Ondas de calor aceleram maturação das uvas e impedem previsão para a safra 2026/27

por Redação
A vindima de 2026 começou em Castilla-La Mancha ainda no mês de julho, um fato considerado inédito pela principal região produtora de vinhos da Espanha. O adiantamento da colheita, atribuído às sucessivas ondas de calor registradas desde maio, levou as Cooperativas Agro-alimentarias de Castilla-La Mancha a adotar uma postura incomum: pela primeira vez, a entidade decidiu não divulgar uma estimativa de produção para a campanha 2026/27 devido à elevada incerteza climática.
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O cenário foi apresentado durante a Assembleia Setorial Ordinária de Vinhos, realizada em 29 de julho, quando representantes das cooperativas discutiram os impactos das condições meteorológicas sobre a nova safra. Segundo o porta-voz do setor vitivinícola, Juan Fuentes Rus, nunca havia sido registrada uma vindima em julho na comunidade autônoma, reflexo direto da antecipação do ciclo vegetativo das videiras.
Embora o inverno tenha proporcionado boas reservas hídricas e favorecido o desenvolvimento inicial das plantas, as temperaturas elevadas registradas desde a primavera aceleraram significativamente a maturação das uvas. Variedades precoces como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Moscatel e Verdejo já estão sendo colhidas, enquanto castas tradicionais, como Tempranillo e Airén, também apresentam um ritmo de amadurecimento muito acima do habitual.
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Apesar do bom estado sanitário dos vinhedos, a entidade considera prematuro estimar o volume da colheita. As temperaturas próximas dos 40°C e a sucessão de ondas de calor podem alterar rapidamente o potencial produtivo das vinhas nas próximas semanas, tornando qualquer projeção pouco confiável.
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Segundo Fuentes Rus, as cooperativas chegaram a trabalhar em uma estimativa inicial, mas optaram por não divulgá-la. A avaliação é de que qualquer número poderia perder validade em poucos dias diante da instabilidade climática. Como referência, a safra anterior terminou com cerca de 19,3 milhões de hectolitros, abaixo da média histórica da região, que normalmente varia entre 23 e 24 milhões de hectolitros.
Em condições normais, o cenário atual apontaria para uma produção próxima da média. No entanto, o setor prefere aguardar a evolução das lavouras antes de apresentar qualquer projeção oficial para a campanha.
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Além da incerteza sobre o volume produzido, os viticultores demonstram preocupação com a velocidade de maturação das uvas. Um ciclo muito curto pode comprometer o equilíbrio entre açúcar, acidez e compostos aromáticos, fatores determinantes para a qualidade dos vinhos.
Ainda assim, o setor afirma que as uvas apresentam bom estado fitossanitário e que as cooperativas dispõem de estrutura tecnológica para adaptar a vinificação às características da safra. A orientação, neste momento, é concentrar esforços na colheita conforme cada parcela atingir o ponto ideal de maturação.