Primeira vindima de novo projeto recupera castas e práticas agrícolas ligadas à história da cidade romana

por Redação
Quase dois milênios depois de a erupção do Vesúvio interromper a vida da antiga cidade romana, a vindima voltou a fazer parte da paisagem de Pompeia. Os pequenos vinhedos cultivados dentro das domus do sítio arqueológico tiveram sua primeira colheita dentro de um novo projeto que busca recuperar práticas agrícolas antigas e, ao mesmo tempo, estudar a viticultura local.
A colheita marcou a Festa do Vinho realizada no Parque Arqueológico de Pompeia e integra uma parceria público-privada firmada em novembro de 2024 entre o parque e o Grupo Tenute Capaldo, por meio das vinícolas Feudi di San Gregorio e Basilisco. Durante o evento, visitantes puderam acompanhar a vindima, conhecer alguns dos vinhedos e participar de degustações de vinhos e produtos agrícolas produzidos no local.
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O trabalho envolve 14 pequenos vinhedos espalhados pelas antigas residências, que juntos ocupam pouco mais de um hectare. Cada área possui características próprias de exposição, umidade, variedades e condução das plantas. Os muros que cercam os terrenos também ajudam a formar diferentes microclimas, fazendo desses espaços campos de pesquisa sobre a relação entre a videira e o ambiente de Pompeia.
Nas parcelas são cultivadas Aglianico, Piedirosso e Sciascinoso, variedades tintas que, segundo o projeto, já eram plantadas pelos romanos na Campânia. A reconstrução das antigas técnicas de cultivo conta com a colaboração do professor Attilio Scienza, da Universidade de Milão, enquanto a equipe da Feudi di San Gregorio acompanha o manejo agronômico e a evolução das videiras.
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A iniciativa já começa a ultrapassar os limites das domus. No início de 2026, um novo vinhedo foi plantado na região de Stabiae, próximo à Villa San Marco, com material genético retirado de videiras centenárias da Feudi di San Gregorio, na Irpinia.
Ainda jovem e sem produção, a área deverá ampliar gradualmente o projeto nos próximos anos e incluir variedades brancas tradicionais da Campânia: Fiano, Greco e Falanghina.
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Mais do que produzir vinho dentro de um dos sítios arqueológicos mais conhecidos do mundo, a proposta é usar a viticultura para recuperar uma dimensão cotidiana da antiga Pompeia. A vinha estava ligada à agricultura, à alimentação, à convivência e ao culto a Dioniso — ou Baco na tradição romana —, elementos que o parque vem explorando em diferentes iniciativas ao longo de 2026.
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