Estudo genético mostra domesticação e preservação de castas ao longo dos séculos

por Redação
Uma análise genética de sementes de uva encontradas em sítios arqueológicos na França ajuda a entender quando e como as variedades utilizadas no vinho atual foram moldadas ao longo do tempo. O estudo, publicado na revista Nature Communications, utiliza DNA antigo para reconstruir etapas da domesticação e da circulação dessas plantas pela Europa.
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Os pesquisadores analisaram mais de 150 sementes preservadas — conhecidas como pips — datadas entre cerca de 2250 a.C. e o fim da Idade Média. Parte desse material continha DNA suficiente para sequenciamento completo, permitindo comparar exemplares selvagens e domesticados ao longo de diferentes períodos.
Os dados indicam que uvas domesticadas já estavam presentes no território francês por volta de 650 a.C., período que coincide com a expansão de influências mediterrâneas na região. Antes disso, predominavam variedades selvagens. A partir desse marco, o registro genético passa a mostrar sinais consistentes de cultivo e seleção.
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O estudo também aponta que algumas linhagens de uvas usadas até hoje sofreram poucas alterações ao longo dos séculos. Casos como o da Pinot Noir e de variedades associadas ao Savagnin mostram continuidade genética por centenas de anos. Esse padrão está relacionado à propagação por estacas, técnica que replica a planta original e reduz variações genéticas.
Esse comportamento difere de outras culturas agrícolas, que passaram por ciclos mais intensos de cruzamentos e modificações. No caso das uvas, a manutenção de características específicas — como perfil de sabor e adaptação climática — parece ter orientado escolhas ao longo do tempo.
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A pesquisa também reforça a ideia de que a domesticação inicial da videira ocorreu na região entre os mares Negro e Cáspio, de onde as plantas foram gradualmente levadas para o oeste. Ao chegar à Europa, essas uvas foram combinadas com espécies locais, contribuindo para a diversidade observada hoje.
Além de preencher lacunas históricas, especialmente entre a Idade do Bronze e a Idade Média, o uso de DNA antigo amplia a precisão sobre quando certas práticas agrícolas começaram a se consolidar. Ainda assim, os autores destacam que há pontos em aberto, sobretudo sobre a origem exata de algumas variedades e o papel de cruzamentos ao longo do tempo.