Com 493 vinícolas em 46 províncias, Japão ganha força na vitivinicultura e amplia exportações com foco em vinhos naturais e de terroir

por Redação
O número de vinícolas no Japão mais que dobrou entre 2008 e 2024, saltando de 238 para 493 estabelecimentos, segundo dados do governo japonês. Presente agora em 46 das 47 províncias do país, a produção vinícola japonesa se consolida como uma força emergente tanto no mercado interno quanto no cenário internacional.
Entre os destaques está a vinícola Coco Farm & Winery, fundada em 1958 com objetivo social e conhecida pelo uso exclusivo de uvas cultivadas no Japão sem fertilizantes químicos. Seus rótulos já foram servidos em cúpulas do G7 e nas classes executiva e primeira da Japan Airlines. De acordo com a diretora de comunicação da vinícola, Shoko Ochi, em conversa com a Forbes, há um aumento recente nas consultas de exportação, impulsionado pelo interesse internacional nos perfis delicados e marcadamente umami dos vinhos japoneses.
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A natural wine importer D-I Wine, sediada em Nova York, começou a importar rótulos japoneses em 2021. Atualmente, representa oito vinícolas de cinco regiões do país. Bretton Taylor, fundador da empresa, destaca o cuidado e a precisão dos produtores locais como um diferencial competitivo: “Os vinhos japoneses traduzem a mesma atenção aos detalhes presente na culinária e no design do país.”
O crescimento do setor tem apoio de políticas públicas. Em 2002, o governo criou distritos vitivinícolas com exigências de produção reduzidas, facilitando a entrada de novos produtores. Já a Japan Wine Competition, iniciada em 2003, elevou os padrões de qualidade e promoveu maior visibilidade. Nos últimos anos, rótulos japoneses conquistaram prêmios em competições internacionais como o IWSC, Decanter e International Wine Challenge.
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Além disso, o segmento de vinhos naturais vem ganhando força. Uma pesquisa de 2024 com 1.500 japoneses revelou que 23,1% demonstraram interesse em consumir vinhos naturais, número superior aos 15,7% que manifestaram interesse por produtos orgânicos ou biodinâmicos. Hoje, cerca de 350 rótulos naturais são produzidos no Japão, segundo lojas especializadas.
Taylor observa que a demanda japonesa influencia até o mercado europeu: “Em algumas vinícolas francesas, os únicos importadores aceitos são os japoneses, dada sua importância como clientes.” Ele ressalta que os vinhos naturais japoneses combinam variedade nativa, como Koshu e Muscat Bailey A, com práticas de baixa intervenção e refinamento cultural. O resultado são rótulos com baixos teores alcoólicos, expressão precisa do terroir e perfil sensorial sutil, características que vêm atraindo a atenção de mercados exigentes.
Com base na trajetória recente e nas características únicas de produção, o Japão se posiciona como um novo polo global na vitivinicultura de qualidade.
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