DNA de sementes antigas revela continuidade na viticultura

por Redação
Um estudo recente sugere que algumas das uvas usadas na produção de vinho hoje são muito mais antigas do que se imaginava — e, em certos casos, praticamente não mudaram ao longo dos séculos. Publicada na revista Nature Communications, a pesquisa analisou sementes arqueológicas encontradas na França e identificou vínculos diretos com variedades ainda cultivadas.
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Os cientistas examinaram 49 sementes de uva datadas entre a Idade do Bronze e a Idade Média, cobrindo cerca de 4 mil anos de história. Os resultados indicam que, já por volta de 650 a.C., havia cultivo organizado de videiras no sul da França. Mais do que isso, evidências apontam que produtores antigos utilizavam técnicas de propagação vegetal — como o replantio de mudas — para preservar características específicas das uvas.
Esse método, ainda comum na viticultura atual, permite reproduzir plantas geneticamente idênticas, garantindo continuidade de estilo e qualidade. O estudo também identificou circulação de variedades entre diferentes regiões, o que sugere trocas comerciais e conhecimento técnico já estruturado na Antiguidade.
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Um dos dados mais relevantes envolve a Pinot Noir. Pesquisadores encontraram correspondência genética entre sementes medievais e exemplares atuais, indicando que a variedade já existia em forma semelhante há cerca de 600 anos. Isso não significa que o vinho tenha o mesmo sabor de épocas passadas, já que práticas de vinificação evoluíram, mas reforça a ideia de continuidade na base agrícola.
Os resultados ajudam a entender como a viticultura se desenvolveu ao longo do tempo e mostram que técnicas consideradas modernas têm raízes antigas. Também reforçam o papel da seleção e da adaptação de variedades na formação dos vinhedos que hoje sustentam a produção mundial de vinho.