Normandia e Bretanha ganham vinhas, mas já enfrentam geadas, secas e chuvas extremas

por Redação
As mudanças climáticas começam a redesenhar o mapa do vinho na França. Regiões do norte historicamente associadas a outras culturas agrícolas, como Normandia, Bretanha e Hauts-de-France, vêm registrando a expansão dos vinhedos à medida que o aumento das temperaturas torna a viticultura possível em áreas antes consideradas frias demais para a produção comercial de vinho.
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Um dos produtores que seguiram esse caminho é Sébastien Fricker, viticultor de quinta geração do Vale do Loire. Em 2020, ele implantou quatro hectares de vinhas em Marolles, no departamento de Calvados, na Normandia, em uma área anteriormente ocupada por um pomar de maçãs. O terreno de solos argilo-calcários recebeu quatro variedades tintas e brancas, entre elas Chardonnay e Cabernet Sauvignon. Atualmente, a Normandia possui cerca de 20 produtores e aproximadamente 20 hectares de vinhedos, responsáveis por menos de 100 mil garrafas por ano.
O movimento também avança na Bretanha. Marina e Loïc Fourrure cultivam seis hectares em Theix-Noyalo desde 2021, enquanto a associação regional de viticultores reúne aproximadamente 50 propriedades e cerca de 160 hectares de vinhas. Em Hauts-de-France, a área plantada já estaria próxima de 130 hectares. Além do aumento das temperaturas, uma mudança nas regras da União Europeia em 2016, que flexibilizou as restrições para novos plantios, contribuiu para a expansão da viticultura fora das regiões francesas tradicionais.
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A mudança para o norte, porém, não significa escapar dos efeitos do clima. Na Bretanha, a vindima de 2026 começou já em 22 de agosto, após uma temporada marcada por geadas, seca e excesso de chuvas. O cenário mostra que as mesmas condições que tornam possível cultivar uvas mais ao norte também trazem maior instabilidade para essas novas regiões produtoras.
O problema se repete nas áreas tradicionais. Durante a onda de calor de junho, as temperaturas chegaram a 44°C na França, somando-se a episódios de geada, granizo e seca prolongada. Temperaturas excessivas podem interromper a atividade das videiras quando há pouca água disponível, acelerar a maturação e elevar a concentração de açúcar das uvas, além de alterar acidez e desenvolvimento de aromas.
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A expansão dos vinhedos em Normandia e Bretanha evidencia, assim, uma das consequências das mudanças climáticas para a viticultura europeia: novas áreas tornam-se aptas à produção ao mesmo tempo em que aumenta a volatilidade das condições de cultivo. Enquanto regiões históricas procuram se adaptar a safras mais quentes, os novos territórios vitivinícolas do norte francês já precisam lidar com os mesmos extremos climáticos que impulsionaram parte desse deslocamento.
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