Calor, seca e granizo aceleram colheita, enquanto produtores mantêm expectativa de boa qualidade

por Redação
A vindima de 2026 começou mais cedo em importantes regiões produtoras da Itália. Na Sicília, as primeiras uvas já estão sendo colhidas, enquanto Franciacorta, na Lombardia, programou o início dos trabalhos para 30 de julho, a data mais precoce já registrada na região conhecida pela produção de espumantes pelo método tradicional.
Em Franciacorta, a colheita começa por Gussago após um ciclo marcado por temperaturas elevadas, baixa disponibilidade de água e episódios de granizo. Segundo o consórcio local, a brotação ocorreu mais de uma semana antes da média histórica, depois da elevação das temperaturas entre fevereiro e abril.
Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
O clima continuou interferindo no desenvolvimento das videiras ao longo dos meses seguintes. Diferentes áreas da denominação foram atingidas por granizo em maio e junho, enquanto maio igualou o recorde histórico de dias com temperaturas acima de 32°C. Junho também ficou entre os mais quentes dos últimos 29 anos. Até 12 de julho, o volume acumulado de chuvas permanecia 25% abaixo da média histórica.
As precipitações que retornaram a partir da metade de julho ajudaram a recuperar parte das reservas hídricas. Ainda assim, o amadurecimento acelerado levou os produtores a antecipar a colheita. Para Franciacorta, acertar o momento da vindima é especialmente importante, já que as uvas destinadas aos vinhos-base dos espumantes precisam preservar níveis adequados de acidez e frescor.
Na Sicília, a campanha começou pela parte oeste da ilha, com variedades brancas precoces, e deverá avançar durante aproximadamente 100 dias por diferentes áreas produtoras. O calendário segue pelas regiões do interior, planalto Hibleu, Etna e ilhas menores, refletindo a diversidade de altitudes, microclimas e variedades cultivadas no território siciliano.
Ao contrário de Franciacorta, onde a escassez hídrica exerceu maior pressão, as chuvas registradas durante o inverno e a primavera ajudaram a recompor as reservas de água dos solos sicilianos. Segundo a Assovini Sicilia, as videiras chegaram ao verão em condições que permitiram enfrentar melhor os picos de calor de julho. A pressão de doenças e insetos também permaneceu limitada.
Pinot Noir e Chardonnay estão entre as primeiras variedades colhidas, tanto para bases de espumantes quanto para vinhos tranquilos. No oeste da ilha, Grillo, Nero d’Avola e Perricone apresentam desenvolvimento considerado positivo. Outras variedades locais, como Frappato, Catarratto, Zibibbo, Malvasia, Nocera, Nerello Mascalese e Carricante, serão colhidas conforme o avanço da maturação nas diferentes regiões.
LEIA TAMBÉM: Por que a Sicília é um dos terroirs mais importantes do Mediterrâneo
O longo calendário siciliano deverá terminar no Etna entre meados de setembro e o final de outubro, com possibilidade de algumas parcelas seguirem até o início de novembro. Nas áreas de maior altitude, as temperaturas mais baixas durante a noite favorecem a preservação da acidez e dos aromas das uvas.
A abertura antecipada da safra em Franciacorta e na Sicília mostra, porém, que os efeitos do clima não são uniformes. Enquanto calor, seca e granizo levaram Franciacorta a uma colheita historicamente precoce, as reservas de água acumuladas durante o inverno e a primavera ajudaram parte dos vinhedos sicilianos a enfrentar as temperaturas elevadas.
Além de interferir na maturação das uvas, a antecipação das vindimas exige ajustes na contratação de mão de obra, na logística das vinícolas e no recebimento da fruta. Para os produtores, o desafio é definir rapidamente o momento da colheita para preservar o equilíbrio necessário ao estilo de cada vinho.