• APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
Assine
Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA
  • APRENDER
  • CURIOSIDADES
  • PERFIL
  • SABOR
  • MERCADO
  • REVISTA
  • CLUBE
  • Curiosidades

    Pequeno vinhedo preserva uma tradição vitivinícola que remonta à antiga Paris

    Clos Montmartre: o vinhedo que resiste no coração de Paris

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube
    Em 1933, um grupo de artistas e moradores olhou para um terreno baldio na Rue des Saules e plantou um vinhedo

    por Arnaldo Grizzo

    Quem caminha pelas ladeiras íngremes de Montmartre, entre turistas que buscam a Sacré-Cœur e artistas de rua que perpetuam o espírito boêmio do bairro, pode se surpreender ao encontrar, escondido atrás de grades de ferro, um vinhedo no coração de Paris: o Clos Montmartre é o testemunho de uma tradição que teima em resistir à urbanização de Paris.

    Para entender a importância deste pequeno pedaço de terra cultivada, é preciso voltar no tempo, à época galo romana, quando Paris e seus arredores formavam uma das principais regiões produtoras de vinho da Europa. Difícil imaginar hoje, mas até o final da Idade Média, um raio de cem quilômetros ao redor da capital francesa abrigava impressionantes 42 mil hectares de vinhedos. O vinho da época era muito mais leve em álcool, servia como alternativa segura à água não potável, sendo literalmente uma questão de saúde pública.

    Clique aqui e assista aos vídeos da Revista ADEGA no YouTube

    As freiras

    A colina de Montmartre pertencia à Abadia de Saint-Denis, assim como os vinhedos vizinhos de Clignancourt e Goutte d’Or. Mas foram as freiras da Abadia de Montmartre que, no século XII, estabeleceram as bases da viticultura local, transformando o cultivo da vinha em um negócio. Ter um vinhedo era sinônimo de riqueza e prestígio. Os vinhedos prosperaram até que, no século XIX, uma sucessão de catástrofes ocorreu.

    Primeiro veio o oídio em 1845, depois a temível filoxera entre 1861 e 1863, e finalmente o míldio em 1878. Estas pragas devastaram o vinhedo europeu, e os campos ao redor de Paris não foram poupados. Quando finalmente se encontrou uma solução para combater as doenças, já era tarde demais e a especulação imobiliária havia tomado conta, e construir casas se tornou mais lucrativo que replantar videiras.

    LEIA TAMBÉM: O que comer e beber na Paris da bistronomia

    Paris cresceu, engoliu Montmartre em 1860, e o antigo vilarejo bucólico se transformou no bairro dos cabarés e artistas que existe hoje. O Moulin Rouge girava suas pás vermelhas, Toulouse-Lautrec imortalizava a vida noturna, e as últimas videiras desapareciam. Até que, em 1933, algo extraordinário aconteceu.

    Renascimento

    Naquele ano, um grupo de artistas e moradores locais olhou para um terreno baldio na Rue des Saules – o mesmo que o desenhista Francisque Poulbot havia batizado carinhosamente de “square de la liberté” – e decidiu que ali deveria renascer a tradição vinícola de Montmartre. Com o apoio da municipalidade, plantaram as primeiras mudas, salvando o espaço da especulação imobiliária que ameaçava engolir o último pedaço verde.

    LEIA TAMBÉM: 5 lojas imperdíveis de vinhos naturais em Paris

    A história da primeira vindima é tipicamente parisiense em sua mistura de otimismo e improviso. Em 1934, mal um ano após o plantio, quando qualquer viticultor sabe que a vinha só produz a partir do terceiro ano, os montmartrois decidiram celebrar a Fête des Vendanges. Como fazer uma festa de colheita sem uvas? Simples: os vignerons de Beaujolais doaram suas uvas para que a celebração acontecesse. O evento teve como padrinhos ilustres os cantores Mistinguett e Fernandel.

    Hoje, o Clos Montmartre abriga cerca de 2.000 plantas de videira em seus 1.500 metros quadrados. É um vinhedo que mistura 30 cepas diferentes – Pinot Noir convive com Gamay, Sauvignon divide espaço com Chardonnay, numa babel vínica que desafia todos os manuais de enologia. “É um caleidoscópio de aromas”, define Sylviane Leplâtre, engenheira agrônoma e enóloga da Ville de Paris, responsável técnica pelos vinhedos municipais. “Os taninos são muito macios, redondos. É fresco, agradável, um vinho que não se parece com nenhum outro no mundo.”

    Terroir

    LEIA TAMBÉM: Quanto custa um vinhedo nos terroirs mais badalados da França?

    O Clos Montmartre contraria algumas das regras da viticultura clássica, começando por sua exposição. Enquanto os melhores vinhedos do mundo buscam o sol do sul, este olha para o norte. Para compensar, os jardineiros da cidade (são funcionários municipais que cuidam das videiras) desenvolveram técnicas especiais de poda para maximizar a captação de luz solar.

    Se o cultivo é peculiar, a vinificação não fica atrás. O vinho de Montmartre ganha vida nas caves da prefeitura do 18º arrondissement, onde as uvas urbanas se transformam em cerca de 1.000 a 1.300 garrafas anuais, dependendo dos caprichos do clima parisiense.

    Desde 1934, todo o lucro da venda é revertido para o Comité des Fêtes et d’Action Sociale de Montmartre, financiando projetos sociais para crianças e idosos do bairro. O vinhedo também se tornou um improvável oásis de biodiversidade urbana. Cultivado segundo princípios biodinâmicos, usando apenas cobre e enxofre como tratamentos, recebeu o selo Oasis Nature da associação do astrofísico Hubert Reeves.

    LEIA TAMBÉM: Descubra as nove regiões vinícolas imperdíveis do sul da França

    Festa da colheita

    Todos os anos, quando chega outubro, Montmartre então revive seu passado rural. A Fête des Vendanges transforma as ruas em um grande teatro a céu aberto, com desfiles de confrarias báquicas, música, gastronomia e, claro, degustações do vinho local. Visitar o Clos Montmartre hoje (mediante reserva, com direito a degustação e entrada no Musée de Montmartre) é um programa interessante para quem quer entender um pouco da história do vinho parisiense.

    Montmartre já abrigou a revolução artística que mudou o mundo, por que não abrigar também um vinhedo que desafia todas as convenções enológicas? No fundo, ambos compartilham a mesma essência: a capacidade de transformar o improvável em extraordinário.

    Gostou? Compartilhe

    Facebook Revista ADEGAInstagram Revista ADEGA

    palavras chave

    Pinot NoirVinho francêsHistória do vinhoGamayvinhedos históricosenoturismo em Parisvinhos da FrançaFête des Vendangesvinhedo de MontmartreMontmartreviticultura em Parisvinhos de ParisClos Montmartrevinhedos urbanos

    Notícias relacionadas

    Sémillon Gris

    Sémillon Gris é reconhecida como nova variedade pela OIV

    Miolo

    Miolo recebe Selo Ouro após registrar saldo negativo de carbono

    Videiras Douradas sobre a Caldeira Grega

    Produção de vinhos de Santorini despenca em seis anos

    Colheita Dourada no Vinhedo da Catedral

    Valencia inicia sua vindima mais precoce já registrada

    Chillon

    Nas masmorras de Chillon

    Finca 5062

    Wine Locals Festival estreia na capital paulista

    drone em vinhedo

    IA e drones serão testados em vinhedos de alta inclinação

    Trabalhador entre vinhedos ao sol

    Espanha amplia prazo para replantação de vinhedos

    microbioma intestinal

    O impacto do álcool no microbioma

    vinho e vinha

    Muriel Wines compra a histórica Marqués de la Concordia

    Os melhores do Guia ADEGA Espanha

    Escolha sua assinatura

    Impressa
    1 ano

    Impressa
    2 anos

    Digital
    1 ano

    Digital
    2 anos

    +lidas

    Sémillon Gris é reconhecida como nova variedade pela OIV
    1

    Sémillon Gris é reconhecida como nova variedade pela OIV

    Godello, renascida na Galiza
    2

    Godello, renascida na Galiza

    Quanto duram os vinhos naturais?
    3

    Quanto duram os vinhos naturais?

    Miolo recebe Selo Ouro após registrar saldo negativo de carbono
    4

    Miolo recebe Selo Ouro após registrar saldo negativo de carbono

    Aprenda harmonizar água com vinho
    5

    Aprenda harmonizar água com vinho

    Revista ADEGA
    Revista TÊNIS
    AERO Magazine
    Melhor Vinho

    Inner Editora Ltda. 2003 - 2022 | Fale Conosco | Tel: (11) 3876-8200

    Inner Group