Revista ADEGA

Mundovino 2

Eventos do mundo do vinho

Da redação em 20 de Junho de 2014 às 00:00

Convênio

No começo de junho, a ABS São Paulo e o Ibravin firmaram uma parceria para ampliar a presença do vinho brasileiro nas atividades da entidade paulista através do aumento da carga horária das aulas sobre os produtos vitivinícolas e também da visita de professores e alunos às regiões produtoras em outubro. Até aqui, as vinícolas que participam do convênio são: Basso Vinhos e Espumantes, Bueno Wines, Cooperativa Vinícola Garibaldi, Dunamis, Miolo Wine Group, Pericó Vinhos, Pizzato Vinhas e Vinhos, Vinícola Aurora, Vinícola Hermann, Vinícola Perini e Vinícola Quinta da Neve. Moacir Mazzarollo, presidente do Conselho Deliberativo do Ibravin, afirma que intensificar o trabalho com os vinhos brasileiros entre sommeliers ajudará a propagar a qualidade dos vinhos, sucos e espumantes elaborados no Brasil. Por sua vez, Mario Telles Jr, presidente da ABS-SP, enfatiza que o convênio fortalece a relação com o vinho brasileiro. “A ABS São Paulo está completando 25 anos e essa parceria com o Ibracin não poderia acontecer em melhor hora”, completa Telles.

Suicídio

Bordeaux que se cuide. Segundo Alexandre de Lur-Saluces, proprietário do Château de Fargues, afirmou que a região pode estar caminhando para um possível “suicídio coletivo” se continuar com sua estratégia de preço atual. Em carta aos negociantes, ele avisou que os produtores de Sauternes estavam sofrendo com as críticas sobre os tintos da safra 2013, mesmo com as boas avaliações de seus vinhos. “Em um rápido olhar, os preços dos Premier Cru de Sauternes estão quase os mesmos de 15 anos atrás. Com isso, os produtores de Bordeaux perderão sua credibilidade”, explica. Ele ainda pretende denunciar a “lei de mercado” que faz com que os produtores de Sauternes vendam abaixo do custo e, por fim, possam oferecer um preço justo pelos produtos.

Champagne em 15 minutos!

Já imaginou uma garrafa de Champagne feita em 15 minutos? Cientistas da Universidade de Ljubljana, na Eslovênia, encontraram um método extremamente eficaz de produzir espumantes de segunda fermentação. Ao invés de levar quase 60 dias pelo método tradicional, agora eles podem ser feitos em apenas 15 minutos. Os pesquisadores descobriram um meio de anexar nanopartículas magnéticas à superfície das leveduras e, através de ímãs, podem removê-las das garrafas em poucos minutos. Testes sensoriais sugerem que o aroma, paladar, corpo, sabor, tamanho das bolhas e até mesmo a própria degustação não são prejudicados pelo novo processo, isso sem contar que a levedura não é afetada pela magnetização mesmo depois de fermentada.

Vantagens

Uma pesquisa da Silicon Valley Bank e Wine Business Monthly, realizada entre vinícolas dos Estados Unidos, mostrou que degustações pré-agendadas e dirigidas são as que trazem mais lucro aos produtores. Segundo o estudo, a média de compra em uma degustação “privada” é de US$ 294, enquanto que, em uma degustação aberta ao público, o valor cai para US$ 70. Degustações em que o público pode acompanhar sentado geram, no mínimo, 22% mais dólares por visitante. As salas para a realização de degustações também tiveram sua importância documentada na pesquisa, cujo lucro em 2013 subiu 10%. A Tasting Room Survey apontou ainda que os clubes de vinhos cresceram 20% no total de membros entre 2012 e 2013, com média anual de vendas na casa de US$ 483 por membro.

Terra de oportunidades

Quem anda ditando as regras quando o tema é grupos vinícolas de destaque no mercado é o Novo Mundo. Em relatório da consultoria Euromonitor International, o top 5 do ranking mundial de Grupos Vinícolas 2013 foi dominado por países da América, sendo que os Estados Unidos liderou a lista com a E & J Gallo Winery em primeiro lugar, com 777 milhões de litros de vinho produzidos, seguida pela Constellation Brands (589 milhões de litros) e pela The Wine Group (456 milhões). A chilena Concha y Toro, responsável por 282 milhões de litros, apareceu na quarta colocação, seguida da grande surpresa vinda da Argentina – o Grupo Peñaflor (dono da Trapiche), que produziu 278 milhões de litros.

Para menores

Na Califórnia, um projeto de lei apresentado na cidade de Sacramento pode permitir que alunos de enologia com menos de 21 anos possam provar seus próprios vinhos. Atualmente, a lei no país tolera que apenas maiores de 21 anos possam beber. A ideia foi proposta pelo vereador Wesley Chesbro e acabou sendo aprovada pela Assembleia Estadual, seguindo agora para a instância superior. E se o Senado também acatar, a lei concederá a oito instituições com programas de produção de vinho e cerveja, como a UC Davis e a California State University, o direito de deixar que os alunos menores de 21 anos possam provar aquilo que produzem. Segundo o vereador, o projeto de lei permite que os maiores de 18 anos e menores de 21 apenas degustem, não permitindo “festas” em sala de aula.

Vinho ou vodca?

Quem disse que na Rússia só a vodca tem vez? Um artigo publicado pela empresa de consultoria Wine Intelligence mostrou que os russos estão consumindo mais vinhos importados, ao mesmo tempo em que a popularidade das tradicionais vodca e cerveja vêm decaindo. O estudo detalha o comportamento dos consumidores de vinho importado em Moscou e São Petersburgo, região que abriga um mercado próximo de 6 milhões de pessoas. A frequência do consumo de vinhos importados aumentou nos últimos dois anos, com 40% dos entrevistados dizendo que bebem vinho importado, pelo menos, duas vezes na semana (contra 29% em 2012). Os estilos dos vinhos importados mais populares, segundo o estudo, são aqueles que apresentam sabor mais doce com características mais suaves, como é o caso de vinhos rosés e espumantes moscatéis.

Em ritmo frenético

O primeiro quadrimestre de 2014 foi bom para os vinhos do Brasil no mercado internacional. As exportações de vinhos brasileiros engarrafados superam em 375,5% o valor comercializado no mesmo período do ano passado, e o montante de US$ 5,75 milhões em vinhos e espumantes equivale a 4,5 vezes o total exportado de janeiro a abril de 2013. Outro dado a celebrar é a qualificação do valor médio por garrafa exportada, que passou de US$ 3,32 para US$ 4,02, representando alta de 21%. O motivo para números tão impressionantes nos primeiros quatro meses do ano foi o fechamento de negócios com grandes redes varejistas da Europa – as britânicas Waitrose e Marks & Spencer, e as alemãs Galeria Kaufhof e Netto – e do Japão (Isetan Mitsukoshi), por exemplo. Os mercados compradores que se destacaram no primeiro quadrimestre de 2014 foram Reino Unido (que multiplicou em 29 vezes o valor importado do Brasil), Bélgica (51 vezes maior), Alemanha (6,5 vezes maior), Holanda (99,5 vezes o montante do período anterior) e o Japão (multiplicou o desempenho em 14 vezes).

Resveratrol

Para aqueles que acreditavam que o resveratrol era o grande responsável pelas virtudes do vinho, um estudo da JAMA Internal Medicine, revista da Associação Médica Norte-Americana, mostrou que não é bem assim. Um dos polifenóis presentes no vinho tinto, o resveratrol não é o responsável por ajudar as pessoas a evitarem o câncer e doenças cardíacas, segundo os resultados da pesquisa, que consistiu em medir os níveis do composto presentes na urina de 800 voluntários, para identificar se a quantidade de antioxidante contribuiria para a melhoria da saúde. As pessoas tinham 65 anos ou mais quando o estudo teve início, em 1998. Cerca de 34% dos participantes morreram e os pesquisadores não encontraram nenhuma relação entre os índices de mortalidade com a quantidade de resveratrol ingerida, tampouco ligações significativas entre os níveis da substância e as possibilidades de se contrair câncer ou doenças cardiovasculares. De acordo com Robert Graham, um dos líderes da pesquisa, os efeitos do resveratrol ainda permanecem um mistério, principalmente quando envolvem testes em humanos.

Nova classificação

Os famosos vinhos de sobremesa produzidos na região de Tokaji, na Hungria, passaram por uma redefinição no que é preciso para ser um Aszú. O Hegyközség, órgão responsável pela definição de normas e limites na produção de Aszú, disse que, a partir da safra 2013, os vinhos deverão atingir um teor mínimo de açúcar residual de 120 gramas por litro para serem denominados Aszú. Em outras palavras, não haverá mais Aszú 3 ou 4 puttonyos, apenas 5 puttonyos (120 g/l) ou 6 puttonyos (150 g/l), e o Eszencia, que chega a 180 g/l.

Cassino no Napa

Em maio, enólogos do estado da Califórnia se uniram contra a instalação de um cassino estilo Las Vegas na região do Napa Valley, afirmando que o empreendimento irá prejudicar o solo e o meio ambiente propícios para o cultivo das uvas. O grupo The Mishewal Wappo Tribe (MWT), por sua vez, diz que instalar um cassino na região irá trazer benefícios em potencial: “Não me interpretem mal, mas um cassino é a maneira mais rápida e mais eficiente de fazer dinheiro”, disse Scott Gabaldon, líder do MWT. De acordo com um relatório da Secretaria da Fazenda do Estado da Califórnia, um cassino pode fornecer US$ 236 bilhões em receitas para o estado, ao passo que o valor de venda dos vinhos de denominação Napa Valley somou somente US$ 5,5 bilhões em 2011. No entanto, os argumentos não agradaram os oficiais do condado, tampouco os enólogos.

Armas de destruição em massa

Durante um simpósio de Masters of Wine em Florença, na Itália, cientistas, enólogos e especialistas da indústria do vinho debateram o uso de videiras geneticamente modificadas para combater doenças e mudanças climáticas. Entre os palestrantes, Olivier Humbrecht, proprietário da Domaine Zind Humbrecht, disse que o uso de transgênicos seria como usar armas de destruição em massa. “Isso pode resolver um problema, mas também pode criar muitos outros”, afirmou. Segundo ele, vinhas geneticamente modificadas levariam ao excesso de confiança em apenas um pequeno número de clones e, assim, causaria danos à biodiversidade. “Quem pode dizer que as uvas transgênicas não podem desencadear um erro?”, provocou.

Especulação em Harvard

Nos últimos dois anos, a empresa de investimento da Universidade de Harvard vem apostando na compra de 10 hectares de terra em San Luis Obispo e Santa Barbara, na Califórnia. Relatórios apontam que a instituição já gastou cerca de US$ 61 milhões em tal investimento, que poderia ser destinado à produção de vinhos, segundo especulações. No entanto, os investimentos feitos pela Harvard ocorrem sete meses depois de o fundo da universidade ter abdicado de grande participação em dois investimentos em vinhedos no Napa Valley. Michael Fritz, diretor da Mercator Research, empresa especializada em propriedades agrícolas, não crê que Harvard vá entrar no ramo de vinhos. “Eu ficaria surpreso se eles se tornassem operadores a longo prazo”, afirmou, dando a entender que o investimento tem mais a ver com especulação imobiliária do que a produção de vinhos.

Maior consumidor

Os Estados Unidos se tornaram o maior consumidor de vinhos do mundo, ultrapassando a poderosa França, de acordo com dados da consultoria Impact Databank. O Tio Sam consumiu 329 milhões de caixas de vinho no ano passado, um acréscimo de 1% em relação a 2012, e impressionantes 18% se comparado com 2005. A França consumiu 313 milhões de caixas (queda de 7% em 2013), seguida da Itália e Alemanha. A China estacionou na quinta colocação da lista, com 187 milhões de caixas de vinhos (queda de 6% em relação a 2012). Apesar de os Estados Unidos não serem os maiores consumidores per capita, é o único país do top 5 a ter tido aumentos regulares desde 2000.

Ovos de sapo contra o oídio

Segundo uma equipe de cientistas da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, doenças desencadeadas por fungos, como o oídio, podem estar com os dias contados graças a ovos de sapo. Em seu estudo, o professor Walter Gassmann isolou um gene de Cabernet Sauvignon chamado NPF (família de transporte de nitrato e peptídio). “Transportadores de nitrato são proteínas que podem deixar passar moléculas (de nitrato) através das membranas. É como uma porta que se abre somente para os nitratos. Quanto mais nitrato a planta produz, mais ela suporta os patógenos que se infiltram, como o oídio”, explica Gassmann. Para que a pesquisa tivesse sucesso, contudo, foi necessária a ajuda de ovos de sapo, em que o comportamento do transporte de nitrato é mais facilmente observado do que nas uvas. Gassmann informou que a pesquisa oferece uma alternativa para que as vinhas se tornem menos vulneráveis às doenças causadas pelo oídio. “Ou por seleção de mudas ou por modificação genética, nós vamos ser capazes de cultivar videiras mais resistentes”, informou.


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Artigo publicado nesta revista


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