Medida busca reduzir excedente de vinho, mas setor alerta para risco de abandono de áreas agrícolas

por Redação
A Itália avalia recorrer ao financiamento da retirada de vinhedos em áreas com excesso de produção e pouca demanda comercial como uma das alternativas para equilibrar o mercado de vinho. A possibilidade ganhou força após Lamberto Frescobaldi, presidente da Unione Italiana Vini (UIV), admitir no dia 11 de agosto, que a medida pode ser necessária em determinadas regiões do país.
A mudança de posição ocorre em meio ao elevado volume de vinho armazenado nas vinícolas italianas. Em 31 de julho, os estoques somavam 42,6 milhões de hectolitros, alta de 6,9% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados do Cantina Italia elaborados pelo Icqrf, órgão de fiscalização ligado ao Ministério da Agricultura italiano.
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Até agora, Frescobaldi vinha se posicionando contra um programa amplo de retirada de vinhedos e defendia principalmente a redução dos rendimentos dos vinhos genéricos e a suspensão de novas autorizações de plantio. Agora, o dirigente admite a medida, desde que seja direcionada às regiões onde a produção não encontra mercado.
A principal preocupação é evitar que os incentivos provoquem o abandono definitivo das áreas rurais. Frescobaldi defende que qualquer programa seja acompanhado por um “plano B” para os agricultores, com alternativas econômicas para quem deixar de cultivar uvas.
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Segundo o presidente da UIV, a retirada da videira em determinadas localidades pode ter consequências que vão além da própria produção de vinho. A atividade mantém empregos, serviços e parte da economia de pequenas comunidades, especialmente em regiões onde existem poucas alternativas agrícolas.
Frescobaldi citou ainda que cerca de 56 mil hectares de terras agrícolas são abandonados anualmente na Itália, o equivalente a 560 mil hectares em uma década. Um programa sem critérios, portanto, poderia acelerar a perda de áreas produtivas.
O risco é considerado maior nos vinhedos de montanha e de encosta, onde os custos de produção são superiores aos registrados nas áreas de planície. Segundo Frescobaldi, incentivos indiscriminados poderiam estimular justamente a retirada dessas videiras, com impactos também sobre a paisagem e as economias locais.