Escola do vinho

Sem monotonia na taça, dicas para alterar o vinho sem sair do seu estilo predileto

ADEGA traz um guia com quatro castas emblemáticas e diversas opções para se aventurar


uvas

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Quando estamos diante de algo novo, é comum que nos apoiemos em alguns pilares para ter segurança. Mas mesmo quando já temos conhecimento e desenvoltura em um tema, podemos, às vezes, ficar “travados” em alguns pontos de apoio. No universo do vinho, isso também ocorre.

Foi pensando nisso que ADEGA escolheu quatro variedades, e estilos de vinhos que elas representam, para que seus apreciadores tenham mais opções na hora de escolher o vinho que vão degustar. Você gosta de Cabernet Sauvignon? Ok, mas saiba que há outras uvas que podem agradar o seu paladar sem destoar do estilo que você tanto aprecia na Cabernet. Sendo assim, vamos elencar aqui algumas alternativas para os apreciadores de quatro variedades emblemáticas, clique nos links para conferir dicas de vinho que vão harmonizar com seu estilo:

Cabernet Sauvignon

Se você é um apreciador contumaz da variedade mais famosa da vitivinicultura mundial, provavelmente tem um apreço por vinhos mais encorpados, tânicos e com presença marcante de frutas e especiarias, já que estas são características comuns quando pensamos em Cabernet Sauvignon genericamente. E, convenhamos, a vida para o aficionado por Cabernet é fácil, pois dificilmente ele irá a um supermercado, loja ou restaurante que não tenha um único rótulo com a cepa. Ou seja, ao fã de Cabernet basta escolher um país ou um produtor diferente para ter a variação de que precisa. No entanto, pode-se ir além disso. Vejamos:

• Para os que gostam da estrutura, do corpo e da concentração do Cabernet, uma excelente alternativa seria um bom Tempranillo, tanto da região de Ribera del Duero quanto de Toro, na Espanha, pois são vinhos geralmente encorpados e bastante frutados. A passagem por barrica (Crianza) ainda agrega, para quem gosta dos tons tostados dos Cabernet que também estagiam em madeira.

• Seguindo a mesma linha de raciocínio, pensando em estrutura, corpo e concentração, outra ótima opção seriam os tintos do Douro, especialmente aqueles que levam Touriga Nacional (não estamos falando especificamente de varietais de Touriga, apesar de alguns também funcionarem). Os famosos blends do Douro costumam ter potência, grande corpo, muita fruta etc. São grandes “emuladores” de um Cabernet. 

Cacho de Grenache, uma das castas que compõe o corte GSM

• Se o que você aprecia em um Cabernet, além da estrutura, são os tons especiados, com toques de ervas, opções interessantes são os blends GSM (Grenache, Syrah e Mourvèdre) típicos do Rhône. Eles também costumam ter um bom corpo, mas tendem a ressaltar ainda mais esse lado de especiarias. 

 

• Se o que lhe chama a atenção são os taninos e a potência, vale a pena você experimentar algumas alternativas como vinhos feitos com a uva Sagrantino, na Úmbria, ou ainda a Aglianico, na Campania, ambos da Itália. Outra opção seria os vinhos da variedade Castelão, especialmente da Península de Setúbal, em Portugal. Novamente da Espanha, podemos citar ainda os blends do Priorato, muitos com base em Grenache e Carignan, mas que às vezes levam a própria Cabernet, além de Merlot e Syrah, entre outras. 

Pinot Noir

Diz-se que o “bebedor de Pinot” é o oposto de quem aprecia Cabernet. E, sim, há uma certa dicotomia aqui que gera essa “disputa”. Se o Cabernet representa potência, estrutura, corpo, taninos, o Pinot, por sua vez, vai por um caminho distinto, ligado ao frescor, leveza, clareza. Lembrando que essas são características genéricas. O enófilo apaixonado por Pinot também não pode dizer que tem poucas opções dentro da própria casta, pois há milhares de rótulos no mundo. E, sendo a Pinot uma uva tão susceptível ao terroir em que está, as variações “internas” já são muitas. Ainda assim, não podemos desprezar alguns bons emuladores:

• Se o apreço pela Pinot se deve mais pelo lado de frutas vermelhas e frescas, com taninos presentes, mas não tão exuberantes, é possível optar por tintos da região do Etna, na Sicília, Itália. Nesse caso, veja os blends em que a uva Nerello Mascalese está mais presente, pois ela costuma ter os taninos suaves e os aromas elegantes que emulam a Pinot. 

• Na mesma linha, podemos ainda sugerir vinhos de Tempranillo, mas agora – diferentemente do caso da Cabernet – da região de Rioja, e, de preferência, de estilo Jovén (com pouca passagem por madeira). Outra opção espanhola seria um Garnacha da região de Gredos.

• Quer emuladores pouco prováveis da Pinot? Experimente os vinhos feitos com as variedades País, no Chile, ou Criolla, na Argentina. São uvas locais – diz-se que as primeiras trazidas da Europa – que geram vinhos repletos de frescor de fruta, com taninos aveludados.

Criolla na Argentina ou País no Chile, casta produz vinhos que podem agradar quem gosta de um Pinot Noir

• Para quem aprecia Pinot de frutas mais cheias e tons terrosos, especiados e defumados, pode-se pensar em um Mencía, uva típica da região de Bierzo, na Espanha. Não à toa, muitos a chamam de “Pinot espanhola”.

• Para quem aprecia o Pinot nem tanto por sua fruta, mas por sua estrutura, por sua tensão, por ser um vinho mais direto, as alternativas começam no Dão, com sua acidez gastronômica à frente. Na mesma linha, vale a pena experimentar um Barbera piemontês. 

• Quer algo semelhante a Pinot sem se “distanciar” de suas origens? Opte por um Beaujolais. Lá a variedade Gamay é capaz de produzir vinhos que emulam seus vizinhos mais famosos da Borgonha. Mas não estamos falando aqui de Beaujolais Nouveau. 

Chardonnay

O enófilo que gosta dos brancos de Chardonnay já tem ideia do que vai encontrar toda vez que abre uma garrafa, por mais que seja de um país ou produtor diferente: corpo presente, muita fruta, suculência, acidez moderada, talvez uma pitada de tons tostados (se houver passagem por madeira), um pouco de mel etc. E, novamente, as variações sobre o mesmo tema, ou seja, a própria Chardonnay, são inúmeras no planeta. O estilo pode variar conforme o terroir, mas também de acordo com a vinificação, passagem ou não por barrica e outras tantas coisas que deixam pequenas ou grandes marcas no Chardonnay. Ainda assim, podemos encontrar excelentes alternativas a essa variedade clássica e suas diferentes interpretações:

• Se o gosto pela Chardonnay é devido à sua estrutura e estilo de fruta, vale a pena experimentar alguns brancos portugueses. Primeiramente, os da Bairrada, feitos com Bical ou Maria Gomes (também conhecida como Fernão Pires), em seguida, os do Dão, desta vez produzidos com Encruzado, preferencialmente os que tiveram algum estágio em madeira. 

• Seguindo a mesma ideia, de vinhos brancos ricos, com corpo e fruta, não se pode esquecer da casta Viognier e seus exemplares da região do Rhône, e, em alguns casos (principalmente em Bordeaux), da Sémillon

Semillón de Bordeaux pode ser uma boa opção para substituir um Chardonnay

• Para quem gosta de Chardonnay mais encorpado, com tons tostados e melados, costumeiros da passagem por barrica, pode encontrar alternativas também em Portugal. Desta vez, blends do Douro ou do Alentejo, com seus Antão Vaz, muitas vezes complementados por Arinto e Roupeiro.

• Numa mesma linha, brancos de Viura, especialmente de Rioja, na Espanha, emulam bem o Chardonnay. Alguns Vermentino, principalmente toscanos, também são opções nesse sentido, assim como os Furmint (secos obviamente) da Hungria.

Sauvignon Blanc

Assim como a Pinot é muitas vezes vista como o contraponto da Cabernet, a Sauvignon Blanc também pode fazer um oposto à Chardonnay – isso, obviamente, em termos genéricos. Se de um lado há corpo, do outro há leveza. Quem aprecia Sauvignon Blanc tende a buscar mais acidez, refrescância, sutileza, aromas mais verdes e frescos e menos amanteigados. Novamente, a vasta gama de Sauvignon pelo mundo é impressionante, com variações importantes. Mas, além de optar por apenas trocar de país e produtor, podemos conferir diversas alternativas atraentes:

• Se sua preferência em relação ao Sauvignon está no lado da acidez vibrante e do corpo sutil, você pode encontrar boas alternativas na região do Minho, em Portugal, com as castas Loureiro e Arinto. 

• Já se seu gosto tende a ir mais para o caráter herbáceo e a estrutura, experimente algum exemplar de Verdelho, ou Verdejo – aqui principalmente de Rueda, na Espanha.

Verdelho em Portugal ou Verdejo na Espanha, esta casta tem características que a aproximam da Sauvignon Blanc

• Uma uva que emula bem o estilo da Sauvignon Blanc, em diversos aspectos, é a Pinot Grigio, especialmente quando não há passagem por madeira. Pode-se encontrar diversos bons exemplares mundo afora. Outras alternativas são a casta Ansonica ou Inzolia, típica da Sicília, na Itália, ou a Melon de Bourgogne, que produz os famosos Muscadet Sèvre et Maine, do vale do Loire, na França, ou ainda a austríaca Grüner Veltliner

• Pensou no frescor e nas notas florais do Sauvignon, uma opção similar são os vinhos de Roero, no Langhe, Piemonte, ou ainda os Fiano, na Campania (DOC Fiano di Avelino), também na Itália.

• Quer puxar mais para o lado da mineralidade (que se encontra principalmente em Sauvignon de Sancerre, no Loire, França, ou de Limarí, no Chile), tente um Assyrtiko, típico da ilha grega de Santorini. 

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Arnaldo Grizzo e Eduardo Milan

Publicado em 25 de Março de 2021 às 19:00


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