Mundovino

Eventos do mundo do vinho


Portugal à vista

A convite da Wines of Portugal, o jornalista Luiz Horta selecionou rótulos sem importador que, no seu ponto de vista, agradariam o paladar brasileiro. O resultado dessa garimpagem por terras portuguesas foi apresentado a mais de 100 pessoas, dentre importadores, jornalistas e formadores de opinião, no “Find Importer Day”, evento que aconteceu no dia 17 de março, no Consulado de Portugal em São Paulo. Vinte produtores tiveram a oportunidade de mostrar a qualidade de seus vinhos. ADEGA esteve lá, conferiu tudo e selecionou três destaques.

AD 90 pontos
CONDE DE ERVIDEIRA RESERVA BRANCO 2012
Ervideira, Alentejo, Portugal (Preço ex-cellar €$ 5,50). Branco exclusivamente elaborado a partir de uvas Antão Vaz fermentadas em barris de carvalho húngaro apresenta aromas de pêssegos e abacaxi maduros, bem como notas florais, tostadas e especiadas. No palato, é suculento, frutado, com a madeira bem integrada e sem se sobrepor ao conjunto, somente aportando textura, complexidade aromática e volume de boca. EM

AD 91 pontos
OLHO NO PÉ COLHEITA TARDIA 2011
Folias de Baco, Douro, Portugal (Preço ex-cellar €$ 8,10). Branco doce elaborado a partir de vinhas velhas de várias castas brancas. Surpreendente equilíbrio entre acidez (7 g/l) e doçura (190 g/l), o que o torna muito agradável e nada enjoativo. Exuberantes notas de frutas brancas e de caroço maduras, como pêssegos, envoltos por notas florais, de frutos secos e de mel. No palato, é intenso, vibrante, tem ótima textura e final com toques de frutas cítricas que convidam para mais um gole. Álcool 11%. EM

AD 91 pontos
QUINTA DA SEQUEIRA TINTO RESERVA 2011
Quinta da Sequeira, Douro, Portugal (Preço ex-cellar €$ 8,30). Tinto composto a partir de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Amarela e Tinta Barroca, com estágio em barricas de carvalho. Aqui o que chama a atenção é a textura do vinho, de taninos de grãos muito finos, que estão em perfeito equilíbrio com suas frutas vermelhas frescas cheias de tensão e acidez. Suculento e gostoso de beber, tem um agradável final lembrando grafite e tinta nanquim. EM

Olfato apurado

O nariz humano pode ser muito mais sensível do que se imaginava. É o que a Universidade de Rockefeller, no Estados Unidos, apontou em um estudo recente, o qual mostrou que o sistema olfativo detecta, ao menos, um trilhão de aromas diferentes. Antes, acreditava-se que éramos capazes de sentir cerca de 10 mil cheiros. Mas para aqueles que sentem dificuldade em verbalizar as sensações olfativas ao degustar um vinho, os especialistas dizem que o vocabulário do vinho é ainda muito pequeno para contemplar toda essa gama de aromas. “Pode-se treinar o sentido do olfato e, possivelmente, melhorá-lo, mas o desafio é colocá-lo em palavras”, opinou Richard Bampfield, Master of Wine que coordena aulas de educação de vinho.

Trégua

No início de abril, a União Europeia (UE) garantiu assistência para o desenvolvimento de vinhedos na China por dois anos e encerrou um longo imbróglio comercial que remonta desde o ano passado. Os chineses reclamavam das taxas elevadas de imposto sancionadas pela UE sobre seus painéis solares e as atitudes dos asiáticos em criar uma comissão para investigar dumping e aumentar o imposto sobre os produtos importados do Velho Mundo foram consideradas retaliação pela UE. Mas agora, com o auxílio da Comissão Europeia, a China optou por encerrar a investigação a respeito do comércio dos vinhos europeus depois de vários meses de negociação entre os dois lados.

Uma pitada de Roma

Arqueólogos da Universidade de Cambridge encontraram uma série de canteiros que podem ter servido para plantio de videiras no Reino Unido durante o Império Romano. A descoberta ocorreu em uma exploração de uma área de 1.500 hectares ao sul da Inglaterra, que agora é tida como evidência de que os romanos introduziram ali a cultura do vinho logo depois da invasão às terras britânicas no ano de 43 d.C. Chris Evans, diretor-executivo da pesquisa em Cambridge, afirmou que irá esperar os resultados das pesquisas antes de cravar a presença da vitivinicultura romana na Inglaterra, já que existe também a possibilidade de o solo ter sido utilizado para a plantação de aspargos.

Auxílio na quimioterapia

Uma pesquisa recente da Universidade de Adelaide, na Austrália, e publicada na revista PLOS One revelou que o polifenol, extrato retirado da semente de uvas, pode reduzir os sintomas de um efeito colateral no processo de quimioterapia conhecido como Mucositis, que causa inflamação e ulceração do canal gastrointestinal. Além do auxílio que traz para o processo de quimioterapia, o polifenol também pode combater o próprio câncer graças às procianidinas. “Ao contrário da quimioterapia, as procianidinas podem agir de forma mais eficaz sobre as células cancerígenas e fortalecer as que permanecem saudáveis. As sementes têm efeitos mais eficientes do que a quimioterapia”, declarou Amy Cheah, autora do estudo.

Paixão até no nome

Há quem seja completamente apaixonado por vinho e capaz de dedicar a vida à cultura da bebida. Para um casal de São José dos Campos, no interior paulista, a admiração pelo vinho levou Isabella Franco, 35 anos, e Lucas Lacaz Ruiz, 47 anos, a batizarem seus filhos com nomes de variedades de uva: Syrah Luiza, João Malbec e Natasha Chardonnay. “Gostamos muito de tomar vinho e, durante uma conversa no começo do namoro, decidimos que nossa primeira filha se chamaria Syrah, que é o nome da uva de que mais gosto. Depois, quando o Lucas sugeriu Malbec para o nosso segundo filho, eu fiquei na dúvida, mas fui convencida porque colocamos um nome mais comum, o João, primeiro”, disse Isabella.

Tejo em São Paulo

O dia 13 de março foi concorrido na cena de vinhos paulistana. Profissionais do vinho puderam participar da Grande Prova Anual de Vinhos do Tejo no Hotel Tivoli Mofarrej. Dela participaram 10 dos melhores produtores como a Quinta do Casal Branco, Casal do Conde, Quinta da Lapa, Quinta do Casal Monteiro, Adega Cooperativa de Cartaxo, entre outros que trouxeram seus vinhos para serem provados e também colocados lado a lado com diferentes tipos de culinárias em palestras de harmonização. ADEGA sugere aqui alguns dos bons rótulos avaliados.

AD 88 pontos  
CASAL DO CONDE ARINTO SAUVIGNON BLANC 2013
Casal do Conde, Tejo, Portugal (Cepa Sagrada R$ 70). Branco bastante fresco elaborado a partir de Arinto e Sauvignon Blanc. Aromas agradáveis de frutas brancas e cítricas, além de toques florais, herbáceos e minerais. No palato, fora a agradável sensação de frescor, mostra bom volume de boca e persistência. Despretensioso, limpo, gostoso de beber. EM

AD 91 pontos
CONDE DE VIMIOSO RESERVA 2011
Falua Sociedade de Vinhos, Tejo, Portugal (Decanter R$ 160). Após o sucesso no Alentejo, João Portugal Ramos decide engrandecer os vinhos do Ribatejo, hoje chamado Tejo. Com longo potencial de guarda, seus vinhos têm estrutura, corpo e taninos robustos, tudo isso muito bem enlaçado pelas frutas ricas em frescor. A safra de 2011 apresenta cor viva, violeta intensa, com aromas de especiarias. Em boca, é incrivelmente apetitoso e equilibrado. Mesmo jovem e saboroso, dá todas as dicas de que daqui a quatro ou cinco anos estará ainda melhor, sem ainda comprometer o frescor das frutas. Guarde-o para o dia em que tiver uma bela costela assada para acompanhá-lo. VS

AD 88 pontos
QUINTA DA LAPA SYRAH 2010
Quinta da Lapa, Tejo, Portugal (Porto Mediterrâneo R$ 69). Tinto elaborado a partir de uvas Syrah, mostra tipicidade com as notas de especiarias picantes envolvendo as frutas mais negras e suculentas, além de toques tostados e de chocolate. Em boca, confirma esse estilo de fruta, porém sua acidez vibrante e os taninos pronunciados e de boa textura aportam equilíbrio ao conjunto. Experimente-o com carnes vermelhas grelhadas ou queijos duros. EM

AD 87 pontos
QUINTA CASAL MONTEIRO BRANCO 2012
Quinta do Casal Monteiro, Tejo, Portugal (St. Marche R$ 30). Elaborado a partir das castas Fernão Pires e Arinto, este branco mostra agradáveis notas de frutas cítricas lembrando limão siciliano, além de notas florais e herbáceas. Em boca, sua acidez refrescante e fruta de boa qualidade convidam a mais um gole. Direto, fresco e fácil de beber, é uma ótima opção de branco para o dia a dia. EM

Marquês


Por definição, uma degustação vertical trata-se de comparar o mesmo vinho em diferentes safras. No entanto, cabem ressalvas na expressão “o mesmo vinho”. Durante uma vertical de Marquês de Borba Reserva, realizada dia 3 de abril, o seu produtor, João Portugal Ramos, revelou não ter uma receita específica para a elaboração de seu mais aclamado tinto. Segundo ele, ao longo das safras, um enólogo adquire experiência e assim pode contar com mais “ferramentas” a cada colheita. Sendo assim, por que não dispor delas? Por que se limitar a um padrão? O enólogo e agrônomo da Quinta de Borba, garante que seu Marquês de Borba Reserva possui o mesmo esqueleto básico desde a primeira safra, em 1997. Quinze por cento, no máximo, de Cabernet Sauvignon, um terço de Alicante Bouschet e o restante é composto por Tricandeira e Aragonês, que se alternam. E assim, cada safra de Marquês de Borba Reserva é um reflexo não só das condições do ano, mas também da evolução do enólogo. ADEGA teve a oportunidade de participar dessa degustação comparativa. Confira estas e outras safras do Marquês de Borba no site www.melhorvinho.com.br

AD 93 pontos  
Marquês de Borba Reserva 1997
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Exemplar não filtrado está no auge de sua complexidade. Possui aromas de ameixas secas, licor de cassis e cravos. Boca macia, com taninos lisos e saborosa persistência. VS

AD 91 pontos  
Marquês de Borba Reserva 1999
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Ainda vivo e com força para seguir adiante. Estagiou mais tempo em barricas, por isso os aromas de chocolate e especiarias se destacam. Corpo sedoso e licoroso. VS

AD 92 pontos  
Marquês de Borba Reserva 2003
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Exemplar mais rústico, com forte tipicidade do solo xistoso. É bem mais seco que os outros, remetendo a frutas como jabuticaba e mirtilos. VS

AD 93 pontos  
Marquês de Borba Reserva 2007
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Uma retomada ao estilo de 1997, com mais floral e mentol. A Cabernet Sauvignon aparece mais nesta safra, conferindo extrema elegância. VS

AD 91 pontos  
Marquês de Borba Reserva 2008
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Reflexo de um ano bastante quente e seco, com mínima participação da Cabernet (5%). Aroma que se distingue totalmente dos demais, principalmente pelo alcaçuz. VS

AD 92 pontos  
Marquês de Borba Reserva 2009
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora – fora de catálogo). Super jovem e frutado, com boa amplitude e preenchimento de boca. Frutas compotadas e suculentas bem equilibradas pela ótima acidez. Vai longe. VS

AD 94 pontos  
Marquês de Borba Reserva 2011
João Portugal Ramos, Alentejo, Portugal (Casa Flora R$ 287). Fruto da maturidade do enólogo e de suas vinhas, sem dúvida, o melhor exemplar de Marquês de Borba já produzido. Aromas florais, de amoras e chocolate se completam equilibradamente. A textura em boca é de veludo, com taninos já prontos e longa persistência. VS

Novo status

O Instituto Nacional de Denominações de Origem (INAO) está encaminhando seus planos para classificar novos vinhedos como Grand Cru e Premier Cru na Borgonha. Nelly Blau, encarregado das exportações do Bureau Interprofessionnel des Vins de Bourgogne (BIVB), disse que as regiões de Marsannay, na Côte de Nuits, Saint-Romain, na Côte de Beaune, e Pouilly-Fuissé, -Loché, -Vinzelles e Saint Véran, no Macôn, visam adquirir status de Premier Cru. Na região de Pommard, os vinhedos Le Rugiens, Les Épenots e Comte Armand Clos des Épeneaux querem status Grand Cru. “Acreditamos que o potencial qualitativo é tão bom no Macôn quanto no resto da Borgonha. Estamos recuperando a nossa reputação”, disse Frédéric Burrier, do Château de Beauregard e presidente de Pouilly-Fuissé. Porém qualquer confirmação sobre a mudança nos status ocorrerá somente em 2018.

Admirável

A vinícola espanhola Torres conquistou o status de marca de vinho mais admirada do mundo em 2014 segundo a lista da consultoria Drinks International. Os espanhóis aparecem no topo, desbancando a Casillero del Diablo, marca do grupo chileno Concha y Toro, que havia faturado o primeiro lugar na última pesquisa. A Torres somou 15% dos votos de um total de 200 jurados, profissionais da indústria. Em terceiro lugar, vem Château Latour, seguido de Tignanello, Penfolds, Château d’Yquem, Château Margaux, Cloudy Bay, Guigal e Vega-Sicilia, que completam o top 10.

Passeio

De 31 de março até 11 de abril, o público de 10 grandes cidades do Brasil pôde sentir o gostinho do vinho e da gastronomia portuguesa com o “Passeio Enogastronômico por Portugal”, promovido pela Adega Alentejana. Campinas, São Paulo, Belo Horizonte, Brasília, Goiânia, Maceió, Curitiba, Rio de Janeiro, Fortaleza e Recife receberam representantes de 19 vinícolas emblemáticas de Portugal, que ofereceram à prova 120 vinhos de diferentes regiões, mas, além disso, os participantes também puderam degustar outras riquezas da gastronomia portuguesa como os azeites, queijos, carnes de porco preto, conserva de peixes e chocolates.

Obra de arte

Rótulos de vinhos desenhados por grandes artistas não são novidade no mundo. Uma vinícola brasileira, então, decidiu convidar o catarinense Juarez Machado para criar uma série de rótulos exclusivos. No fim de março, a Villa Francioni, de São Joaquim, lançou sete rótulos a partir de reproduções de telas do artista plástico, radicado em Paris há mais de 30 anos. Além das ilustrações, Machado também compôs um poema que está no contrarrótulo de cada garrafa. O artista de 73 anos tem várias obras ligadas ao mundo do vinho e já realizou exposições temáticas como a “Châteaux Bordeaux”, em que retrata várias propriedades famosas da região bordalesa. A elaboração do vinho Juarez Machado, da safra 2007, coube ao enólogo Orgalindo Bettú. O rótulo foi produzido com quatro diferentes uvas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Malbec.

Rali nos vinhedos de Mendoza

Um inusitado rali de carros antigos ocorreu em Mendoza, Argentina, nos dias 13, 14 e 15 de março. A 12a edição do Rally de las Bodegas combinou a paixão por carros esportivos clássicos, rotas de vinho e as paisagens da Cordilheira dos Andes. O evento é organizado pelo Club Mendoza Clasicos & Sport e passou por vinícolas consagradas como Cheval des Andes, Pulenta Estate, Dante Robino, entre outras. As provas levam em conta a regularidade e o tempo, com os competidores se mantendo a uma velocidade inferior a 50 km/h.

Deliciosa combinação

Comida e vinho são duas maravilhas que guardam uma deliciosa reciprocidade. E para aliar as duas coisas, o site “The Daily Meal” divulgou a lista dos 20 melhores restaurantes de vinícolas do mundo. O melhor da tabela é o Étoile, cujo chef Perry Hoffman foi nomeado melhor novo chef da Califórnia pela revista “Food & Wine”. Na vice-liderança, vem o italiano Cantinetta Antinori, da região de Florença, seguido pelo espanhol Marqués de Riscal, da vinícola Herderos del Marqués de Riscal. Na mesma lista, aparecem dois estabelecimentos argentinos no top 10 – o 1884, do prestigiado chef Francis Mallman, dentro da Bodega Escorihuela Gascón, e o Urban, coordenado pela chef Nadia O. Fournier. Segue o top 20:

Étoile da Domaine Chandon
Cantinetta Antinori
Marqués de Riscal
Leeuwin Restaurant, da Leewin Estate
1884 Restaurante Francis Mallman
The Restaurant da Cordeillan-Bages
La Taverna da vinícola Castello Banfi
Barão Fladgate Restaurant da vinícola Taylor Fladgate
The Restaurant da Wente Vineyards
10º Urban da vinícola O. Fournier
11° Farmstead da Long Meadow Ranch
12° Magill Estate Restaurant da vinícola Penfolds Magill Estate
13º Restaurant da Herdade do Esporão
14º  Terrôir at Craggy Range
15º The Bistro at Red Newt da vinícola Red Newt Cellars
16º Comtesse Thérèse Bistro da vinícola Comtesse Thérèse
17° Old Vines da vinícola Quails’ Gate
18° Restaurant da vinícola Weingut Nigl
19° Overture da Hidden Valley Wines
20° The Restaurant Justin da vinícola Justin Vineyards & Winery

No Golfe

A Viña Santa Carolina, uma das marcas de maior prestígio do Chile, costuma ter seu nome ligado ao esporte e agora resolveu patrocinar o golfista Benjamín Alvarado, primeiro chileno a jogar no circuito PGA, o mais disputado do mundo. Alvarado foi eleito o melhor em seu esporte no Chile e, além de promover a marca, vai realizar clínicas para clientes.

R$ 69 milhões

Para se ter ideia do tamanho e do crescimento de seus negócios, a Cooperativa Vinícola Garibaldi apresentou seus números de 2013 em uma assembleia para todos os seus associados. Nela, apontou-se um faturamento de R$ 69 milhões, número recorde nos últimos cinco anos. Em 2013, os associados colheram 15,5 milhão de quilos de uvas que deram origem à produção recorde de 1,25 milhões de garrafas de espumantes – cerca de 10% acima do ano anterior –, e de 5,75 milhões de litros de sucos de uva – 64% mais do que em 2012. “Superamos nossas expectativas de vendas em 2013. Por essa razão, projetamos 18 milhões de quilos de uvas com a safra 2014”, prevê o presidente da cooperativa, Oscar Ló.

Café ou vinho? Os dois!

Falar em Starbucks é lembrar de um bom lugar para tomar café, certo? Em partes. Tudo porque a rede de cafeterias decidiu ampliar seu cardápio nas lojas dos Estados Unidos e incluir as garrafas Malbec e Chardonnay, em especial, no menu para atender melhor à clientela noturna. Troy Alstead, responsável pela rede na América do Norte, informou que a Starbucks vem se concentrando em vender mais produtos além de café, como bebidas alcoólicas, suco, chá e alimentos para impulsionar o seu crescimento. Em Chicago, por exemplo, o cardápio propõe macarrão com queijo, empada de frango, vinho Chardonnay e fondue de chocolate após as 16h. A ideia por trás da ampliação do menu é aumentar o ticket médio do consumidor das lojas e, com isso, elevar o valor de mercado da franquia para US$ 100 bilhões.

Na justiça

A recente publicação do livro “Vino Business” da autora Isabelle Saporta motivou Hubert de Bouard, proprietário do Château Angelus, em Saint-Émilion, a processá-la por difamação. A ação veio nove dias depois da publicação da obra da escritora, a qual trata das questões contraditórias no mundo do vinho francês sob o seu olhar crítico. O conflito se deu quando a classificação de 2012 – que tornou o Château Angelus um Premier Grand Cru Classé A – foi colocada em xeque. Além da autora, Albin Michel, publisher do livro, também foi citado no processo. Se Bouard afirma que o processo de difamação surgiu devido a uma informação falsa na obra, Isabelle Saporta, por outro lado, lembra que avisou com antecedência o proprietário do Angelus sobre o teor investigativo do livro.

Queimando a largada

A expectativa sobre a campanha en primeur 2013 em Bordeaux é enorme, especialmente depois de uma safra complicada como foi a do ano passado e da pressão dos negociantes por preços mais baixos. No entanto, antes mesmo de a degustação oficial realizada em 2 de abril pela Union des Grands Crus de Bordeaux (UGC), o Château Pontet-Canet, da família Tesseron, resolveu colocar preço em seus vinhos. Para espanto geral, no dia 26 de março, Melanie Tesseron, confiante na qualidade da safra, anunciou que seus vinhos custariam o mesmo que no ano anterior, ou seja, 60 euros. Depois da atitude, os comerciantes temeram que outros seguissem o exemplo e não diminuíssem os preços em relação à safra 2012. Segundo Alain Raynaud, presidente do Grand Cercle de Bordeaux, a atitude de Pontet-Canet pode ter sido boa para ele, mas ruim para a coletividade. “É da natureza humana tentar conservar os preços, mas os vinhos sobrevalorizados precisam baixar 30% para serem interessantes, e a preocupação é que Pontet tenha dado um sinal completamente errado para os outros Châteaux. A contaminação pode se espalhar rápido em Bordeaux”, disse. Até o fechamento desta edição, os principais Châteaux ainda não tinham divulgado seus preços.

Vinho em poesia

O artista Rodney Graham foi convidado pela Tenuta dell’Ornellaia para criar o design dos rótulos de edições limitadas do vinho Ornellaia 2011. O canadense vai assinar 100 garrafas double magnuns (3 litros), 10 Imperials (6 litros) e uma Salmanazar (9 litros) que serão leiloadas em junho durante evento beneficente. Graham sugeriu o design dos rótulos e utilizou poemas, como “The Impossible Pantoum of Acknowledgement” e “Lamentations of a Humourist”. “Alguns dos poemas que escrevo são sobre vinho, alguns são escritos sobre a influência dele. Explorei várias tipografias e possibilidades de layouts nos textos e isso levou a formas geométricas que formam 11 rótulos diferentes”, afirmou Graham.

Capital do vinho

Capital dos Estados Unidos, Washington DC é, hoje, o local onde está o maior consumo per capita de vinho do país. Uma pesquisa da revista “Business Insider” indicou que, na cidade, cada pessoa consome, em média, 25,7 litros de vinho ao ano, o equivalente a 34 garrafas. Quando se trata dos estados norte-americanos, New Hampshire lidera com 19,6 litros por ano por pessoa, seguido de Vermont (17,5 l), Massachusetts (16,9 l), e Nova Jersey (14,9 l). Na contramão, no estado da Virgínia, as pessoas não parecem apreciar muito a bebida, pois o volume de consumo é inferior a 2,4 l por pessoa. No Mississippi e em Utah, a ingestão da bebida não ultrapassa a marca de 3,2 l por pessoa, porque nesses locais a bebida é controlada pelo governo.

Furto em vinhedos, problema antigo

Um pedaço de papiro, datado do século IV d.C., encontrado no Egito do período romano e decifrado por Kyle Hems, da University of Cincinnati, mostra que a preocupação com o roubo de uvas em vinhedos é antigo. O documento era destinado a um homem chamado Flavius, que seria responsável por vigiar um vinhedo perto da aldeia de Panoouei, no Egito. O texto dizia: “A partir do dia de hoje até a colheita e o transporte dos frutos, serei responsável por cuidar desse vinhedo de modo que não haja negligência. Mas, com a condição de que receber um pagamento por todo o tempo acima mencionado”. Não foi possível, no entanto, identificar o quanto Flavius receberia pelo serviço.

Vinho na terra do Papa

Quando se trata de consumo de vinho per capita não há quem supere o Vaticano. Segundo uma pesquisa do Instituto do Vinho da Califórnia, essa minúscula cidade, sede do papado, é o país de maior consumo de vinho por pessoa no mundo, com uma média impressionante de 74 litros. Esse número representa quase 105 garrafas consumidas na terra do Papa Francisco ao ano pelos meros 800 habitantes locais, de acordo com os dados oficiais. O segundo país da lista é Luxemburgo, com 56 litros per capita ao ano. Na mesma lista, os franceses vêm em quinto lugar, com uma média de 45,6 litros. A Itália, em nono, consome 37,6 litros per capita.

O primeiro Champagne rosé do mundo

Segundo a Ruinart, foi ela quem primeiro produziu um Champagne rosé na história, em 1764 – ou seja, o fato estaria completando 250 anos agora. De acordo com a empresa, foi um registro de 14 de março de 1764, em que se solicita uma remessa de “uma cesta de 120 garrafas”, 60 delas Oeil de Perdrix. Este termo se refere a uma coloração cobre roseada. O Champagne rosé de então provavelmente era produzido pela adição de pigmentos provenientes de sabugueiro para obter a coloração rosada, que era moda na época. O primeiro carregamento de Ruinart rosé foi enviado para a Alemanha, ordenado pelo Duque de Mecklembourg-Strelitz.

Da redação

Publicado em 21 de Abril de 2014 às 00:00


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Artigo publicado nesta revista

África do Sul desvendada

Revista ADEGA 102 · Abril/2014 · África do Sul desvendada

Dicas de enoturismo e os melhores vinhos da terra de Mandela