Mundovino

Eventos do mundo do vinho


Lugar de espumante é na geladeira?

Um estudo publicado pelo American Chemical Society’s Journal of Agricultural and Food Chemistry afirma que temperaturas mais baixas podem prolongar a vida útil dos espumantes. A pesquisa vai contra as normas convencionais de armazenamento desse tipo de vinho, que sugerem que as garrafas devem ser guardadas em ambientes a cerca de 16oC. Na verdade, ela diz que os espumantes devem ser estocados em geladeiras com temperaturas a 4°C. O resultado é que, nessas condições, inibe-se o desenvolvimento do 5-HMF (ou Hidroximetilfurfural), composto responsável pelo escurecimento da bebida e amplia-se o tempo de guarda.

Vinho nas alturas

A revista inglesa Business Traveller revelou o ranking das empresas aéreas que oferecem os melhores vinhos aos seus tripulantes e a Qantas liderou o quadro de medalhas deste ano, ganhando os prêmios de Melhor Adega de Primeira Classe, Melhor Adega de Vinho em Geral e Melhor Adega de Classe Executiva.

Além disso, a companhia, que é apelidada de “The Flying Kangaroo”, também serve os melhores vinhos espumantes e brancos para a primeira classe. A empresa brasileira TAM foi mencionada na lista, aparecendo em terceiro lugar na categoria de melhor vinho de sobremesa servido na primeira classe.

Vinho até US$ 20

Um estudo do Conselho do Comércio de Vinho dos Estados Unidos analisou os hábitos dos consumidores norte-americanos e verificou que apenas 5% da população compra vinhos com valor superior a US$ 20. “US$ 20 é a linha de demarcação verdadeira que identifica os consumidores de vinho de qualidade, afinal, as pessoas que pagam US$ 20 são as mesmas que gastam US$ 30, US$ 50, até mesmo mais de US$ 100 em um vinho específico”, afirma John Gillespie, presidente do Conselho. Para ele, os consumidores de vinho de alta gama são como uma espécie de termômetro para identificar o padrão e a qualidade das bebidas. “Nós sabemos que os compradores de vinho de alta qualidade são muito mais sofisticados. Eles são como intermediadores entre o nível de sofisticação do comércio e o nível de sofisticação dos consumidores médios”, complementa.

Investimento na Argentina

Um relatório da empresa Knight Frank indica que o preço médio de vinhedos no mundo aumentou cerca de 6,8% (no período de um ano) até meados de junho de 2013. De acordo com o relatório Global Vineyard Index 2013 (que monitora o valor das vinhas ao redor do planeta), a região de Mendoza, na Argentina, foi a que apresentou a maior elevação de preço, com 25%. Já a região europeia que teve a maior alta foi a Toscana, na Itália, com 20% de aumento.

Arma contra o câncer de pulmão

Pesquisadores canadenses das Universidades de Brock e McMaster estão realizando estudos in-vitro, processos biológicos realizados em ambiente laboratorial, para testar a capacidade tanto dos vinhos tintos quanto brancos em frear o desenvolvimento do câncer de pulmão. Descobriu-se que ambos os tipos frearam a evolução da doença, mas os pesquisadores ressaltaram que os tintos foram mais eficazes e mais rápidos nesse processo. O vinho tinto paralisou o desenvolvimento da doença com apenas 2% de concentração, ao passo que o branco alcançou tal resultado a partir de 5%. De acordo com a pesquisadora Evangelia Litsa Tsiani, a eficácia do vinho tinto se deve à alta concentração de resveratrol em sua composição, mas ela adverte que a equipe não pode fazer recomendações sobre o consumo de vinho porque os testes foram realizados em laboratório.

Exemplo de Coppola

Conhecido por suas grandes produções em Hollywood como “O exterminador do futuro”, “Alien” e “Avatar”, o diretor James Cameron seguiu o exemplo de Francis Ford Coppola e se tornou o mais novo cineasta a ingressar no mundo do vinho. Recentemente, ele comprou a propriedade Beaufort Estate Winery, no vale de Compox, em Vancouver, por uma quantia estimada em US$ 2,7 milhões. O terreno adquirido por Cameron tem 84 hectares, sendo seis já plantados.

Fazendo as contas

Uma pesquisa da revista francesa La Feuille de Vigne revelou o tempo que uma pessoa precisa trabalhar para ganhar dinheiro suficiente para adquirir uma garrafa de vinho. A média mundial gira em torno de 7 horas e 15 minutos de “labuta”. O estudo utilizou dados estatísticos do Numbeo, banco de dados da Organização Internacional do Trabalho, órgão que mede o custo de vida no mundo. Os 19 países onde o vinho é mais acessível para os cidadãos se encontram na Europa. Em Luxemburgo, líder do ranking, por exemplo, uma pessoa precisa trabalhar apenas 14 minutos para conseguir uma garrafa, um minuto a menos do que o necessário para os austríacos. Dinamarqueses, suíços e franceses também precisam de menos de 20 minutos de trabalho para garantir seu vinho. O Brasil aparece no meio da tabela, com o consumidor tendo que gastar cerca de 2 horas de trabalho para poder levar um vinho para a casa.

Papel das leveduras

Há alguns anos, os pesquisadores tentam desenvolver formas de produzir vinhos menos alcoólicos sem que seja necessário colher uvas mais cedo, adicionar água ao mosto ou realizar qualquer outra técnica “invasiva”. Um estudo publicado no fim de 2013 pelo Instituto Australiano de Pesquisas de Vinho, contudo, afirma que a resposta para esse problema pode estar nas leveduras utilizadas na fermentação. No estudo, uma combinação de cepas possibilitou a produção de vinhos com menor teor alcoólico. A levedura Metschnikowia Pulcherrima foi usada para dar início à fermentação e depois outra, a Sacchromyces cerevisiae assumiu a continuação do processo. A primeira levedura não é capaz de consumir todo o açúcar do mosto e morre em quantidades relativamente baixas de álcool. A segunda, por sua vez, é capaz de terminar o processo e isso fez com que os níveis de álcool diminuíssem. Durante a pesquisa, produziu-se um vinho com uma variedade australiana da uva Shiraz com níveis de álcool 1,6% abaixo do convencional. O mesmo procedimento feito com Chardonnay não foi tão efetivo, diminuindo em apenas 0,9% o teor alcoólico.

China no melhor estilo bordalês

Na China, que tenta construir uma indústria de vinho, uma área está adotando medidas na tentativa de garantir a qualidade de suas bebidas. A região de Ningxia, localizada na porção central do país, chamou a atenção por ser um local promissor para blends à base de Cabernet Sauvignon e por adotar um sistema de classificação baseado na famosa Classificação de Bordeaux de 1855, feita a pedido de Napoleão III, para a Exposição Universal de Paris daquele ano. Na ocasião, as melhores propriedades foram divididas em cinco categorias baseadas nos preços dos vinhos. Dessa forma, assim como a divisão bordalesa, as vinícolas chinesas serão divididas em cinco níveis, mas diferentemente da classificação de 1855, que é estática, a versão chinesa vai promover uma reavaliação a cada dois anos – como o modelo de Saint-Émilion – para a promoção ou o descenso de categoria. Os organizadores da classificação chinesa esperam que o sistema reconheça e incentive os produtores de Ningxia a produzir vinhos de alta qualidade. Em 2013, as mais de 100 vinícolas existentes na região de Ningxia foram julgadas por um grupo internacional de especialistas de acordo com a qualidade do vinho produzido, e somente 10 delas entraram na classificação, no quinto posto da lista. No ano que vem, as vinícolas serão submetidas a novas avaliações, e assim sucessivamente até que alguma possa atingir o posto de Premier Cru no futuro.

Pigmento

Uma pesquisa realizada por cientistas ingleses da Plymouth University Peninsula Schools of Medicine and Dentistry mostrou que um pigmento vegetal encontrado em frutas vermelhas, incluindo as uvas, e consequentemente nos vinhos tintos, conhecido como Quercetina, pode reduzir os sintomas de uma rara doença muscular da infância, a “floppy baby syndrome”, relacionada à hipotonia, condição na qual o tônus muscular está anormalmente baixo. A Quercetina é responsável por fortalecer as células nervosas e musculares, ajudando a evitar a evolução da doença. Quando isolada e utilizada para tratamento, essa substância gera uma melhoria significativa na saúde das células nervosas e musculares. Apesar de não prevenir todos os sintomas, os pesquisadores esperam que o tratamento seja uma opção nos primeiros estágios da doença.

En Primeur

No dia 25 de fevereiro, foi lançado em evento no restaurante Vinheria Percussi, em São Paulo, mais um rótulo da Bueno Estate Wines, projeto do locutor esportivo (e apaixonado por vinhos) Galvão Bueno. Desta vez, Galvão deu asas a outra de suas paixões, os vinhos italianos e, em parceria com o célebre enólogo italiano Roberto Cipresso, criou o Bueno-Cipresso Brunello di Montalcino, produzido na premiada vinícola Poggio al Sole, no coração da Toscana. ADEGA esteve presente e traz, em primeira mão, a avaliação dos três vinhos provados no almoço, que, em breve, estarão disponíveis no mercado.

Três décadas de Don Melchor

No dia 13 de março, o enólogo Enrique Tirado esteve em São Paulo especialmente para conduzir a degustação e lançamento da exclusiva coleção “Don Melchor Three Decades”, um tributo à história e à tradição desse ícone chileno. Foram produzidas somente 50 caixas dessa edição, das quais 12 foram destinadas ao Brasil. A coleção é composta por uma garrafa de cada uma das seguintes colheitas: 1988, 1993, 1999, 2001, 2005 e 2007, todas assinadas pelos enólogos responsáveis por sua produção (Goetzs Von Gersdorff, para as duas primeiras, e o próprio Enrique Tirado, para as demais). Essas safras foram selecionadas cuidadosamente por retratar o potencial de guarda e o perfil de Don Melchor. Confira as avaliações dessas e outras safras de Don Melchor no site www.melhorvinho.com.br

AD 93 pontos
BUENO-CIPRESSO BRUNELLO DI MONTALCINO 2007

Bueno Wines, Toscana, Itália (Miolo Wine Group R$ 350). No primeiro momento, chama a atenção pelos agradáveis aromas de frutas vermelhas envoltos por notas herbáceas e terrosas, além de toques de especiarias doces. Apesar do nariz complexo e exuberante, o que chama atenção está na boca, com sua acidez vibrante, taninos finos de ótima textura, tudo envolto numa aura de equilíbrio, elegância e profundidade. Tem um estilo mais moderno, porém mantendo a pegada terrosa, o frescor e as frutas vermelhas mais frescas, além de um delicado toque animal. Depois de algum tempo na taça, aparece uma nota de cereja ao licor. Vibrante e intenso. EM

AD 92 pontos
BUENO-CIPRESSO BRUNELLO DI MONTALCINO 2005
Bueno Wines, Toscana, Itália (Miolo Wine Group R$ 350). Aqui as notas de frutas mais maduras envoltas por toques de ervas secas e de especiarias doces dominam o nariz, aportando depois uma nota fresca lembrando eucalipto e menta. Em boca, confirma essa sensação mais madura, com um toque mais doce, porém ganhando em textura e volume, e mantendo a profundidade e estrutura. Num estilo mais frutado, sedoso e mais acessível, tudo envolto por uma gostosa acidez que levanta todo o conjunto. EM

AD 95 pontos
BUENO-CIPRESSO BRUNELLO DI MONTALCINO 2005
Bueno Wines, Toscana, Itália (Miolo Wine Group – por volta de R$ 600). Os aromas aqui esbanjam complexidade. Especiarias doces, notas terrosas, defumadas, de carne, de alcaçuz e de cerejas ao licor, além de toques de azeitonas. Em boca, tem a finesse e a intensidade aliadas com elegância, bem como potência, estrutura e volume de boca, tudo num contexto de madurez emoldurado por ótima acidez, que aporta um frescor herbáceo ao conjunto. Impressiona pela textura sedosa e de grãos finos de seus taninos. Sem dúvida, um grande Brunello. EM

Da redação

Publicado em 30 de Março de 2014 às 00:00


Mundovino espumante American Chemical Society’s Journal of Agricultural and Food Chemistry Business Traveller Knight Frank Brock McMaster

Artigo publicado nesta revista