Estudo aponta estoque recorde e queda do consumo mundial como riscos para o setor vitivinícola

por Redação
O mercado global de vinho enfrenta um desequilíbrio crescente entre produção e consumo. Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Superior Miguel Torga, em Portugal, em parceria com universidades da Ucrânia, aponta que o mundo acumula um excedente de 717 milhões de hectolitros, volume equivalente a mais de três anos do consumo mundial. O cenário coloca países produtores, como Portugal, entre os mais vulneráveis à desaceleração da demanda internacional.
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Segundo a pesquisa, intitulada Wine Import in the Context of Transforming Global Consumption, o consumo mundial de vinho voltou a patamares próximos aos registrados no início da década de 1960, apesar de o mercado potencial de consumidores ter praticamente dobrado desde então. Atualmente, o vinho representa cerca de 12,5% do consumo global de bebidas alcoólicas, participação muito inferior aos mais de 30% observados há seis décadas.
Os pesquisadores destacam que, entre 2018 e 2025, o consumo mundial caiu, em média, 1,75% ao ano, enquanto a produção recuou apenas 0,3%, ampliando o desequilíbrio entre oferta e procura. O levantamento analisou dados de 27 países responsáveis por aproximadamente 86% do consumo mundial e 80% das importações de vinho.
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Outro fator de preocupação é a forte dependência dos mercados importadores. Países como Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha concentram quase metade do consumo mundial e cerca de dois terços do comércio internacional do setor. No entanto, esses mercados reduziram suas importações em 2022 e 2023, registrando as maiores quedas desde meados da década de 1990.
A pesquisa também destaca a retração do mercado chinês. Entre 2017 e 2023, o consumo de vinho na China caiu de 19,3 milhões para 6,8 milhões de hectolitros, reduzindo significativamente um dos principais motores de crescimento da indústria nas últimas décadas. Segundo os autores, mesmo uma eventual recuperação chinesa já não seria suficiente para compensar a tendência global de queda.
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Entre os países produtores, Portugal aparece como um dos mais expostos aos efeitos desse cenário. A dependência das exportações torna o setor mais sensível à redução da demanda internacional, enquanto os estoques continuam elevados. Em resposta ao excesso de oferta, países como a França já adotaram programas de erradicação de vinhedos, com incentivos financeiros para reduzir a produção.
Como alternativa para enfrentar o novo cenário, o estudo aponta a diversificação das fontes de receita. O fortalecimento do enoturismo, aliado à venda direta nas vinícolas e à oferta de experiências ligadas ao vinho, é visto como uma estratégia capaz de aumentar margens, agregar valor aos produtos e reduzir a dependência das exportações em um mercado global cada vez mais competitivo e seletivo.