Navio do século XIX levava centenas de garrafas e possível presente diplomático para Alexandre II

por Redação
Um navio naufragado no Mar Báltico, descoberto por mergulhadores poloneses em 2024 próximo à costa da Suécia, pode revelar uma história que conecta Champagne, a Rússia imperial e a diplomacia europeia do século XIX. Novas pesquisas indicam que a embarcação seguia de Hamburgo para São Petersburgo em 1856 ou 1857 e transportava centenas de garrafas de Champagne e água mineral, além de instrumentos científicos, porcelanas e raros meteoritos. Parte da carga possivelmente seria destinada ao czar Alexandre II, da Rússia.
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A investigação começou depois que os mergulhadores Pawel Truszynski e Marek Cacaj encontraram no naufrágio uma garrafa de cerâmica marcada com a palavra “Nassau”. Inicialmente associada às Bahamas, a inscrição acabou identificada como uma referência ao antigo Ducado de Nassau, na Alemanha. O recipiente continha água mineral Selters, produto de luxo no século XIX. No porão da embarcação também foram encontradas fileiras de garrafas e barris, além de caixas com peças de porcelana.
Uma das principais pistas surgiu com a análise de uma garrafa de Champagne retirada do fundo do mar. Uma inscrição quase apagada na rolha permitiu identificar a Louis Roederer e o rótulo Carte Blanche. Testes realizados pela própria Maison apontaram que a garrafa seria da safra de 1857. A Rússia era então um mercado importante para a casa de Champagne: registros históricos indicam exportações de quase 600 mil garrafas para o país naquele ano. A relação com a corte russa se aprofundaria posteriormente e, em 1876, a Louis Roederer criaria o Cristal especialmente para Alexandre II.
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A hipótese dos pesquisadores é que parte da carga constituísse um presente oficial do duque Adolf de Nassau ao czar, pouco depois do fim da Guerra da Crimeia, em 1856. O carregamento funcionaria como um gesto diplomático para restabelecer relações e celebrar a retomada do comércio europeu após o conflito. Documentos encontrados em arquivos de Amsterdã apontam para uma embarcação cujas características e manifesto de carga coincidem com as evidências encontradas no naufrágio.
A identificação definitiva do navio, entretanto, ainda depende de novas evidências. A equipe aguarda autorização das autoridades suecas para realizar uma terceira expedição, na qual pretende procurar o sino da embarcação e escavar outras áreas do porão. A descoberta dos meteoritos mencionados no manifesto, por exemplo, poderia fornecer a comprovação necessária para determinar com segurança a identidade do navio e reconstruir as circunstâncias de seu naufrágio.