevada qualidade.
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O cenário é bem diferente na Região Demarcada do Douro. Produtores relatam que empresas tradicionais cancelaram ou reduziram as encomendas de uvas destinadas aos vinhos tranquilos, mantendo interesse apenas pelas destinadas ao Vinho do Porto — e, mesmo assim, sem informar os preços de compra. A situação preocupa os viticultores, que afirmam não ter garantias de escoamento da produção e alertam para o risco de parte da colheita permanecer nos vinhedos.
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Diante da crise, entidades representativas do setor cobram uma intervenção do governo para enfrentar a perda de rentabilidade da atividade. Após um plenário realizado em julho, produtores aprovaram uma pauta de reivindicações e convocaram uma concentração para o dia 7 de agosto, em Peso da Régua, em frente ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP). Entre as principais reclamações estão os baixos preços pagos pelas uvas, o aumento dos custos de produção, a redução do chamado benefício — quantidade de mosto autorizada para a produção de Vinho do Porto — e a dificuldade crescente de comercializar a safra.