Maturação antecipada das uvas acelera colheita e reforça medidas de valorização dos viticultores

por Redação
A safra de 2026 marcou um momento inédito para a Corpinnat, associação que reúne produtores de espumantes de alta qualidade no coração do Penedès, na Espanha. Pela primeira vez desde a criação da entidade, parte das vinícolas iniciou a vindima ainda no mês de julho, antecipando um calendário que tradicionalmente começava apenas na primeira quinzena de setembro. A mudança reflete os efeitos das condições climáticas registradas ao longo do ciclo da videira e evidencia uma transformação cada vez mais perceptível na viticultura da região.
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Segundo a Corpinnat, cerca de dez vinícolas deram início à colheita em 29 de julho, enquanto as demais devem começar os trabalhos nos primeiros dias de agosto. O adiantamento foi provocado por uma combinação de temperaturas acima da média e pela escassez de chuvas nos últimos meses, fatores que aceleraram o amadurecimento das uvas. Apesar disso, as reservas hídricas acumuladas durante o inverno, após três anos consecutivos de seca extrema, contribuíram para manter o bom estado das vinhas.
Mesmo com a previsão de uma redução no volume colhido devido à falta de precipitações mais recentes, a expectativa é de que a qualidade das uvas permaneça elevada. A entidade avalia que as condições de maturação favoreceram o equilíbrio da fruta, permitindo uma colheita adequada para a elaboração dos espumantes produzidos sob o selo Corpinnat, conhecido pelo uso exclusivo de uvas orgânicas colhidas manualmente.
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Além do início antecipado da vindima, a associação anunciou novas medidas voltadas à valorização da produção. Desde sua criação, em 2018, o preço mínimo garantido pago aos viticultores aumentou mais de 50%. Para a safra de 2026, o valor mínimo foi fixado em 0,943 euro por quilo de uva orgânica colhida manualmente. A política busca garantir maior sustentabilidade econômica aos produtores, incentivar a permanência das novas gerações no campo e preservar a paisagem vitícola do Penedès.
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Outra mudança aprovada para esta campanha foi a redução do rendimento máximo de prensagem para 64,4%, medida que limita a quantidade de mosto extraída das uvas. Segundo a Corpinnat, o objetivo é reforçar ainda mais os padrões de qualidade dos vinhos elaborados pela associação. A decisão faz parte de um processo contínuo de revisão dos critérios de produção, alinhando a busca por excelência às novas exigências do mercado e aos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
A antecipação da vindima e os ajustes nas regras de produção mostram como a viticultura do Penedès vem se adaptando a um cenário climático cada vez mais desafiador. Ao mesmo tempo, a estratégia de remuneração mínima e de maior rigor na elaboração dos vinhos reforça o posicionamento da Corpinnat em favor de um modelo que combina qualidade, sustentabilidade e valorização do trabalho no campo.