Arqueólogos encontram prensas e tanques que revelam a transformação de termas em centro agrícola

por Redação
Um antigo complexo de banhos romanos no sul da atual Turquia ganhou uma função bem diferente séculos depois de sua construção: produzir vinho e azeite em grande escala. Escavações em Antiochia ad Cragum identificaram prensas de pedra, moinho para azeitonas, canais e grandes tanques instalados dentro das antigas termas.
A descoberta foi detalhada em um estudo publicado no Journal of Roman Archaeology. Segundo os pesquisadores, trata-se da maior instalação de processamento agrícola encontrada até agora na antiga cidade, localizada na costa sul turca.
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Construído entre o final do século II e o início do século III d.C., o chamado Pequeno Banho havia sido concebido como um espaço sofisticado, com decoração em mármore, paredes pintadas e mosaicos. Durante o período romano tardio, porém, parte do edifício deixou de ser utilizada para banhos e passou por uma profunda transformação.
Na metade norte do complexo, trabalhadores ergueram uma parede atravessando o salão principal e instalaram um trapetum, tipo de moinho rotativo utilizado principalmente para esmagar azeitonas antes da extração do óleo.
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Do outro lado foi montada uma grande prensa de pedra. Um bloco de mármore reaproveitado funcionava como contrapeso para um sistema de alavanca e parafuso. A adaptação foi tão extensa que parte do antigo piso de mosaico precisou ser cortada para receber os novos equipamentos.
Embora a presença do moinho seja um forte indício da fabricação de azeite, os arqueólogos ressaltam que a prensa poderia servir tanto para azeitonas quanto para uvas.
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As evidências da produção de vinho aparecem com maior clareza em dois antigos cômodos das termas. Um canal aberto na parede permitia transportar líquido de uma sala para dois grandes recipientes instalados no ambiente vizinho.
Um desses tanques, possivelmente utilizado originalmente como piscina de água fria, foi revestido com material impermeável e adaptado à nova atividade. Sua capacidade chegava a aproximadamente 2.900 litros, muito superior à de outro tanque de vinificação já conhecido em Antiochia ad Cragum.
Em outro ambiente, o desgaste observado sobre um grande piso de mosaico próximo ao canal levou os pesquisadores a considerar que as uvas poderiam ter sido esmagadas ou pisadas naquele local, antes que o mosto seguisse para os tanques.
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A configuração é semelhante à encontrada em outras instalações vinícolas do Mediterrâneo oriental. Tanques de diferentes dimensões também poderiam ser empregados para separar quantidades ou qualidades distintas de mosto.
Os pesquisadores acreditam que o complexo possa ter processado os dois produtos em épocas diferentes do ano. Como a vindima e a colheita das azeitonas ocorriam em períodos distintos, equipamentos e espaços poderiam ser compartilhados.
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A própria arquitetura das termas oferecia vantagens. Uma cisterna próxima fornecia água, enquanto os ambientes cobertos garantiam sombra e maior controle da temperatura. Em vez de construir uma instalação do zero, os moradores puderam reaproveitar paredes, pisos, salas e sistemas hidráulicos existentes.
A fase agrícola teria ocorrido, de maneira geral, entre os séculos IV e VII d.C., depois do período original de funcionamento das termas.
A produção de vinho em Antiochia ad Cragum já era conhecida pelos arqueólogos, inclusive por evidências relacionadas ao comércio de ânforas. A fabricação de azeite, entretanto, permanecia menos evidente.
Além das estruturas encontradas no antigo banho, ao menos seis outras pedras ou bases de moinho foram identificadas em diferentes pontos da cidade. Para os pesquisadores, o conjunto reforça a existência de uma atividade mais ampla de processamento de azeite.
A descoberta mostra também como edifícios romanos podiam ganhar novas funções conforme as necessidades econômicas mudavam. Onde antes havia piscinas, mosaicos e salas destinadas aos banhos, séculos depois uvas e azeitonas eram processadas para produzir vinho e azeite.