Setor movimentou R$ 9,8 bilhões e atingiu 23,27 milhões de caixas comercializadas no período

por Felipe Galtaroça, CEO Ideal.Bi e IBHub
Os dados do primeiro semestre do mercado de vinhos e espumantes acabam de sair do forno! Apresentamos as principais análises, movimentações, tendências e projeções para a segunda metade do ano. O primeiro semestre de 2026 encerrou com um volume recorde de sell-in de 23,27 milhões de caixas de 9 litros. O montante representa uma alta de 2% em relação ao mesmo período de 2025 e supera até mesmo o patamar de 2021, auge da pandemia, estabelecendo um novo recorde histórico para a primeira metade do ano.
O resultado acumulado reflete dinâmicas distintas ao longo do período. Após um primeiro trimestre aquecido, com avanço geral de 12%, o mercado desacelerou no segundo trimestre. Nesse intervalo, os produtos nacionais registraram queda de 14% no sell-in, enquanto as importações, que haviam crescido apenas 1% no primeiro trimestre, saltaram 15%. Entre as categorias, os movimentos também divergiram: os espumantes nacionais cresceram e foram o grande destaque do semestre, ao passo que os espumantes importados sofreram retração, caindo 7%. Já nos vinhos tranquilos, os nacionais, que haviam crescido no início do ano, fecharam o semestre no campo negativo após forte desaceleração no segundo trimestre. Em contrapartida, os tranquilos importados sustentaram o crescimento do sell-in, registrando alta de 10% em volume.
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Por outro lado, o sell-out não acompanhou a expansão do sell-in. Nos vinhos tranquilos, as vendas no varejo registraram retração tanto em volume quanto em valor, fortemente impactadas pelo desempenho de junho em função dos jogos da Copa do Mundo, ratificando o padrão observado em edições anteriores do torneio. Em contrapartida, os espumantes mantiveram trajetória de alta no varejo em ambas as métricas, mesmo durante o evento esportivo, o que reforça a consolidação do consumo da categoria para além das festividades de fim de ano.
Na análise regional, o Sudeste avançou 3 pontos percentuais de share tanto em vinhos tranquilos quanto em espumantes frente ao fechamento do ano anterior. O Nordeste manteve sua fatia de 12% em espumantes e subiu 2 p.p. em vinhos tranquilos, alcançando quase 15%. No Sul, a participação em espumantes permaneceu estável, mas houve um expressivo recuo em vinhos tranquilos, com queda de 5 p.p., encerrando em 24%. O Centro-Oeste perdeu 2 p.p. em espumantes, fechando em 9%, enquanto o Norte segue como a região de menor representatividade, respondendo por 2% em vinhos tranquilos e 3% em espumantes.
Em termos financeiros, no primeiro semestre de 2026 o mercado movimentou aproximadamente R$ 9,8 bilhões, registrando um avanço de 9% na comparação com o mesmo período de 2025. A projeção atualizada aponta para um encerramento de ano na casa de R$ 22,7 bilhões, o que representará uma alta de 7% frente ao exercício anterior. Entre as origens, o maior crescimento em volume nesta primeira metade do ano veio da Argentina, com expansão de 14%. O Chile segue liderando o mercado com 40% de share, seguido por Brasil, Argentina e Portugal. Transcorrido um mês da entrada em vigor provisória do acordo entre União Europeia e Mercosul, em 1º de maio, o volume de importações da Europa ainda não refletiu o impacto da primeira etapa de redução tributária. No acumulado, o continente europeu encerrou o semestre com 40% de share em valor, mantendo o mesmo patamar do fechamento de 2025.
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Analisando a divisão por tipo de vinho no primeiro semestre de 2026, nota-se uma ligeira movimentação na representatividade das categorias. Com uma alta de 7% no volume comercializado, os vinhos tintos ganharam 1 ponto percentual de participação, encerrando o período com 74% do mercado total. Os brancos, embora tenham mantido o mesmo volume de 2025, perderam 1 ponto percentual de fatia, fechando em 20%. Já os vinhos rosés sustentaram sua participação de mercado em 6%, ainda que tenham sido a única categoria a registrar retração efetiva em volume, com um recuo de 2,9%. A redução dos vinhos rosés passa por uma diminuição na participação das mulheres como shoppers da categoria, mostrando uma mudança de preferência em direção aos vinhos brancos e confirmando a força do público feminino dentro do segmento.
Outro ponto-chave é a rentabilidade da categoria, que melhorou proporcionalmente à valorização da moeda brasileira no comparativo com o primeiro semestre de 2025, sinal de que os preços de oferta se mantiveram estáveis. Entre as principais faixas de preço, segue o movimento de premiumização, evidenciado pelo melhor desempenho comercial de vinhos de maior valor agregado e pela pressão econômica sobre os vinhos de entrada, inclusive com forte redução de vendas no canal atacarejo, praça com maior força no mix de produtos populares.
Contudo, o Brasil segue sendo uma aposta para produtores e importadores de todo o mundo. O retrato do mercado total coloca o país na 15ª posição em valor e 16ª em volume mundial. No entanto, o verdadeiro diferencial brasileiro surge ao isolarmos a categoria de engarrafados, já que o país proíbe a importação a granel. Ao analisarmos apenas os vinhos de até 2 litros, o Brasil ganha musculatura e salta para a 13ª colocação em valor e para um impressionante 8º lugar global em volume de engarrafados. O oposto ocorre no segmento de espumantes, onde o Brasil figura na 26ª posição em valor, reflexo do protagonismo e da preferência do consumidor pelos rótulos nacionais.
A conjuntura do potencial de crescimento devido ao baixo consumo per capita e as dificuldades no mercado global estimulam um maior investimento externo no país. Por outro lado, o volume de estoque interno provoca apreensão em relação à alta competição, guerra de preços e capacidade de absorção da pressão e expectativa internacional. Em 2026, o Brasil deve apresentar números positivos, mas entender exatamente onde estão as oportunidades e os riscos é fundamental para o sucesso de qualquer investidor e profissional do setor. Com margens apertadas e alta concorrência, cada decisão deve ser maximamente assertiva, pois um erro de avaliação pode levar um projeto ou negócio ao insucesso.