Análise da ADEGA e da Ideal.Bi mostra diferenças entre produção, estoque e consumo efetivo

por Redação
Nas últimas semanas, o Brasil ganhou destaque no cenário internacional do vinho após dados da Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) apontarem o país como uma das poucas exceções positivas em meio à queda global do consumo em 2025.
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Segundo a OIV, o mercado brasileiro alcançou 4,4 milhões de hectolitros no ano passado, o equivalente a 440 milhões de litros, registrando o maior volume da história recente do país. Enquanto isso, o consumo mundial caiu 2,7%, totalizando 208 milhões de hectolitros, acumulando retração de 14% desde 2018.
O resultado brasileiro chamou atenção especialmente porque outros mercados tradicionais seguiram em queda. A Argentina, por exemplo, recuou 2,6% em relação a 2024, marcando o quinto ano consecutivo de retração no consumo.
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No entanto, especialistas alertam que os números exigem uma análise mais cuidadosa. Segundo Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.Bi, a metodologia utilizada pela OIV considera a soma entre produção e importação, o que pode gerar interpretações equivocadas sobre consumo efetivo.

"Tenho acompanhado uma série de notícias que interpretam os dados recentes da OIV como um forte crescimento no consumo. É preciso cautela para uma leitura correta dos fatos: a métrica da OIV baseia-se na soma de Produção + Importação. De fato, a produção brasileira em 2025 saltou mais de 80%, impulsionada pela safra recorde no RS e demais estados. No entanto, produção não é consumo. Na Ideal.Bi, nossa metodologia foca exclusivamente na comercialização, desconsiderando o excedente de estoque produtivo. Como qualquer vinícola nacional pode confirmar: volume produzido não é volume vendido”, aponta Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.Bi.
Segundo a análise da ADEGA, parte da distorção acontece porque a comparação utiliza como base o ano de 2024, quando a produção gaúcha foi severamente impactada pelas enchentes históricas no Rio Grande do Sul, principal região produtora do país.
Christian Burgos, CEO e Publisher de ADEGA complementa: “Olhando o gráfico fica claro que o corte temporal permite uma manchete verdadeira, mas não precisa. A produção no RS foi severamente pela enchente histórica afetada justamente no ano de corte”.
