Revista ADEGA

Grandes degustações

Mapa do paladar

ADEGA detalhou sete importantes regiões da Borgonha por meio de seus vinhos

Por: Christian Burgos em 3 de Outubro de 2012 às 11:51

Quando um tema tão empolgante quanto Borgonha vai estampar a capa de nossa edição de aniversário é tentação demais não colocá-lo à prova também no encontro mensal que fazemos com amigos apaixonados por vinho.

Partimos da pergunta: será possível, em um painel, percorrer alguns dos principais terroirs da Borgonha e transmitir a nossos convidados a incrível diversidade de uma região que consegue apresentar muitas personalidades com apenas uma uva?

Para compartilhar esse momento, os participantes – os executivos da indústria automobilística Maurício Júnior e Rodrigo Mantovani, o publicitário Ênio Vergeiro, os empresários Marcello Jallas, Gabriel Zipman e Alexander Lipzyc, e a atriz Daniela Camargo – formaram um eclético painel de grandes apreciadores, pessoas que já viajaram à Borgonha, amantes declarados de Bordeaux e apreciadores de vinho iniciando sua fascinante aventura nesse mundo.

Preparação
Organizamos a degustação em uma convenientemente confortável, mas hipotética, ordem crescente de intensidade das regiões escolhidas: Morey-Saint-Denis, Beaune (Beaune Clos du Roi), Savigny-lès-Beaune, Chambolle-Musigny, Nuits-Saint-Georges, Pommard e Gevrey-Chambertin. Buscamos ainda vinhos que fossem de uma só safra para diminuirmos a influência do clima na comparação.

Dos sete, quatro são da Côte de Nuits, que fica situada na parte norte da Côte d’Or e produz os melhores Pinot Noir da Borgonha e do mundo. Dos 23 Grand Cru para tintos, 22 estão lá. Os outros três vinhos foram selecionados entre os especiais tintos da Côte de Beaune, que fica situada na parte sul de Côte d’Or e é famosa por produzir alguns dos melhores Chardonnay da Borgonha. Dos oito Grand Cru brancos, sete estão lá.

Percorrendo a Borgonha
Iniciamos nossa viagem pela Borgonha em Morey-Saint-Denis, uma AOC comumente ofuscada pelos seus famosos vizinhos Chambolle e Gevrey.

Os vinhos de Morey geralmente têm classe e são capazes de combinar elegância e estrutura, como comprovou o Morey-St-Denis Village 2008 do Domaine Alain Michelot.

AD 90 pontos
Morey-St-Denis Village 2008
Domaine Alain Michelot, Borgonha, França (Wine Stock R$ 220). Um belo exemplar da tipicidade do Pinot Noir da Borgonha, com os aromas da cereja e morango, uma elegante dose de mineralidade, taninos presentes que mostram boa capacidade de evolução e final persistente. CB

Em seguida, partimos para Beaune, uma AOC que costuma produzir vinhos mais leves e delicados, com coloração vermelho-rubi translúcida e aromas de frutas vermelhas frescas e características notas herbáceas e minerais. O Beaune Clos du Roi 2008 da Chanson Père & Fils foi comparado ao Morey-St-Denis por Alexander Lipzyc como sendo “mais misterioso e menos evidente, ao passo que o Morey tinha a qualidade de ser mais direto”.

Clara Asarian/Estúdio Gastronômico

AD 92 pontos
Clos Du Roi Beaune Premier Cru 2008
Domaine Chanson Père & Fils, Borgonha, França (Vinci US$ 119). Nariz etéreo que se apresenta em ondas de fruta silvestre, buquê de flores e lavanda. Na boca, a fruta vermelha combina-se aos taninos polidos e elegantes e à acidez, gerando um equilíbrio que muitos atribuiriam elogiosamente a um vinho feminino. Seus 13,5% de álcool e 14 meses em barricas de carvalho francês estão muito bem integrados ao conjunto. CB

Nossa viagem nos levou a Savigny-lès-Beaune, uma AOC que tende a fazer vinhos mais delicados e menos estruturados e tânicos que os de Pommard (uma das próximas regiões apresentadas), lembrando os produzidos na AOC de Beaune, porém em um estilo mais sutil e leve. O selecionado foi o Savigny-lès-Beaune 1er Cru Les Narbantons 2008 do Domaine Mongeard-Mugneret e o experiente Lipzyc ressaltou “o estilo mais clássico, com mais umidade” deste vinho que foi uma das grandes surpresas da noite.

AD 93 pontos
Savigny-lès-Beaune 1er Cru Les Narbantons 2008
Domaine Mongeard-Mugneret, Borgonha, França (Ravin R$ 385). Grande vinho. Profundo. Um mergulho em aromas encobertos por um véu de sensualidade que marca os destaques na Borgonha. Buquê de flores, morango e talco. Na boca, os taninos são finos, mas prometem grande evolução. A acidez está à altura, confere grande equilíbrio e prepara a boca para o retrogosto que mostra fruta mais exuberante, com ameixa fresca. CB

O vinho seguinte foi da encantadora AOC Chambolle-Musigny, que produz os mais elegantes tintos de Côte de Nuits, e, em geral, têm coloração menos intensa e são menos tânicos que os tintos de Gevrey, porém com mais concentração de fruta. Assim, o Chambolle-Musigny Les Babillères 2007 de Deux Montille correspondeu às expectativas arrancando de Marcello Jallas o elogio de “mais gastronômico” e chamando a atenção de Lipzyc “pela persistência, salivação e acidez”.

AD 91 pontos
Chambolle-Musigny Les Babillères 2007
Deux Montille, Borgonha, França (Mistral US$ 159). O agradável ataque apresenta aroma com morangos, um lácteo e mineral (fósforo). Na boca, o traço lácteo se reafirma em conjunto aos taninos e boa acidez, que se equilibram. Redondo e com fruta vermelha um pouco mais madura seguida por um delicioso fim de boca à champignon. Realmente gastronômico. CB
#Q#
Clara Asarian/Estúdio Gastronômico
Sete grandes vinhos mostraram as singularidades de sete grandes regiões borgonhesas

Rumamos em direção aos vinhos com mais estrutura, pelo menos em teoria, com uma parada em Nuits-Saint-Georges, uma AOC que tipicamente produz alguns dos vinhos borgonheses mais vibrantes e intensos de Côte de Nuits, exibindo notas florais e aromas de cerejas negras. O Nuits-St-Georges Vieilles Vignes 2008 do Domaine Robert Chevillon levou Alexander Lipzyc a afirmar: “É impressionante que algumas pessoas digam que não gostam da Borgonha”.

AD 92 pontos
Nuits-Saint-Georges Grand Vin de Bourgogne 2008
Domaine Robert Chevillon, Borgonha, França (Decanter R$ 368). Com este vinho, cruzamos a fronteira da estrutura. Aromas mais austeros, à terra molhada e musgos. Um passeio na floresta pela manhã, à medida que a temperatura sobe um ou dois graus, os aromas de cereja passam a se exibir. Na boca, a fruta já é mais intensa e a estrutura do vinho se apresenta em camadas – primeiro a fruta, depois os taninos e, por fim, a acidez que brilha e dá vida ao palato. Textura deliciosa. Grande experiência. CB

Depois veio Pommard, AOC onde são produzidos os mais potentes e estruturados tintos de Côte de Beaune. Geralmente, eles têm cor vermelho-rubi profunda e taninos marcantes quando jovens. Gabriel Zipman imediatamente coloca o Pommard 1er Cru 2008 do Domaine du Comte Armand “em outra categoria, é o mais estruturado” e Marcello Jallas destacou os aromas terciários, notadamente o couro.

AD 90 pontos
Pommard Premier Cru 2008
Domaine du Comte Armand, Borgonha, França (De la Croix R$ 310). Estamos diante de um vinho no estilo “Anderson Silva”, cuja estrutura se faz notar já no nariz, mas sem perder a elegância. Aromas terciários (couro), mineralidade (grafite), floral (dama da noite) e almíscar. Com corpo médio, boa estrutura tânica e acidez, será um grande companheiro para a boa gastronomia. Vai se beneficiar de mais uns dois anos em garrafa. CB

Última parada: AOC Gevrey-Chambertin. Um Gevrey clássico tem cor profunda e é mais encorpado e tânico do que a maioria dos tintos da Borgonha. Os melhores podem envelhecer por décadas. Como em toda boa viagem, a despedida é sempre superlativa e nos deixa com a certeza de que temos que voltar muitas e muitas vezes. O Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2008 de Dugat-Py mostrou-se perfeito para o papel, arrancando elogios de todos. Daniela Camargo imaginou uma floresta ao degustá-lo: “Nem parece que você está em um restaurante em São Paulo.” Rodrigo Mantovani achou o vinho “extremamente mineral. Nunca tomei um vinho tão agradável.”

AD 95 pontos
Gevrey-Chambertin Vieilles Vignes 2008
Dugat-Py, Borgonha, França (World Wine R$ 622). Em muitos países do mundo, o gentil Dugat-Py é um verdadeiro pop star. Para quem já tomou seus vinhos é fácil entender o porquê. Um vinho nitidamente diferenciado. Seus aromas “mutantes” vão se transformando na taça, mas a mineralidade é o grande cartão de visitas, com pedra de isqueiro, logo seguido de cogumelos, um delicioso floral e cerejas maduras recém-colhidas. Seus aromas são como as brumas que se esparramam pelo chão. Na boca, a estrutura tânica acompanha a cereja, que se confirma muito elegante, e promete uma capacidade de evolução medida em décadas e não em anos. Maravilhoso, mas ainda uma criança. CB

Em uma viagem como essa, nada melhor do que encerrar com as palavras de Daniela: “Fui transportada para a Borgonha”.


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