Tecnologia com bactérias detecta ácido acético em tempo real e reforça o controle de qualidade

por Redação
Pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém desenvolveram um sistema inovador para identificar, de forma precoce, quando um vinho começa a se deteriorar. Trata-se de um biossensor vivo, feito a partir de bactérias geneticamente modificadas, que emite luz ao detectar a presença de ácido acético, o principal responsável por aromas avinagrados e sabores indesejados em vinhos estragados.
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O acúmulo de ácido acético é um dos grandes desafios da vinificação, especialmente durante a fermentação e o envelhecimento. Quando esse composto ultrapassa determinados níveis, o processo pode ser comprometido e o vinho se torna impróprio para consumo. Atualmente, a medição depende de análises laboratoriais complexas, como cromatografia, que são caras, demoradas e pouco práticas para o acompanhamento contínuo nas vinícolas.
O novo biossensor surge como uma alternativa mais simples e rápida. Ele funciona em tempo real, inclusive em ambientes com alto teor alcoólico, e permite que produtores identifiquem problemas antes que o sabor e a qualidade sejam afetados. Em testes com vinhos tintos e brancos comerciais, o sistema conseguiu diferenciar amostras normais de vinhos propositalmente alterados em até duas horas, com aumento claro da emissão de luz.
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Um dos avanços mais relevantes é que o sensor não atua apenas no líquido, mas também no ar acima do vinho. Isso possibilita detectar o ácido acético volátil no interior de tanques ou garrafas sem a necessidade de abri-los, reduzindo riscos de contaminação e facilitando o monitoramento ao longo da produção.
Os ensaios mostraram respostas consistentes para concentrações entre 0 e 1 g/L de ácido acético — faixa crítica para a enologia, já que sinais de deterioração costumam aparecer a partir de cerca de 0,7 g/L. Nesse intervalo, o sinal luminoso aumentou várias vezes, oferecendo um alerta claro antes que o vinho se torne inviável.
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Além do setor vitivinícola, os pesquisadores destacam que a tecnologia pode ser aplicada em outras indústrias baseadas em fermentação, como alimentos e biocombustíveis, e até no monitoramento da frescura de frutas e vegetais. Há ainda perspectivas futuras para usos médicos, já que pequenas quantidades de ácido acético fazem parte do metabolismo humano e podem servir como indicadores não invasivos de determinadas condições de saúde.
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