Calor, geadas e seca antecipam vindima, prevista para começar já em meados de agosto

por Redação
A região de Champagne caminha para registrar a colheita mais precoce de sua história. A previsão é que a vindima oficial tenha início em 15 de agosto, mas áreas mais quentes, como Montgueux, podem começar a colher as uvas já em 10 de agosto, superando o recorde anterior registrado em 2020, quando a colheita começou oficialmente em 17 de agosto.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
A antecipação é resultado de uma combinação de fatores climáticos extremos. O ciclo vegetativo começou mais cedo do que o habitual, seguido por fortes geadas na primavera, que destruíram cerca de 40% dos brotos dos vinhedos, e, mais recentemente, por sucessivas ondas de calor. Apesar das perdas, produtores afirmam que os cachos apresentam bom desenvolvimento e que os solos calcários característicos da região têm ajudado a reduzir os efeitos da seca.
Segundo representantes das maisons Louis Roederer e Canard-Duchêne, o principal desafio agora é acompanhar a rápida evolução da maturação das uvas. As altas temperaturas aceleram o acúmulo de açúcar, enquanto os produtores buscam preservar o equilíbrio entre maturação, frescor e potencial aromático, características fundamentais para os vinhos de Champagne.
LEIA TAMBÉM: O Champagne nosso de cada dia
A safra de 2026 apresenta semelhanças com a histórica colheita de 2003, marcada por geadas severas no início do ciclo e um verão excepcionalmente quente. A expectativa é que o rendimento natural dos vinhedos fique abaixo de 9 mil quilos por hectare, reflexo das perdas provocadas pelo clima. Ainda assim, especialistas ressaltam que a qualidade das uvas permanece promissora. Caso ocorra uma queda significativa das temperaturas nas próximas semanas, a data oficial da colheita ainda poderá ser adiada para o fim de agosto.