Mundovino

Eventos do mundo do vinho


Sofisticação

Nos dias 2 e 3 de setembro, a importadora Winebrands promoveu a segunda edição de seu Winelounge. O evento, no primeiro dia, passou por São Paulo e foi sediado no charmoso Museu da Casa Brasileira, e, no Rio de Janeiro, no MAM. Entre os produtores presentes estavam nomes de peso como Antinori, Albert Bichot, Marqués de Grigñon etc. E, desta vez, além de convidados da importadora, consumidores finais puderam provar alguns dos néctares oferecidos. ADEGA esteve presente e elencou algumas boas opções.

AD 90 pontos
BRAMITO DEL CERVO 2011

Castello della Sala, Umbria, Itália (Winebrands R$ 116). Chardonnay com fermentação em barricas de carvalho. Apresenta cor amarelo-palha de reflexos esverdeados e aromas de frutas tropicais, notas florais, minerais e de especiarias doces, e toques herbáceos e de frutos secos. Em boca, é frutado, estruturado, equilibrado, tem madeira bem integrada, bom volume de boca, acidez refrescante e final persistente e agradável. EM

AD 91 pontos
STAG’S LEAP WINE CELLARS NAPA VALLEY MERLOT 2008

Stag’s Leap Wine Cellars, Califórnia, Estados Unidos (Winebrands R$ 276). Tinto elaborado a partir de 95% Merlot e 5% Cabernet Sauvignon. Aromas de cassis e ameixas maduros, notas florais, herbáceas e de especiarias, e toques minerais e de tabaco. No palato, confirma essa fruta mais opulenta, é estruturado, carnudo, tem ótimo volume de boca, boa acidez, taninos muito finos e final persistente. Muito bem feito no estilo que privilegia mais madurez de fruta e potência, mas sem comprometer sua elegância. EM

AD 92 pontos
VENEGAZZÙ ROSSO DELLA CASA 2007

Loredan Gasparini, Vêneto, Itália (Winebrands R$ 162). Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec. Aromas de frutas vermelhas envoltos por notas florais, herbáceas e minerais, além de toques especiados, de tabaco e de ervas secas. No palato, surpreende pelo equilíbrio do conjunto e pela ótima textura de seus taninos. É austero, polido, elegante, tudo permeado por fruta de ótima qualidade, boa acidez e final persistente, com notas de grafite. EM

Sem depressão

Um estudo conduzido por especialistas espanhóis da área médica – publicado na revista BMC Medicine – apontou que o consumo moderado de vinho pode estar relacionado a menores taxas de depressão. Cientistas colheram dados de 5.505 homens e mulheres e descobriram que a ingestão moderada, de 5 a 15 gramas por dia de álcool, está associada a uma taxa 28% menor de chance de depressão. E, o consumo de vinho, entre duas e sete taças por semana, está relacionada a uma taxa 32% menor de depressão. “O vinho pode ajudar a prevenir a depressão entre as pessoas que não estão deprimidas, mas não podemos dizer que ele pode ajudar aquelas que já estão”, atesta Miguel Martínez González, coautor do estudo. Segundo os cientistas, uma das explicações para essa ajuda na saúde mental pode vir do resveratrol, que tem propriedades neuroprotetoras. “Neuroproteção aplicada ao hipocampo (área que tem papel fundamental no desenvolvimento da depressão aguda) pode prevenir quem bebe moderadamente de desenvolver depressão”, diz o estudo.

Apple e Champagne

Antes mesmo de ser lançada a versão 5S do iPhone, uma polêmica correu o mundo do vinho, já que uma das opções de cor do novo aparelho da Apple seria “Champagne”. Isso alarmou os representantes do Comitê Interprofissional de Champagne (CIVC), que disseram que tomariam as medidas cabíveis para impedir o uso do nome da região dessa forma. A entidade luta mundo afora para que o nome Champagne não seja usado em nada que não seja produto da região e assina acordos bilaterais com diversos países nesse sentido. Nos Estados Unidos, contudo, o uso do nome Champagne ainda não é restrito.

Ibéricos

Em sua nova edição, realizada no dia 10 de setembro, o World Wine Experience resolveu se concentrar nos vinhos da Península Ibérica, trazendo 16 produtores ao despojado empório EAT... Um dos destaques da feira foi a presença de Cristiano Van Zeller, com seus vinhos da Quinta Vale Dona Maria, mas também os espanhóis Bodega y Viñedos Valderiz e Bodegas Viñedos Ponce, que, pela primeira vez, estão representados no Brasil. ADEGA foi lá conferir as novidades.

AD 89 pontos
CAVA PERE VENTURA ROSÉ BRUT

Pere Ventura, Penedès, Espanha (World Wine R$ 96). Para manter seu estilo, a vinícola utiliza barricas de carvalho americanas e francesas. Este estruturado e refrescante rosé se destaca pelos aromas pronunciados, lembrando morangos e goiaba recém-colhidos. Com boa cremosidade e elevada acidez, deve ficar ótimo com pratos da culinária típica asiática. VS

AD 92 pontos
CIRERETS 2008

Bodegas Mas Alta, Priorato, Espanha (World Wine R$ 236). O Cirerets é uma novidade no Brasil. Traz aromas de frutas negras em compota e secas em harmonia com os tostados da madeira. Apresenta alguma complexidade evolutiva, com toques de couro novo e balsâmico. Em boca, é suculento, encorpado e aporta frutas maduras, de clima quente, mas que ainda trazem frescor. Um vinho muito bem feito e robusto. Ótimo para acompanhar cortes de carnes grelhadas. VS

AD 91 pontos
DINASTÍA VIVANCO RESERVA 2005

Dinastía Vivanco, Rioja, Espanha (World Wine R$ 130). Este exemplar apresenta cor rubi de média intensidade, com aromas sóbrios e discretos de frutas negras, especiarias e madeira tostada. Seu corpo é médio, com taninos bem formados e acidez comedida. Riojano típico e de ótima relação preço-qualidade. VS

Aromas “mentirosos”

Segundo uma pesquisa conduzida pela Universidade de Osaka, no Japão, a presença do tricloroanisol (TCA), substância química formada por fungos presentes em rolhas de cortiça defeituosas, inibe nosso olfato e faz com que tenhamos sensações pseudo-olfativas. De acordo com os cientistas, o TCA atrapalha nossa habilidade de detectar outros odores, impedindo os sinais do nariz para o cérebro e isso faz com que imaginemos os famosos aromas de cachorro e papelão molhados, cogumelos, mofo etc, com que geralmente esse defeito, chamado bouchonée, é descrito. Os resultados sugeriram que o TCA suprime os receptores primários de aroma, que convertem odores em sinais eletrônicos para o cérebro. Os pesquisadores acreditam que o cérebro interpreta essa reação com aromas desagradáveis.

Processador alimentado por vinho

Há quem beba uma taça de vinho ao dia e diga que é para se animar, mas a uma antropóloga da empresa de tecnologia Intel foi muito além disso. No fórum de desenvolvimento da marca, em São Francisco, a Dra. Genevieve Bell apresentou um processador alimentado por uma taça de vinho. O processador de baixa potência recebe energia de uma taça de vinho com dois eletrodos dentro que reagem ao ácido acético da bebida e produz uma corrente. “Algumas pessoas transformam água em vinho, aqui, na Intel, estamos transformando vinho em energia”, disse Genevieve. Apesar de um processador alimentado por vinho ainda estar longe de ser viável, ela acredita que esse tipo de inovação será a chave para os usuários de telefones móveis no futuro.

Do Alentejo

O Alentejo é uma das regiões portuguesas de maior destaque e, não por acaso, promoveu uma degustação de lançamentos em São Paulo no dia 3 de setembro, no hotel Caesar Park. Foram 15 vinícolas selecionadas que mostraram o que de melhor a região pode produzir, em um evento que contou com degustações guiadas. ADEGA participou e traz aqui algumas novidades avaliadas pela equipe.

AD 87 pontos
ADEGA DE BORBA DOC BRANCO 2012

Adega de Borba, Alentejo, Portugal (Adega Alentejana R$ 32). Corte de uvas brancas tradicionais portuguesas, este frutado e refrescante vinho branco apresenta cor pálida e aromas de casca de limão e maçã verde, característicos de uvas plantadas em regiões mais frias. Em boca, demonstra bom volume, trazido principalmente pela cepa Roupeiro. A Antão Vaz, também presente no corte, contribui com sabores de frutas mais tropicais em relação às encontradas nos aromas, como abacaxi, manga ou banana. Ótima acidez e boa persistência confirmam sua qualidade e convidam peixes e frutos do mar para a harmonização. VS

AD 87 pontos
HERDADE DAS ALBERNOAS TINTO 2011

Herdade Paço do Conde, Alentejo, Portugal (Porto Mediterrâneo R$ 33). Vinho regional alentejano dos mais típicos, com predominância de Aragonês e Trincadeira. Produzido com uvas provenientes de uma região mais quente, exibe aromas de frutas vermelhas e negras maduras, e até mesmo em compota. Em boca, apresenta taninos firmes, porém apreciáveis e acidez equilibrada. Bastante gastronômico e correto, agrada aos mais diversos paladares, principalmente pelos sabores frutados e pela facilidade de beber. VS

AD 92 pontos
MARQUÊS DE BORBA RESERVA 2009

J. Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora R$ 280). Trincadeira, Aragonês, Alicante Bouschet e Cabernet Sauvignon. Aromas de frutas vermelhas e negras como ameixas e groselhas, além de notas florais, herbáceas, especiadas e minerais. Em boca, é frutado, estruturado, equilibrado, tem boa acidez, taninos finos e final longo, profundo e suculento, com toques de grafite. Elegante, com madeira bem integrada e ótima textura. EM

No Google

Um programa de parceria com diversos Châteaux de Bordeaux fará com que, em breve, eles apareçam no Google Streetview, a ferramenta do site Google Maps que mostra imagens de ruas e estradas do nível do chão. O primeiro Château a ser incluído será o Lafon Rochet, em Saint-Éstèphe. Com essa ferramenta, os usuários poderão ver a vinícola por dentro, além do exterior dos edifícios. “Estou feliz por estar entre os primeiros em Bordeaux a usar essa tecnologia”, afirmou o gerente do Château, Basiel Tesseron.

Taninos

Uma equipe de pesquisadores do INRA (Institut National de la Recherche Agronomique) de Montpellier descobriu a organela celular responsável pela produção dos taninos nas plantas, os tannosome. Até então, não se sabia onde esses complexos químicos de proteção das plantas eram produzidos, mas apenas onde eram armazenados. Para chegar a essa organela, foi necessário um grupo multidisciplinar de cientistas. Segundo a pesquisadora Geneviève Conéjéro, o mais intrigante da descoberta é a aproximação do sistema de polimerização dos taninos com os supercomplexos da fotossíntese.

20% menor

De acordo com o Bureau do Vinho de Bordeaux, a safra 2013 será a menor desde 1991. Diversos fatores fizeram com que a colheita de Bordeaux seja cerca de 20% menor do que a do ano passado, que teve 52,5 milhões de hectolitros. Entre esses fatores estão: uma primavera difícil, um verão chuvoso no começo e uma série de tempestades de granizo. Em toda a França, este ano deve apresentar a menor colheita dos últimos 40 anos. Ela é estimada em 43,5 milhões de hectolitros, sendo que a média dos últimos 10 anos foi de 45,4 milhões.

Rolha diferente

Durante a Vinexpo 2013, um novo tipo de rolha foi apresentado, o HELIX. O artigo feito pela Corticeira Amorim e a O-I se trata de uma rolha ergonomicamente desenvolvida para uma garrafa de vidro com uma rosca no interior do gargalo. Segundo os produtores, esse material agrega todos os benefícios da cortiça e do vidro para a imagem de sofisticação e tradicionalismo do vinho. Com o design, a rolha pode ser facilmente retirada e também reinserida, se necessário. Testes conduzidos em diversos lugares vêm assegurando o perfeito envase do líquido.

O Château mais rápido

A equipe do Château Brane-Cantenac venceu a maratona que percorre os vinhedos do Médoc – realizada em setembro – pelo terceiro ano seguido. Esta é a sexta vez que a propriedade de Margaux vence a corrida, que já teve 29 edições. Seus corredores incluíram o vencedor geral, Thierry Guibault, que cruzou a linha de chegada em 2 horas, 26 minutos e 50 segundos, ganhando o direito de receber o seu peso em vinho. Também é a terceira vez que esse nativo da região de Cognac alcança o primeiro lugar. Em segundo lugar neste ano ficou o Château Villegeorge, seguido por Château Rolland de By, Château Léoville Barton, Château Pichon-longueville Contesse de Lalande, Château Belgrave, Château Lynch-Bages, Château La Rose Pauillac e Château Lagrange.

Vinho na gravidez

Uma publicação recente da revista médica British Medical Journal traz uma pesquisa realizada na Inglaterra que demonstra que o consumo moderado de bebidas alcoólicas durante a gravidez não afeta o bebê. O estudo foi feito por uma equipe da Universidade de Bristol com 6.915 mães que, em sua maioria, haviam consumido bebidas alcoólicas, principalmente vinho e cerveja, durante a gestação. Dessa forma, os pesquisadores concluíram que as mulheres que bebiam com moderação durante a gravidez não apresentaram sinais negativos nem prejudicado o desenvolvimento físico e intelectual dos filhos. As mulheres bebiam, em média, de três a sete taças na semana. Seus filhos, agora com cerca de 10 anos de idade, obtiveram resultados satisfatórios em provas físicas e intelectuais.

.Wine

O comissário europeu para agricultura, Dacian Ciolos quer suspender a pré-inscrição de domínios .wine e .vin na internet. A ideia é proteger as regiões e nomes de vinhos europeus, como Champagne, Bordeaux e Chianti, por exemplo, de usos incorretos online. Apesar de esses domínios ainda não existirem, existe a preocupação da possibilidade de que pessoas registrem contas como vin.Bordeaux ou Rioja.wine, sendo que elas não têm nenhuma relação com o vinho. Ciolos pediu urgência para a comissão digital da União Europeia para que faça o bloqueio prévio de nomes genéricos desse tipo até que as regras internacionais de subdomínios estejam estabelecidas.

Sem tentação

O reverendo inglês, Paul Filmer, resolveu parar de servir vinho durante a comunhão devido ao aumento do número de alcoólatras em sua paróquia. Ele decidiu usar suco de uva em vez de vinho tinto. O padre de Kent disse que não usou dois cálices diferentes, um para vinho e outro para suco, para que os alcoólatras de sua congregação não se sentissem excluídos. “Isso é algo novo para nós e raro na igreja da Inglaterra. Não acho que seja justo que alguém da paróquia possa se sentir excluído”, apontou Filmer, que trabalha nas igrejas de St. Peter e St. Paul, em Yalding. “A resposta tem sido positiva até agora, mas sair do forte vinho da comunhão para o suco de uva foi um choque para algumas pessoas da paróquia”, disse o padre, que tomou essa iniciativa pois a igreja tem uma forte associação com um centro de reabilitação.

Jeff Koons

Jeff Koons é um dos artistas da moda atualmente. Depois de desenhar o rótulo da safra 2010 do Château Mouton Rothschild (baseado em um afresco da cidade de Pompeia), agora ele foi chamado pela marca Dom Pérignon para fazer uma embalagem especial para seu Champagne Rosé 2003. Então, ele criou algo baseado na sua escultura conhecida como Venus Balloon, de uma série de obras que imitam o formato de animais feitos com bexiga. A edição limitada vai custar US$ 20 mil.

Os mais caros do mundo?

O site Winesearcher.com revelou uma lista com os 10 vinhos mais caros por ele catalogados. Ela foi feita baseada apenas em garrafas de 750 ml e na média de preço delas em cada lugar registrado, sem distinção de safra ou de preços em leilões, também retirando da equação valores extremos (muito altos e muito baixos). O resultado mostra a força da Borgonha, que angariou oito das 10 primeiras posições. Aliás, no top 50, os borgonheses somam 37 vinhos. A disparidade entre tintos e brancos, contudo, é menor, com os tintos liderando na margem de seis para quatro. E para quem acha que Romanée-Conti certamente estaria no topo da lista, uma surpresa, o campeão foi Henri Jayer Richebourg Grand Cru, cujo preço médio foi de US$ 16.325, superando os US$ 12.738 do Romanée-Conti.

Semente saudável

Recentemente, químicos uruguaios descobriram o segredo da uva tinta símbolo do país, a Tannat. Eles mapearam seu genoma e descobriram que ela contém grande quantidade de procianidinas, uma classe de flavonoides. Roger Corder, professor na Queen Mary University de Londres, fez a descoberta e confirma que a Tannat tem três ou quatro vezes mais procianidinas do que a Cabernet Sauvignon. Corder diz ainda que, isso, junto com a alta concentração de taninos, que combatem o envelhecimento das células, está por trás das propriedades saudáveis da uva. Ele acredita que a chave está nas sementes e não na casca das uvas. “Quando as uvas são fermentadas por várias semanas é quando os flavonoides são liberados das sementes e isso se desenvolve em moléculas mais complexas”, afirma, lamentando que na vitivinicultura de hoje não se tenha tanto tempo de fermentação.

Da redação

Publicado em 4 de Outubro de 2013 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista