Setor demonstrou força surpreendente, consolidando um novo patamar de maturidade e resiliência

por Felipe Galtaroça, Ceo Ideal.Bi e IBHub
É com muito orgulho que compartilho uma grande novidade: a convite do meu amigo Christian Burgos, passo a assinar uma coluna semanal sobre o mercado de vinhos na Revista ADEGA.
Para estrear esse novo compromisso com o pé direito, a primeira matéria traz um raio-X detalhado sobre o comportamento do mercado no primeiro trimestre de 2026.
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O mercado brasileiro de vinhos e espumantes iniciou o ano de 2026 demonstrando uma força surpreendente e consolidando um novo patamar de maturidade e resiliência no primeiro trimestre.
Mesmo sob a pressão de um cenário macroeconômico desafiador, marcado pela taxa Selic em elevados dois dígitos de 14,75%, inflação persistente projetada do IPCA a 5,11% e pelo forte impacto no poder de compra das classes sociais menos favorecidas, o setor registrou marcas históricas.
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Ao todo, o mercado nacional movimentou R$ 4,18 bilhões e alcançou o recorde de 10,22 milhões de caixas de 9 litros, o que representa uma robusta alta de 12% em volume frente ao mesmo período do ano anterior.
Por trás desses números recordes, contudo, revelam-se dinâmicas profundas e opostas entre categorias, canais e origens. Uma das principais movimentações do período foi a reviravolta dos vinhos tintos importados que, após dois anos de quedas consecutivas, recuperaram dois pontos percentuais de participação de mercado, atingindo 70% do faturamento total.
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Essa expansão ocorreu principalmente às custas da retração dos vinhos rosés, que encolheram para 5% de participação, enquanto os brancos mantiveram sua sólida consistência em 25%.
Outro aspecto marcante do trimestre foi o fenômeno de premiumização, com o preço médio de importação atingindo o recorde da década de US$ 31,2 por caixa. Esse movimento não decorre puramente de uma sofisticação voluntária dos consumidores, mas sim de uma elitização forçada pela conjuntura econômica.
Houve uma retração de 9% no volume de vinhos de primeiro preço, categoria muito afetada pela perda de poder aquisitivo da classe média-baixa, enquanto as faixas de maior valor agregado sustentaram o crescimento e passaram a concentrar um terço de toda a receita gerada pelas importações.
No comércio internacional, em um período marcado pela forte expectativa em torno da entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre União Europeia e Mercosul, a América do Sul registrou sua maior participação histórica em volume de embarques para o Brasil, alcançando 65% de participação de mercado. Esse domínio foi liderado pela tradicional consistência chilena e por crescimentos expressivos da Argentina, com alta de 16%, e do Uruguai, com expansão de 44%.
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Paralelamente, o segmento de espumantes nacionais provou sua força ao crescer 9% em volume, compensando a queda acentuada de 24% nos espumantes importados, os quais foram severamente penalizados pelo recuo de 57% da origem espanhola.
Apesar do otimismo gerado pelo abastecimento, o ponto de maior atenção para os gestores reside no descasamento entre as curvas de distribuição e de consumo final. Enquanto o ritmo de abastecimento das lojas seguiu bastante acelerado, o giro real nas gôndolas do varejo alimentar demonstrou sinais claros de acomodação.
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No trimestre, o consumo final de vinhos cresceu discretos 1,2% em volume, ao passo que o de espumantes registrou retração de 1,4%, influenciado por um período climático mais úmido e com menos picos de calor em relação ao ano anterior.
Se mantida a proporção histórica em que o primeiro trimestre responde por 18% do volume anual, as projeções da consultoria Ideal.Bi indicam que o mercado brasileiro de vinhos caminha para encerrar 2026 com um total estimado de 56,8 milhões de caixas, consolidando uma alta de 6,9% em relação ao ano anterior.
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Para os espumantes, o desempenho anual deve flutuar entre 4,3 milhões de caixas em um cenário conservador de ajuste de estoques e 4,7 milhões em uma perspectiva otimista de aceleração nas vendas do segundo semestre.
Diante desse cenário de crédito caro e consumo moderado na ponta, a gestão do capital de giro, o estreitamento de relações diretas com os canais de venda e o controle milimétrico das importações frente aos estoques existentes serão os pilares decisivos para garantir a rentabilidade das operações ao longo do ano.
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