Nova proposta resgata o passado e aponta caminhos para vinhos mais frescos e precisos

por Redação
Explorar novas experiências a partir de recipientes tradicionais tem sido uma forma recorrente de o mundo do vinho dialogar com o passado e, ao mesmo tempo, abrir espaço para ideias inovadoras. Ânforas, ovos de concreto e tanques experimentais mostram que o recipiente nunca é apenas um detalhe, ele define o estilo, a textura e até o discurso em torno do vinho. É nesse espírito que surge uma novidade vinda da Áustria: as primeiras barricas do mundo que combinam madeira e pedra.
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Desenvolvidas pela tanoaria austríaca Schön, as barricas híbridas unem aduelas de carvalho, austríaco, francês, alemão ou croata, a fundos feitos de placas de pedra natural, como ardósia ou granito. A proposta é simples e ousada ao mesmo tempo: preservar as vantagens do estágio em madeira, como a micro-oxigenação e a influência aromática da tosta, enquanto a pedra atua de forma mais redutiva, limitando a entrada de oxigênio.
Segundo a empresa, o resultado são vinhos com perfil aromático típico da madeira, porém com maior frescor, precisão e nitidez de fruta, características cada vez mais valorizadas por consumidores mais jovens. A ideia foi desenvolvida ao longo de vários anos por Manuel Schön, que testou diferentes combinações de materiais e estilos de vinho até chegar ao modelo atual.
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As possibilidades de personalização são amplas: tipos de carvalho, níveis de tosta e variedades de pedra podem ser escolhidos conforme o objetivo do produtor. No futuro, a tanoaria também pretende trabalhar com mármore e até recipientes de fermentação com placas de concreto. As aduelas de madeira podem ser substituídas, prolongando a vida útil da barrica.
Com capacidade padrão de 225 litros, cada barrica híbrida custa em torno de 1.200 euros, variando de acordo com os materiais utilizados. O peso é cerca de um terço maior que o de uma barrica tradicional, chegando a aproximadamente 88 quilos, devido aos fundos de pedra. Mais do que um novo produto, a proposta reforça uma tendência: repensar o papel do recipiente como parte ativa da identidade do vinho.
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