Crise em Bordeaux leva família histórica a negociar propriedade classificada como Cru Bourgeois Exceptionnel

por Redação
Depois de 130 anos nas mãos da mesma família, o Château du Taillan, no Haut-Médoc, muda de proprietário. A família Cruse decidiu vender a propriedade, adquirida em 1896, ao empresário francês Laurent Marti em meio às dificuldades econômicas que atingem o setor vitivinícola de Bordeaux.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
A negociação foi concluída após cerca de três anos de discussões familiares. Segundo Armelle Cruse, que estava à frente do château e anunciou em 5 de setembro sua saída da presidência da Alliance des Crus Bourgeois du Médoc, a propriedade precisava de um suporte financeiro que a família já não conseguia oferecer.
Classificado como Cru Bourgeois Exceptionnel, o Château du Taillan possui 110 hectares, dos quais 24 são ocupados por vinhedos no Haut-Médoc. Apesar da mudança de controle, a ligação familiar não desaparecerá completamente: Tatiana Falcy, filha de Armelle Cruse, continuará trabalhando na propriedade.
LEIA TAMBÉM: Seppelt muda de mãos após mais de 170 anos de história
O comprador, Laurent Marti, é CEO dos grupos Kariban e TOP-TEX e presidente do Union Bordeaux Bègles, clube de rúgbi de Bordeaux. Ele se comprometeu a preservar a classificação Cru Bourgeois Exceptionnel do château, mantendo a produção e a identidade construída pela propriedade.
LEIA TAMBÉM: Margem direita ou esquerda: como entender os vinhos de Bordeaux
A venda ocorre em um cenário de dificuldades para parte da viticultura bordalesa, marcado pela retração dos negócios, menor disponibilidade de financiamento e pelo programa de arrancamento de vinhedos iniciado nos últimos anos. Nesse contexto, propriedades de médio porte têm buscado novos investidores para garantir sua continuidade.
O caso do Château du Taillan também ilustra uma mudança entre os compradores de propriedades vinícolas. Empresários provenientes de setores sem ligação direta com o vinho, como esporte, tecnologia e indústria têxtil, aparecem entre os investidores dispostos a assumir propriedades que famílias tradicionais já não conseguem financiar.
LEIA TAMBÉM: Bordeaux: o terroir da excelência
A própria Alliance des Crus Bourgeois do Médoc atravessa um período de redução. Segundo Armelle Cruse, a organização passou de cerca de 170 membros ativos para aproximadamente 100, o que deverá exigir uma revisão de sua estrutura e funcionamento. Uma nova eleição para a presidência é esperada nos próximos meses.
A saída de Cruse das duas frentes ganha peso simbólico porque sua família está ligada há gerações ao comércio de vinhos de Bordeaux. A venda do Château du Taillan não significa o fim da propriedade ou de seus vinhos, mas evidencia como a crise econômica do setor alcança também nomes históricos do vinho bordalês e abre espaço para uma nova geração de proprietários.
+lidas

Vinícola mais antiga da Califórnia pede proteção contra falência

Borgonha perde 30% da safra, mas tenta segurar os preços

Armagnac ou Cognac? Conheça as (várias) diferenças entre os elegantes destilados franceses

Qual vinho é utilizado nas missas?

Consumo de vinho segue em queda na Alemanha em 2026