Aquisição reforça aposta da gigante do vinho no segmento de destilados premium

por Redação
A E. & J. Gallo Winery, uma das maiores empresas de vinhos do mundo, anunciou a aquisição da tradicional destilaria americana Four Roses, ícone do bourbon do Kentucky. O negócio, fechado com o grupo japonês Kirin, pode chegar a US$ 775 milhões e deve ser concluído no segundo trimestre deste ano, após a aprovação regulatória.
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Segundo a Gallo, não estão previstas mudanças nas operações, na produção ou na distribuição da marca, que continuará sendo produzida em Lawrenceburg, no coração da região do bourbon. A empresa destacou que vê uma sinergia estratégica entre vinhos e destilados, especialmente em um cenário de consumo mais qualificado e focado em produtos premium.
Fundada em 1933 pelos irmãos Ernest e Julio Gallo, a companhia mantém até hoje o controle familiar e possui um portfólio diversificado que inclui vinhos, destilados, bebidas maltadas e produtos ready-to-drink. A entrada da Four Roses amplia a presença da Gallo no mercado de spirits, em um momento de ajustes e oportunidades no setor.
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A Kirin, que adquiriu a Four Roses em 2002, afirmou que a marca apresentou crescimento consistente, sobretudo nos Estados Unidos. A venda faz parte de uma revisão estratégica do portfólio do grupo japonês, que pretende direcionar recursos para áreas com maior potencial de expansão, incluindo outros segmentos além de bebidas alcoólicas.
A Four Roses passou por uma expansão de US$ 55 milhões nos últimos anos, dobrando sua capacidade produtiva. Embora tenha sido um grande nome no pós-Lei Seca, a marca ficou ausente das prateleiras americanas por décadas como bourbon straight, retornando com força apenas após a gestão da Kirin, que reposicionou o produto no mercado doméstico.
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A negociação ocorre em um momento desafiador para a indústria de destilados nos Estados Unidos. Em 2025, as vendas totais de spirits recuaram 2,2%, impactadas por inflação e tensões comerciais. Ainda assim, o segmento de whiskies premium segue resiliente, impulsionado pela demanda por rótulos envelhecidos e de maior valor agregado — um terreno onde o bourbon continua sendo protagonista.