Mundovino

Eventos do mundo do vinho


Patrimônio histórico

O Registro Nacional de Locais Históricos dos Estados Unidos reconheceu o Chateau Montelena, no vale do Napa, na Califórnia, como local de significado histórico para o país não apenas por ter sido um dos pioneiros na região, mas também pela sua participação no histórico Julgamento de Paris, em 1976. O Chardonnay do Chateau Montelena, fundado em 1882 em Calistoga, venceu o embate às cegas contra grandes rótulos franceses. Hoje a vinícola está sob os cuidados de Bo Barrett, filho de Jim Barrett, que faleceu em março deste ano, aos 86 anos.

 

Vinho na medida

Os norte-americanos sempre tiveram um marketing muito agressivo, mesmo no tradicionalíssimo mundo do vinho. Portanto, inovar na embalagem não é novidade para eles. Sendo assim, a vinícola californiana Steelhead Wines está lançando, em parceria com um famoso ex-jogador de beisebol, Joe Morgan, uma garrafa plástica de 187 ml de vinho chamada W1NE for ONE, que vem com uma taça plástica grudada à tampa de rosca. A empresa patenteou a invenção e está colocando no mercado dois vinhos, um Chardonnay e um Merlot. O objetivo é vender o vinho em eventos musicais e esportivos para hotéis com áreas ao ar livre, parques e outros espaços públicos. A Steelhead acredita que o mercado para as porções individuais é muito grande, uma vez que essa categoria está crescendo três vezes mais rápido que a dos outros vinhos, e que o grande diferencial é colocar, numa embalagem pequena, um vinho de alta qualidade.

 

O vinho do Império Romano

Uma equipe da Universidade de Catânia, na Sicília, decidiu recriar os vinhos da época do Império Romano. Para isso, plantaram um vinhedo usando ferramentas e técnicas antigas. Para basear seu trabalho, os pesquisadores consultaram o manual de agricultura do livro Georgics, do poeta Virgílio (o mesmo que escreveu a Eneida), e informações do enólogo do século I, Columella, cujas técnicas sobreviveram até o século XVII. A equipe de historiadores plantou oito variedades locais, incluindo Nerello Mascalese, Visparola, Racinedda e Muscatedda. Na Antiguidade, Columella já se referia a cerca de 50 tipos de uva, apesar de suas equivalentes hoje não serem todas conhecidas. As primeiras vinhas foram plantadas no começo deste ano e a equipe espera ter a primeira safra em quatro anos. “Os objetivos do projeto são dois: por um lado, verificar a viabilidade das técnicas romanas e, por outro, verificar se esse conhecimento pode ser utilizado na viticultura moderna”, conta Daniele Malfitana, diretor do instituto arqueológico.

Carne com vinho

O empresário Arri Coser, responsável pelo sucesso internacional Fogo de Chão – que vendeu ao grupo GP – iniciou um novo empreendimento, a NB Steak. Com unidades no Rio Grande do Sul, a primeira de São Paulo acaba de ser inaugurada e se localiza no Campo Belo. Embora seja focada na especialidade de Arri, que é a carne, opera num modelo diferente das churrascarias de espeto corrido e buffet de salas. Mais requintada, a salada é de autoria de um chef francês e servida à la carte e as carnes, em uma espécie de menu degustação. O cuidado com o vinho também marca presença, taças e decanters são as armas de uma equipe de quatro profissionais formados na ABS; a linda adega, de design moderno, contempla uma seleta carta de vinhos com 160 rótulos e que vai do acessível (R$ 65) a grandes ícones como o Vega Sicília Valbuena, 5º ano Reserva da safra 2006. Para quem quiser levar seu vinho especial, a taxa de rolhas é de R$ 40. Vinte outras casas serão abertas em breve e, embora Arri desconverse sobre um plano de internacionalização, é mais fácil um gringo falar NB Steak do que Chão, não acha?


NB Steak, novo empreendimento de Arri Coser

O glamour do Champagne e do tênis em Nova York

Dias antes de iniciar o US Open, um dos quatro maiores torneios de tênis do mundo, a marca Moët & Chandon celebrou seus 270 anos com uma festa no Chelsea Pears, em Nova York, que reuniu ícones da moda, da música e do esporte. Stéphane Baschiera (presidente e CEO da marca), Anna Wintour, editora da revista Vogue e o tenista Roger Federer, por exemplo, estiveram presentes. O tenista suíço, aliás, é a estrela da nova campanha publicitária da marca: “Tributo ao Sucesso & Glamour desde 1743”.

Vinho em tempos de guerra

Desde março de 2011, a Síria vive em estado de guerra civil. Diante da destruição, acredita-se que já foram mortas mais de 100 mil pessoas. O caos está instalado no país e muita gente tem fugido (ou pelo menos tentando fugir) para áreas menos atingidas pelos conflitos armados. Entre os que sofrem com essa situação também estão os vitivinicultores. “Não é a primeira vez que passamos por isso e não será a última. Você precisa ficar e perseverar”, afirma Karim Saadé, dos Châteaux Bargylus (na Síria) e Marsyas (no Líbano), que lançou o vinho branco Bargylus 2012 em meio às circunstâncias de guerra. Sem que as pessoas pudessem cruzar as fronteiras, durante a época de amadurecimento, as uvas precisavam vir de táxi para a Síria para serem avaliadas pela equipe de enólogos. Outro problema foi convencer os trabalhadores a ficar em vez de se juntarem aos refugiados que fogem do país, mesmo com a família pagando os mesmos valores de antes de o conflito começar (a moeda entrou em colapso com a crise). Nesse tempo, contudo, a vinícola não foi atacada – talvez por estar longe dos centros urbanos. Segundo Saadé, “o vinho lhe amarra à terra e você não pode simplesmente pegar as coisas e ir embora”.

Primeira vinícola londrina

A Inglaterra ainda não é reconhecida como grande produtora de vinho, mas seus espumantes, aos poucos, vão conquistando alguns paladares mundo afora. Agora, porém, além das regiões de Kent e Sussex, por exemplo, Londres também terá sua primeira vinícola, a London Cru. Localizada no bairro de Earl’s Court, num prédio tradicional onde ficava uma antiga destilaria, a vinícola não tem vinhedos próprios e trará suas uvas da França para serem vinificadas 36 horas depois de colhidas, pois serão transportadas em caminhões refrigerados. A previsão é de que sejam feitas 17 mil garrafas de vinho da safra 2013.

Louis Jadot no Oregon

Uma das casas mais tradicionais da Borgonha, Louis Jadot, fundada em 1859 e com vinhedos em inúmeros terroirs borgonheses, pela primeira vez em sua história, comprou terras vinícolas fora de seu lugar de origem. O produtor adquiriu o Resonance Vineyard, em Willamette Valley, no Oregon, uma das regiões norte-americanas famosas pela produção de Pinot Noir. Para assumir a produção nos Estados Unidos, Louis Jadot indicou Jacques Lardiere, enólogo aposentado da casa francesa. Ele ficará responsável por todas as atividades a começar pela safra 2013, na qual usará a cantina da vinícola Trisaetum. Este será o projeto de aposentadoria de Lardiere, que se desligou dos trabalhos na Louis Jadot recentemente, após 42 anos.

Leve seu vinho na bike

O designer Jesse Herbert resolveu dar um novo look para quem quer pegar sua bicicleta e ir para o parque fazer um piquenique com vinho. Ele inventou o “bicycle wine rack”, um produto, que prende a garrafa (na base e no gargalo) ao aro central da bike. Feito em couro, o rack é ajustável a diversos formatos de garrafas, mas talvez não seja muito confortável andar com uma Magnum no meio das pernas enquanto se tenta pedalar, não é?

Vinho da Suécia

Um estudo da Faculdade de Ciências Agrárias da Universidade Sueca, publicado recentemente, analisou a viabilidade econômica da produção de vinhos no país. O estudo foi feito, de acordo com os pesquisadores, diante do crescente interesse dos suecos no plantio de uvas viníferas e na construção de vinícolas no país. A pesquisa aponta que atualmente os custos para a produção de vinhos no país ainda são muito altos, com montante necessário de US$ 730 mil para a produção anual de 1.800 litros por hectare. Segundo eles, esse investimento teria retorno apenas depois de seis anos, com cada litro de vinho sendo vendido a US$ 37,5. A conclusão é que, para o momento, fazer vinho na Suécia só é economicamente viável se o mercado de alta gama for o objetivo do produtor.

40 vezes mais resveratrol

O resveratrol é o componente dos vinhos que está ligado a diversos benefícios à saúde, entre eles propriedades antioxidantes que promovem a longevidade e protegem contra doenças. Desde que essa substância foi identificada e seus efeitos passaram a ser estudados, alguns produtores pensaram em como aumentar a quantidade dela no vinho. Recentemente, uma vinícola neozelandesa lançou uma linha de vinhos chamada Balancing Act Wines, que atesta ter 40 vezes mais resveratrol do que os rótulos convencionais. A empresa afirma ter usado uma tecnologia australiana patenteada pelo pesquisador Phillip Norrie para aumentar os níveis da substância na bebida.


Vinhedos de Champagne

Champagne 2013

No começo de agosto, o Comitê Interprofissional do Vinho de Champagne (CIVC) estabeleceu que o rendimento máximo permitido para a safra 2013 será de 10 mil quilos por hectare, com um adendo de 500 kg/ha para as reservas dos produtores. Esse rendimento significa o equivalente a 305 milhões de garrafas produzidas, cerca de 1% a menos do que foi produzido em 2012. No ano passado, o rendimento máximo permitido foi de 11 mil kg/ha, mas a média final alcançou 9,242 kg/ha. Neste ano, espera-se uma safra maior, apesar da onda de frio que assolou a Europa até maio e atrasou a brotação e floração em quase um mês. Dessa forma, “10 mil kg/ha é um número razoável”, apontou Michel Drappier, de acordo com a previsão de vendas do ano.

Sem glúten

São poucos os rótulos de vinho que possuem informações nutricionais. A legislação não exige que o produtor identifique a quantidade de calorias, minerais e outras tantas substâncias na garrafa, mas alguns já estão começando a fazer isso pensando no consumidor moderno que pode estar preocupado com o conteúdo da bebida. Assim sendo, a vinícola Siduri Wines, de Sonoma, decidiu testar seus vinhos para verificar se contêm glúten ou não. “Temos um funcionário que é sensível a essa substância e pensamos que essa seria uma informação importante para constar no rótulo”, disseram os produtores Adam e Dianna Lee. O glúten pode aparecer no vinho durante o processo de vinificação de duas formas. A primeira na pasta baseada em trigo que serve para selar as barricas. A segunda em um agente na clarificação. Apesar de seus vinhos não passarem por afinamento, nos testes feitos com seus Pinot Noir, a Siduri Wines constatou que o glúten estava presente em 1 parte por milhão, número que está bem abaixo dos 20 ppm autorizados pela agência norte-americana de controle de alimentos, FDA, para que um alimento seja considerado livre de glúten. Para os consumidores que se preocupam com essa questão do glúten, apesar de os vinhos raramente serem testados, pode-se dizer que é muito pouco provável que essa substância apareça em quantidades significativas na bebida.

Vicente La Pastina

No sábado, dia 3 de agosto, faleceu Vicente La Pastina, fundador da La Pastina. Vicente, pai de Celso La Pastina, hoje à frente das empresas La Pastina e World Wine, morreu aos 88 anos, no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, em decorrência de uma forte gripe. “O Sr. Vicente La Pastina foi um grande exemplo de dedicação ao trabalho e a família, sempre disposto a contribuir para ajudar a todos”, dizia a nota divulgada pela empresa. “Ele cumpriu lindamente sua missão por aqui. Sempre me encantou a maneira cativante com que ele tratava as pessoas que tinham o privilégio de encontrá-lo. Foi um grande exemplo para todos à sua volta, um farol na conduta familiar e de retidão em nosso mercado. Tenho certeza de que ele tem muito orgulho do que ele e a família La Pastina construíram, e de que estes valores se perpetuarão como uma homenagem diária ao Sr. Vicente”, afirmou Christian Burgos, publisher de ADEGA.

Empate entre consumo de vinho e cerveja

Segundo pesquisa divulgada pelo instituto Gallup em 1º de agosto, vinho e cerveja dividem a preferência dos consumidores nos Estados Unidos. O estudo diz que 35% dos entrevistados disseram que tomem mais vinho do que qualquer outra bebida alcoólica e 36% responderam que consomem mais cerveja. Como há uma margem de erro de 3 pontos percentuais, há um nítido empate. Há 20 anos, a mesma pesquisa mostrava que quase metade da população preferia a cerveja (47%) e apenas 27% o vinho. Essa tendência, contudo, foi se modificando com os anos e a divisão vinho/cerveja já estava muito próxima em 2005, porém, com a crise financeira, a cerveja novamente ganhou mais espaço nos últimos anos e assumiu a dianteira na lista de preferências. Segundo o Gallup, a tendência de aumento do consumo de vinho recentemente se deu especialmente no grupo de pessoas mais jovens e outras minorias. Assim, o principal crescimento se deu no grupo de pessoas entre 18 e 29 anos. Em 20 anos, 71% diziam consumir mais cerveja. Hoje, 41%, uma queda de 30%. Nesse período, o vinho abocanhou 10% da preferência desse grupo. O aumento também ocorreu entre os negros, um acréscimo de 12% dos que optaram pelo vinho nesse período de duas décadas. Por fim, a pesquisa aponta que as mulheres ainda são as principais consumidoras de vinho, com 52% delas optando por essa bebida. Por outro lado, 53% dos homens responderem consumir mais cerveja. Ainda assim, 20% deles escolhem o vinho, um crescimento de 5% comparado há 20 anos.

23 novas moléculas no vinho tinto

Uma pesquisa da Universidade de British Columbia (UBC), no Canadá, isolou 23 novas moléculas do vinho tinto. A equipe do professor Cédric Saucier, responsável pelo laboratório de enologia, vem investigando os compostos do vinho há anos. No estudo, eles sabiam que encontrariam moléculas chamadas estilbenóides, que acredita-se serem as responsáveis pelos efeitos benéficos do vinho à saúde. Ao concentrar o mosto e analisá-lo, 41 tipos de estilbenóides foram identificados. O mais surpreendente, porém, é que 23 deles nunca antes haviam sido detectados. “Estas novas moléculas são susceptíveis a ter propriedades biológicas muito interessantes e podem contribuir para os benefícios de beber vinho tinto”, diz Saucier. “Quem sabe aonde isso pode levar? Talvez novos fármacos e medicamentos para o futuro?”

20 anos de parceria

Na noite de 6 de agosto, em charmoso evento no Jockey Clube de São Paulo, as famílias Lilla e Catena se reuniram para celebrar os 20 anos de trabalho conjunto no Brasil entre Mistral e Bodega Catena Zapata. Além da celebração da data, Ciro Lilla, presidente da Mistral, enfatizou os recentes reconhecimentos a Nicolás Catena Zapata, que foi agraciado com o “Distinguished Service Awards” pela revista americana Wine Spectator e como “Man of the Year” pela revista inglesa Decanter. Laura Catena, filha e herdeira, também esteve junto com o pai no evento.

Nicolas e Laura Catena
Nicolas e Laura Catena

Novo Mundo

Circulando por três capitais brasileiras (Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte) e Brasília (Distrito Federal), o Decanter Wine Show do Novo Mundo trouxe produtores de oito países e mais de 300 rótulos. O proprietário da importadora, Adolar Léo Hermann, alerta para o momento do mercado, quando o custo do vinho no Brasil é um dos maiores do mundo, mas explica que o futuro é promissor e que o mercado deve lutar para crescer como um todo, com vinhos nacionais e importados lado a lado. “Defendemos esse mercado e justamente por isso somos a única importadora a cultivar uvas e vinificar em nossos solos brasileiros”, diz. Entre os muitos vinhos premiados da feira, a equipe de ADEGA destacou alguns rótulos.

Vinhos avaliados

AD 91 pontos
Colomé Reserva 2008

Bodega Colomé, Salta, Argentina (Decanter R$ 299). Vinho de personalidade marcante. A cor na taça é escura e os aromas são densos, frutados, com madeira aparente e sua potente juventude ainda se fazendo bem presente em boca. Os taninos precisam esperar um pouco mais, a madeira começa a se integrar e a acidez, marcada, dá mais frescor agora quando tudo está tão no alto ainda. Os quase 16% de álcool estão integrados, mostrando uma elegância rara, sutil, daquelas que o tempo se encarregará de lapidar ainda mais. Grande vinho. SMR

AD 91 pontos
De Martino CINSAULT VIEJAS TINAJAS 2012

De Martino, Maipo, Chile (Decanter R$ 96). Em sua segunda safra, o vinho produzido em ânforas mais uma vez se diferencia por sua qualidade e personalidade. A uva Cinsault é trabalhada da forma mais natural possível e resulta em um vinho de cor violeta translúcida e aromas de frutas vermelhas e negras recém-colhidas, com toques florais. Em boca, apresenta corpo leve, macio, bem equilibrado, com textura fina. Muito agradável e intensamente refrescante devido à ótima acidez. Um vinho para todos os momentos. Pode acompanhar pratos frios. VS

AD 88 pontos
Rosa da Neve Rosé 2012

Vinícola Quinta da Neve, São Joaquim, Brasil (Decanter R$ 42). Uma combinação de uvas um pouco inusitada (Cabernet Sauvignon, Sangiovese, Merlot e Pinot Noir) resulta num rosé muito interessante. Bela coloração clara, como um rosado antigo com bom brilho. Tem aromas bem frutados, como amoras e framboesas frescas, e um toque de violetas. A boca é fresca, com boa acidez e corpo médio, sem amargor final, com excelentes possibilidades para a gastronomia, desde entradas mais leves, peixes e algumas saladas complexas e até carnes frias e embutidos. SMR

AD 91 pontos
THE INFAMOUS GOOSE SAUVIGNON BLANC 2012

Wild Rock, Marlborough, Nova Zelândia (Decanter R$ 113). Este Sauvignon Blanc, de caráter vivaz, potente e até mesmo selvagem, está carregado de aromas vegetais (aspargos), frutados e de infusão de ervas. Em boca, apresenta elevada acidez, repetindo as tendências herbáceas, com toques de pimenta branca. Sua persistência é longuíssima, com sabor refrescante de frutas cítricas, principalmente limão. É um vinho de corpo leve, porém nervoso e marcante. VS

AD 89 pontos
THE WELDER NATURAL SWEET 2011

Glen Carlou, Paarl, África do Sul (Decanter R$ 90). A Glen Carlou é uma das vinícolas da Hess Family Estates. A equipe de enólogos é comandada por Arco Laarman que segue um estilo intermediário entre Velho e Novo Mundo, priorizando a pureza da fruta e conservando o frescor nos vinhos. Seu néctar de sobremesa é bastante delicado e fácil de beber. Tem cor dourado claro, com aromas mais sutis de frutas cítricas, como lima e laranja. De corpo leve e sabor refrescante, apresenta alguma mineralidade discreta e cativante. O final de boca não é longo, mas incita a novos goles, principalmente quando na companhia de salada de frutas e laranja em compota. VS

AD 90 pontos
Villard Equis Gran Vino 2005

Villard, Casablanca, Chile (Decanter R$ 147). 65% de Cabernet Sauvignon e 35% de Merlot criam um vinho com grande potencial de guarda. Cerca de 12 anos, de acordo com o produtor. Apresenta cor vermelho-rubi intenso, possui aromas de frutas vermelhas maduras com toque de chocolate. Na boca, a alta acidez e a estrutura bem encorpada estão equilibradas com o tanino marcante, porém macio, permanecendo por longo tempo na boca. Harmoniza muito bem com carnes vermelhas. HSK

Todas as divisões do Chile

O Tasting Wines of Chile já entrou para o calendário anual das provas de vinhos mais aguardadas da cidade de São Paulo. Nesta terceira edição, que reuniu quase 40 vinícolas (dos 100 membros que compõe o projeto Wines of Chile), o objetivo foi mostrar o novo posicionamento do país em relação à sua produção vitícola, ressaltando a regionalidade. Na Master Class, em que diversos enólogos puderam comentar um de seus vinhos, foram apresentadas as novas Sub-denominações de Origem, que dividem as regiões produtoras de leste a oeste e pretendem ampliar o leque de informações sobre o mapa vitícola do país. São elas:

Costa: com influência contínua do Oceano Pacífico, tem temperaturas mais baixas e amadurecimento mais lento dos frutos, revertendo em aromas marcados, mais acidez e frescor.

Entre Cordilheiras: como diz o nome, está entre a Cordilheira da Costa e a dos Andes e recebe influência de ambas, gerando vinhos, em geral, longevos e complexos.

Andes: proteção natural que possibilita o controle da temperatura e reduz significativamente a quantidade de chuvas nas regiões que estão sob sua proteção. Os vinhos tendem a ser concentrados, com boa fruta e potência.

Claudio Cilveti, Managing Director do projeto Wines of Chile, também falou sobre os avanços no Código de Sustentabilidade que vem sendo aplicado nas vinícolas dentro do plano estratégico 2020 para os vinhos do Chile. Segundo ele, o projeto de certificação é aplicado na gestão das vinícolas, não em vinhos específicos, pois o foco do programa é tornar sustentável todo o processo de produção do vinho. “Acreditamos que a certificação dá uma vantagem competitiva internacionalmente, principalmente em mercados que estão exigindo produtos ecologicamente corretos”, disse Cilveti. ADEGA esteve presente no evento.

Vinhos Avaliados

AD 88 pontos
CALCU ROSÉ 2013

Calcu, Vale de Colchagua, Chile (Brascomex R$ 45). Calcu significa “mágico” em mapuche. O estilo da vinícola é de pouca intervenção. Este rosé de pálida e delicada cor exala aromas de goiaba fresca permeados por toques florais de rosas e violetas. É composto por um blend de Malbec, Syrah e Petit Verdot , no qual a Malbec contribui com o perfume, a Syrah agrega corpo e a Petit Verdot traz frescor. O resultado é um vinho bastante equilibrado, bem feito e de boa relação custo/benefício. Pode acompanhar entradas leves, principalmente os carpaccios de peixes. VS

AD 91 pontos
FINIS TERRAE 2009

Viña Cousiño Macul, Vale do Maipo, Chile (Santar R$ 140). Surpreende pelo estilo elegante e refinado. A cor é rubi translúcido, com aromas de frutas vermelhas silvestres e ervas frescas. Em boca, é delicioso, com textura macia, boa acidez e taninos arredondados que só despontam no final de boca, criando uma rugosidade agradável. Os sabores de frutas vermelhas, como framboesas e cerejas, também ficam marcados com toques de madeira tostada por trás. VS

AD 88 pontos
LA JOYA GEWÜRZTRAMINER 2012

Viña Bisquertt, Vale de Colchagua, Chile (World Wine R$ 50). A Gewürztraminer não é uma variedade típica da região, mas atingiu muito bom resultado neste leve e refrescante exemplar, de cor amarelo-palha. Os aromas são pronunciados, lembrando flores brancas, rosas e frutas doces, tais como lichia e pêssego. Em boca, os sabores de especiarias e condimentos, muito característicos da cepa, revelam-se de forma agradável. A acidez é equilibrada e o final de boca é persistente e levemente cítrico. Ótimo para acompanhar pratos orientais. VS

AD 89 pontos
Maquis Lien 2009

Viña Maquis, Vale de Colchagua, Chile (Sem importador). O terroir está localizado entre dois rios e tem solos aluviais e temperaturas mais frescas mesmo no verão. Este tinto é a combinação das uvas Cabernet Franc (42%), Syrah (32%), Carménère (23%) e Petit Verdot (3%) que, apesar dos quatro anos, parece jovem com seu halo ainda violáceo. O terroso da Cabernet Franc é o que primeiro aparece em boca, de forma muito agradável com sua rugosidade e frutado. Os aromas são fechados, mas o paladar tem equilíbrio, frescor e boa densidade, com taninos elegantes. SMR

AD 90 pontos
Santa Carolina Reserva de Família Cabernet Sauvignon 2009

Santa Carolina, Vale de Limarí, Chile (Casa Flora R$ 90). Este tinto é um dos clássicos Cabernet Sauvignon do Chile. Apresenta cor violáceo intenso, com aromas de frutas vermelhas e toques de cedro e chocolate. Na boca, a alta acidez e a estrutura encorpada equilibram maravilhosamente com os taninos pronunciados, porém muito macios. A sugestão do produtor é uma guarda de oito anos. Harmoniza com carnes vermelhas e queijos fortes. HSK

Da redação

Publicado em 7 de Setembro de 2013 às 00:00


Mundovino Chateau Montelena Steelhead Wines Georgics Arri Coser Moët & Chandon Karim Saadé London Cru

Artigo publicado nesta revista

Espanha  de A a Z

Revista ADEGA 95 · Setembro/2013 · Espanha de A a Z

Um guia para você entender as regiões e os vinhos espanhóis