Mundovino

Eventos do mundo do vinho


Em pé!

Segundo o expert em vinhos, Carlos Cabral, os consumidores precisam mudar seus conceitos na hora de guardar seus espumantes em casa. De acordo com ele, a melhor forma de posicionar uma garrafa de Champagne, ou qualquer outro espumante, é na vertical. Cabral explica que, para que a rolha de cortiça dos espumantes se mantenha elástica, ela não pode ficar em contato com o líquido por muito tempo. “O contato excessivo da rolha com o espumante faz com que ela perca, com o tempo, alguma capacidade de recuperar sua forma após a extração. Contudo, isso não compromete a capacidade de vedação ou de conservação do espumante. Ou seja, digamos que, esteticamente, a rolha fica mais castigada quando a garrafa permanece na posição horizontal por longos meses”, afirma o especialista. Vale lembrar que a discussão em torno da posição ideal de guarda de garrafas já foi tema de capa de ADEGA no ano passado e, segundo pesquisas, os vinhos podem ser guardados em pé sem nenhum prejuízo à bebida desde que a umidade e a temperatura da adega sejam controladas adequadamente.

9 meses

Preocupada com as gestantes que não podem ingerir álcool durante os meses de gravidez, mas não querem ficar de fora dos “brindes” com os amigos, a consultora de vinhos da Carolina do Norte, Carrie Marvin, lançou uma marca de “vinhos” pensada para esse público. A 9Months (9 meses, em referência ao tempo gestacional das mulheres) produz espumantes não alcoólicos com uvas australianas, cujo suco é mantido à 0°C, para prevenir a fermentação antes de ser filtrado, pasteurizado e carbonatado. Tornando-se, assim, uma bebida segura para todas as futuras mamães e seus filhos no ventre. “Não é porque logo você vai estar preparando garrafas de diferentes variedades que não pode desfrutar de uma garrafa de nosso delicioso espumante não-alcoólico. Você merece!”, diz o bem humorado site da marca.

 

Em busca de variedades perdidas

Uma equipe de pesquisadores do Consejo Superior de Investigaciones Científicas (CSIC) da Espanha está focado em estudar o mais antigo herbário de uvas do mundo, que tem sido preservado desde 1802 no Royal Botanical Gardens de Madrid. O projeto é liderado pela cientista María del Carmen Martínez, que vai tentar identificar as uvas por meio de técnicas de ampelografia e análise de DNA para determinar quais variedades ainda são cultivadas e quais já desapareceram. "Os dados coletados até agora indicam que esse é o mais antigo herbário de uvas cultivadas do mundo", apontou Martínez. Até então, o mais antigo conhecido estava na França e datava de 1870. O herbário espanhol foi criado por Simón de Rojas Clemente y Rubio – considerado o primeiro ampelógrafo da história, tendo publicado um livro em 1807 em que estabelecia os métodos descritivos e parâmetros para a identificação de plantas usados até hoje – e consiste em 186 fichas herbárias, cada uma com folhas e brotos secos de uma variedade específica.

Vinho + Exercício

Uma pesquisa liderada pelo professor Milos Taborsky, da Universidade de Palacky, na República Tcheca, monitorou 146 pessoas durante um ano para analisar a possibilidade de contrair doenças cardíacas e descobriu que os benefícios do consumo moderado de vinho só são reais quando vinculados à prática de exercícios físicos. Segundo o estudo, não houve alteração nos níveis de “colesterol bom” entre os voluntários que apenas consumiram vinho tinto ou branco, mas resultados “positivos e contínuos” foram observados entre aqueles que, além de consumir a bebida, exercitavam-se regularmente. “Descobrimos que o consumo moderado de vinho só tem efeito protetor nas pessoas que se exercitam. Tanto vinho tinto quanto branco tiveram resultados semelhantes", apontou Taborsky.

Roubado, recuperado

Um dos mais famosos restaurantes da Califórnia, o estrelado The French Laundry teve uma surpresa desagradável no dia de Natal do ano passado. Ladrões invadiram sua adega e levaram 76 garrafas de vinhos famosos, entre elas 63 de Domaine de La Romanée-Conti e algumas de Screaming Eagle e Dom Pérignon, entre outros, cujas cifras equivalem a um prejuízo de US$ 300 mil. Na época, o dono do restaurante, Thomas Keller alertou para a dificuldade de os bandidos passarem para a frente as garrafas sem levantar suspeitas, já que muitas podem ser rastreadas. Diante disso, menos de um mês depois do roubo, a polícia do condado de Napa informou que recuperou 72 das 76 garrafas com um comprador que não fazia ideia de que estava comprando mercadoria roubada. As investigações, porém, continuam para encontrar os culpados.

100 milhões de libras

Segundo uma estimativa da indústria britânica, a venda de vinhos tanto no país quanto no exterior em 2015 pode chegar à marca de 100 milhões de libras (cerca de R$ 400 milhões). As vendas em 2014 devem atingir o patamar de 78 milhões. Segundo a secretária de estado para o meio ambiente do Reino Unido, Elizabeth Truss, o vinho se tornará um importante negócio para as exportações nos próximos anos. Os espumantes do país são exportados para 13 nações atualmente e os produtores têm pressionado o governo a servi-los nas embaixadas mundo afora.

Sonoma valorizado

De acordo com o principal índice de valorização de vinhedos do mundo, realizado pela agência Knight Frank, o condado de Sonoma, nos Estados Unidos, foi a região de maior valorização em 2014 com aumento do preço de seus hectares de vinhedo em 17,9%. Logo atrás vem Hawke’s Bay, na Nova Zelândia, com 7,6%, e Barossa, na Austrália, com 14%. O índice também mostra que as propriedades em Bordeaux e na Borgonha “empataram” no ano, sem valorização, mas também sem perdas, assim como ocorreu em Mendoza, na Argentina. Já o Piemonte, na Itália, Stellenbosch, na África do Sul, e Colchagua, no Chile, acumularam perdas de 8%, 10% e 14% respectivamente. O índice também apontou as regiões em que há mais pessoas interessadas em adquirir um vinhedo nos próximos anos. Segundo o estudo, Rússia e América Latina têm, cada um, 30% de potenciais compradores.

Mais fora do que dentro

Segundo dados do Comitê Champagne, cerca de 308 milhões de garrafas de Champagne foram vendidas em 2014, o que significa 1% de crescimento em relação ao ano anterior. No entanto, a região comemora a cifra de 4,5 bilhões de euros em valor (0,2 bilhão a mais do que 2013), a segunda maior marca já registrada pelos espumantes da região, atrás somente de 2007 (quando se vendeu 338,7 milhões de garrafas atingindo valor de 4,56 bilhões de euros). Muito desse desempenho deveu-se às exportações. Tanto que, para 2015, o Comitê acredita que as exportações superarão as vendas internas pela primeira vez na história.

Consumo alemão

Segundo um estudo encomendado pela Vinexpo, a Alemanha passará a Itália como terceiro maior mercado consumidor de vinhos do mundo em três anos. Estima-se que, em 2018, o país consumirá 3,3 bilhões de garrafas superando os 3,28 bilhões dos italianos, que estão previstos para cair 5% nos próximos anos. Além disso, aponta-se que os Estados Unidos firmarão de vez seu lugar como o maior mercado de vinhos do mundo aumentando o consumo em 11% até 2018, para atingir 4,5 bilhões de garrafas.

Ultimato para Bordeaux

Um influente grupo de lojas de vinho do Reino Unido se uniu e escreveu uma carta aberta aos Châteaux e negociantes bordaleses antes do início da campanha “en primeur” deste ano implorando por preços mais baixos. Entre os signatários estão lojas conceituadas como Berry Bros & Rudd, Farr Vintners, entre outras. Na carta, eles revelam suas preocupações com o mercado de Bordeaux se os preços permanecerem nos níveis atuais (já que as últimas safras acumularam perdas em vez de ganhos em relação ao valor inicial) e acreditam que a solução seria voltar ao patamar de preços da safra 2008. Acumulando as perdas, eles apontam que seus clientes têm evitado comprar Bordeaux, buscando outras regiões mais em conta. Mais do que isso, eles acreditam que seus consumidores estão cientes de que há ainda muito vinho caro das safras 2011, 2012 e 2013 estocado e que não teve comprador. Segundo eles, a campanha deste ano será uma nova oportunidade para Bordeaux retomar seu rumo.

Vinhos com órgãos

Durante uma sessão de um tribunal do Camboja que investiga os crimes cometidos pelo regime Khmer Rouge no país na década de 1970, um ex-detento da famosa prisão Kraing Ta Chan revelou que, além de observar tortura e massacres em massa, também via os guardas bebendo vinho com “infusão de órgãos humanos”. Segundo Meas Sokha, que ficou preso lá em 1976, os oficiais misturavam vinho com os órgãos internos de suas vítimas antes de beber, no intuito de dar-lhes mais coragem para futuros assassinatos. Uma das “misturas” preferidas dos guardas seria a de vinho com a vesícula biliar dos mortos.

Investimento em Tokay

A região de Tokay, na Hungria, famosa por seus vinhos de sobremesa, deve receber 330 milhões de euros em investimento até 2020 vindos do governo do país com ajuda da União Europeia. “O vinho será uma das pedras fundamentais do projeto, começando com a produção da uva e do vinho, então todo o resto”, afirmou Andras Tombor, diretor do Comitê de Desenvolvimento Regional Tokaji. Um dos objetivos é fortalecer, portanto, a “marca” do vinho da região. Por isso, cerca de 10 milhões de euros já estão comprometidos com um projeto de branding de dois anos com a consultoria Claessens International.

 

Rúgbi garantido

A Trivento, vinícola argentina pertencente ao grupo chileno Concha y Toro, decidiu estender seu patrocínio para a liga inglesa de rúgbi, uma das mais fortes do mundo, por mais três anos. O contrato – que começou em meados do ano passado e foi estendido no começo de 2015 – reforça a presença da marca no mercado inglês. “Nossa parceria com a Premiership Rugby já rendeu resultados positivos. A marca está indo incrivelmente bem na mais forte categoria de performance do país, com muita penetração”, apontou Clare Griffiths, diretora de marketing da Concha y Toro no Reino Unido.

 

Austrália contra o Velho Mundo

Segundo o presidente do Wine Australia, Brian Walsh, será preciso uma mudança geracional para que os vinhos de seu país passem a não mais ser comparados com os do Velho Mundo. Segundo ele, os principais restaurantes do mundo ainda estão muito focados nos vinhos europeus. “Precisamos falar de vinhos de uma forma menos comparativa. Nós nos referimos ao Velho Mundo, mas precisamos dar aos nossos vinhos uma interpretação australiana”, afirmou. Assim, ele acredita que o terroir local deve ser cada vez mais valorizado. Para isso, vários projetos de pesquisa estão sendo realizados nas diversas regiões Austrália para examinar suas particularidades. Em 2014, as exportações australianas cresceram 1,9% em volume (700 milhões de litros) e valor (1,82 bilhão de dólares australianos, cerca de R$ 3,88 bilhões), o primeiro crescimento em valor desde 2007.

2014, bom só para espumantes

Segundo os dados do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), as vendas de vinho e sucos de uva gaúcho (que corresponde a 90% da produção brasileira) mantiveram-se praticamente estáveis em 2014. Os números finais, na verdade, mostram que houve uma queda de 0,18% das vendas globais. Os melhores resultados ficaram com os espumantes, que cresceram 5,5% no ano, com 16,7 milhões de litros. O suco de uva também cresceu, com 13,5%, alcançando 90,2 milhões de litros. Por outro lado, as vendas de vinhos finos caíram 3,9% (19,2 milhões de litros), assim como os de mesa, 4,1% (206 milhões de litros). “O setor está em alerta porque não houve crescimento. É preciso intensificar o trabalho de qualificação, ampliação e treinamento dos canais de comercialização e aumento da competitividade, sendo a redução da carga tributária e o combate ao descaminho algumas das alternativas”, afirmou Carlos Paviani, diretor do Ibravin diante dos números. Segundo o Ibravin, a venda de importados, por outro lado, cresceu 12,4% no mesmo período.

Pingus de Putin?

Um curioso boato que circulou pela Espanha no final do ano passado chegou ao fim no começo deste ano. Segundo um jornal espanhol, o líder russo Vladmir Putin teria comprado 25 hectares do vinhedo da icônica vinícola Dominio de Pingus, pertencente ao famoso enólogo Peter Sisseck, para plantar em sua propriedade particular em Marbella, na Espanha, onde tem uma mansão de veraneio. Além disso, afirmou-se que Putin estava se preparando para criar um vinho e teria contratado Sisseck para supervisionar a produção. “Se fosse 1o de abril, teria dito que era engraçado, mas não é”, afirmou o produtor depois de saber do boato. “Qualquer um que tenha um pouco de noção de vinho saberia que não é apenas uma questão de tirar a vinha velha e transplantá-la para outro lugar para produzir um bom vinho. Você precisa preservar a raiz e também precisa estar plantada em um lugar fantástico. Essa é uma área completamente diferente (mais de 500 quilômetros de distância). Nunca tive contato com Putin ou qualquer pessoa do seu séquito e certamente não vendi qualquer vinha para o sul da Espanha”, completou.

Leilão de Naples

Um dos mais famosos leilões beneficentes de vinho do mundo, ocorrido em Naples, nos Estados Unidos, alcançou a incrível marca de US$ 12,1 milhões de arrecadação. O evento, que conta com a participação dos mais prestigiados produtores do mundo, que, além de seus vinhos, oferecem diversas exclusividades, como viagens, hospedagens, degustações guiadas etc, aos participantes, criou um marco para o vinho sul-americano com a aquisição de um lote da Bodega O. Fournier por US$ 120 mil. O lote constituía em 14 vinhos, uma visita à propriedade do grupo em Ribera del Duero, na Espanha, e jantar privado oferecido pela chef Nádia Harón. O Festival de Inverno do Vinho de Naples é o maior leilão de caridade do mundo relacionado com o vinho e conta com mais de 600 convidados que pagam US$ 8.500 por casal para participar. O maior valor pago este ano foi para um lote da Krug que incluía seis garrafas de Clos du Mesnil e uma visita às caves, entre outras coisas, por US$ 500 mil.

Terceira nova “casa”

Apenas pela terceira vez em sua “vida” de 543 anos, o mais antigo vinho mantido em barrica do mundo precisou trocar de “casa”. No começo deste ano, o vinho branco alsaciano datado de 1472 e mantido dentro das caves do Hospice de Estrasburgo, precisou ser trasfegado para um novo barril já que o anterior estava vasando. Com isso, ele ficou em um tanque temporariamente antes de ser passado para a nova barrica de 450 litros feita em formato idêntico ao da anterior. Antes, ele havia ficado no mesmo recipiente por quase 300 anos, desde 1718. O vinho só foi provado por três vezes durante sua história: em 1576, para celebrar a aliança entre Estrasburgo e Zurique, em 1718, para comemorar o marco da primeira pedra do hospital público da cidade e, por fim, na II Guerra Mundial pelo general Leclerc, durante a liberação de Estrasburgo.

Champagne do Oscar

Pelos próximos três anos, o Champagne Piper-Heidsieck será a bebida oficial das cerimônias de entrega do Oscar, em Hollywood. Cécile Bonnefond, presidente da marca, elogiou a academia e se disse feliz com o acordo firmado. Vale lembrar que sua empresa tem longa relação com a indústria do cinema, patrocinando o Festival de Cannes há mais de 20 anos e, além disso, chegou a produzir um Champagne de 48 litros para celebrar o Oscar recebido por Rex Harrison em seu papel em “My Fair Lady”, de 1964.

 

À venda em Paso Robles

Segundo uma agência imobiliária de Paso Robles, 18 vinhedos e cinco vinícolas trocaram de mãos nos últimos dois anos na região devido a dificuldades financeiras dos proprietários. “A maioria das vendas têm sido dominadas pelas vendas em dificuldade e de ativos”, afirmou Newlin Hastings, da divisão de vinhos da corretora Pacifica. Ele acredita que as vendas foram resultado da combinação de condições econômicas frágeis com a percepção pelos proprietários dos ditos “vinhedos de lifestyle” de que seus sonhos não estão sendo realizados. Com isso, o preço da terra na região tem sido negociado a valores muito mais baixos
do que no Napa Valley e Sonoma.

Da redação

Publicado em 23 de Fevereiro de 2015 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista