Vinho foi encontrado intacto em urna funerária romana em Carmona e ajuda a reescrever a história dos rituais funerários da Roma Antiga

por Redação
Uma descoberta arqueológica considerada excepcional trouxe novas evidências sobre os rituais funerários e a cultura do vinho na Roma Antiga. Pesquisadores identificaram, em um sítio funerário romano na cidade de Carmona, no sul da Espanha, o que especialistas apontam como a garrafa de vinho mais antiga já encontrada, com cerca de dois mil anos de idade.
O achado ocorreu durante escavações realizadas em uma tumba descoberta de forma inesperada em 2019, quando uma família local realizava obras em sua propriedade. No interior da câmara funerária, arqueólogos localizaram oito nichos de sepultamento, seis deles contendo urnas cinerárias feitas de materiais como calcário, arenito, vidro e chumbo.
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Em uma dessas urnas, além dos restos cremados de um homem, havia um líquido preservado em estado surpreendentemente estável.
Segundo análise científica conduzida pela Universidade de Córdoba, o líquido foi identificado como um vinho de perfil semelhante ao Jerez, datado do século IV. De acordo com reportagem do Seattle Times, trata-se de um dos exemplares mais antigos de vinho já analisados quimicamente, superando registros anteriores conhecidos pela arqueologia.
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O químico orgânico José Rafael Ruiz Arrebola, responsável pelo estudo, afirmou que a maior surpresa ocorreu no momento da abertura da urna. Além do vinho, o recipiente continha um anel de ouro decorado com a imagem bifronte do deus romano Jano, além de fragmentos metálicos que podem ter pertencido à estrutura do leito funerário utilizado na cremação.
As evidências indicam que o vinho foi depositado posteriormente à cremação, possivelmente como parte de um ritual simbólico associado à passagem para o além. O homem sepultado não usava o anel no momento da cremação, reforçando a hipótese de oferendas póstumas.
Para os arqueólogos, o achado amplia o entendimento sobre práticas funerárias romanas e demonstra o papel central do vinho não apenas na vida cotidiana, mas também nos rituais ligados à morte. O estado de conservação do líquido, após dois milênios, é considerado um marco científico e cultural.
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