Estoques e vinhos de reserva devem evitar impacto imediato da quebra da safra sobre a oferta

por Redação
A produção de vinho da região de Champagne deve cair 48% em 2026, uma das maiores retrações da atual safra francesa. A estimativa aponta para 1,34 milhão de hectolitros, ante 2,57 milhões em 2025. Considerando apenas os vinhos destinados à denominação protegida Champagne, a queda prevista é de 49%, para 1,24 milhão de hectolitros, volume 47% inferior à média dos últimos cinco anos.
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Apesar da forte redução, isso não significa que a quantidade de garrafas de Champagne disponível no mercado cairá pela metade. Os números correspondem ao vinho elaborado com as uvas colhidas neste ano. Como a produção do espumante envolve vários anos e as casas mantêm estoques e vinhos de reserva de safras anteriores, parte da quebra poderá ser absorvida sem impacto imediato equivalente nas vendas.
A vindima começou em meados de agosto, com uvas que alcançaram níveis elevados de maturação. O volume, porém, foi prejudicado por uma combinação de geadas no departamento de Aisne, granizo e seca desde março. Segundo as estimativas, o peso médio dos cachos atingiu o menor nível em 20 anos. O Syndicat Général des Vignerons de la Champagne calcula que a produtividade média não deverá superar aproximadamente 7 mil quilos de uvas por hectare, o menor patamar desde a década de 1980.
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Antes que a dimensão das perdas fosse conhecida, o setor havia estabelecido em 8.800 kg/ha a quantidade da safra de 2026 que poderia ser destinada à comercialização, pouco abaixo dos 9 mil kg/ha definidos em 2025. A decisão já considerava a desaceleração da demanda e a necessidade de administrar os estoques. Produtores que não alcançarem esse rendimento não poderão compensar a diferença com novas uvas, mas as casas de Champagne poderão recorrer às reservas acumuladas.
O problema não se limita a Champagne. Dados preliminares da Agreste, serviço estatístico do Ministério da Agricultura francês, indicam que a França deverá produzir 3,39 bilhões de litros de vinho em 2026, queda de 6% em relação a 2025 e de 28% na comparação com 2023. Caso a previsão se confirme, será a menor safra francesa desde 1957.
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A redução da área de vinhedos em produção, estimada em 2,5%, explica parte do recuo nacional, mas seca e sucessivas ondas de calor tiveram peso maior ao diminuir a produtividade por hectare. Depois de Champagne, Jura aparece com queda prevista de 36%, enquanto Bourgogne-Beaujolais pode recuar 33%. Na Borgonha, as perdas de Pinot Noir superam 50%.
O economista Jean-Marie Cardebat, professor da Universidade de Bordeaux, estima que a perda em Champagne seja equivalente a cerca de 140 milhões de garrafas de 750 ml. Com base no faturamento médio por garrafa comercializada em 2025, o volume corresponderia a aproximadamente € 2,7 bilhões em valor comercial potencial. O efeito sobre o consumidor, entretanto, dependerá da capacidade dos produtores de utilizar seus estoques e vinhos de reserva para compensar a forte quebra da safra.
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