Fim dos sprays de cobre ameaça controle do míldio nos vinhedos

por Redação
A viticultura orgânica na França entra em uma fase crítica com a decisão de retirar do mercado a maioria dos fungicidas à base de cobre a partir de janeiro de 2026. O produto, utilizado há mais de 100 anos, é hoje a principal, e praticamente única, ferramenta eficaz permitida na agricultura orgânica para o controle do míldio, uma das doenças mais severas da videira.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
A medida foi definida pela Agência Francesa de Segurança Sanitária (ANSES), que determinou a retirada de 19 formulações comerciais, citando riscos ambientais e à saúde dos trabalhadores. Os produtores poderão utilizar apenas os estoques já adquiridos por um período limitado, mas não poderão comprar novos produtos após a entrada em vigor da decisão.
O impacto deve ser mais intenso em regiões de clima úmido como Champagne, Borgonha, Alsácia e Bordeaux, onde a pressão do míldio é constante e o cobre tem papel central na proteção dos vinhedos orgânicos. Apesar de ser um elemento natural, o cobre se acumula no solo ao longo do tempo, podendo afetar a vida microbiana, a fauna do solo e os recursos hídricos.
LEIA TAMBÉM: Borgonha: a célebre região francesa de vinhos
Dados técnicos, no entanto, indicam que os viticultores franceses utilizam, em média, volumes abaixo dos limites autorizados pela União Europeia, que mantém o uso do cobre permitido na agricultura orgânica até 2029. Essa diferença regulatória levanta preocupações sobre competitividade e coerência entre políticas nacionais e europeias.
Sem alternativas naturais com a mesma eficácia, entidades do setor alertam para o risco de redução das áreas certificadas como orgânicas e até o retorno ao uso de fungicidas sintéticos. Estimativas apontam que uma parcela significativa dos vinhedos pode perder a certificação caso não surjam soluções viáveis a curto prazo.
Enquanto pesquisas avançam em tratamentos alternativos e estratégias preventivas, produtores cobram maior apoio técnico e científico. A decisão francesa pode ter efeitos que vão além do vinho orgânico, influenciando o futuro da agricultura sustentável no país e em toda a Europa.