Lafleur já irriga os vinhedos enquanto calor extremo pressiona regras das denominações locais

por Redação
As temperaturas próximas dos 40 °C registradas em Bordeaux voltaram a colocar a irrigação dos vinhedos no centro do debate. Enquanto as denominações locais ainda não autorizaram o uso de água na safra de 2026, a propriedade Lafleur, que deixou as classificações Pomerol AOC e Bordeaux a partir da colheita de 2025, já começou a irrigar suas videiras.
A decisão foi tomada diante do risco de estresse hídrico e térmico. Desde o início de junho, Lafleur aplicou pequenas quantidades de água em três ocasiões, de forma controlada e com base em dados coletados no próprio vinhedo. A água vem de uma reserva formada pelo transbordamento do rio Dordogne.
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A propriedade afirma que a medida busca reproduzir uma chuva de verão e evitar que as plantas interrompam seu desenvolvimento. Quando a videira sofre com falta de água e calor excessivo, pode fechar os estômatos, reduzir a fotossíntese e perder a capacidade de controlar a própria temperatura. Em situações mais graves, folhas e frutos podem sofrer queimaduras, comprometendo a colheita.
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A água não é aplicada diretamente junto às raízes. O sistema deposita o volume entre as fileiras, com o objetivo de recuperar primeiro a umidade e a atividade biológica do solo. A estratégia procura impedir que as videiras se tornem dependentes da irrigação frequente.
Lafleur também testa uma tecnologia de nebulização. Cabos instalados entre algumas fileiras liberam uma névoa fina sobre as plantas, reduzindo em até 10 °C a temperatura naquela área. Sensores distribuídos pela propriedade acompanham continuamente a umidade do solo e as condições das videiras.
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A adoção dessas técnicas reforça as razões que levaram Lafleur a deixar as denominações de origem. Ao anunciar a decisão, a propriedade afirmou que as regras existentes dificultavam respostas rápidas e precisas aos efeitos das mudanças climáticas.
Na França, a irrigação de vinhedos ligados a denominações de origem depende de autorização excepcional. Pomerol permitiu o uso de água apenas em 22 de julho de 2025, quando produtores afirmaram que parte dos danos já havia ocorrido. Em anos anteriores, outras denominações, como Pessac-Léognan, também obtiveram liberações temporárias.
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Produtores e especialistas, porém, divergem sobre a necessidade de irrigar agora. Parte do setor considera que o problema mais urgente é o estresse causado pelas altas temperaturas, e não a falta de água no solo, já que as reservas foram recompostas durante o inverno e o início da primavera.
Também há dúvidas práticas sobre a origem e o volume de água necessários. Regiões como Pomerol e Saint-Émilion podem reunir até 8 mil videiras por hectare, o que tornaria uma irrigação ampla difícil e onerosa.
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Sem mudanças oficiais até o momento, o avanço do verão deverá aumentar a pressão sobre as autoridades de Bordeaux. O resultado da safra de 2026 dependerá tanto das próximas condições climáticas quanto da capacidade das denominações de adaptar suas regras a períodos de calor cada vez mais frequentes.