Proposta estabelece regras rígidas de produção e pode criar a primeira indicação geográfica voltada exclusivamente aos vinhos naturais

por Redação
O País de Gales poderá se tornar o primeiro território do mundo a contar com uma indicação geográfica protegida (IGP) exclusiva para vinhos naturais. Produtores galeses apresentaram ao Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido (Defra) um pedido para registrar a denominação "Natural Wine of Wales", que estabelece critérios específicos para cultivo, vinificação e rotulagem. A proposta está em análise desde agosto de 2025 e recebeu uma avaliação inicial favorável, embora ainda dependa da apresentação de informações complementares pelos proponentes.
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A iniciativa é liderada por Paul Rolt, proprietário da Hebron Vineyard, com apoio de outros produtores da região, como Richard Morris, Jean de Plessis, da Ancre Hill Estate, e David Morris, da Mountain People Wines. O objetivo é criar uma certificação que diferencie os vinhos naturais produzidos em território galês e estabeleça padrões claros de produção, evitando o uso indiscriminado do termo no mercado.
Pelas regras propostas, apenas vinhos elaborados com uvas cultivadas e fermentadas no País de Gales poderão utilizar a indicação. Os vinhedos deverão adotar práticas orgânicas, regenerativas ou biodinâmicas certificadas, enquanto a fermentação deverá ocorrer de forma espontânea, sem adição de leveduras industriais. O projeto também proíbe aditivos e auxiliares tecnológicos, restringindo o uso de sulfitos apenas ao momento do engarrafamento e em quantidades limitadas.
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Outro ponto importante da proposta envolve a transparência ao consumidor. Os produtores defendem que os ingredientes utilizados na elaboração dos vinhos sejam informados por meio de QR Codes ou diretamente nos rótulos. Atualmente, segundo os responsáveis pela iniciativa, a legislação britânica permite o uso de dezenas de insumos enológicos sem obrigatoriedade de divulgação ao consumidor, diferentemente do que ocorre na União Europeia.
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A futura IGP também pretende reforçar a identidade do vinho galês. Os proponentes criticam a regulamentação atual, que permite que até 15% das uvas utilizadas em vinhos com indicação geográfica do País de Gales sejam provenientes da Inglaterra, além de autorizar que parte da vinificação ocorra fora do território galês. Para o grupo, a nova certificação ajudaria a fortalecer o conceito de terroir local, estimular investimentos em vinícolas dentro do país e valorizar variedades PIWI, desenvolvidas para oferecer maior resistência a doenças e melhor adaptação às mudanças climáticas.
Caso seja aprovada, a certificação poderá abrir um precedente inédito para o setor vitivinícola internacional. Além de criar uma definição oficial para o vinho natural, a iniciativa tende a ampliar o debate sobre rastreabilidade, transparência na rotulagem e critérios de produção, temas que vêm ganhando espaço entre consumidores e produtores em diferentes mercados.