Fogo atingiu vinhas antigas de Garnacha e reacendeu debate sobre abandono rural e mudanças climáticas

por Redação
Os incêndios que atingiram a Sierra de Gredos, a oeste de Madri, deixaram um rastro de prejuízos em uma das regiões vitivinícolas espanholas que mais ganharam projeção nas últimas décadas. O fogo iniciado nas proximidades de Burgohondo em 22 de julho integrou uma série de incêndios que avançou por áreas de Ávila, Madri e Toledo, queimando dezenas de milhares de hectares e atingindo também vinhedos históricos.
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Entre as propriedades afetadas está San Gregorio, vinhedo cercado por florestas acima de El Tiemblo e utilizado pela Bodega El Reventón para um de seus vinhos de parcela única. Algumas de suas videiras remontam à década de 1920. Segundo Gearóid Lane, sócio da vinícola, boa parte da área foi danificada, embora a expectativa seja recuperar a maioria das plantas com trabalho e investimento. O produtor Daniel Ramos estima ter perdido cerca de 80% de sua colheita, diretamente pelo fogo ou pelo possível impacto da fumaça.
A dimensão das perdas preocupa porque Gredos preserva pequenas parcelas de Garnacha com videiras de 70, 80 e até mais de 100 anos, cultivadas em encostas de granito e xisto. Além das plantas, o fogo destrói parte da vegetação que compõe esse ambiente, como azinheiras, castanheiros, lavanda silvestre e zimbro. A recuperação desses elementos pode levar décadas. Para a safra de 2026, produtores também avaliam o risco de smoke taint, alteração de aromas e sabores provocada pela exposição das uvas à fumaça, embora ainda não haja consenso sobre sua eventual intensidade.
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Os incêndios também ampliaram uma discussão que vai além da atual safra. Produtores da região associam a maior vulnerabilidade do território à combinação de calor, seca e eventos extremos com o abandono de áreas agrícolas e a redução do manejo tradicional das florestas. Vinhedos bem cuidados podem funcionar como áreas de menor carga combustível, enquanto propriedades abandonadas acumulam vegetação. Em Gredos, onde Daniel Ramos lembra ter colhido Garnacha em meados de setembro em 1999 e atualmente costuma começar entre 20 e 24 de agosto, a mudança do calendário climático se soma ao desafio de preservar um patrimônio vitícola que não pode ser simplesmente reconstruído de uma safra para outra.
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